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CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O artigo 195, I, da Constituição de 1988, prevê a incidência de contribuição social sobre o faturamento ou receita:

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:

I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:

a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;

b) a receita ou o faturamento;

c) o lucro31.

O modelo de financiamento da Seguridade Social, no Brasil, costumava ser somente através da vinculação das empresas com programas sociais entre empresa e trabalhador, tendo como base a folha de salários.

A COFINS foi instituída pela Lei Complementar n. º 70, de 30 de dezembro de 1991.

A Constituição de 1988, em seu artigo 194, § 4°, prevê a ampliação da base de financiamento da seguridade com a inclusão de novas grandezas além da folha de salário, como ensina Konkel32:

31 Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1988.

É que a participação das empresas no financiamento com base apenas na folha de salários tem a força de premiar o segmento que opta pela substituição da mão-de-obra, em favor da automação. Para contornar esse inconveniente, a Constituição de 1988 elegeu duas grandezas como base da contribuição social: o faturamento e o lucro, deixando ainda uma porta aberta para novas contribuições, além dessas já referidas (artigo 195, § 4º).

2.1.1 Seguridade social x Previdência

Entende-se por Seguridade Social o conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.

Seguridade Social, segundo Martins33:

É um conjunto de princípios, de regras e de instituições destinado a estabelecer um sistema de proteção social aos indivíduos contra contingências que os impeçam de prover as suas necessidades pessoais básicas e de suas famílias, integrado por ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, visando assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.

A Previdência Social, por sua vez, é considerada um seguro coletivo, público, compulsório, destinado a estabelecer um sistema de proteção social, mediante contribuição. Tem por objetivo proporcionar meios indispensáveis de subsistência ao segurado e a sua família, quando ocorrer certa contingência prevista em lei, a fim de amparar e assistir o cidadão e sua família em situações como a velhice, doença ou desemprego.

Previdência Social para Martinez34 significa:

A técnica de proteção social que visa propiciar os meios indispensáveis à subsistência da pessoa humana – quando esta não pode obtê-los ou não é socialmente desejável que os aufira pessoalmente através do trabalho, por motivo de maternidade, nascimento, incapacidade, invalidez,

32 KONKEL, Nicolau Junior. Contribuições sociais. São Paulo: Quartier Latin 2005. p. 260.

33 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da seguridade social. São Paulo: Atlas, 19ª ed., 2003, p. 43.

34 MARTINEZ, Wladimir Novaes. A seguridade social na constituição de 1988. São Paulo: LTR, 2ª ed., 1992, p.99.

desemprego, prisão, idade avançada, tempo de serviço ou morte – mediante contribuição compulsória distinta, proveniente da sociedade e de cada um dos participantes.

O art. 201 da Constituição de 1988 dispõe que a Previdência Social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados os critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, nos termos da lei, e atenderá a:

I. Cobertura de eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada;

II. Proteção à maternidade, especialmente à gestante;

III. Proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário;

IV. Salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda;

V. Pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiros e dependentes.

A Constituição de 1988, em seu Título VIII, denominado de

"Da Ordem Social", traz em seu Capítulo II disposições relativas à Seguridade Social, nos artigos 193 a 232, inseriu o Sistema de Seguridade Social, através da tripartição em Saúde, Assistência Social e Previdência Social, sendo mantida pela arrecadação das contribuições sociais. Neste ponto, inicia, formalmente, a utilização dos valores vertidos pela Previdência Social para o então Sistema Único descentralizado de Saúde, denominado SUS.

2.1.2 A ORIGEM DA SEGURIDADE SOCIAL

A Constituição de 1937 sintetizou a matéria previdenciária.

Empregava muita expressão “seguro social’, em vez de Previdência Social.

A Previdência Social era disciplinada apenas em duas alíneas do artigo 137. A classe trabalhadora foi prejudicada, devido a falta de um plano de custeio da seguridade:

O retrocesso político acarretou prejuízos às classes trabalhadoras devido à omissão de uma norma constitucional que garantisse um plano de custeio como fonte de recursos e manutenção dos benefícios previdenciários inseridos no texto constitucional.

