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Consumo de Energia e Desenvolvimento

Consumo de Energia e Desenvolvimento

4.1 Primeiras palavras

O consumo de energia é um dos principais indicadores do desenvolvimen- to econômico e do nível de qualidade de vida de qualquer sociedade. Utiliza-se como indicador desse desenvolvimento a relação entre o PIB (Produto Interno Bruto) do país e o consumo de energia. Esse indicador reflete as relações entre o ritmo de atividade econômica dos setores industrial, comercial e de serviços.

Reflete também a capacidade da população para adquirir bens e serviços que demandam alguma forma de energia, como automóveis (combustíveis), eletro- domésticos e eletroeletrônicos (eletricidade), e serviços em geral como bares, restaurantes, bancos, entre outros (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉ- TRICA, 2008).

4.2 Problematizando o tema

A demanda da sociedade pela produção de bens e a prestação de servi- ços pressionam o consumo de vários tipos de energia, e essa inter-relação foi o principal motivo do acentuado crescimento no consumo mundial de energia ve- rificado nos últimos anos no mundo em geral. A Figura 4.1 apresenta um gráfico que ilustra essa relação.

Figura 4.1 Gráfico da evolução do PIB e consumo de energia de 2003 a 2007.

Fonte: adaptada de Agência Nacional de Energia Elétrica (2008).

Como se pode observar no gráfico da Figura 4.1, a economia mundial, pelo menos até 2008, apresentou um ciclo expansão, refletida pela variação crescen- te do PIB: 3,6% em 2003; 4,9% em 2004; 4,4% em 2005; 5% em 2006 e 4,9% em

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em 2003 para 11.099 milhões de tep em 2007 BP Statistical Review of World Energy (2008 apud AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2008).

Segundo estudo da Empresa de Pesquisa Energética – EPE (2007), o uso de energia no Brasil começou a apresentar incrementos elevados a partir do término da 2ª Guerra Mundial, impulsionado pelo expressivo crescimento de- mográfico, por uma urbanização acelerada, pelo processo de industrialização e pela construção de uma infraestrutura de transporte rodoviário de característica

“energo-intensiva”.

Ainda segundo o estudo, entre 1940 e 1950, para uma população de cerca de 41 milhões de habitantes, dos quais 69% se concentravam no meio rural, o consumo brasileiro de energia primária era de apenas 15 milhões de tep.

Trinta anos depois, em 1970, para uma população de mais de 93 milhões de habitantes, o consumo de energia primária já se aproximava de 70 milhões de tep, valor 4,7 vezes maior. Mais trinta anos passados, no ano 2000, a popula- ção era quase o dobro, ultrapassando 170 milhões de habitantes, e o consumo de energia se elevava a cerca de 190 milhões de tep, ou seja, um crescimento de quase três vezes.

Contudo, o consumo brasileiro de energia per capita ainda é muito baixo comparado com outros países.

O estudo prevê um cenário estimativo para 2030, para uma população de mais de 238 milhões de habitantes, com uma demanda total de energia primária (oferta interna de energia) de cerca de 555 milhões de tep. A demanda per capita (tep/106 habitantes) evolui, nessas condições, de 1,19 (2005) para 2,33 (2030), como indicado na Figura 4.2. Mas, a respeito desse crescimento, deve-se reco- nhecer que o consumo brasileiro de energia per capita ainda se mostra reduzido, especialmente quando comparado a países desenvolvidos.

Para efeito comparativo, o gráfico da Figura 4.3 apresenta os dados relati- vos à renda per capita estão expressos em US$ [2000] levando em consideração a paridade de poder de compra (Power Purchase Parity – PPP) entre países, o que torna a comparação inter-países mais consistente.

Figura 4.2 Relação entre o crescimento populacional e a demanda de energia.

Fonte: adaptada de Agência Nacional de Energia Elétrica (2008).

Figura 4.3 Consumo de eletricidade e renda per capita.

Fonte: adaptada de Empresa de Pesquisa Energética (2010).

Pode-se observar no gráfico da Figura 4.3, que o Brasil ainda ocupa um lugar muito inferior no ranking, estando em 2010, acima da Índia e China, porém muito abaixo de outros países industrializados como França, Itália, Japão e EUA.

