O que podemos concluir é que a dinâmica participativa dos Conselhos está impregnada da história política brasileira de associativismo e clientelismo e pelo modo que se constituiu o embate entre a sociedade civil e o Estado, com uma demanda assistencial que era a necessidade na época. Podemos perceber que, apesar desta demanda ainda existir juntamente com outras, o modelo hospitaloscêntrico ainda é o que permanece como guia das ações do governo em relação às necessidades da população. E influenciando também na dinâmica participativa dos espaços destinados ao controle da população sobre as ações do Estado. Por isso, analisando a inserção dos representantes nas reuniões dos Conselhos de Saúde e do Idoso, foi possível abstrair algumas características peculiares e determinantes no que tange a possibilidade do controle social através da dinâmica da participação desses espaços.
No Conselho da Saúde podemos perceber a relação de poder a partir dos assuntos trazidos para a pauta. Os credenciamentos estão sempre presentes, inclusive, em algumas atas, este é o único tema discutido, caracterizando um domínio da questão sanitarista e assistencial da saúde em nosso país, com uma característica muito forte trazida pelo mercado de saúde. A questão que se faz importante é: Se a demanda é por serviços hospitalares e assistenciais, como o Conselho pode funcionar de outra maneira? É claro que o ator que vai participar mais em assuntos relacionados a serviços de saúde são os representantes do Governo e os Prestadores de serviços, já que estes estão mais ligados a esses assuntos. Os representantes dos Usuários participam quase que exclusivamente para compor coro com estes assuntos, usando de seu poder de voto e participação para decidir quais serviços são mais pertinentes a demanda momentânea da população, fato que não deixa de caracterizar a representação participativa que estrutura os Conselhos.
Em se tratando da descrição da dinâmica participativa das reuniões de modo a analisar as posições de poder dos diversos representantes, principalmente no Conselho do Idoso podemos levantar a questão da forte presença do presidente, que é um representante do segmento não-governamental e aparece bastante como
mediador dentro das discussões e produzindo informações de ações do Conselho, por sua função ou mesmo pelo interesse de buscar maneiras de atender as necessidades da população, inclusive percebe-se, com a leitura das atas, um interesse por parte dos outros conselheiros que pedem que as informações sobre os temas da pauta sejam enviados antes das reuniões para que possam estudá-los e melhor contribuir na discussão.
A partir deste funcionamento instituído por características de institucionalização e de demandas propriamente ditas, devemos abranger a questão dos embates, conveniente para compreendermos a relação de poder existente nas reuniões, assim como o movimento de controle e inserção nas reuniões presente com as Problematizações (15% no Conselho de Saúde e 19,3% no Conselho do Idoso) durante as discussões como ferramenta para explorar as informações produzidas pelos representantes do governo. O embate caracteriza-se justamente pelo confronto de idéias dentro de uma discussão, ocorrência que não pudemos observar claramente durante o tratamento das atas. O que a falta de embate pode significar? Uma falta de comprometimento ou um funcionamento tal que não convém confronto de idéias?
Talvez a necessidade do confronto de idéias não seja percebida nesta dinâmica participativa pelo fato das necessidades da população construídas socialmente em detrimento da história da relação entre Estado e Sociedade civil.
Deste modo, percebemos que a participação nas discussões acontece em função de temas próprios de uma demanda definida historicamente, levando a um movimento de fechamento discursivo das reuniões, com uma demanda e uma ação que responde ao que é necessário para saná-la. Configurando posições que pouco se distinguem como interesses em conflito por satisfação com as ações ou por impossibilidade de participação, como antes discutido, pelos os pontos trazidos por Lüchmann (2007) – jogos de poder, discurso técnico-científico e dificuldades dos mecanismos de representação, que compõem a descrição da dinâmica gerada pela demanda instituída.
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8. ANEXO 8.1 ANEXO 1