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CONSEQÜÊNCIAS PARA O EMPREGADO

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 39-44)

As conseqüências geradas pelo assédio moral não se limitam à saúde do trabalhador que é vítima do processo destruidor. Os resultados ainda atingem a esfera social da vida do empregado, além das conseqüências econômicas do fenômeno sobre o empregado, a empresa e a sociedade. (FERREIRA, 2004, p. 69).

Entretanto, as conseqüências que são decorrentes do assédio moral se manifestam sob diferentes prismas para a vítima (empregado), para o assediador (empregador) e para a empresa envolvida com o assédio moral, como será apresentado na seqüência.

pessoa mesmo se julgue incapaz de fazer determinada tarefa e com isso é desprezado e ignorado pelos demais colegas. (RUFINO, 2006, p. 81).

Além dos danos a saúde, o assédio atinge a dignidade e a personalidade, que significam em perdas, pois passa a viver no ambiente de trabalho tenso e hostil em constante estado de incômodo psicofísico, gerando diversos males e moléstias para o trabalhador. (ALKIMIN, 2007, p. 85).

Com o excesso de exigências no ambiente de trabalho, o trabalhador expõe sua saúde física e psíquica, onde o individuo fica impossibilitado de se manter dentro da normalidade, ficando perceptível para as demais pessoas do local de trabalho. Todas estas alterações acabam afetando o trabalho, acarretando em prejuízos funcionais, devido seu comportamento diferenciado dos demais colegas.

(RUFINO, 2006, p. 83).

O assédio além de conduzir a vítima às conseqüências desastrosas, de conduzi-la a demissão, ao desemprego e a dificuldade de relacionamento, causa sintomas psíquicos e físicos que variam de uma vítima para outra. As mulheres em geral são sujeitas a crises de choro, a palpitações, tremores, tonturas e falta de apetite. Já os homens, possuem reações diferentes, muitos desejam se vingar, idéias de suicídio, falta de ar e passam a utilizar álcool e drogas. (BARROS, 2007, p.910).

O assédio moral pode ainda gerar a rescisão indireta do contrato de trabalho pela vítima, que é amparado pelo art. 483, alíneas “a”, “b” e “c” da CLT1, bem como ainda autorizar o empregador a dispensar o responsável por justa causa. (CALDAS, 2007, p. 263).

Diante dos problemas causados pelo assédio, a vítima pode sofrer danos emocionais e doenças psicossomáticas, pois o assédio é visto como um processo destruidor que pode levar a vítima a uma incapacidade eventual ou permanente no ambiente de trabalho. (FRANZOI, 2007, p. 136).

1 a) forem exigidos serviços superiores às suas forças, defesos por lei, contrários aos bons costumes,

ou alheios ao contrato de trabalho;

b) for tratado pelo empregador ou por seus superiores hierárquicos com rigor excessivo;

c) correr perigo manifesto de mal considerável. (TRT, 2007).

3.1.1 Dano Moral

O assédio moral provoca na vítima danos profundos, tanto morais como psicológicos. O “dano é o resultado de agressão moral de assédio moral ou assédio sexual, nestes dois últimos casos configurando-se pela reiteração de um comportamento, no primeiro por ato único”. (NASCIMENTO, 2004, p. 530).

O dano moral desde a antiguidade vem sendo considerado como um prejuízo que foi causado pela ação contrária à norma legal, do qual foi ocasionado perda ou um desfalque ao patrimônio do lesionado. Diante deste contexto, o dano é considerado como uma lesão a um direito, que produz reflexo imediato no patrimônio material ou imaterial da vítima, acarretando em uma sensação de perda. (BARROS, 2007, p. 625).

O assédio moral para o trabalhador proporciona indenização extra- patrimonial, pelo fato de atingir os interesses da personalidade, da liberdade e da dignidade da pessoa. Sendo que o dano moral é definido como “o sofrimento humano, de caráter pessoal, que atinge a esfera íntima, os sentimentos da pessoa e que não é causado por uma perda pecuniária”. (RUFINO, 2006, p. 95).

A partir da Constituição de 1988 que se assentou em definitivo a indenizabilidade do dano moral, em decorrência das relações de trabalho, bem como as reparações que envolvem o empregado e empregador. (CAHALI, 2005, p. 529).

Dano moral é “tudo aquilo que molesta gravemente a alma humana, ferindo- lhe gravemente os valores fundamentais inerentes à sua personalidade ou reconhecidos pela sociedade em que está integrado” (CAHALI, 1998, p. 20).

O dano pode decorrer tanto da inexecução de obrigações contratuais por parte da empresa, quanto da inobservância da própria legislação que assegura a incolumidade física e intelectual do obreiro, e, ainda, de comportamentos comissivos praticados por colegas ou chefes, com cumplicidade ou complacência do empregado. (CALDAS, 2007, p. 162).

Atingindo a vítima, o dano moral é compensável pela dor e constrangimento impostos em função de uma ação que afetou a pessoa fisicamente ou psicologicamente. O dano moral decorrente da relação de trabalho é determinado pelo art. 1142 da Constituição Federal, que avalia a questão e determina a

2 Art. 114 Constituição Federal – VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho. (SENADO FEDERAL, 2007).

indenização conforme a repercussão de cada situação, bem como das partes envolvidas. (NASCIMENTO, 2004, p. 532).

