Os direitos sexuais incluem o direito à liberdade e à autonomia e ao exercício responsável da sexualidade” (Plataforma de Ação de Pequim, 1995). É, portanto, lógico que uma literatura importante no campo da sexualidade tenha se concentrado no lugar da escola e na educação dos jovens.
A pesquisa extensiva
Seleção dos pais e da equipe técnico-pedagógica dos alunos Os alunos das turmas selecionadas para a amostra também receberam questionários preenchidos pelos pais ou responsáveis. Também distribuímos os questionários aos trabalhadores técnico-pedagógicos, ou seja, professores, diretores, coordenadores, supervisores pedagógicos e consultores educacionais (na pesquisa nos referimos a todos eles como professores).
A pesquisa compreensiva
Um grupo focal é uma técnica de entrevista em que os membros do grupo contam e discutem pontos de vista e valores sobre si mesmos e o mundo ao seu redor8. A técnica da entrevista tem um significado especial quando a performance/percepção está no centro, pois são privilegiadas as palavras dos atores-sujeitos da pesquisa.
Análise e apresentação dos dados qualitativos
De acordo com os dados da Tabela 1.3, foram realizados 107 grupos focais com alunos, 37 grupos focais com professores e 29 com pais, envolvendo escolas públicas e privadas. Vale ressaltar que o conteúdo e a duração das entrevistas e dos grupos focais diferiram conforme a categoria do informante.
Síntese de informações sobre a pesquisa
Caracterização do universo amostrado: alunos
Características sociodemográficas
Informações sobre os tipos de arranjos familiares em que os estudantes vivem podem ser encontradas na Tabela 1.6. Isto mostra que a grande maioria – cerca de sete em cada dez estudantes – vive em famílias formadas por um pai. padrasto, mãe/madrasta e demais familiares. No caso das mães, observa-se que cerca de 1/3 dos alunos TABELA 1.6 – Proporção de alunos do ensino fundamental e médio, por composição familiar, segundo capitais das unidades da federação – 20.001¹. Fonte: UNESCO, Inquérito Nacional sobre Violência, SIDA e Drogas nas Escolas, 2001.
A virgindade na perspectiva de jovens e adultos
Estas reações sociais estão ausentes quando se trata da iniciação sexual dos meninos: Não, acho que as mulheres já são diferentes. Grupo focal com pais, escola pública, Manaus) – Acho que as mulheres estão mais preocupadas, não acho que os homens estejam. Eu também acho, acho que as meninas estão mais preocupadas com a virgindade, agora os rapazes não, são mais liberais.
Eu acho que pais, educadores, porque eu também tenho filho, a questão da virgindade não incomoda mais a gente, nem passa pela cabeça.
Entre o ficar e o namorar, a vida sexual
Grupo focal com estudantes, escola particular, São Paulo) Embora a união seja considerada uma novidade nos tempos modernos e, como mostrado acima, pode desestabilizar as tradicionais relações hierárquicas de gênero, bem como permitir que as jovens experimentem outras formas de experiência. prazeres e afetos que não necessariamente se esgotam num sentido único e libertário na prática do ser. Cerca de metade dos jovens escolheu a alternativa de que as meninas gostam de sair para namorar e os meninos gostam de “passar por aí” – 57,3% em Fortaleza a 41,5% em Florianópolis – portanto com diferenças regionais mínimas. Grupo focal com alunos, local com alunos, local com alunos, local com alunos, escola pública, local com alunos, escola pública, escola pública, escola pública, escola pública, Salvador Salvador Salvador Salvador Salvador.
A percentagem de pessoal técnico-pedagógico nas escolas inquiridas é muito inferior, comparativamente à percentagem de alunos que concorda que as raparigas gostam mais de namorar, os rapazes gostam de ‘encontrar-se’.
A conversa sobre sexualidade
Por exemplo, em Fortaleza a equivalência entre pais/mães que não conversaram com os filhos é de 26/12%. Foi questionado aos membros do corpo técnico-pedagógico: Dos assuntos abaixo, sobre quais você tem informação suficiente? Há também registros de conflitos com os pais, que acreditam que os professores promovem a sexualidade dos alunos.
Nas quatro capitais, porém, as mães têm mais visibilidade do que os pais interagindo com os filhos e falando sobre sexualidade.