Salienta-se que os tipos predominantes de energia que foram consumidos no mundo nos período de 1970 a 2007 foram os não renováveis, como petróleo,

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Tabela 4.1 Consumo mundial de energia por tipo de combustível em 2007.

Combustível Quantidade (ktep)

Petróleo 3.952.800

Gás Natural 3.177.500

Carvão 2.637.700

Urânio 709.200

Hidráulica 622.000

Total 11.099.200

Fonte: adaptada de Agência Nacional de Energia Elétrica (2008).

Assim, observando-se os valores da Tabela 4.1, corroboram o uso, ainda extensivo, de recursos de fontes não renováveis da ordem de 94,4% contra 5,6%

renováveis (hidráulica).

No Brasil, entretanto, essa relação é bem diferente. Segundo dados do Ministério de Minas e Energia (2010), a Tabela 4.2 apresenta a configuração dos combustíveis mais ofertados no País em 2009.

Tabela 4.2 Tipos de combustíveis mais consumidos no Brasil.

Combustível Quantidade (ktep)

Petróleo 92.422

Gás Natural 21.145

Carvão 11.572

Urânio 3.434

Hidráulica 37.064

Total 165.637

Fonte: adaptada de Empresa de Pesquisa Energética (2010).

Em termos relativos no Brasil a situação é de 78% de consumo de combus- tível não renovável e de 22% de renovável. Deve-se considerar que no cômputo não foram incluídos outros tipos de fontes renováveis, como biomassa e solar, o que eleva ainda mais a participação de fontes renováveis.

Pode-se verificar que o consumo de energia está vinculado ao estágio de desenvolvimento alcançado por um país. Como o Brasil suplantou os estágios iniciais de desenvolvimento e vem se firmando cada vez mais, como uma nação emergente, melhorando sua posição no cenário mundial, é fato que as questões energéticas venham ganhando cada vez mais importância. Portanto, o planeja- mento da oferta, do consumo, bem como dos recursos disponíveis estão cada vez mais presentes no cotidiano das ações governamentais, que regem a dinâ- mica de desenvolvimento, trazendo melhores condições de vida à população, por meio de emprego e renda, oriundos do desenvolvimento proporcionado pelo equilíbrio da matriz energética do País.

4.3 oferta e consumo de energia no mundo

No mundo uma das questões mais importantes para garantir o desenvolvi- mento das nações é a sua capacidade de geração e do seu consumo de energia.

São apresentados nas figuras 4.4, 4.5 e 4.6, alguns gráficos de oferta e geração no mundo (IEA, 2009).

Figura 4.4 Distribuição da oferta de energia por fonte em 2007.

Fonte: adaptada de IEA (2009).

Na Figura 4.4 evidencia-se que em 2007 a oferta de energia usava recur- sos não renováveis, como o petróleo, gás natural, carvão mineral e nuclear, to- talizando 87,3%. Os recursos renováveis têm a contribuição de 13,7% na oferta da energia mundial, incluindo 2,2% da energia hidráulica.

Figura 4.5 Consumo de energia por fonte em 2007.

Fonte: adaptada de IEA (2009).

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petróleo, carvão e gás. O consumo de eletricidade se destaca, visto que se pode gerar eletricidade de várias fontes, renováveis ou não renováveis.

Pode-se dizer que fatos históricos influenciam o comportamento das nações no que diz respeito ao consumo de fontes energéticas, principalmente quando as reservas se situam em outras nações. Em 1973 houve o primeiro grande choque do petróleo. Este teve seu preço aumentado significativamente e muitos países tiveram problemas de abastecimento. O encarecimento abrupto do produto e a obrigação de manter os mercados internos funcionando, provocou um conjunto de reflexões e alterações de comportamento no consumo deste tipo de produto, que mudaram as posturas das nações quanto à exploração de recursos naturais sem a busca do aumento da eficiência e rendimentos máximos. A Figura 4.6 apresenta as fontes para a produção de energia em 1973 e 2007 (IEA, 2009).

Figura 4.6 Produção de energia por fonte em 2007.

