educacionais que possam despertar a curiosidade de crianças e transportá-las através de ações lúdicas para processos que gerem conhecimentos criativo e prazeroso.
O letramento há muito tempo assume um papel de importância na educação infantil, principalmente no discurso dos professores, ele é definido como a leitura de mundo que a criança faz, precedendo a leitura da “palavra”, o que nos remete ao fato de que a aprendizagem inicia-se antes do ensino formal e sem a apropriação da escrita, ou seja, a criança deve ser estimulada a ser proficiente em sua língua materna, pois para comunicar-se, ela precisa aprender como funciona a linguagem e fazer uso dela em diferentes contextos. No entanto, cabe salientar que esta não é a única habilidade a ser desenvolvida na criança, habilidades como consciência fonológica, consciência fonêmica, habilidades auditivas, entre muitas outras, são tão importantes quanto o letramento.
Ter estas habilidades significa gerar benefícios à comunidade, quando a criança passa a ser agente comunicador e disseminador de conhecimento a outros. Trabalhar com esta perspectiva é aumentar as possibilidades de através dos processos educacionais obtidos desde a infância, ter pessoas capazes de gerenciar sua vida, sua saúde, em um processo que leve a um empoderamento que possa se situar em distintos momentos do cotidiano de vida. Desta forma, podemos concluir que muito temos a aprender mutuamente, que orientações e intervenções interdisciplinares trariam muito aprendizado e construções significativas a educação de nossas crianças. A capacidade inclusa de cuidar-se e ajudar seus semelhantes também podem ter sua gênese na educação infantil. Isto é um exercício de cidadania.
Atualmente séries e filmes que questionam experiências científicas, vírus mortais, mutações, entre outras coisas estão na moda, no entanto se pararmos para pensar e repensar nossas atitudes, dizeres e realidades atuais nos deparamos com uma devastadora e cruel verdade, na qual nossas crianças estão sendo roubadas, sequestradas e até mesmo “castradas” socialmente. Através de uma sociedade extremamente estratificada, com falácias naturalizadas que buscam cada vez mais oprimir e dominar.
Diagnósticos precoces e “insensatos” estão transformando nossa sociedade em uma sociedade medicalizada, mas não me refiro aqui ao simples uso de medicações para tratamento de doença ou alterações de qualquer espécie, mas sim o que situa a medicalização não como uma crítica ao poder médico, mas sim quando esta se faz na busca pela imagem da boa vida, onde a pluralidade de pedagogias da existência cotidiana tornam alguns fatores desviantes medicalizáveis, inclusos como alvos para psicofarmacologia e intervenções.
Nesta imagem de boa vida e ser utilizável socialmente estão em desacordo às crianças que questionam, dão trabalho, se desligam da realidade ou “viajam” em suas fantasias, desviam e não condizem com a realidade almejada ou possível de ser suportada ou domada, logo são diagnosticadas como tendo transtornos de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo, entre outras, e diretamente direcionadas ao uso de medicamentos, intervenções ou simplesmente vistas como problema social.
Questiono-me se nesta atualidade Albert Einstein, Louis Pasteur ou Thomas Edison, cientistas que na atualidade seriam considerados em desacordo com o que a sociedade considera „normal‟ e „saudável‟, teriam realizado suas descobertas ou estariam sendo dopados e diagnosticados já na primeira infância.
Nossa educação está na rota da dominação social. Estabelecer o saber a um sujeito passa a ser visto como afronta as necessidades politicas hoje estabelecidas.
Nunca poderemos falar em empoderamento de sujeitos se não falarmos em educação, em conhecimento, em dar a possibilidade real de ser o que quero ser em lugar de ser o que me resta ser. É a pedagogia do oprimido referida por educadores como Paulo Freire, onde a educação é uma prática de liberdade, onde fazer o aluno conhecer a liberdade, tornando-se apto a se construir crítica e responsavelmente é essencial e necessário para a dignidade do indivíduo e de uma sociedade.
Remetemo-nos, enquanto profissionais, a adentar a escola, e aqui nos referimos mais especificamente a educação infantil, com olhar clinico, nos vestindo com a camisa do saber, buscando encontrar desculpas para as dificuldades ou desvios de padrões. No entanto, ver o ambiente escolar com este olhar limita sua verdadeira essência, da qual
não deveríamos nunca nos perder, a essência do desenvolvimento pleno do indivíduo, em suas potencialidades, em suas especificidades. Este desenvolvimento se dá através do acesso ao conhecimento, a informação e é essencial e humanitário, é primordial para o crescimento de toda uma nação e até mesmo manutenção da vida. Desta forma, a alfabetização se torna uma das armas mais fortes com o qual poderíamos prover um povo e suas crianças. Através da educação e da alfabetização, constituímos cidadãos conhecedores de seus direitos, de suas reais necessidades, donos de seu destino.
Ao não fazermos uma reflexão sobre estas questões, nossa sociedade se direciona para um verdadeiro genocídio silencioso e socialmente aceitável, atestado por especialistas, onde os sujeitos e principalmente nossas crianças estão sendo retiradas de seus corpos de uma forma menos ofensiva que a morte, mas não muito diferente do genocídio realizado por Hitler nos campos de concentração para purificação da raça.
Atualmente a tecnologia e ciência nos permitem dentro de padrões “éticos e autorizados” realizarmos uma seleção/adequação dos padrões indesejados transformando-os em padrões desejados.
No entanto, não dispensando a importância de determinados encaminhamentos e tratamentos que se fazem necessários, cabe a todos os envolvidos na educação o grande questionamento, qual será nosso real objetivo dentro do sistema educacional?
Diagnosticar? Apontar falhas ou culpados? Precisamos urgentemente reaver e reestruturar a educação, para fornecer o que realmente nossas crianças necessitam educação, cidadania, respeito às individualidades. O processo de alfabetização é fator primordial para esta cidadania, formando indivíduos realmente empoderados pelo conhecimento real e não o conhecimento imposto por uma sociedade ou momento;
gerando desta forma uma vida digna.
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