Podemos mencionar que o grupo de estudantes que não participaram do estudo foi devido aos seguintes fatores: ausência na sala; não estar matriculado na disciplina lecionada no dia em que foi aplicado o questionário; não querer participar da pesquisa,e o critério de exclusão já proposto no projeto, onde profissionais de saúde não se enquadrariam como sujeitos de pesquisa.
Como colaboração para a análise qualitativa de nosso estudo, abordamos algumas respostas descritivas. E em virtude do alto número de participantes da pesquisa, e para preservar o anonimato de cada sujeito, identificamos cada questionário com uma letra e um número, sendo as seqüências:
A1 á A50 - Educação Física B1 á B5 - Letras EAD C1 Matemática EAD D1 á D33 – Administração E1 á E5 - História EAD F1 á F24 – Direito
G1 á G14 - Pedagogia EAD H1 á H26 - Ciências Contábeis
Sendo assim, o desenho desta pesquisa foi valorizado pela construção do conhecimento que aconteceu por intermédio de teorizações ilustradas pelas contribuições verbais e escritas dos participantes da pesquisa, que resultaram nas seguintes categorias: Conhecimento fragilizado e Saber Agir.
cardiorespiratória e o restante 22% afirmaram saber identificar, conforme apresentamos no gráfico a seguir.
Questão nº 01 - Número de alunos que afirmaram saber identificar uma
PCR - Total Geral
22%
78%
Sim Não
Fonte: Questionário
Dos sujeitos de pesquisa que responderam afirmativamente, identificamos em suas respostas algumas fragilidades, o que nos fez classifica-las em três grupos de níveis de conhecimento: respostas completas, parciais para mais e parciais para menos, como segue a Tabela.
Análise do conhecimento dos alunos que afirmaram saber identificar uma PCR
Conhecimento Número de Alunos
Completo 4
Parcial para mais 15
Parcial para menos 15
Fonte: Questionário
Sendo assim obtivemos os seguintes dados: das 34 pessoas que responderam saber identificar uma PCR, 4 delas a descreveram de forma completa, 15 de forma parcial para mais, e outras 15 de forma parcial para menos.
Na visão de Leyval, Hector e Domingues (2006) a PCR é definida como uma situação clínica com interrupção brutal de toda a atividade mecânica do coração e da respiração espontânea.
Ao analisar as respostas dos alunos, constatamos que a grande maioria não soube identificar uma parada cardiorespiratória e os que afirmaram saber identificar não os fizera de maneira correta, pois para saber identificar tal evento, é necessário que sejam seguidos determinados critérios, etapas e prioridades, como: ausência dos movimentos do tórax, ausência de sons respiratórios e ausência de pulso carotídeo para então dar início à respiração artificial.
Diante das respostas obtidas destacaram-se:
“Dormência nos membros, dores fortes no peito e falta de respiração.”(B2).
“Falta de ar, sudorese e cor meio edemaciada” (H1).
“Na realidade acho que sim; quando uma pessoa sente dores no braço esquerdo e dores fortes no peito e fica com dificuldade para respirar.”(B5).
“Pela coloração da unha e pulsação”(D5).
“Pelos dedos quando ficam roxos” (E1).
“Se a pessoa estiver desacordada, deve-se observar o movimento do pulmão e o odor”(G1).
Constata-se diante destes relatos à fragilidade referente à temática e destaca-se um conhecimento empírico, baseado em experiências vivenciadas no cotidiano.
Segundo Freire (1980) toda a influência que o homem traz do seu meio onde esteve inserido será pertinente no decorrer da maioria dos seus atos em relação as suas atitudes para com os outros.
Para Chaui (1996) conhecer é alcançar o idêntico, imutável, nossos sentidos nos oferecem a imagem de um mundo incessante de mudança, num fluxo perpétuo, onde nada permanece idêntico a si mesmo: o dia vira noite, o inverno vira primavera, o doce se torna amargo, o pequeno vira grande, o grande diminui, o doce amarga, o quente esfria, o frio se aquece, o líquido vira vapor ou vira sólido.
Dados colhidos da III Conferência Latino-Americana de Promoção da Saúde e Educação para a saúde (2002), alertam para o apagamento e a marginalização do conhecimento acumulado pela sociedade ao longo dos tempos o que nos leva cada vez mais tentar resgatar estes conhecimentos, aplicados a nossa realidade, para garantir uma melhor qualidade de vida a todos. A produção de conhecimento em saúde requer um trabalho amplo, através de interdisciplinaridade, (ERDMANN; SCHLINDWEIN;
SOUZA, 2006).