Fonte: adaptada de IEA (2009).

Como se pode observar na Figura 4.6, as fontes apresentavam-se desequi- libradas, sendo o petróleo e o carvão as maiores fontes para a geração de ener- gia. Já em 2007, observa-se uma queda significativa do petróleo e o aumento de outras fontes como gás, hidráulica, nuclear e outras (renováveis). O carvão mineral continua sendo uma fonte primária de destaque no cenário mundial, tanto em 1973 como 2007.

4.4 Balanço Energético nacional – BEn

O Balanço Energético Nacional (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉ- TICA, 2010) foi elaborado segundo a metodologia que propõe uma estrutura energética, suficientemente geral, de forma a permitir a obtenção da adequada configuração das variáveis físicas próprias do setor energético.

A matriz gerada pelo Balanço Energético Nacional (EMPRESA DE PES- QUISA ENERGÉTICA, 2010), sintetizada na Figura 4.7, expressa o balanço das diversas etapas do processo energético: produção, transformação e consumo.

Figura 4.7 Matriz de relações para obtenção do Balanço Energético Nacional.

Fonte: adaptada de Empresa de Pesquisa Energética (2010).

Para efeito de uniformização de entendimento, a Empresa de Pesquisa Energética (2010) adota as seguintes definições:

Energia Primária: produtos energéticos providos pela natureza na sua forma direta, como petróleo, gás natural, carvão mineral, resíduos vege- tais e animais, energia solar, eólica etc.

Energia Secundária: produtos energéticos resultantes dos diferentes centros de transformação que têm como destino os diversos setores de consumo e eventualmente outro centro de transformação.

Oferta: quantidade de energia que se coloca a disposição para ser trans- formada e/ou para consumo final.

Transformação: o Setor “Transformação” agrupa todos os centros de transformação onde a energia que entra (primária e/ou secundária) se transforma em uma ou mais formas de energia secundária com suas correspondentes perdas na transformação.

Perdas: ocorridas durante as atividades de produção, transporte, distri- buição e armazenamento de energia. Como exemplos, pode-se destacar:

perdas em gasodutos, oleodutos, linhas de transmissão de eletricidade,

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A partir da compilação dos dados relativos aos energéticos, às fontes, à demanda, à oferta, ao consumo, entre outros, é que se pode realizar o Balanço Energético. Isto para que se possa efetivamente definir as ações de planejamen- to de modo organizado, prevendo os incentivos nas áreas prioritárias, bem como ações de conservação de energia no consumo para que haja uma compatibilida- de entre o crescimento e desenvolvimento do país e suas reservas energéticas de modo sustentável.

4.5 oferta e demanda de energia

A oferta e demanda de energia são caracterizadas pela capacidade de ge- ração (oferta) e a capacidade instalada que consome energia (demanda).

A demanda caracteriza-se como o potencial de consumo que um determi- nado processo operando em sua capacidade limite, ou seja, uma planta industrial tem capacidade de processar 1.000 t/mês para fabricar um determinado produto consumindo 1.000 kWh/t, o que configura uma demanda de 1 MWh. Se a planta industrial produzir as 1.000 t no mês, significa que o consumo mensal será de 1 MWh/mês. Assim, demanda é a potência total que uma instalação (planta in- dustrial, comércio, residência, entre outros) está utilizando em um determinado momento. O consumo é a demanda (somatória das potências) multiplicada pelo tempo de utilização, ou seja, a soma das potências de todos os equipamentos ligados, vezes o número de horas que ficaram ligados. A oferta de energia no país deve acompanhar o ritmo da demanda por meio de uma matriz de energia que consiga ao longo do tempo atender ao crescimento do país. O planejamento energético é feito com base em levantamentos de oferta, demanda e consumo, bem como de reservas que permitam disponibilizar a sociedade a quantidade de energia que favoreça o crescimento e bem-estar.

Segundo aponta a Nota Técnica da EPE (EMPRESA DE PESQUISA ENER- GÉTICA, 2011) a demanda de energia elétrica no Brasil dessa década (2010- 2020) deve crescer a uma taxa média de 4,8% ao ano, saindo de um patamar de consumo total de 456,5 mil Gigawatts-hora (GWh) no ano de 2010 para 730,1 mil GWh em 2020. Dessa maneira, é importante que haja o contínuo acompanhando dos resultados dos fluxos de energia (produção e consumo final) que são publica- dos anualmente pelo Ministério de Minas e Energia e empresas associadas.

