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A entrada no cenário foi realizada após autorização das instâncias competentes da ANENT, seção Rio de Janeiro (APÊNDICE E).

A coleta de dados ocorreu no período de maio a junho de 2019, após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, em duas etapas a saber:

Primeira: os participantes selecionados, foram convidados a participar da pesquisa durante o Café Científico supracitado. O Café Científico aconteceu em dois momentos distintos, sendo um encontro no mês de maio e um segundo encontro no mês de junho. No Café a pesquisadora levantou o número de enfermeiros do trabalho presentes para fins de seleção da amostra. O ICD foi entregue aos presentes e, após respondidos foram recolhidos pela pesquisadora.

Segunda: Após a aplicação do instrumento, os participantes selecionados foram convidados a participar do Grupo Focal.

Ressalta-se que o convite aos Enfermeiros do Trabalho para a participação no primeiro Café aconteceu através de indicações de Enfermeiros do Trabalho vinculados a ANENT. Os

contatos ocorreram por meio de ligações telefônicas, mídias sociais e e-mails. Por conseguinte, os participantes do primeiro Café indicaram outros Enfermeiros do Trabalho, que também foram contactados pelas pesquisadoras. Além da divulgação do Café através das redes sociais.

Tal técnica de seleção dos participantes denomina-se snowball (“bola de neve”) que consiste em uma técnica de amostragem não probabilística que utiliza cadeias de referência, em que os participantes selecionados são adicionados através de referências dos participantes iniciais (POLIT; BECK, HUNGLER, 2004; ALBUQUERQUE, 2009).

Utilizou-se, também, a técnica do Grupo Focal que representa uma fonte que intensifica o acesso às informações sobre um determinado fenômeno, tanto pela possibilidade de gerar novas concepções, quanto pela análise e problematização de uma ideia em profundidade (DALL’AGNOL; TRENCH, 1999).

Algumas Estratégias de Implementação de Coleta de Dados foram utilizadas, à saber:

a) Reuniões com a coordenação da ANENT-RJ;

b) Reuniões com o grupo de pesquisa;

c) Abordagem dos participantes explicitando a importância da pesquisa;

d) Contatos telefônicos, via mídias sociais e e-mails;

2.6.1 Grupo Focal

Na enfermagem a técnica do GF envolve a construção do conhecimento a partir da análise reflexiva das “falas” dos participantes, permitindo que apresentem conceitos, impressões e concepções sobre o tema pesquisado (BACKES, 2011; RESSEL et al., 2008).

Para Trad (2009) os grupos focais permitem a abordagem de temas de forma problematizadora, constituindo espaços importantes de trocas de experiências.

O número de participantes GF foi definido conforme o número de participantes do Café Científico. No entanto, para Barbour (2009) a composição do grupo deve variar de três a oito pessoas a fim de facilitar a moderação e a análise da transcrição. E segundo Morgan (1998) o número de participantes em cada grupo deve ser de seis a 15 pessoas.

Para Dall’agnol e Trench (1999) geralmente recomenda-se entre seis a 15 participantes, mas também há uma tendência de formação de grupos menores entre 5 e sete

participantes. Ainda, os participantes devem apresentar características comuns ligadas ao tema investigado (TRAD, 2009).

Em relação ao tempo de duração, Trad (2009) aponta que o número de participantes, bem como a complexidade do tema abordado influenciam a duração do grupo. O mesmo autor sinaliza que o espaço para a realização dos grupos deve ser neutro e possibilitar o fácil acesso pelos participantes.

Na coordenação do grupo torna-se fundamental a presença de um coordenador (moderador) e do observador (auxiliar) ambos possuem atribuições que contribuem para o sucesso do Grupo. Quanto ao papel do coordenador ou moderador este esclarece sobre a dinâmica de discussões, os aspectos éticos vinculados ao estudo e ao processo interativo, já ao observador compete o registro das peculiaridades advindas, contribuindo com o coordenador na síntese dos encontros (DALL’AGNOL; TRENCH, 1999).

2.6.2 Grupos focais realizados

O moderador ou coordenador foi o próprio pesquisador, que além de estimular o debate, elaborou a síntese dos encontros, entre outros.

Foi realizado, também, o treinamento prévio do observador/auxiliar de pesquisa (o qual não se manifesta), pela coordenadora durante uma reunião que antecedeu a coleta de dados. O auxiliar foi orientado sobre o seu papel e suas tarefas durante o encontro, cabendo ao mesmo auxiliar na dinâmica da reunião, captar reações dos participantes e na produção da síntese para validação.

O encontro ocorreu no espaço do Café Científico com sinalização do tempo de duração do grupo aos participantes convidados. Realizou-se dois grupos, à saber:

a) Primeiro GF com duração de 45 minutos, organizados da seguinte maneira:

cinco minutos para uma apresentação suscinta da proposta, 35 minutos de Grupo Focal e cinco minutos para a síntese e validação.

b) Segundo GF com duração de 57 minutos, organizados da seguinte maneira:

cinco minutos para uma apresentação suscinta da proposta, 47 minutos de Grupo Focal e cinco minutos para a síntese e validação.

Debus (1997) aponta que a duração média definida na literatura é de 90 a 120 minutos.

E se a informação desejada for muito específica, não deverá durar mais que 40 minutos.

Nos dois encontros a identificação dos participantes ocorreu mediante a numeração arábica sequencial iniciados pelo número 1. O espaço de realização foi um Auditório, onde os participantes se sentaram próximos uns dos outros e a moderadora se sentou em frente. O auxiliar/observador se sentou longe do grupo a fim de evitar possíveis distrações. O gravador ficou em cima de uma cadeira.

Na entrada do local os participantes receberam uma pasta contendo o ICD e o TCLE.

Foi definido um Roteiro de Entrevista do GF (APÊNDICE F), que versava sobre:

a) Fale sobre as suas atribuições como enfermeiro do trabalho

b) Em que fundamentos legais, teóricos e práticos você baseia o seu saber- fazer como enfermeiro do trabalho?

c) Fale em que campo de conhecimento você se baseia para sistematizar suas ações

Além disso, estabeleceu-se um diálogo entre as perguntas do Roteiro e o ICD já preenchido pelos enfermeiros do trabalho e que versava sobre as atribuições práticas do enfermeiro do trabalho. Após o término do grupo a moderadora se reuniu com os auxiliares de pesquisa, para uma avaliação do grupo.

Nos Grupos focais as falas foram gravadas em meio digital, e posteriormente transcritas para análise de conteúdo temática de Bardin e discussão dos resultados.

O anonimato dos participantes foi mantido através da utilização de um código iniciado pela letra P, de participante, e acompanhado por um número cardinal (1, 2, 3...), de acordo com a ordem estabelecida nos dois Grupos Focais.