Quando se trata de conectividade, a transmissão pode ocorrer ao longo do meio físico de várias formas e cada forma de conectar uma rede vai depender diretamente da tecnologia aplicada, além da possibilidade de existirem vários tipos de enlaces para conexão, como satélites, ondas de rádios, ou microondas2, redes de acesso metálicas e redes fotônicas (fibra e infravermelho).
As formas de conectar as redes são desenvolvidas com o objetivo de serem transparentes para o usuário. Logo, para um sistema qualquer funcionar não são apresentadas ao usuário final, ou até mesmo desenvolvedor de um aplicativo de rede, as possíveis divergências tecnológicas no meio de transmissão de um dado (SOARES, 1995, p. 169).
2 Microondas: Ondas de rádios de forma mais concentrada.
2.2.1 Rede Digital de Serviço Integrado (RDSI)
Trata-se de uma tecnologia de acesso rápido, que surgiu bem antes do ADSL (Digital Subscriber Line - Linha Digital Assimétrica para Assinante). Já está disponível na maioria das cidades, mas que oferece várias desvantagens, por ser mais lento e caro. Na RDSI, do inglês ISDN (Integrated Services Digital Network) faz-se uso do sistema telefônico comum, e os pulsos telefônicos são cobrados normalmente.
A vantagem é que este sistema tem à disposição duas linhas digitais de 64 Kb cada uma, que podem ser usadas tanto para conexão à internet quanto para chamadas de voz normais. Na hora da conexão, tem-se a opção de usar as duas linhas, conectando-se a 128 Kb, ou então se deixa a segunda linha livre para uma chamada de voz, mas em compensação acessando a apenas 64 Kb. No entanto, os pulsos são tarifados normalmente; se o usuário utilizar as duas linhas ao mesmo tempo terá um custo dobrado (MORIMOTO, 2002).
2.2.2 Linha Digital Assimétrica para Assinante
A terminologia, do inglês Assymmetric Digital Subscriber Line (ADSL), refere-se a uma tecnologia que permite a transferência digital de dados em alta velocidade por meio de linhas telefônicas comuns. A cada dia, a tecnologia ADSL ganha novos usuários, tanto que este é o tipo de conexão à internet em banda larga mais usado no Brasil e um dos mais conhecidos no mundo.
A tecnologia ADSL funciona instalando-se um modem específico para esse tipo de conexão na residência ou empresa do usuário, fazendo-o se conectar a um equipamento na central telefônica. Neste caso, a linha telefônica serve como "estrada" para a comunicação entre esses dois pontos. Essa comunicação ocorre em frequências acima de 5000 Hz, não interferindo na comunicação de voz (que funciona entre 300 Hz e 4000 Hz). Como a linha telefônica é usada unicamente como um meio de comunicação entre o modem do usuário e a central telefônica, não
é necessário pagar pulsos telefônicos, pois a conexão ocorre por intermédio do modem e não se discando para um número específico, como é feito com o acesso à internet via conexão discada.
Isso deixa claro que todo o funcionamento do ADSL não depende da linha telefônica, pois esta é apenas um "caminho", mas sim ao modem. Quando um modem estabelece uma conexão com o da central telefônica, o sinal vai para um roteador, em seguida para o provedor e, finalmente, para a internet. É importante frisar que é possível que este sinal saia diretamente do roteador para a internet. No Brasil, o uso de provedor é obrigatório por regras da Agência Nacional de Telecomunicações (ALECRIM, 2006).
O ADSL é uma tecnologia desenvolvida com o objetivo de proporcionar acesso de banda larga permitindo altas taxas na recepção de dados.
A grande vantagem do ADSL é a possibilidade de se utilizar somente um par de fios de cobre, ou seja, a estrutura física de comunicação do telefone é totalmente aproveitada podendo-se utilizar a internet e a conversação telefônica padrão.
2.2.3 Tecnologia de transferência assíncrona
As redes de transferência assíncronas (ATM - Asycronous Tranfer Mode) são uma tecnologia de transporte e comutação de informações no formato digital (dados, voz, imagem, multimídia) que têm se mostrado padrão para as futuras redes de alta velocidade. Pode-se considerar o ATM mais que um protocolo, uma tecnologia de transmissão de voz, dados e imagem integrados.
O ATM é uma tecnologia de comutação de pacotes de tamanho fixo (também chamados de células) e multiplexação estatística de circuitos na qual a banda de transmissão para uma determinada porta é alocada de acordo com a demanda.
