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CONSIDERAÇÕES FINAIS

No documento universidade do vale do itajaí – univali (páginas 93-98)

O presente trabalho teve como principal objetivo investigar a percepção dos alunos bolsistas do PROUNI, da Faculdade Guairacá, instituição de ensino superior privada do município de Guarapuava-PR, sobre inclusão e empoderamento como conseqüência da participação de alunos de baixo poder aquisitivo no programa do Governo Federal acima supracitado.

Nesse sentido, a pesquisa buscou explorar informações acerca do PROUNI no município investigado, com o intuito de confirmar, ou não, se ele contribui para o processo de inclusão e de empoderamento local, criando oportunidades de acesso ao ensino superior a uma parcela da população de baixa renda. Ainda buscou-se verificar, se nesse processo de inclusão, a questão do empoderamento pessoal se fez presente, ou não, visto que este é um fator determinante para o crescimento do indivíduo e sua atuação em sociedade.

Esses fatores são relevantes para a formação de cidadãos críticos, preparados e com certo ―poder‖ de influenciar e de mudar condições que julguem desfavoráveis no contexto social em que estão inseridos, fortalecendo o processo de cidadania e, consequentemente, proporcionando melhorias tanto na vida do sujeito como na de sua comunidade.

Desde os primórdios, a educação superior em nosso país teve um caráter elitista, sendo poucos os que alcançavam a academia. A elite burguesa e os nobres mandavam seus filhos continuarem seus estudos fora do país. Depois da criação de institutos superiores de ensino e das primeiras universidades no Brasil, as vagas continuaram a serem preenchidas pela elite, que podia proporcionar aos seus filhos melhores condições de estudo, matriculando-os nas melhores escolas particulares.

Nesse contexto, percebemos que o acesso ao ensino superior no Brasil nem sempre se mostrou universal e democrático como deveria ser, mas, de certo modo, privilegiava as classes de maior poder aquisitivo, em detrimento de pessoas das classes menos favorecidas.

Nosso país está entre os países que possuem uma das maiores desigualdades socioeconômicas do mundo, por isso, as políticas públicas são de extrema importância para a busca de uma sociedade mais justa e igualitária. Os governos não podem empoderar as pessoas, mas podem, por meio de ações governamentais, criar meios que as favoreçam, que sejam facilitadores do

desenvolvimento, e que visem à redução das desigualdades sociais, promovendo a inclusão de pessoas até então excluídas sociopoliticamente.

O PROUNI, programa de concessão de bolsas de estudos em instituições de ensino superior particulares para alunos de baixa renda, foi muito questionado desde a sua criação e implementação, pelas mais variadas vertentes críticas da sociedade.

Algumas correntes teciam críticas ao programa, outras apontavam suas vantagens e seus benefícios. Obviamente que um programa governamental, por si só, desperta variadas reações, sejam de ordem social, econômica e / ou política. Não podemos afirmar, entretanto, que é uma política pública perfeita, até porque, nos atrevemos a perguntar se há alguma política que possa ser considerada perfeita? Caso houvesse, os processos e medidas governamentais não estariam sendo reinventados a cada dia.

E por esse viés, certamente, o PROUNI é um programa que tem contribuído para que as pessoas, até então excluídas dos bancos acadêmicos, possam ingressar no ensino superior. É um programa de alcance nacional, que já completou oito anos de execução, contando, nesse período, mais de 1.200.000 alunos beneficiados. Alguns críticos podem tentar argumentar que estatisticamente esse número ainda é pouco. Com efeito, pode-se e deve-se avançar muito mais, em se tratando de políticas públicas que visam possibilitar maior equidade sociopolítica.

Acerca disso, cabe um questionamento: se o programa não existisse, o que seria desses alunos? Para perceber a eficiência do programa, devemos lembrar que não estamos ―lidando‖ apenas com números, mas sobretudo, com pessoas. Será que podemos medir estatisticamente ou transformar em números o que representa a oportunidade oferecida pelo programa a essas pessoas?

Não é possível medir numericamente a esperança de um futuro melhor, as aspirações e os sonhos que cada indivíduo beneficiado deposita na oportunidade de cursar o ensino superior. Não é possível quantificar como um indivíduo se sente ao ser incluído socialmente, ou ainda, o quanto ele se sente empoderado em suas relações cotidianas e o quanto ele se sente mais cidadão. Será que podemos imaginar o efeito multiplicador de mais de um milhão de pessoas empoderadas, disseminando e influenciando sua comunidade, seus familiares em busca de novos rumos, novas oportunidades, com pensamento mais crítico sobre os fatos sociais?

As vozes de mais de um milhão de pessoas começam a ressoar na sociedade, agora com voz ativa, com ideias e ideais de reivindicação e de luta por

seus direitos e, assim, exercem sua autonomia enquanto cidadãos. Certamente o alcance do programa vai além dos alunos beneficiados. A inclusão e o empoderamento, são avaliados positivamente pelos alunos da pesquisa que já estão se tornando pessoas mais críticas, mais preparadas, mais qualificadas, mais empoderadas, mais valorizadas, mais dignas, e mais respeitadas como cidadãos.

Assim, o país e a sociedade avançam rumo a um caminho melhor, um caminho para a redução das desigualdades, favorecendo o resgate da dignidade humana para (ao menos) uma parcela das pessoas que se encontravam, até então, marginalizadas socialmente. Para isso a educação é um processo de humanização e de libertação do ser humano no que diz respeito ao desenvolvimento de suas potencialidades e de seu real agir socialmente na relação consigo mesmo, com o outro, com a natureza e a transcendência. (DITTRICH, 2009).