Construções sobre gravidez na adolescência: ecos da literatura
A gravidez juvenil como um problema
A gravidez na adolescência torna-se mais visível justamente em momentos de declínio da fecundidade (Patarra, 1995), e o crescimento não se limita necessariamente aos países com menor índice de desenvolvimento, embora seja comum destacar que as taxas de fecundidade entre os jovens que vivem em regiões consideradas mais desenvolvidas e aqueles com um nível de escolaridade mais elevado tendem a ser inferiores aos dos jovens com um nível de escolaridade mais baixo. Entre as mulheres de 15 a 19 anos que faziam parte de um grupo familiar que ganhava até um salário mínimo, a taxa de fertilidade em 1991 foi calculada em 128%0; aqueles que faziam parte de grupo familiar com renda igual ou superior a dez salários mínimos, em 13%0 (Camarano, 1998). De 1935 a 1996, a tendência foi um aumento acentuado da fecundidade no grupo dos 15 aos 19 anos e uma redução progressiva da registada no grupo dos 20 aos 24 anos, mas também para este grupo as taxas de fecundidade são superiores às para mulheres mais velhas.
No entanto, esta variação não foi linear...o aumento da fecundidade na faixa etária dos 15 aos 19 anos ocorreu na década de 1940, seguido de um declínio até à década de 1960, quando a fecundidade voltou a crescer.
Relativizando generalizações e identificando
Uma mulher brasileira entre 10 e 14 anos dá à luz a cada 15 minutos e dos 2,7 milhões de partos no Serviço Único de Saúde no ano passado, 1,3% foram de mães nessa faixa etária. Vários autores destacam que a gravidez na adolescência, além de ser problemática para o percurso de vida dos jovens, torna-se um problema social, tendo em conta a insegurança dos serviços de saúde, tanto para o pré-natal como para o pós-natal. , tanto para nascimentos como para programas de planejamento familiar e a probabilidade de a gravidez levar a um aborto realizado em condições inseguras, além do sigilo que cerca o assunto para as mulheres. Os autores que enfatizam a problemática da gravidez entre os jovens costumam referir-se à importância das políticas públicas na área dos programas de saúde e de educação sexual nas escolas (Almeida, 2002).
Enfatiza-se a preocupação com análises funcionalistas, dicotomias e associações que empobrecem a complexidade geral do assunto e seus múltiplos significados, incluindo o poder, embora em muitos casos ilusório para as mulheres jovens, como refletem Catharino e Giffin.
A gravidez na juventude: representações na escola
Conhecimento sobre gravidez juvenil: professores e pais
Nota-se que os maiores percentuais, conforme mostra a Tabela 3.2, ocorrem principalmente em cidades das regiões Sul e Sudeste. Em cidades como Manaus e São Paulo, tanto pais quanto mães apresentam percentuais semelhantes de respostas afirmativas em relação à informação suficiente quando questionados sobre seu nível de conhecimento sobre gravidez e contracepção (Tabela 3.2). Existem diferenças regionais sobre esse tema, que, conforme observado no início deste capítulo, são destacadas na literatura sobre gravidez na adolescência no Brasil.
Nas capitais do Sul e do Sudeste, o nível de conhecimento tanto dos pais quanto dos professores é superior ao das demais.
Conhecimento de gravidez no ambiente escolar
Ressalta-se que a faixa etária de 10 a 14 anos apresenta percentual superior à faixa etária de 20 a 24 anos, com exceção de Belém, São Paulo e Rio de Janeiro. Vale ressaltar que no Recife ocorrem quase quatro vezes mais gestações na faixa etária de 10 a 14 anos do que na faixa etária de 20 a 24 anos (Tabela 3.6). A idade da primeira gravidez em cada capital estudada gira em torno de 16 anos e chega a 17,5 anos em Belém, o que confirma a informação da Tabela 3.6, que mostra que a primeira gravidez ocorre na faixa etária de 15 a 19 anos (Tabela 3.1). -A, anexado).
A fecundidade das mulheres com menos de 20 anos é considerada 'precoce', não só por razões biológicas relacionadas com o desenvolvimento humano, mas principalmente porque a gravidez nesta idade prediz movimento TABELA 3.6 – Percentagem de estudantes do ensino primário e secundário, por faixa etária. gravidez, segundo capitais das Unidades da Federação – 20.001.
Causas de uma gravidez não planejada: percepção de
TABELA 3.1 – Falta de informação da minha mãe, da minha avó Grupo focal com alunos, escola pública, Salvador Grupo focal com alunos, escola pública, Salvador Grupo focal com alunos, escola pública, Salvador Grupo focal com alunos, escola pública, Salvador grupo focal com estudante, escola pública, Salvador falo por causa da minha irmã que engravidou aos treze anos por falta de informação da minha mãe, minha avó. Pode ser falta de informação com a família, falta de diálogo com a família, com as pessoas de casa. Grupo focal com alunos, escola pública, Maceió Grupo focal com alunos, escola pública, Maceió Grupo focal com alunos, escola pública, Maceió Grupo focal com alunos, escola pública, Maceió Grupo focal com alunos, escola pública, Maceió Olha, mas espere aí .
