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Conhecimento de gravidez no ambiente escolar

No documento JUVENTUDES (páginas 128-134)

3.2 A gravidez na juventude: representações na escola

3.2.2 Conhecimento de gravidez no ambiente escolar

Quando perguntado aos alunos se sabem de alguma jovem grávida na escola, tem-se valores altos, indicando a ampla extensão de tal fato:

os percentuais de respostas afirmativas variam de 60,7%, em Manaus, a TABELA 3.2 – Proporção de pais de alunos do ensino fundamental e médio, por sexo, segundo informação suficiente sobre gravidez e controle de natalidade e capitais de Unidades da Federação – 2000

Fonte: UNESCO, Pesquisa Nacional Violência, Aids e Drogas nas Escolas, 2001.

Notas: Foi solicitado aos pais: Entre os assuntos abaixo, diga sobre quais você tem conhecimento suficiente? Categoria selecionada: Gravidez e controle de natalidade.

(1) Foram consideradas apenas as respostas afirmativas.

41,4%, no Rio de Janeiro. Porém, as cidades de Cuiabá, Maceió, Manaus, São Paulo e o Distrito Federal destacam-se com percentuais que ultrapassam os 54% (Tabela 3.3).

Com relação a gênero, constata-se que, sem exceções, as meninas mais do que os meninos mencionam que sabem de adolescentes grávidas em suas escolas. Destacando-se as cidades de Florianópolis e Salvador, locais onde as respostas afirmativas das meninas superam as dos meninos, existindo uma diferença entre 20,8 e 18,5 pontos percentuais, respectivamente (Tabela 3.3).

TABELA 3.3 – Proporção de alunos do ensino fundamental e médio, por sexo, segundo conhecimento de alguma jovem grávida na escola e capitais de Unidades da Federação – 20001

Fonte: UNESCO, Pesquisa Nacional Violência, Aids e Drogas nas Escolas, 2001.

Notas: Foi perguntado aos alunos: Você sabe de alguma jovem grávida na sua escola?

(1) Dados expandidos.

(2) Foram consideradas apenas as respostas afirmativas.

São muitos os professores que declaram que têm conhecimento de alunas, menores de 18 anos, grávidas nas escolas. O percentual de resposta afirmativa varia de 76,3%, na capital Fortaleza, até 54,2%, em

Cuiabá. Nota-se que mais de 70,0% dos docentes do Distrito Federal, Florianópolis, Salvador, Recife, Porto Alegre e a já citada Fortaleza assinalam o fato, não se desprezando também que as percentagens mais baixas ultrapassam os 50,0%.

Os dados da tabela a seguir, quando comparados com as informações dos alunos, sugerem que os professores conhecem mais casos de jovens grávidas no ambiente escolar do que os próprios colegas dessas, ou seja, as alunas e alunos, em qualquer capital analisada. Somente em Cuiabá, os dados indicam grau de conhecimento semelhante entre esses dois atores (sendo para alunos, 56,9%, e professores, 54,2%). Além disso, observa-se que a cidade de Fortaleza apresenta uma elevada diferença, de 33 pontos percentuais a favor dos professores. Para esta capital, 43,4% dos alunos e 76,3% dos professores responderam afirmativamente (Tabela 3.4).

TABELA 3.4 – Proporção de membros do corpo técnico-pedagógico, por conhecimento de alunas menores de 18 anos grávidas na escola, segundo capitais de Unidades da Federação – 2000

Fonte: UNESCO, Pesquisa Nacional Violência, Aids e Drogas nas Escolas, 2001.

Nota: Foi perguntado aos membros do corpo técnico-pedagógico: Você sabe de algum caso de aluna(s) menor de 18 anos grávida(s) nesta escola?

O percentual de jovens alunas que afirmam que já ficaram grávidas alguma vez varia entre 36,9%, em Recife, a 12,2%, em Florianópolis.

Nota-se que esta taxa cresce à medida que aumenta a faixa etária. Porém, em Fortaleza, Cuiabá e Florianópolis, esta percentagem é maior para a faixa de 10 a 14 anos de idade do que a de 15 a 19 anos.

Chama particular atenção que 33,3% de jovens de Fortaleza, 22,2%

de Cuiabá e 20,0% de Manaus indiquem que já engravidaram na faixa de 10 a 14 anos, correspondendo em números absolutos a 423, 669 e 567 alunas, respectivamente (Tabela 3.5).

TABELA 3.5 – Proporção de alunas do ensino fundamental e médio, por faixa etária, segundo indicação de que já engravidou e capitais de Unidades da Federação – 20001

As jovens, quando questionadas sobre a idade que tinham quando engravidaram a primeira vez, com maior probabilidade, estavam na faixa dos 15 aos 19 anos.

