que possam promover saúde, tais como vínculo afetivo valorizando o saber da comunidade, abertura para um diálogo que possibilite problematizações, objetivos construídos juntos para responder a uma necessidade real, adequabilidade da linguagem para compreensão de todos e estímulo ao desenvolvimento de autonomia. Enfim, acredito que grupos construídos segundo os princípios da educação popular, sugeridos por Freire (1997) têm melhores condições para promover saúde. Acredito ainda que agrupamentos podem vir a tornar-se grupos se houver mobilização interna para isso. Por isso, creio que profissionais da saúde que desejam trabalhar com grupos podem, através de uma mudança de postura na coordenação, fomentar a transformação de agrupamentos e grupos.
Assim, considero que o profissional que deseja fomentar grupos deve planejar os encontros, mas de modo a permitir o diálogo. Para isso, é fundamental que o trabalhador em saúde abandone aquela postura de “conhecedor” e resgate o saber da comunidade. Só é possível trabalhar grupos em uma comunidade, nos moldes da promoção de saúde, se os profissionais se permitirem também sofrer interferências por parte da comunidade. O trabalho em saúde, especialmente em grupos, tanto interfere quanto sofre interferências, tanto toca como também é tocado. Isso não significa que o profissional da saúde não tem um papel na comunidade, pelo contrário, seu papel é de extrema importância na medida em que é capaz de conduzir ações em saúde tendo como eixo fundamental a integralidade.
No entanto, preciso reconhecer que para muitos profissionais criar vínculos com a comunidade, especialmente conduzindo grupos, torna-se um peso a mais dentro da sua rotina de trabalho, já extremamente extenuante. Por isso, defendo a criação de espaços para a reflexão e para o cuidado desse profissional. Acredito que um trabalhador em saúde somente será capaz de cuidar se também for cuidado, somente promoverá saúde se também tiver a sua saúde sendo promovida de alguma maneira. Nesses espaços, os profissionais podem problematizar sua rotina de trabalho e avaliar se suas práticas têm respondido as necessidades da comunidade. Podem ainda refletir sobre novas práticas mais eficazes e que gerem no profissional o prazer de perceber a saúde se concretizando de fato na comunidade. Nesses espaços, os trabalhadores podem falar sobre sofrimentos que sentem quando observam os sofrimentos da comunidade e, assim, ter seus sofrimentos ouvidos também. Esses espaços precisam ser institucionalizados, isto é,
devem ser estimulados pela gestão, devem ter um horário, um local e uma frequência estabelecidos. Defendo que um dos papéis dos gestores é fomentar esses espaços.
No entanto, penso que, mesmo que o estímulo da gestão não ocorra, o próprio trabalhador deve ter, como uma de suas bandeiras de luta, a criação desses espaços, para o cuidado de sua própria saúde também. Muitas mudanças não ocorrem de cima para baixo, mas de baixo para cima, ou seja, é o profissional da saúde mudando as rotinas que pode fazer com que a gestão também mude. Se esperarmos mudanças na gestão para então mudar algo pode ser que isso nunca ocorra, ou que demore muito mais tempo.
Percebi também que desenvolver esse trabalho nos moldes de círculos de cultura foi adequado e trouxe grande crescimento para mim e para o grupo. Percebi crescimento ao longo das reuniões, isto é, aumento do senso de pertença dos participantes, maior vínculo afetivo dando liberdade com o passar do tempo para rir, fazer piada, chorar e contar novidades sobre a família, dentre outras coisas.
Também percebi aprofundamento gradual dos conceitos e da reflexão sobre a prática. Assim, considero que, para o objetivo ao qual me propus, de problematizar a prática de educação em saúde, essa metodologia foi adequada. Além de fomentar a reflexão, o círculo de cultura fomentou a mudança de algumas práticas. As integrantes contaram que discutiam sobre o que conversávamos com suas equipes, duas desenvolveram grupos e uma percebeu a necessidade de afinar os relacionamentos na sua equipe, começando assim dinâmicas para aumentar o vínculo entre os profissionais.
