BILBERG, 2015). A baixa ocorrência dos casos em Feira de Santana pode estar relacionada à dinâmica no acompanhamento de pessoas com imunodeficiência adquirida, pelo Programa DST/AIDS do município, uma vez que, existe um número considerável de pessoas com diferentes faixas etárias, infectadas pelo HIV, acompanhadas por este programa.
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Análise da distribuição espacial da incidência média, dos casos novos de tuberculose, em Feira de Santana – Bahia, entre os anos de 2005-2016.
Roquenei da Purificação Rodrigues
RESUMO
Objetivou-se com esta pesquisa, analisar a distribuição espacial da incidência média dos casos novos da tuberculose, em Feira de Santana – Bahia, entre os anos de 2005 -2016.
Para tanto, foram incluídos no estudo, os casos novos de tuberculose notificados no município de Feira de Santana – Bahia no período de 2005 -2016. Inicialmente foi calculada a incidência média dos casos e para correlacionar esta morbidade e as variáveis socioeconômicas, usou-se o modelo de regressão de Poisson. Tais variáveis foram obtidas a partir do Censo demográfico do IBGE, 2010. Os resultados apontaram que se teve uma maior concentração da incidência média nos bairros centrais. Com relação à associação da incidência média da tuberculose com as variáveis socioeconômicas, verificou- associações diretas entre incidência da doença e a proporção de domicílios com 11 ou mais pessoas, proporção de domicílios com lixo coletado por serviço de limpeza, com rede geral de abastecimento e sem banheiro ou sanitário. Este é o primeiro estudo realizado no município de Feira de Santana-Ba, sobre a distribuição espacial da tuberculose. Os resultados deste estudo permitiram compreender como se distribuiu espacialmente a incidência média dos casos novos da tuberculose, nos bairros e distritos rurais de Feira de Santana e sua relação com variáveis socioeconômicas.
Palavras- Chave: Tuberculose, distribuição espacial, vulnerabilidade socioeconômica.
ABSTRACT
It was aimed with this inquiry, to analyse the space distribution of the middle incidence of the new cases of the tuberculosis, in Santana's Market – Bahia, between the years of 2005- 2016. For so much, they were included in the study, the new cases of tuberculosis notified in the local authority of Santana's Market – Bahia in the period of 2005-2016. Initially the middle incidence of the cases was calculated and to correlate this morbidade and the variables socioeconômicas, there was in use the model of Poisson's regression. Such variables were obtained from the demographic Census of the IBGE, 2010. The results pointed what had a bigger concentration of the middle incidence in the central districts.
Regarding the association of the middle incidence of the tuberculosis with the variables socioeconômicas, it checked - straight associations between incidence of the disease and the proportion of residences with 11 or more persons, residences proportion with garbage collected by service of cleaning, with general net of supply and without bathroom or sanitary. This is the first study carried out in the local authority of Market of Santana-Ba, on the space distribution of the tuberculosis. The results of this study allowed to understand how if it distributed espacialmente the middle incidence of the new cases of the tuberculosis, in the districts and rural districts of Santana's Market and his relation with variables socioeconômicas
Key words: Tuberculosis, spatial distribution, socioeconomic vulnerability.
1.0 INTRODUÇÃO
A tuberculose (TB) é uma afecção infectocontagiosa, considerada uma das mais antigas da história da humanidade e é desencadeada pelo Mycobacterium tuberculosis que acomete diversos órgãos do corpo, mormente os pulmões. Tal patologia representa um problema de saúde pública mundialmente e de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), no ano de 2015, calcula-se que ocorreram 10,4 milhões de casos novos e 1,4 milhões de mortes por tuberculose (WHO, 2018). Neste mesmo ano, foram notificados 81.450 casos novos de tuberculose no Brasil, sendo na Bahia, 5.098 casos e em Feira de Santana, 188 ocorrências (SVS, 2016; SMS, 2018).
Dada a sua importância epidemiológica, é importante considerar que além da questão biológica, a TB possui uma dinâmica associada às condições precárias de vida como: moradia inadequada, desnutrição, dificuldade de acesso aos serviços e bem públicos, sobre tudo o de saúde (BRASIL, 2014). Além disso, há de se considerar que
ainda existe na sociedade, tabus e crenças, que dificultam ações preventivas e curativistas (SANTOS et al.,2018).