O assédio moral – ato ilícito que é - provoca, sem dúvida alguma, dano moral, suscetível de reparação pecuniária, porque atinge diretamente a honra e a dignidade do trabalhador, podendo comprometer sua saúde física e mental, além de arranhar sua imagem no mercado de trabalho e na comunidade em que vive, dificultando a convivência social e familiar, suas relações com outras pessoas, e até mesmo podendo dificultar ou impedir a obtenção de novo emprego, nos casos em que, pela gravidade da conduta do empregador ou dos seus prepostos, o trabalhador é levado a romper o contrato de trabalho. (PAROSKI, 2007, p.1).

Os atos advindos da violência moral violam um dos princípios fundamentais na ordem jurídico-constitucional brasileira, que é a dignidade da pessoa humana, estabelecido no art. 1°, III da Carta Maior3, sendo ainda que, outras garantias como o direito à honra, a imagem, a intimidade, a privacidade, são afetadas pelas práticas de assédio moral. (CALDAS, 2007, p. 262).

Dessa forma, “incorre na compensação por danos morais, por violação à honra do empregado, o empregador que lhe atribui acusações infundadas de ato de improbidade lesiva ao seu bom nome, dá informações desabonatórias e inverídicas a alguém que pretende contratá-lo, ou ainda, insere o trabalhador em “lista negra””.

Dessa forma, qualquer ofensa que for atribuída ao trabalhador poderá ser caracterizada como dano moral. (BARROS, 2007, p. 625).

[...] o dano moral tem como causa a injusta violação a uma situação jurídica subjetiva extra patrimonial, protegida pelo ordenamento jurídico através da cláusula geral de tutela da personalidade que foi instituída e tem sua fonte na Constituição Federal, em particular e diretamente decorrente do princípio (fundante) da dignidade da pessoa humana [...]. (MORAES, 2003, p. 132).

O dano moral pode-se manifestar nas seguintes situações como apresenta Nascimento (2004, p. 532)

- Acusações infundadas ao empregador, prejudicando a sua reputação;

- Prestação de informações desabonatórias e inverídicas do ex-empregado;

- Comunicação do empregador de abandono de emprego em órgãos da imprensa;

3 A pessoa humana apontada no art. 1º da Carta Maior não é qualquer pessoa humana, porque, como destinatária da norma constitucional, é uma pessoa humana adaptada aos critérios que fundamentam a República Federativa do Brasil, dentre eles o primeiro e mais importante critério cultural, o da soberania.

- A improteção sexual e assédio para fins libidinosos;

- Tornar público, vícios e costumes;

- Espalhar boatos infindáveis;

- Tratamento desrespeitoso.

O dano pode ser considerado também moral quando os efeitos da ação, embora não repercutem no seu patrimônio material, passa a originar dor, sofrimento, tristeza ou humilhação à vítima, trazendo sensações e emoções negativas a pessoa.

(MORAES, 2003, p. 157).

Dessa forma, no ambiente de trabalho, o empregador que causar prejuízos por dano moral ao empregado deve repará-los, e da mesma forma, o empregado deve reparar os prejuízos de ordem moral causados ao empregador. (FLORINDO, 1996, p. 47).

O dano moral vem sendo julgado pelos tribunais, que tem entendido como:

INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. ASSÉDIO MORAL. A conduta abusiva da empresa violadora dos direitos da personalidade que atenta, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade, a integridade física ou psíquica do trabalhador, ameaçando o seu emprego ou degradando o meio ambiente do trabalho, configura assédio moral e enseja o pagamento de indenização a título de danos morais, nos termos dos arts. 5º, X, da CF e 186 do Código Civil4. (TRT – 12° REGIÃO, 2007, p. 2).

INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. ASSÉDIO MORAL. As humilhações praticadas pelo sócio e seus familiares no ambiente de trabalho contra a autora configura assédio moral, também conhecida como "mobbing",

"bullying" ou "harcèlement moral", no direito internacional. Os efeitos da exposição prolongada e repetitiva a situações humilhantes e vexatórias são deletérios à auto-estima da pessoa e, no ambiente de trabalho, a prática tem a agravante de ocorrer em uma relação hierarquizada, com forte dependência econômica do trabalhador. Os danos decorrentes de tais atitudes devem ser indenizados, servindo a condenação também para obtenção de um efeito didático-pedagógico, a fim de que a conduta não mais se repita no empreendimento5. (TRT – 12° REGIÃO, 2007, p. 2).

ASSÉDIO MORAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. O assédio moral caracteriza-se pela repetição das condutas que expõem o trabalhador a situações constrangedoras ou humilhantes. A violência psicológica sofrida implica lesão de um interesse extrapatrimonial, juridicamente protegido, gerando direito à reparação do dano moral6. (TRT – 12° REGIÃO, 2007, p.

2).

4 Ac. 1ª T. 10677/06, 28.06.06. Proc. RO-V 04690-2005-034-12-00-0. Maioria. Rel.: Juíza Viviane Colucci. Publ. DJ/SC 08.08.06 - P. 95.

5 Ac. 3ª T. 04319/06, 07.03.06. Proc. RO-V 00745-2005-008-12-00-7. Unânime. Rel.: Juíza Gisele Pereira Alexandrino. Publ. DJ/SC 17.04.06 - P. 311.

6 Acórdão / - Juiz Edson Mendes De Oliveira - Publicado no TRTSC/DOE em 08-11-2007,

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 39-44)

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