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CONDIÇÕES DE TRABALHO

No documento gestão curso de administração - Univali (páginas 50-71)

Segundo Chiavenato (2004), o trabalho vem evoluindo desde o seu surgimento até os dias atuais com inúmeras formas de visualização, algumas vezes é realizado por obrigação ou necessidade e outras torna-se algo prazeroso. Para que isso aconteça, é necessário que as condições de trabalho sejam adequadas.

Buscando analisar as condições de trabalho oferecidas pelo Difference Hair aos seus profissionais, foi questionado quem disponibiliza os equipamentos e materiais necessários para a execução das atividades.1

O profissional e o empregador

O profissional O empregador Não respondeu

1 Os números inseridos nos quadros correspondem à quantidade de funcionários que optaram por determinada

resposta. Por exemplo, no quadro 1, há o número 3 embaixo da opção ―o profissional e o empregador‖, indicando que três participantes indicaram aquela opção.

3 5 2 1

Quadro 1: Condições de trabalho dos profissionais do Difference Hair I Fonte: Dados primários.

As demais questões foram respondidas com ―sim‖, ―não‖ ou ―mais ou menos‖, por isso são apresentadas agrupadas a seguir. Foi questionado: se a carga horária era adequada para a execução das atividades e tarefas de trabalho; se as condições de segurança e prevenção de acidentes garantem a integridade física no ambiente de trabalho; se o ambiente de trabalho é limpo e organizado; se há dificuldade relacionada ao aspecto físico para realizar o trabalho;

se o profissional tem autonomia para decidir sobre assuntos importantes que afetam a atividade de trabalho; e se as tarefas que realiza estão de acordo com a função.

Categoria Sim Não Mais ou menos

ou às vezes

Não respondeu Carga horária

adequada

9 2

Condições de segurança e

prevenção adequadas

8 1 2

Ambiente de trabalho limpo e

organizado

8 1 2

Dificuldade para realizar o trabalho

3 5 1 2

Autonomia para decidir sobre

assuntos importantes

7 2 2

Está satisfeito com os resultados

obtidos no trabalho

9 1 1

As tarefas que realiza estão de

acordo com a função

9 2

Quadro 2: Condições de trabalho dos profissionais do Difference Hair II Fonte: Dados primários.

Ao serem questionados se o ambiente de trabalho era limpo e organizado, todos responderam afirmativamente, exceto a auxiliar de serviços gerais que afirmou: ―os profisionais, principalmente as manicures, deveriam ser mais organizadas com as maletas de esmaltes‖ e não deixá-las jogadas pelo salão.

Também foi questionado se havia dificuldade relacionada ao aspecto físico para realizar o trabalho. A maioria respondeu que não, mas 3 profissionais responderam sim, sendo que uma respondeu ―várias‖ e outra respondeu ―problema constante nos lavatórios‖, mas não especificou que tipo de problema era.

Foi perguntado aos profissinais se tinham autonomia para decidir sobre assuntos importantes que afetam a atividade de trabalho. Nenhum respondeu ―não‖, sete responderam

―sim‖, dois responderam ―parcialmente‖ e dois não responderam.

4.3 FORMAS DE RECOMPENSA

De acordo com Bergamini (2008), a melhor maneira de uma empresa motivar e/ou recompensar seus funcionários é reconhecendo a importância do trabalho dele, através de promoções, homenagens, prêmios, etc. A empresa deve estudar seus funcionários, conhecê- los, para motivá-los e/ou recompensá-los de maneira a atender suas necessidades primordiais.

Para Deeprose (1999), a motivação por recompensas é vista pelos empresários como um fator de incentivo para que o funcionário exerça sua função com eficiência e qualidade.

Considerando a importância das recompensas financeiras e dos benefícios salariais para a qualidade de vida dos trabalhadores, as categorias analisadas neste tópico são: se o salário é adequado; se é equivamente aos dos colegas de trabalho que realizam as mesmas atividades; e se é equivalente aos profissionais que fazem as mesmas atividades em outros salões. Os resultados são apresentados a seguir:

Categoria Sim Não ―Não sei‖ ou

nulo

É o único profissinal

neste cargo

Salário adequado 9 2

Salário equivamente aos

dos colegas 1 2 5 3

Salário equivalente aos profissionais de outros salões

7 2 2

Quadro 3: Formas de recompensa Fonte: Dados primários.

As profissionais que não possuem colegas de trabalho realizando as mesmas atividades são a auxiliar de serviços gerais, a auxiliar de cabeleleiro que trabalha no lavatório e a podóloga.