Por fim, acredito também que esse conteúdo deve ser ensinado nas escolas de saúde, seja graduação ou pós-graduação, a todos os profissionais que se disponham a trabalhar com comunidades. Percebemos a grande dificuldade de muitos profissionais em desenvolver grupos de promoção de saúde por falta de conhecimento sobre o conceito de promoção, dificuldade de respeitar os saberes da comunidade, inadequabilidade de método e muitos outros motivos. Essas dificuldades poderiam ser amenizadas se fossem implantadas disciplinas que abordem educação popular nas grades curriculares ou mesmo criados projetos de extensão de promoção de saúde, além de fomentar essa discussão em centros
acadêmicos e outros espaços coletivos. A imensa maioria dos profissionais da saúde que estão se formando irá trabalhar inserida na atenção primária e precisará ser capacitada para promover o cuidado em saúde que se espera, incluindo formação de grupos.
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APÊNDICE A – Termo de consentimento livre e esclarecido
Você_________________________________________________________
está sendo convidado(a) para participar, como voluntário, em uma pesquisa. Após ser esclarecido(a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, rubrique todas as folhas e assine ao final deste documento, com as folhas rubricadas pelo pesquisador, e assinadas pelo mesmo, na última página. Este documento está em duas vias. Uma delas é sua e a outra é do pesquisador responsável. Em caso de recusa você não será penalizado(a) de forma alguma.
A presente pesquisa intitulada TECNOLOGIAS APROPRIADAS A PROMOÇÃO DA SAÚDE: DISPOSITIVO GRUPAL tem como objetivo Implementar processo de discussão junto a equipes da Estratégia da Saúde da Família sobre aspectos teórico-metodológicos necessários a construção de tecnologias de educação em saúde que estejam articuladas a perspectiva da promoção da saúde.
A presente pesquisa será uma pesquisa participante realizada com as equipes de ESF do município de Itajaí, sendo composta de 2 etapas, a primeira um diagnóstico das ações coletivas desenvolvidas e a segunda um processo de discussão utilizando-se da metodologia do círculo de cultura proposto por Paulo Freire. A análise do processo grupal irá permitir a identificação dos fatores relevantes para a construção de condições efetivamente dialógicas entre os sujeitos participantes dos encontros relacionados à atenção à saúde.
Sua participação na pesquisa consistirá no preenchimento do questionário e a participação em aproximadamente 6 oficinas do círculo de cultura.
O cronograma das etapas será acordado entre as partes envolvidas conforme a disponibilidade das mesmas.
A pesquisa é isenta de qualquer risco para o participante, podendo, contudo, gerar algum desconforto no mesmo, estando este isentado de manifestar-se, ou liberado para deixar a pesquisa, a qualquer tempo da mesma.
Serão utilizados filmadora, gravador e câmera fotográfica para registrar os trabalhos e dar ênfase aos dados coletados.
Com a realização da pesquisa podemos implementar ações de educação na saúde a partir da apropriação do conhecimento e das tecnologias de educação popular em saúde.
Subsidiar aprofundamento teórico metodológico em relação aos temas:
educação e comunicação; mobilização e participação social. Proporcionar a vivência de uma metodologia participativa. Fomentar o desenvolvimento de trabalhos grupais nas equipes de ESF.
A sistematização dessa experiência piloto pode ser replicada na atuação com os profissionais da ESF em diferentes locais fortalecendo a formação dos profissionais para o planejamento de atividades de educação em saúde que enfoquem a autonomia dos sujeitos participantes a partir do dispositivo grupal atendendo assim as diretrizes propostas pelo Ministério da Saúde em relação as práticas de educação em saúde.
Ao término da pesquisa será realizada uma devolutiva com as instituições e aos participantes do projeto com a sistematização desta experiência.
A coleta de dados da pesquisa ocorrerá por aproximadamente doze meses, onde há sigilo total, utilizada somente para fins acadêmicos. O participante da pesquisa tem liberdade para retirar o consentimento a qualquer tempo.
Nome dos Pesquisadores: Stella Maris Brum Lopes e Siegrid Kurzawa Zwiener dos Santos
Assinatura dos Pesquisadores:
CONSENTIMENTO DE PARTICIPAÇÃO DO SUJEITO
Eu, _____________________________________, RG_____________, CPF ____________ abaixo assinado, concordo em participar do presente estudo como sujeito.