Para efeito de conhecimento do montante de energia, primária e secun- dária, bem como das energias utilizadas pelos setores econômicos no país, as tabelas 4.3 e 4.4 e as figuras 4.8 e 4.9, apresentam um resumo da evolução das quantidades produzidas e consumidas de energia para os anos de 2000 a 2009.

Tabela 4.3 Balanço das fontes primárias – 103 tep (toe).

Fluxo 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Produção 153.334 156.386 174.418 184.097 190.238 200.522 211.802 222.747 238.553 241.100 Importação 32.894 36.872 37.648 34.316 41.301 40.884 37.798 44.113 41.376 36.291 Exportação -963 -5.719 -12.131 -12.507 -11.908 -14.137 -19.008 -21.813 -22.372 -27.148 Variação esti-

mada perdas e ajustes

-5.095 -563 -6.259 -5.036 -3.377 -7.229 -2.685 -5.444 -6.018 -9.237

Consumo total 180.169 186.976 193.677 200.869 216.253 220.041 227.907 239.603 249.589 241.007 Transformação 140.205 143.535 145.276 148.242 160.431 161.596 164.769 172.349 178.263 171.812 Consumo final 39.964 43.441 48.400 52.627 55.822 58.444 63.138 67.254 71.326 69.194 Consumo final

não energético

731 702 722 696 737 747 760 771 710 700

Consumo final energético

39.233 42.739 47.678 51.931 55.084 57.697 62.378 66.483 70.616 68.495

Fonte: adaptada de Empresa de Pesquisa Energética (2010).

Figura 4.8 Evolução do consumo e produção das fontes primárias de energia.

Fonte: adaptada de Empresa de Pesquisa Energética (2010).

Tabela 4.4 Balanço das fontes secundárias – 103 tep (toe).

Fluxo 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Produção 135.416 138.145 140.376 143.064 153.232 153.942 157.846 166.693 170.191 167.245 Importação 18.932 18.979 17.865 16.775 20.063 17.331 20.599 19.411 24.231 20.956 Exportação -8.741 -11.336 -12.558 -13.393 -15.058 -14.941 -16.147 -16.834 -17.014 -15.036 Variação estimada

perdas e ajustes

-4.842 -6.731 -6.512 -7.935 -13.958 -10.436 -12.961 -11.393 -11.427 -10.965 Consumo total 140.765 139.058 139.171 138.512 144.279 145.896 149.338 157.877 165.981 162.200

Transformação 8.780 10.313 9.411 9.024 8.904 8.431 9.577 9.637 10.914 10.060

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Figura 4.9 Evolução do consumo e produção das fontes secundárias de energia.

Fonte: adaptada de Empresa de Pesquisa Energética (2010).

Como se pode observar nas tabelas 4.3 e 4.4 e nas figuras 4.8 e 4.9, a produção de energias, primárias e secundárias, ao longo dos anos vêm apre- sentando um forte crescimento, de modo que a oferta se equipare ao consumo.

Em alguns casos, observa-se a diminuição ou não alteração nos níveis de im- portação, ao contrário, ocorrendo com a exportação que vem sendo aumentada, reflexo do país suplantar a autossuficiência no campo do petróleo e passar a exportar esse bem. Também há outras fontes energéticas que são exportadas, em bruto (minério de carvão) ou transformadas (eletricidade e gás natural) (EM- PRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2010).

No caso da eletricidade, além do projeto binacional de Itaipu, envolvendo Brasil e Paraguai, também existem as interligações do Brasil com Argentina, Uruguai e Venezuela. A possibilidade de ampliação dessas interligações ou o estabelecimento de novos pontos de interligação tem sido objeto de análises específicas no âmbito de acordos internacionais entre o governo brasileiro e os países limítrofes sul-americanos, visando à integração energética regional (MI- NISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, 2010).