Fica diagnosticada também a carência deste conhecimento entre a maioria dos alunos que participaram do estudo, ao responder que não sabem identificar o episódio de parada cardiorespiratória, deixando uma lacuna muito grande, pois na eventualidade da necessidade de precisarem atuar diante de tal situação, visto que a maioria destes eventos ocorre em ambiente extra-hospitalar.
Tendo a população um conhecimento mais amplo de como proceder diante de um evento de parada cardiorespiratória, espera-se ter um atendimento mais rápido, e uma sobrevida mais digna do indivíduo. Já que os estudos comprovam que mantendo a circulação através da massagem cardíaca aumenta as chances de vida destas pessoas.
Ao analisarmos as respostas no que se refere o sujeito de pesquisa ter presenciado uma PCR, observamos que 89% deles mencionaram que não presenciaram o evento de Parada Cardiorespiratória, e que 11% já possuem esta experiência.
Questão nº 02 - Nº de Alunos que já presenciaram uma
PCR - Total Geral
89%
11%
Não Sim
Fonte: Questionário
No entanto, se refletirmos os dados expostos na Tabela “Análise do conhecimento dos alunos que afirmam saber identificar uma PCR”, nos ocorre à incógnita se realmente todos esses sujeitos presenciaram uma PCR ou um outro evento de instabilidade hemodinamica já que o conhecimento é superficial e não correspondem aos dados preconizados cientificamente como os de identificação de uma PCR.
Chaves et al (2006), mencionam que as doenças cardiovasculares vêm aumentando cada vez mais. Mas podemos observar que na população estudada um percentual pequeno dos sujeitos de pesquisa que presenciaram uma PCR, mas isso não deve servir como conforto e sim como alerta, pois ainda existem óbitos referentes a estes eventos, que talvez pudessem ser evitados quando prestado atendimento efetivo.
Ferreira; Garcia (2001) apud Pergola; Araújo (2008) mencionam que quanto mais rápido e efetivo o atendimento, menor será a seqüela ,aumentando a sobrevida.
Com relação a esta questão e partindo do percentual de sujeitos da pesquisa que responderam ter vivenciado uma PCR, foi questionado qual foi o prognóstico das vítimas que eles haviam presenciado tendo três opções de resposta: óbito; resistiu ao
evento; e não sabe o prognóstico. Com isso, conseguimos os dados conforme o Gráfico a seguir.
Questão nº 02 - Prognóstico das vítimas de PCR presenciadas pelo
Total de alunos entrevistados
17%
66%
17%
óbito
Resistiu evento ñ sabe
Fonte: Questionário
Dos sujeitos de pesquisa que presenciaram uma PCR 17% não souberam informar qual foi o prognóstico da vítima, 17% informaram que a vítima foi a óbito, e 66% deles mencionaram que o prognóstico dos indivíduos que sofreram uma PCR resistiram ao evento. Com isso, ao considerar a fragilidade de conhecimento refletimos se realmente os sujeitos presenciaram o evento ou se o prognóstico promissor, nos mostra que a sociedade diante deste evento vem realizando ações efetivas na busca pelo atendimento deste tipo de ocorrência.
Portanto, um fator relevante ao nosso estudo foi o de identificar qual a importância dada pelos acadêmicos em saber identificar uma PCR. Os dados obtidos foram os seguintes como exposto no gráfico.
Questão nº 03 - Nº de alunos que acharam importante identificar
uma PCR - Total Geral
96%
3%
1%
Sim Não
Não respondeu
Fonte: Questionário
Dos 158 sujeitos de pesquisa, 96% afirmaram ser importante saber identificar uma PCR, 3% julgaram não ser necessário adquirir este conhecimento e apenas 1%
não registrou sua resposta.
Visualizando estes dados, podemos observar que o interesse dos sujeitos de pesquisa está potencialmente direcionado em saber identificar uma PCR, o que demonstra a preocupação do Ser-humano com o “ser-humano”.
Leopardi (1999), menciona que Horta aborda o ser humano diferenciando-o dos demais seres, visto sua capacidade de raciocínio, e de também estar sujeito á desequilíbrios e que possuímos necessidades humanas básicas, que tangem os níveis psicobiológicos, psicoespirituais e psicossociais.
Sendo assim ,a capacidade de raciocinar dada a nós seres humanos, nos faz refletir e criar a preocupação com o próximo, explicitas nas Necessidades Humanas Básicas citadas por Horta. Portanto, saber identificar uma PCR é dar maiores chances de vida a quem for possível ajudar, e este conhecimento expandido na sociedade irá garantir uma chance de sobrevida melhor, pois não somos isentos de sofrer uma PCR.