Enfatiza-se que a faixa etária dos 10 aos 14 anos apresenta taxa superior à faixa de 20 a 24 anos, à exceção de Belém, São Paulo e Rio de Janeiro. Assim, em Belém, 16,2% das alunas afir mam que engravidaram na faixa etária de 20 a 24 anos, enquanto que 5,9% assinalam o período entre 10 e 14 anos. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os percentuais se apresentam semelhantes (9,5% e 14,3%, respectivamente).

Para todas as outras capitais, prevalece percentual mais elevado, para a primeira gravidez, na primeira faixa etária (de 10 a 14 anos) quando comparado à última (20 a 24 anos de idade).

Ressalta-se que em Recife ocorre quase quatro vezes mais gravidez na faixa dos 10 aos 14 anos de idade do que na faixa dos 20 aos 24 (Tabela 3.6).

Fonte: UNESCO, Pesquisa Nacional Violência, Aids e Drogas nas Escolas, 2001.

Notas: Foi perguntado às alunas: Você já ficou grávida alguma vez?

(1) Dados expandidos.

TABELA 3.5 – (continuação)

A idade da primeira gravidez, em cada capital estudada, está por volta dos 16 anos, chegando a 17,5 anos em Belém, confirmando as informações da Tabela 3.6 que indica que a primeira gravidez ocorre na faixa etária de 15 a 19 anos de idade (Tabela 3.1-A, anexa). Como a iniciação sexual (ver Capítulo 2) entre as jovens com a maior probabilidade ocorre em tal faixa etária, presume-se que é mais comum que a primeira gravidez se associe à primeira relação sexual.

É comum, na literatura e em nível de senso comum, a referência à gravidez no grupo de 15 a 19 anos e mesmo entre as jovens de 20 a 24 anos, como “precoce”, “indesejada” ou “não planejada”

considerando-se que essas não seriam – social ou biologicamente – fases “apropriadas” para a gestação e reprodução biológica.

Considera-se a fecundidade das mulheres com menos de 20 anos ‘precoce’, não apenas por razões biológicas relacionadas ao desenvolvimento humano, mas principalmente, porque a gestação nesta idade antecipa os movimentos TABELA 3.6 – Proporção de alunas do ensino fundamental e médio, por faixa etária da primeira gravidez, segundo capitais de Unidades da Federação – 20001

Fonte: UNESCO, Pesquisa Nacional Violência, Aids e Drogas nas Escolas, 2001.

Notas: Foi perguntado às alunas: Quantos anos você tinha quando ficou grávida a primeira vez?

(1) Dados expandidos.

socialmente institucionalizados para a reprodução e, com isto, traz uma série de resultados indesejados para as mulheres e filhos. (Camarano, 1998: 110) Tal postura busca fundamento em testemunho de jovens que vivenciaram gravidezes. Camarano (op. cit.) menciona pesquisa realizada no Rio de Janeiro, Recife e Curitiba sobre “Saúde Reprodutiva e Sexualidade do Jovem”, pela BENFAM, entre 1989 e 1990, documentando que cerca de 70% dos jovens do Rio de Janeiro afirmaram ter engravidado uma parceira; 63% em Recife e 54% em Curitiba declararam que de fato aquela gravidez não foi planejada.

Há autores que consideram a combinação entre juventude e masculinidade como um fator de risco. De acordo com pesquisa da BEMFAM realizada em 1996 (cit. in Moreira, 2002: 5), 17% da população masculina, entre 15 e 24 anos, declarou que já tinha engravidado uma parceira.

Contudo tal juízo de valor sobre o risco que representam os jovens homens de engravidarem suas parceiras, além de não considerar o estatuto de sujeito das mulheres envolvidas em tais relações, embasa-se em considerações sobre características que são atribuídas aos jovens homens:

Adolescentes e jovens apresentam comportamento sexual que os leva a se envolverem em relações sociais de risco, cujo indesejável resultado pode ser infectarem- se por uma DST, inclusive o HIV/Aids ou engravidar uma parceira (...). Santos e Santos (1999) referem-se a algumas características dos adolescentes que conferem risco à atividade sexual: despreparo para lidar com a sexualidade; onipotência e sentimento de invulnerabilidade; barreiras e preconceitos; dificuldades de tomar decisões; indefinições de identidade; conflito entre razão e sentimento; necessidades de afirmação grupal e dificuldades de administrar esperas e desejos. (Moreira, 2002: 1) Nos parágrafos seguintes, detalham-se os porquês da adjetivação negativa à gravidez na juventude, mas se adianta que os discursos dos jovens se alinham ao encontrado na literatura que tende a acentuar a problemática de uma gravidez para uma trajetória considerada ideal do que seria ser jovem.

3.2.3 Causas de uma gravidez não planejada: percepção de alunos, pais

No documento JUVENTUDES (páginas 128-134)