4.6 Consumo de energia por setor

O consumo de energia no País é identificado por setor econômico de ativi- dade e a Empresa de Pesquisa Energética (2010), para efeito de uniformização de dados, estabelece os setores apresentados no Quadro 4.1.

Quadro 4.1 Setores de atividades considerados no Balanço Energético Nacional.

Setor Industrial Transportes Energético Residencial Agropecuário Comercial Público

Fonte: adaptado de Empresa de Pesquisa Energética (2010).

Os consumos energéticos são contabilizados ano a ano, de modo que se possa acompanhar a evolução do consumo e comparar com os indexadores que estejam influenciando a variação positiva ou negativamente, de modo que o ba- lanço energético subsidie a formulação de políticas e planejamento energéticos do país.

As tabelas 4.5 a 4.11 apresentam os consumos de energia ao longo dos últimos 10 anos (2000 a 2009) por setor econômico definido no Balanço Energé- tico Nacional (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2010).

Tabela 4.5 Consumo do setor industrial – 103 tep (toe).

Fontes 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Gás natural 3.867 4.569 5.580 5.859 6.663 7.224 7.563 8.051 8.453 7.161

Carvão mineral 2.841 2.759 3.016 3.294 3.594 3.519 3.496 3.727 3.840 2.949

Lenha 5.344 5.132 4.937 5.186 5.478 5.633 5.807 6.065 6.538 6.563

Bagaço de cana 7.858 9.841 11.102 11.981 12.812 13.083 15.259 16.152 15.390 16.292 Outras fontes primárias

renováveis

3.000 3.055 3.352 3.880 4.018 4.249 4.636 5.015 5.280 5.571

Óleo diesel 524 491 572 644 706 666 667 725 750 707

Óleo combustível 7.077 6.033 5.872 5.069 4.426 4.412 4.039 4.199 3.981 3.727

Gás liquefeito de petróleo 871 729 594 565 544 608 695 740 784 739

Nafta 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3

Querosene 19 16 16 13 11 8 5 4 3 3

Gás de coqueria 932 891 879 972 1.037 1.016 980 1.039 1.065 1.011

Gás canalizado 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Coque de carvão mineral 6.506 6.327 6.673 6.688 6.817 6.420 6.137 6.716 6.704 5.309 Eletricidade 12.614 11.984 13.123 13.822 14.797 15.082 15.774 16.565 16.961 16.020 Carvão vegetal 4.337 3.925 4.117 4.871 5.778 5.657 5.508 5.649 5.593 3.301 Outras secundárias de 5.337 5.693 5.462 5.485 5.487 5.883 6.144 7.152 6.949 7.288

Tabela 4.6 Consumo do setor de transportes – 103 tep (toe).

Fontes 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Gás natural 275 503 852 1.169 1.390 1.711 2.030 2.252 2.158 1.853

Carvão vapor 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Lenha 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Óleo diesel 24.090 24.840 25.834 25.058 26.810 26.685 27.112 28.731 30.701 30.369

Óleo combustível 648 712 742 699 782 806 733 930 1.038 986

Gasolina automotiva 13.261 12.995 12.426 13.115 13.560 13.595 14.440 14.287 14.538 14.674

Gasolina de aviação 58 56 42 47 47 42 54 56 47 48

Querosene 3.124 3.215 3.092 2.194 2.345 2.553 22.381 2.618 2.811 2.828

Eletricidade 107 103 81 84 89 102 126 135 138 137

Álcool etílico 5.820 5.377 6.085 5.794 6.445 6.963 6.395 8.612 11.013 11.792 Álcool etílico anidro 3.046 3.208 3.871 3.875 3.979 4.079 2.777 3.325 3.533 3.392 Álcool etílico hidratado 2.774 2.170 2.214 1.919 2.466 2.885 3.618 5.287 7.480 8.400 Outras secundárias de

petróleo

0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Total 47.385 47.802 49.163 48.160 51.469 52.459 53.270 57.621 62.444 62.687

Tabela 4.7 Consumo do setor energético – 103 tep (toe).