Sobre seu salário, um cabeleleiro afirma que seu salário ―ainda não está no patamar desejado, mas levando em consideração todos os fatores, não posso reclamar‖. Uma das profissionais afirmou que o salário que recebe é maior do que o praticado nos outros salões.

O percentual de pagamento que fica para o salão é 30% (manicures, depiladoras e podólogas). Os cabeleleiros entregam 40% do valor dos serviços realizados com químicas e hidratações para o salão, 50% do valor recebido em outros serviços, como corte e escova e 60% do valor recebido em maquiagem. Uma profissional afirma que esta é a tabela de preços que vigora em Florianópolis. Os profissionais recebem também 10% de comissão por produtos vendidos e a maioria afirma que seu salário é adequado.

4.4 INTEGRAÇÃO SOCIAL NA ORGANIZAÇÃO

Segundo Rechziegel e Vanalle (2010, p. 6),refere-se à ausência de grandes diferenças hierárquicas e preconceitos, relacionamento marcado por apoio mútuo, franqueza interpessoal e respeito às individualidades‖.

Nesta parte, os entrevistados foram questionados sobre o relacionamento com os colegas de trabalho, a existência de hierarquia no ambiente de trabalho, preconceito, cooperação e confraternizações entre os colegas.

Categoria Sim Não Mais ou menos Nulo Bom

relacionamento com os colegas de

trabalho

9 1 1

Hierarquia no ambiente de

trabalho

6 3 2

Foi vítima de preconceito

2 9

Cooperação entre os profissionais

2 5 4

Participa de confraternizações

com os colegas

8 2 1

Quadro 4: Integração social na organização Fonte: Dados primários.

Em relação ao relacionamento com os colegas de trabalho, os que não responderam positivamente não justificaram sua resposta.

Sobre a hierarquia no ambiente de trabalho, um dos cabeleleiros afirma que ―a hierarquia existe e deve ser seguida, importância todos os colaboradores têm‖. A podóloga afirma: ―somos uma equipe‖.

Ao serem questionados se já foram vítimas de preconceito, um profissional afirma ter sido vítima de preconceito religioso e outro diz que sofreu preconceito por sua naturalidade.

Todos afirmaram que há confraternizações com os colegas de trabalho, na comemoração do natal e dos aniversários de cada profissional, dois afirmam que não participaram porque trabalham há pouco tempo no salão e ainda não tiveram oportunidade.

4.5 TRABALHO E ESPAÇO TOTAL NA VIDA

Foi questionado se o horário de trabalho permite que o profissional disponha de tempo para conviver com sua família e amigos e se proporciona aos profissionais qualidade de vida.

Categoria Sim Não Mais ou menos Nulo

O horário de trabalho permite que o profissional disponha de tempo

para conviver com sua família e amigos

4 4 2 1

O horário de trabalho proporciona qualidade de vida aos

profissionais

5 2 4

Quadro 5: Trabalho e espaço total na vida Fonte: Dados primários.

Ao serem questionados se o horário de trabalho permite que o profissional disponha de tempo para conviver com sua família e amigos, alguns responderam negativamente. Uma profissional respondeu ―muito pouco‖ e outro afirmou: ―Somente no domingo tenho tempo para a família e amigos‖.

A maior parte dos profissionais do Difference Hair trabalha, em média, 10 horas por dia.

Uma manicure afirma trabalhar, em média 10 a 11 horas por dia. A auxiliar de serviços gerais diz trabalhar das 8 às 17 horas e avalia sua qualidade de vida como ―mais ou menos‖.

Uma profissional que é manicure e depiladora afirma trabalhar entre 8 e 10 horas por dia, mas afirma que isso não prejudica a sua qualidade de vida.

A auxiliar de cabeleleio trabalha dez horas diárias (entre 9 e 19 hrs), sendo que 1 hora é resignada ao almoço, durante 5 dias na semana. E acredita ter uma ótima qualidade de vida.

Uma manicure trabalha das 9 às 18hrs e afirma ter qualidade de vida.

Um dos cabeleleiros afirma ser ele próprio quem determina seu horário de trabalho e que sua qualidade de vida é boa.

A podóloga trabalha de 10 a 12 horas diárias e não informou se esse horário lhe proporciona uma determinada qualidade de vida.

Uma das cabeleleiras afirma trabalhar em torno de 10 horas, com dois dias de descanso semanais.

Embora nenhum dos entrevistados tenha respondido que não possui qualidade de vida, menos da metade respondeu afirmativamente, e todos possuem uma jornada de trabalho acima do que é recomendado pela Organização Mundial do Trabalho e pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Além disso, como salienta Balestra (2010), a redução da jornada de trabalho é condição sine qua non para aumentar o tempo livre do trabalhador e protegê-lo da alienação provocada pelo trabalho excessivo. Portanto, a empresa deveria tomar atitudes no sentido de proporcionar mais tempo livre aos seus profissionais.