Eu falo para eles, só se eles quiserem, porque não tem mais ninguém que seja burro, todo mundo sabe que existe prevenção, camisinha ou anticoncepcional, mas existe prevenção para que depois não aconteça uma gravidez inesperada e você recorra ao aborto (. . ) Existem muitas maneiras de evitar uma gravidez indesejada, eu até falo para ela, falo assim, em português claro: “Olha, quando você começar a dar, me conta, eu sou enfermeira e dou injeções. , eu faço tudo, mas, pelo amor de Deus, você não vai engravidar!” Grupo focal com pais, escola pública, Belém).
Significado de gravidez na juventude: percepção de
Esta seleção foge muito da definição que a segue e vai na direção oposta, destacando os aspectos positivos, ou seja, ter um filho é felicidade. As mulheres jovens são as mais propensas a afirmar que ter um filho é felicidade, o que estaria em linha com a ideologia geral da maternidade não apenas como uma obrigação, mas como uma “bênção para as mulheres”. Mas homens e mulheres partilham o princípio de que ter um filho é uma obrigação, com percentagens semelhantes entre os dois na maioria das capitais analisadas.
Quanto às alternativas, ter filho é obrigação e ter filho é felicidade, foram notadas variações nas 14 capitais pesquisadas.
Conseqüências de uma gravidez não planejada: percepção
Você deveria saber disso, você deveria saber da sua responsabilidade, como você vai crescer se não tiver relacionamento com sua esposa, se não tiver dinheiro, não tem maturidade suficiente para cuidar. desta criança. Essa criança acaba sendo prejudicada por algo que, na verdade, não é culpa dela. Ele ainda não tem um emprego adequado, sua cabeça não está clara, ele está conhecendo o mundo.
A gravidez precoce de uma adolescente pode limitar a sua educação, limitar as suas competências no mercado de trabalho e reduzir a sua qualidade de vida.
Discriminação de gestantes e mães solteiras no ambiente
Assim, a proporção de alunos de escolas públicas e privadas que indicaram afirmativamente não atingiu 5 por cento. Entre os professores, os registros percentuais são insignificantes para aqueles que indicam que não querem mães solteiras como estudantes. Para os pais, o nível de prevalência de preconceito contra mães solteiras em algumas capitais é maior do que entre os estudantes32. Assim, a proporção de alunos de escolas públicas e privadas que indicaram afirmativamente que não gostariam de ter mães solteiras como colegas varia entre 4,7% e 2,2%.
A proporção de pais que afirmam que não gostariam que mães solteiras fossem colegas de escola dos seus filhos chega a 7,5%.
Conhecimento e extensão do uso de métodos
Comentários: Foi questionado aos estudantes: Para prevenir a gravidez, você ou seu parceiro geralmente usam: Os percentuais apresentados referem-se aos estudantes que afirmaram usar pelo menos um dos métodos contraceptivos. Comentários: Foi perguntado aos alunos: Você ou seu(s) parceiro(s) usam drogas para prevenir a gravidez? 2) Foram consideradas apenas respostas afirmativas. Mas ao contrário da informação acima mencionada na tabela 4.3 – onde predomina o uso do preservativo – outros estudos mostram que as mulheres jovens referem consistentemente a pílula e a injeção, seguidas do preservativo masculino.
O DIU e o diafragma são os métodos menos utilizados e em alguns locais sua menção não chega a 1%, como por exemplo Belém, Cuiabá e Distrito Federal (Tabela 4.2-A, anexa).
Camisinha
Ainda entre os motivos menos citados para não usar camisinha (Tabela 4.5-A, anexa), está a alternativa de não usar porque tem vergonha de comprar camisinha, que se destaca com os menores percentuais, Fortaleza (12,7), Vitória (12,1%), Salvador (8,9%) e Porto Alegre (7%). A alternativa de não usar camisinha porque fica desconfortável na hora de colocar a camisinha (Tabela 4.4-A, anexa) também é escolhida por poucos jovens, levando em consideração os demais motivos. São poucos os que indicam não conhecer o uso do preservativo, alternativa que varia de 5,2% em Goiânia a 2,1% em Porto Alegre (Tabela 4.4-A, anexa).
Voltando à Tabela 4.7-A - anexa - fica claro que os pais apresentam percentuais mais elevados do que as mães (embora semelhantes em algumas capitais) ao opinarem sobre a justificativa contra a distribuição de preservativos aos alunos na escola.
Lugar da família e da escola quanto à prevenção
Abortos por jovens: o que se sabe sobre quantos e motivos
Percepções sobre o aborto
Mas se tem informação sobre aborto?
Violências sexuais
Assédio nas escolas
Estupro e incesto
Preconceitos e discriminações: o caso da homofobia
Recomendações
Glossário e Siglas