Fontes 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Gás natural 2.066 2.198 2.545 2.740 2.948 3.252 3.500 3.817 4.926 5.112

Bagaço de cana 5.523 5.834 6.393 7.374 7.461 8.064 8.949 10.594 13.305 12.546

Óleo diesel 253 258 89 153 148 158 93 132 152 166

Óleo combustível 1.080 1.039 981 1.126 1.040 1.116 1.123 1.058 980 995

Gás liquefeito de petróleo 46 4 10 41 46 27 57 53 19 37

Nafta 4 4 4 0 0 0 0 0 0 0

Querosene 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0

Gás de coqueria 315 328 299 288 304 312 309 348 0 188

Gás canalizado 4 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Coque de carvão mineral/

alcatrão

0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Eletricidade 901 959 1.000 1.033 1.135 1.164 1.253 1.485 1.582 1.613

Outras secundárias de petróleo

2.656 2.950 3.068 3.077 3.361 3.550 3.525 3.550 3.582 3.747 Total 12.847 13.575 14.391 15.832 16.442 17.643 18.810 21.036 24.546 24.405

Tabela 4.8 Consumo do setor residencial – 103 tep (toe).

Fontes 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Gás natural 100 123 135 172 181 191 207 221 229 238

Lenha 6.570 6.857 7.675 7.964 8.074 8.235 8.276 7.812 7.706 7.529

Gás liquefeito de petróleo 6.325 6.330 6.107 5.710 5.828 5.713 5.710 5.896 6.043 6.115

Querosene 36 53 53 14 13 17 15 9 9 8

Gás canalizado 60 25 22 0 0 0 0 0 0 0

Eletricidade 7.188 6.342 6.254 6.548 6.758 7.155 7.380 7.816 8.220 8.753

Carvão vegetal 409 418 435 493 503 517 502 517 531 584

Total 20.688 20.149 20.681 20.902 21.357 21.827 22.090 22.271 22.738 23.227

Tabela 4.9 Consumo do setor agropecuário – 103 tep (toe).

Fontes 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Lenha 1.638 1.638 1.794 1.990 2.130 2.178 2.244 2.356 2.538 2.411

Óleo diesel 4.452 4.855 4.775 4.825 4.767 4.734 4.799 5.099 5.685 5.515

Óleo combustível 106 144 106 83 71 64 66 61 68 68

Gás liquefeito de petróleo 16 21 20 18 20 23 19 19 22 23

Querosene 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Eletricidade 1.105 1.066 1.111 1.228 1.281 1.349 1.412 1.508 1.582 1.428

Carvão vegetal 5 5 5 5 6 6 6 7 7 7

Total 7.322 7.729 7.810 8.150 8.274 8.354 8.547 9.050 9.903 9.451

Tabela 4.10 Consumo do setor comercial – 103 tep (toe).

Fontes 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Gás natural 69 141 182 206 216 233 266 275 171 176

Lenha 75 71 65 78 71 73 74 77 78 80

Óleo diesel 67 60 80 86 103 53 54 56 59 57

Óleo combustível 354 312 378 129 142 115 110 116 122 122

Gás liquefeito de petróleo 217 267 265 272 284 309 308 302 309 135

Gás canalizado 18 8 4 0 0 0 0 0 0 0

Eletricidade 4.084 3.840 3.903 4.160 4.307 4.600 4.749 5.034 5.375 5.532

Carvão vegetal 63 61 58 63 66 67 69 73 78 78

Outros derivados de petróleo

21 21 0 0 0 0 0 0 0 0

Total 4.968 4.781 4.935 4.994 5.188 5.452 5.631 5.935 6.190 6.179

Tabela 4.11 Consumo do setor público – 103 tep (toe).

Fontes 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Gás natural 7 18 38 36 48 49 55 56 3 4

Lenha 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Óleo diesel 118 114 171 118 125 85 91 94 96 97

Óleo combustível 234 230 159 116 53 61 55 85 87 87

Gás liquefeito de petróleo 369 391 407 391 460 441 410 422 409 373

Querosene 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Gás canalizado 3 2 0 0 0 0 0 0 0 0

Eletricidade 2.510 2.333 2.412 2.555 2.588 2.815 2.842 2.900 2.972 3.156

Carvão vegetal 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Outros derivados de petróleo

0 0 0 0 0 0 0 0 0 3.717

116

Os consumos setoriais representam o montante de energia consumida no país, em decorrência do estágio de desenvolvimento da sociedade. O gráfico da Figura 4.10 sintetiza o perfil da participação dos setores de atividade no compu- to global de consumo de energia na última década.