Para agravar ainda mais a situação, a Carta autoritária de 1937, não dispôs sobre a participação contributiva dos recursos provenientes da União, como gestora principal do sistema previdenciário em igualdade de condições com os demais participantes da sociedade civil (empregadores e trabalhadores), no custeio do seguro social.35

Tem-se como ponto de partida a Lei Eloy Chaves, consoante a assertiva de Stephanes36:

Em termos de legislação nacional, a doutrina majoritária considera como marco inicial da Previdência Social a publicação do Decreto Legislativo nº 4.682, de 24.1.23, mas conhecido como Lei Eloy Chaves, que criou as caixas de aposentadoria e Pensões nas empresas de estradas de ferro existentes, mediante contribuições dos trabalhadores, das empresas do ramo e do Estado, assegurando a aposentadoria aos trabalhadores e pensão a seis Dependentes em caso de morte do Segurado, além de assistência médica e diminuição do custo de medicamentos.

Entretanto, o regime das “caixas” era ainda pouco abrangente, e, como, era estabelecido por empresa, o numero de contribuintes foi, às vezes, insuficientes.

Diante das crises do sistema previdenciário de 1930, o governo Getulio Vargas suspendeu por seis meses a concessão de qualquer aposentadoria. A partir de então, passa a estrutura, pouco a pouco, a ser reunida por categoria profissional, surgindo os IAP – Institutos de Aposentadoria e Pensões (dos Marítimos, dos Comerciários, dos Bancários, dos Empregados em Transporte de Cargas)37.

Outro grande marco na evolução da Previdência foi com o Decreto nº. 20.465/31, no qual ampliava o regime para todos aqueles que

35 OLIVEIRA, Ademir de. A previdência social na carta magna: análise do direito e do antidireito das prestações previdenciárias, p.36.

36 STEPHANES, Reinhold. Reforma da previdência sem segredos. Rio de Janeiro: Record, 1998, p.94.

37 CASTRO, Carlos Alberto de LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, p.50- 51.

trabalhavam nas empresas no qual se denominavam de “serviços públicos”, privadas ou tanto estatais.

A Constituição de 1934 estabeleceu a competência para a União fixar regras de assistência social, dando também responsabilidade aos Estados-membros para cuidar da saúde e assistências públicas e fiscalização da ampliação das leis sociais. Instituiu normas de aposentadoria, inclusive compulsória aos funcionários públicos que atingissem aos 68 anos de idade;

tratava da assistência médica e sanitária ao trabalhador e à gestante, assegurando a este descanso, antes e depois do parto, entre outros direitos.

Castro 333888 menciona as primeiras instituições:

Sendo assim, a primeira instituição de Previdência Social de âmbito nacional, com base na atividade econômica, foi o IAPM – Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos, criada em 1933, pelo Decreto nº. 22.872, de 29 de junho daquele ano. Surgiram-se o IAPC – Instituto de Aposentadoria e pensões dos Comerciários – e o IAPB Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários, em 1936; o IPASE – Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado, e o IAPETC – Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes de Cargas, estes em 1938.

Em seguida à criação da Lei Eloy Chaves, criou-se outras Caixas em empresas de diversos ramos da atividade econômica.

A década de 20 caracterizou-se pela criação das citadas caixas vinculadas às empresas e de natureza privada. Eram assegurados os benefícios de aposentadoria e pensão por morte e assistência médica. O custeio era a cargo das empresas e dos trabalhadores.

O Decreto Legislativo nº. 5.109, de 20/12/1926, estendia os benefícios da Lei Eloy Chaves aos empregados portuários e marítimos.

Posteriormente, em 1928, através da Lei nº. 5.485, de 30/06/1928, os empregados das empresas de serviços telegráficos e radiotelegráficos passaram a ter direito aos mesmos benefícios.

38 CASTRO, Carlos Alberto de LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, p. 51.

Ao logo das décadas houve várias alterações na legislação sobre seguridade social. Com a Constituição de 1988, houve uma estruturação completa da Previdência Social, saúde e assistência social, unificando esses conceitos sob a moderna definição de “Seguridade Social”.

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