De acordo com os resultados obtidos, podemos inferir que, na percepção dos acadêmicos, o programa PROUNI favorece a inclusão acadêmica. Sendo assim, para mais de 83% dos entrevistados, o programa do Governo Federal promove a inclusão no ambiente universitário. O excluído socialmente é uma pessoa que não tem seus direitos fundamentais respeitados e / ou reconhecidos; é estar à margem do processo de cidadania, e um dos objetivos do programa é justamente combater a exclusão social. Compreendendo essa questão, nenhum dos entrevistados discordou do questionamento, confirmando a importância do PROUNI para a sociedade.

Em virtude disso, o empoderamento parte do pressuposto de que a aquisição de saberes tem papel principal na evolução do indivíduo, implicando um processo de autonomia pessoal que fortalece o sujeito a deixar de ter uma postura reativa diante das situações do dia a dia. O empoderamento contribui para que o sujeito passe a ter uma postura ativa socialmente, fazendo-o reconhecer, em si, sua capacidade e, certa responsabilidade, passando a atuar como cidadão capaz de efetivar mudanças. Essa aquisição de saberes se processa nas faculdades e universidades, ambiente propício para a disseminação de conhecimento. Nesse sentido, Paulo Freire (2011) afirma que a educação é uma forma da prática de liberdade e um componente determinante para a constituição de um sujeito autônomo, capaz de se posicionar social e ideologicamente.

Marco (2012, p.46,47) relaciona algumas das principais condições para a autonomia do indivíduo, entre elas: ―qualidade de vida, desenvolvimento humano,

Equidade, Cidadania, Mobilidade social e Empoderamento‖. Na pesquisa realizada, foi possível identificar alguns desses quesitos, tanto nas perguntas elaboradas, quanto nas respostas dadas pelos respondentes do questionário. Como resultado verificamos que, para todos os alunos, o fato de cursar o nível superior, permite o desenvolvimento das condições supracitadas, e promove a autonomia pessoal, um dos principais fatores para que o processo de empoderamento aconteça.

A pesquisa atendeu aos objetivos propostos, uma vez que foi possível constatar a percepção dos participantes com relação ao PROUNI e sua função na sociedade brasileira. Vale dizer ainda, que o estudo respondeu à questão norteadora sobre o tema, que inferia se o programa PROUNI, como instrumento de inclusão no ensino superior, promove o empoderamento acadêmico dos participantes. Dessa forma, além de relatar e apresentar o contexto da educação superior no país e no município, a pesquisa apresentou o programa PROUNI sob a ótica sociopolítica e educacional, descrevendo e discutindo sobre os conceitos de inclusão e de empoderamento, mantendo-se, portanto, correlacionada às hipóteses levantadas.

Após a análise e a compreensão dos dados coletados, pôde-se verificar, através dos métodos quanti-qualitativos, que o programa PROUNI favorece o processo de inclusão no ensino superior e, também, influencia no processo de empoderamento dos alunos bolsistas.

A utilização do método fenomenológico, por sua vez, permitiu captar as percepções e significados atribuídos ao objeto de estudo, nas respostas dos entrevistados, auxiliando na sua mais profunda compreensão, ocorrendo, desse modo, a inter-relação produtiva entre pesquisador e entrevistado no que diz respeito aos horizontes quali e quantitativos sobre os dados coletados no instrumento de pesquisa proposto.

Por meio desta pesquisa, foi possível constatar que o PROUNI, direta ou indiretamente, promove o empoderamento da pessoa, desde a abertura da sustentação político-social para a inclusão universitária. O PROUNI é uma política pró-ativa de desenvolvimento social e da cidadania. Para tanto, o processo de inclusão social no ensino superior brasileiro que está acontecendo auxiliará a construção da consciência crítico-criativa, a fim de possibilitar o desenvolvimento das capacidades e habilidades dos indivíduos, no sentido de que eles possam se reconhecer como um membro atuante na sociedade, capaz de transformá-la, por meio de políticas que promovam o bem comum e a justiça social.

Nesse processo, a aquisição de saberes permite ressaltar que a realidade social pode ser transformada pela perspectiva do empoderamento. O próprio ambiente acadêmico propicia, ao aluno bolsista, uma nova forma de pensar, de agir, e refletir sobre os fatos, principalmente pelo fato de o espaço acadêmico constituir um peculiar ambiente crítico, característico do ambiente universitário. Além disso, contribui para a participação em novos grupos sociais, permitindo o aumento da rede social, fator determinante para o processo de inclusão e empoderamento do sujeito.

A pesquisa revela ainda que o PROUNI ocupa um lugar de destaque na política pública de inclusão escolar e social, uma vez que sua função é oferecer, a milhares de jovens, a oportunidade de cursar o ensino superior, por meio das bolsas ofertadas e disponibilizadas pelas instituições cadastradas no programa.

Pensando na abrangência da pesquisa e do tema abordado, percebe-se que o estudo tem caráter ―macro‖, e estimulante para novas possibilidades de pesquisa, não se configurando, de forma alguma, como um assunto finito. Por essa razão, torna-se fundamental que novas pesquisas relativas a essa forma de política pública sejam desenvolvidas, a fim de reafirmar seu propósito e objetivo, uma vez que o programa objetiva contribuir para o aumento da democratização do ensino superior e para a diminuição das desigualdades sociais.

Ademais, esperamos que este estudo desperte o interesse para novas formas de estudo referentes ao tema, servindo como fonte de pesquisa para os interessados. Como sugestão para estudos futuros, podem ser abordados aspectos como a efetiva utilização das bolsas permanência oferecidas para os alunos bolsistas e, ainda, (o desenvolvimento de um estudo) sobre os programas de estágio nas instituições bancárias, dentre tantas outras possibilidades.

No documento universidade do vale do itajaí – univali (páginas 93-98)