4.6 USO E DESENVOLVIMENTO DE CAPACIDADES

O uso e desenvolvimento de capacidades implicam o aproveitamento do talento humano. São inúmeros os fatores que levam um adulto a querer aprender, o avanço da tecnologia, a instabilidade do mercado de trabalho entre outras. Como explica Robbins (2005), os trabalhadores desejam, cada vez mais, não apenas um retorno financeiro, mas também a possibilidade de desenvolvimento pessoal. As pessoas passam a se preocupar mais com a profissão, em aumentar a sua empregabilidade, e não mais somente com a organização.

Considerando estes fatores, este estudo analisou: se o profissional exerce tarefas / funções diferenciadas; se há incentivo para cursos de aperfeiçoamento; e se eles têm planejamento/plano profissional.

Categoria Não Sim Nulo

Exerce tarefas / funções diferenciadas

6 3 2

Há incentivo para cursos de aperfeiçoamento

7 4 0

Planejamento/plano profissional

5 5 1

Quadro 6: Uso e desenvolvimento de capacidades Fonte: Dados primários.

Os profissionais que exercem funções diferenciadas no salão são os cabeleleiros.

As respostas são muito contraditórias no que se refere à cursos de aperfeiçoamento, pois 7 entrevistados responderam ―sim‖ e quatro ―não‖, mas não justificaram sua resposta.

Portanto, não é possível dizer se um profissional considera determinada atividade um curso de aperfeiçoamento e outro não, se os profissionais que trabalham há menos tempo no salão ainda não tiveram a oportunidade de participar de cursos de aperfeiçoamento, ou se alguns profissionais são selecionados para participar dessas atividades e outros não.

Sobre o planejamento profissional, uma manicure disse que seu planejamento profissional é ―trabalhar muito e ganhar pouco‖. A auxiliar de serviços gerais disse que seu planejamento profissional é ―seguir outra carreira‖. A auxiliar de cabeleleiro diz que seu planejameno profissional é se tornar cabeleleira. Um dos cabeleleiros afirma que seu planejamento profissinal é: ―dominar o mundo da costmética e ter minha linha de produtos de finalização‖. A podóloga afirma que é profissional liberal e trabalha dentro das suas possibilidades. Os outros entrevistados não opinaram.

Com base na pesquisa realizada, pode-se concluir que:

- Na maioria das vezes, é o profissional que compra seus equipamentos e materiais necessários para a execução das atividades.

- A carga horária, as condições de segurança e prevenção, a limpeza e organização são consideradas adequadas pela maioria dos profissionais. Da mesma forma, eles acreditam ter autonomia para tomar decisões importantes.

- A maioria dos profissionais está satisfeita com os resultados obtidos no trabalho e realiza tarefas de acordo com a sua função.

- Sobre o salário, a maioria o considerou adequado e equivalente ao salários dos profissionais que trabalham em outros salões, mas não souberam responder se o salário é equivalente ao dos colegas. No entanto, de acordo com as informações fornecidas sobre ganhos salariais, constata-se que são trabalhadores comissionados que recebem por serviço efetuado. De cada profissional é descontado um percentual do valor recebido para o salão e este percentual varia de 30% para manicures e depiladoras, e de 40 a 50% para cabeleleiros. A auxiliar de cabeleleiro e auxiliar de serviços gerais recebem salário fixo. Os cabeleleiros e a auxiliar de cabeleleiro também recebem um percentual de 10% sobre produtos vendidos.

- Em relação à integração social na organização, a grande maioria afirma ter um bom relacionamento com os colegas de trabalho, seis reconhecem a existência de hierarquia e alguns defendem a necessidade dela. Dois dos profissionais entrevistados foram vítimas de preoconceito, um de ordem religiosa e outro devido à sua naturalidade. E todos participam de

confraternizações com os colegas, exceto os que estão trabalhando há pouco tempo na empresa e ainda não tiveram a oportunidade de participar.

- Segundo a maioria dos entrevistados, o horário de trabalho não permite que o profissional disponha de tempo para conviver com sua família e amigos e a menos da metade dos entrevistados responderam que o horário de trabalho lhes proporciona qualidade de vida.

Isso provavelmente se deve ao fato de todos trabalharem, em média, 10 horas por dia, possuindo uma jornada de trabalho acima do que é recomendado pela Organização Mundial do Trabalho e pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Dessa forma, a proposta feita por este estudo é que os turnos de trabalho sejam melhor organizados para que o profissional não seja mais obrigado a trabalhar dez horas por dia, que a gerência investigue porque duas profissionais sofreram preconceito e tome medidas adequadas para que isso não ocorra mais e que invista em programas para aumentar a qualidade de vida de seus profissionais, que é satisfatória, mas poderia ser melhor.

