Antes restrita aos pesquisadores e cientistas, a lógica da inovação foi descoberta pela economia e passou a ser vista como uma estratégia empresarial vital para a perpetuação e ampliação dos negócios. Contudo, com a globalização dos mercados, que institui a competitividade comercial entre os países, e a volta de temas como a preservação ambiental e a redução dos estoques de recursos naturais, as atividades inovativas ganharam relevância nacional e passaram a ser geridas no âmbito dos governos reunindo todos os agentes sociais envolvidos em sistemas nacionais de inovação.
É consenso que não se faz inovação sem produção científica e tecnológica. A atividade inovativa, muito mais que uma intuição ou uma ideia, é produto de um conjunto de esforços sistematizados de pesquisa e desenvolvimento para criar ou aperfeiçoar uma tecnologia que possa ser aplicável e agregue valor a um produto ou processo. Esse valor resultante da inovação pode ser tanto comercial, monetário, quanto social ou ambiental, como a adoção de uma tecnologia que gere menos resíduos poluentes para a atmosfera, por exemplo.
A importância da inovação nos dias de hoje é tão forte que os países estabelecem políticas estruturantes envolvendo órgãos governamentais, com a previsão de financiamentos e subsídios fiscais para criar um ambiente propício ao desenvolvimento das atividades de produção científica e tecnológica. Para mensurar a performance dessas políticas e o grau de desenvolvimento tecnológico das nações foram criadas metodologias internacionais padronizadas. A mais difundida e aceita delas é a prevista na família de manuais da OCDE, notadamente no Manual de Oslo.
A sua conjuntura socioeconômica e a diversidade ambiental colocam o Brasil num patamar diferenciado nesse cenário. Contudo, apesar de possuir uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, o país já figura entre os maiores geradores de gases de efeito estufa em decorrência das atividades de desmatamento, agroindústria e do crescimento econômico pautado na economia dos hidrocarbonetos.
Ao longo da última década o governo brasileiro empreendeu esforços para integrar as dimensões desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e preservação ambiental. As duas últimas iniciativas nessa área os planos PITCE e PDP já apontavam objetivos e medidas concretas nesse sentido que foram aprofundadas com a política vigente lança em 2011 o Plano Brasil Maior.
Porém, segundo os dados obtidos nesta pesquisa, não foi possível evidenciar que a integração programática entre essas três vertentes assegurou a eficácia das ações nacionais voltadas a redução das emissões de gases de efeito estufa na indústria. A partir da aplicação da metodologia elaborada neste trabalho que utilizou os indicadores de patentes e trabalhos científicos, reconhecidos pelo Manual de Oslo para mensurar a produção tecnológica e científica respectivamente, percebeu-se que de fato há um potencial descompasso entre os resultados das ações previstas para ambas.
Essa provável hipótese decorre da constatação de que enquanto a publicação de teses de doutorado e dissertações de mestrado cresce consistentemente alcançando resultados expressivos nos últimos três anos de vigência do PBM, o número de pedidos de patentes apresenta um resultado claudicante, comprovando que a produção tecnológica não tem se materializado.
Mostrou-se também que quando confrontados os últimos três planos de desenvolvimento industrial, o Plano Brasil Maior, que apresenta medidas exclusivamente voltadas a promoção da inovação tecnológica para a economia de baixo carbono com a redução dos níveis de emissão dos gases de efeitos estufa, é o que possui o menor número de solicitações de patentes aplicáveis a esta finalidade. Este resultado denota a importância de aprofundar esse estudo para confirmar sua veracidade e, caso necessário, mapear suas causas.
Foi constatada também a baixa participação das universidades brasileiras nos processos de solicitação de patentes, denotando que a parceria universidade-empresa estratégica para a inovação tecnológica, no caso das tecnologias voltadas a redução das emissões de gases de efeito estufa na indústria, não se confirmou.
Os resultados encontrados acenam para a necessidade de realização de novos estudos e pesquisas nesta área utilizando outros indicadores para confrontar os dados encontrados neste trabalho e, caso necessário, identificar as potenciais causas dessa realidade subsidiando a tomada de decisão para ações corretivas.
Contudo não há dúvidas que algumas iniciativas já podem ser implantadas, a exemplo da determinação de parâmetros e sistemáticas de acompanhamento mais efetivas para monitorar os resultados das pesquisas científicas e tecnológicas realizadas na área utilizando benefícios previstos no PBM, bem como sistematizar realização de programas de
benchmarking para conhecer as experiências de outros países de referência em converter as produções científicas e tecnológicas em melhorias concretas no que tange a redução das emissões na matriz industrial.
Vale frisar ainda que, embora os indicadores utilizados não sejam um consenso na literatura no que tange a mensuração plena das atividades de produção científica e tecnológica por não terem outras informações agregadas que auxiliam na determinação do estágio de desenvolvimento inovativo de um país, os princípios de acessibilidade das fontes de informação e confiabilidade dos dados obtidos que levaram a sua escolha foram confirmados satisfatoriamente.
O INMETRO, enquanto autarquia do governo federal com atribuições nas dimensões desenvolvimento industrial e inovação, tem papel relevante dentro do conjunto de medidas previstas pelo plano Brasil Maior. Para fazer frente a essas responsabilidades o Instituto vem implementando um conjunto de iniciativas que abrange a revisão da sua estrutura organizacional e a determinação de novas frentes de trabalho junto ao setor produtivo. Nesse aspecto apresentou-se uma proposta de reposicionamento estratégico ao Instituto a partir de suas áreas de competência com funções para potencializar a sua atuação no processo de geração de inovação tecnologia aplicada a redução de gases de efeito estufa dentro do âmbito do Plano Brasil Maior.