Nesta perspectiva, vale destacar que para se traçar o perfil e ações de controle da TB e de outras doenças, é necessário compreender como os eventos patológicos se distribuem no espaço, associado com os fatores determinantes e condicionantes. Desta forma, o geoprocessamento, por meio dos Sistemas de Informação Geográficas (SIG) e a análise espacial, são elementos que contribuem para a identificação das áreas geográficas e grupos da população que apresentam maior risco de adoecer ou morrer, além de favorecer a reorganização de serviços de saúde e intervenções sociais (BRASIL, 2006; OLIVEIRA, FONZAR e SENTIL, 2017)) . Dentre as técnicas que permitem essa compreensão, destacam-se as seguintes: mapeamento de doenças, técnicas de aglomeração de casos, estudos da difusão, identificação de fatores de risco por comparação de mapas e análise de regressão (SANTOS et al, 2014).
O presente estudo teve como objetivo, analisar a distribuição espacial da incidência média dos casos novos da tuberculose, em Feira de Santana – Bahia, entre os anos de 2005 -2016.
2.0 METODOLOGIA
Tipo de estudo e local
Realizou- se um estudo ecológico, com os casos novos de tuberculose notificados no município de Feira de Santana – Bahia, no período de 2005 -2016, baseado em dados secundários disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde.
O município de Feira de Santana é considerado um potente centro econômico do interior do Estado da Bahia, possui uma extensão territorial que abrange 1.304,425Km2, dividido em 44 bairros (área urbana) e sete distritos rurais (Mapa 1). Conforme o Censo demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população era de 556.642 pessoas. Sendo que, foi estimado para o ano de 2017, um número de 627.477 habitantes (IBGE, 2017).
MAPA 1 - MUNICÍPIO DE FEIRA DE SANTANA- BAHIA, COM A DIVISÃO DA ÁREA URBANA (BAIRROS) E DISTRITOS RURAIS, CONFORME O CENSO DO IBGE, 2010
Fonte: IBGE, 2010
Elaborado pelo o autor, 2018
Análise dos dados
Os dados foram tabulados e as análises estatísticas foram realizadas no software STATA (versão 13.0, STATA Corp., College Station, Texas).
A incidência média dos bairros e distritos rurais foi calculada conforme apresentado a seguir:
Para identificar as associações entre as variáveis independentes socioeconômicas do Censo 2010 e a incidência média da tuberculose foi usado o modelo de regressão de Poisson. As variáveis explicativas foram testadas separadamente. Aquelas que
Incidência média = (Nº casos novos de TB no triênio / 11) x 100.000 hab.
População do bairro ou distrito rural pelo (Censo 2010)
apresentaram valor p menor que 0,20 foram incluídas no modelo múltiplo. Para tanto, foi utilizado o método stepwise forward selection na análise de regressão, em que, por meio de um modelo mais simples - aquele só com uma variável socioeconômica , chegou-se a um modelo mais complexo, no qual foram inclusas todas as variáveis socioeconômicas significantes. Em todas as análises, utilizou-se o nível de significância de 5%.
O teste de multicolinearidade Variance Inflation Factor entre as variáveis independentes, com tolerância inferior a 10 foi realizado previamente à análise múltipla. A seleção do modelo múltiplo com melhor ajuste foi realizada pelo teste da razão de verossimilhanças, que consiste em um teste de hipótese que compara a qualidade do ajuste entre dois modelos, em que um dos modelos é subconjunto do outro.
Distribuição espacial dos dados
Após o cálculo da incidência média dos casos novos de tuberculose, os dados foram armazenados em ambiente de Sistema de Informação Geográfica, por meio do software Qgis, versão 2.18 e os mapas foram elaborados usando o modo de classificação Quantil.
Questões éticas
Os dados foram obtidos de fonte secundária, sem a identificação nominal dos sujeitos, e usados de forma agregada, de modo que foi descartado o parecer por um Comitê de Ética em Pesquisa, conforme o art. 1º da Resolução Conselho Nacional de Saúde nº 510/2016.