5 CONCLUSÃO

Este estudo investigou a qualidade de vida no trabalho dos profissionais do salão de beleza Difference Hair.

O estudo chegou à conclusão de que a qualidade de vida está diretamente relacionada à motivação e à satisfação do trabalhador na empresa e que não é possível mensurar a qualidade de vida sem levar em conta esses dois fatores. Outra conclusão à qual este estudo chegou foi que a qualidade de vida no trabalho é um assunto atual e merece toda atenção. Já foram desenvolvidos vários modelos para o estudo da qualidade de vida no trabalho e o modelo escolhido para esta pesquisa foi adaptado de Walton (1973).

Com base neste modelos, foram estabelecidos os objetivos: descrever a percepção dos profissionais sobre as condições de trabalho oferecidas no Difference Hair; relatar a percepção dos profissionais sobre as formas de recompensa do trabalho desenvolvido no Difference Hair; identificar como é a integração social na organização do trabalho no referido instituto de beleza; verificar a relação do trabalho com o espaço total de vida dos profissionais do Difference Hair; e analisar a percepção dos profissionais sobre o uso e desenvolvimento de

suas capacidades no ambiente de trabalho.

Em relação à pesquisa realizada junto aos profissionais do Difference Hair, este estudo conclui que:

A carga horária, as condições de segurança e prevenção, a limpeza e organização são consideradas adequadas pela maioria dos profissionais. Da mesma forma, eles acreditam ter autonomia para tomar decisões importantes. A maioria dos profissionais está satisfeita com os resultados obtidos no trabalho e realiza tarefas de acordo com a sua função.

A maioria dos profissionais considerou seu salário adequado e equivalente ao salários dos profissionais que trabalham em outros salões, mas não souberam responder se o salário é equivalente ao dos colegas. A grande maioria também afirma ter um bom relacionamento com os colegas de trabalho, seis reconhecem a existência de hierarquia e alguns defendem a necessidade dela. Dois dos profissionais entrevistados foram vítimas de preoconceito, um de ordem religiosa e outro devido à sua naturalidade. E todos participam de confraternizações com os colegas, exceto os que estão trabalhando há pouco tempo na empresa e ainda não tiveram a oportunidade de participar.

Segundo a maioria dos entrevistados, o horário de trabalho não permite que o profissional disponha de tempo para conviver com sua família e amigos e a menos da metade dos entrevistados responderam que o horário de trabalho lhes proporciona qualidade de vida.

Isso provavelmente se deve ao fato de todos trabalharem, em média, 10 horas por dia, possuindo uma jornada de trabalho acima do que é recomendado pela Organização Mundial do Trabalho e pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Da análise dos autores consultados, pode-se constatar que: além de beneficiar o funcionário com recompensas financeiras para que ele se sinta motivado a desempenhar uma boa função e satisfeito com o reconhecimento pelo seu esforço, também é importante que a empresa se preocupe com os aspectos emocionais de seu funcionário, além, é claro, de atentar para a sua saúde. O lado emocional do relacionamento entre os indivíduos no local de trabalho é um altamente determinante da satisfação no trabalho e, em decorrência disto, de uma maior produção dos funcionários, contribuindo assim para maiores lucros da empresa.

Também é possível concluir que é necessário tornar a qualidade de vida uma prática efetiva em todas as organizações empresariais. Mas, apara que isso aconteça, faz-se necessário conscientizar empresários e executivos dos benefícios e resultados que, a médio e longo prazo, esses programas dão para as empresas, em termos de satisfação no trabalho,

produtividade e lucratividade. Somente com esta tomada de consciência haverá há um efetivo envolvimento e comprometimento com o programa. Desta forma, as organizações estarão oferecendo condições para que o colaborador seja um ser humano integral, com qualidade de vida.

Dessa forma, a recomendação feita por este estudo é que os turnos de trabalho sejam melhor organizados para que o profissional não seja mais obrigado a trabalhar dez horas por dia, que a gerência investigue porque duas profissionais sofreram preconceito e tome medidas adequadas para que isso não ocorra mais e que invista em programas para aumentar a qualidade de vida de seus profissionais, que é satisfatória, mas poderia ser melhor.

Para futuros estudos, recomenda-se que a qualidade de vida seja analisada em outros ambientes de trabalho, especialmente os que, assim como o instituto de beleza objeto deste estudo, prestam atendimento ao público, como estabelecimentos comerciais em geral.

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