Os canais de comunicação de uma rede ATM devem ser de alta velocidade, na faixa de dezenas de megabits/segundo (Mbps), interligando equipamentos roteadores e switches que fazem o encaminhamento das células ao seu destino. Os switches ATM são os equipamentos que fazem o roteamento dos dados no formato de células dentro da rede ATM. Uma rede ATM pode tanto ser interna a uma empresa quanto externa (WAN).
O meio de transporte (canal) é preenchido com uma sequência de células ATM, que transporta informações de dados, voz e imagem digitalizadas.
Quando um arquivo qualquer vai ser transmitido por uma rede ATM, ele é dividido em células ATM de tamanho fixo (53 bytes) as quais são transmitidas ao longo da rede. O receptor reagrupa as células formando o arquivo original (SOUSA, 2004, p. 151, 152).
2.2.4 Redes multiprotocolos
O MPLS (Multi Protocol Label Switching) é um mecanismo de transporte de dados pertencente à família das redes de comutação de pacotes, que permite que os operadores de uma determinada rede tenham alto desempenho no desvio de tráfego de dados em situações críticas, tais como de falhas e gargalos (ou congestionamentos) (FALSARELLA, 2008).
MPLS, ou MultiProtocol Label Switching, é uma tecnologia de encaminhamento de pacotes baseada em rótulos (labels) que funciona, basicamente, com a adição de um rótulo nos pacotes de tráfego (O MPLS é indiferente ao tipo de dados transportado, pelo que pode ser tráfego IP ou outro qualquer) à entrada do backbone (chamados de roteadores de borda) e, a partir daí, todo o encaminhamento pelo backbone passa a ser feito com base neste rótulo.
Comparativamente ao encaminhamento IP, o MPLS torna-se mais eficiente uma vez que dispensa a consulta das tabelas de routing.
Este protocolo permite a criação de Redes Virtuais Privadas garantindo um isolamento completo do tráfego com a criação de tabelas de "labels" (usadas para roteamento) exclusivas de cada VPN (FALSARELLA, 2008).
Como o MPLS foi concebido para permitir um serviço unificado de transporte de dados para aplicações baseadas em comutação de pacotes ou comutação circuitos, ele pode ser usado para transportar vários tipos de tráfego. O MPLS pode utilizar as seguintes redes de acesso (Enciclopédia Livre - MPLS):
Acesso xDSL (Digital Subscriber Line): acesso que utiliza a rede de acesso ADSL das operadoras.
Frame Relay: utiliza como acesso as redes legadas e nas velocidades de 64 a 2048 kbps.
ATM (Asynchronous Transfer Mode): utiliza como acesso à rede MPLS, a rede ATM nas velocidades de 2 a 155 Mbps.
TDM (Time Division Multiplex): utiliza acessos determinísticos nas velocidades de 1Mbps a 18 Mbps.
Rede IP: utiliza como acesso à rede IP MPLS da Prestadora de serviço e acesso à rede IP.
O MPLS foi apresentado, inicialmente, como uma solução que possibilita melhorar a velocidade de encaminhamento dos pacotes pela rede, mas atualmente está sendo considerada uma tecnologia de grande importância que oferece novas potencialidades, principalmente, em redes IP. A Engenharia de Tráfego que representa a habilidade de operadores de rede de ditar o trajeto pelo qual o tráfego segue e o suporte a VPN são exemplos de duas aplicações chaves em que o MPLS possui grande destaque (INÁCIO, 2002). Este padrão de conectividade além de suportar as principais formas de coenctividade apresentada nos subtópicos de tópico, permite o acesso Wireless, fornecido através de rádios digitais (tecnologia pré WiMAX), à distância de até 16 Km e velocidade de até 54 Mbps.
A estrutura do MPLS prevê a monitorização remota, detecção e resolução de erros de percurso em sua rede. Este protocolo funciona com outros protocolos de roteamento (RIP, OSPF e o BGP3) para criar o rótulo de comutação de caminhos usado para encaminhar pacotes. Esta estrutura permite a geração de rede virtuais com controle do ambiente conectado, evitando a perda de dados.
Figura 5: Conexão do protocolo MPLS, através da rede internet
3 São os três protocolos de roteamento dinâmico, mais conhecidos: o RIP (Routing Information Protocol, Protocolo de Informação de Roteamento – utiliza UDP); OSPF (Open Shortest Path First, Primeiro o Caminho Mais Curto – utiliza UDP e TCP); e, o BGP (Border Gateway Protocol, Protocolo de Gateway de Fronteira – utiliza TCP).