Figura 4.10 Participação dos setores de atividades no consumo global de energia.

Fonte: adaptada de Empresa de Pesquisa Energética (2010).

Pode-se observar que 70% do consumo são devidos aos setores de trans- portes e industrial. No caso do setor industrial, deve-se à produção de bens de consumo. No caso dos transportes, o consumo é devido à necessidade do transporte de bens, como as safras agrícolas, visto que o país é um grande exportador de commodities do setor agropecuário, que representa em torno de 10% do consumo nacional.

O consumo residencial é também significativo. Responde por cerca de 10%

do consumo. Isso significa que a energia está alcançando as residências do país, onde o Governo Federal lançou em novembro de 2003, o desafio de aca- bar com a exclusão elétrica no país, por meio do Programa “Luz para todos”, co- ordenado pelo Ministério de Minas e Energia, operacionalizado pela Eletrobrás (MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, 2012).

4.7 Recursos e reservas energéticas no Brasil

No país, os recursos e reservas energéticas contemplam os dados dos re- cursos e reserva das fontes primárias de energia, compreendendo, entre estas: o petróleo, o xisto, o carvão mineral, a hidroeletricidade e o urânio. Essas reservas se localizam nos limites geográficos do país e, portanto, devem ter seu uso pla- nejado para que não sejam exauridas, ensejando a necessidade de importação

e dependência. Também, as contabilizações das reservas servem para incentivar o uso de outras fontes de energia, como as renováveis, ou mesmo incentivar ou equilibrar o uso de determinadas fontes na matriz energética brasileira.

O Ministério de Minas e Energia, como já comentado, prepara anualmente o Balanço Energético Nacional, no qual apresenta a situação das reservas de fontes primárias e para efeito de compatibilização, os conceitos básicos utiliza- dos para o levantamento dos recursos e reservas de algumas fontes primárias de energia são os seguintes (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2010):

Petróleo e Gás Natural: considera-se o volume de óleo e/ou gás, medido nas condições básicas, originado da multiplicação de fatores de recupe- ração (determinados em estudos de engenharia de reservatórios) pelo volume original provado de óleo e/ou gás, descontando-se o volume pro- duzido até a data considerada.

Xisto: segundo o Código de Mineração Brasileiro o recurso é considera- do quando uma concentração de materiais sólidos, líquidos ou gasosos que ocorre naturalmente no interior ou na superfície da crosta terrestre de tal forma que a extração econômica e usual ou potencialmente viável.

Carvão Mineral: as reservas de carvão são determinadas considerando- -se uma espessura mínima de 0,5 a 1,0 m de carvão na camada.

Potencial Hidrelétrico: é o potencial possível de ser técnica e economica- mente aproveitado nas condições atuais de tecnologia.

Urânio: as reservas de urânio seguem a classificação convencional de geologia, baseado no critério do “Código de Mineração Brasileiro”.

A Tabela 4.12 apresenta os dados das reservas nacionais contabilizados em 2009 e consolidados no Balanço Energético Nacional de 2010 (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2010), para algumas fontes primárias predomi- nantes na matriz energética brasileira.

Tabela 4.12 Reservas das fontes primárias no ano de 2009.

Fonte Unidade Quantidades constatadas(*)

Quantidades estimadas

Total

Petróleo 103 m3 2.044.091 1.315.899 3.359.990

Gás Natural 106 m3 366.467 233.839 600.306

Carvão Mineral 106 t 25.777 6.535 32.312

118

Nesse computo não estão incluídas as demais fontes de energia renová- veis, como por exemplo, solar e eólica, que tem potencial ilimitado conforme a tecnologia e aplicação disponíveis. As figuras 4.11 a 4.15 apresentam a evolu- ção das reservas dessas fontes primárias ao longo dos últimos anos.

Figura 4.11 Gráfico da evolução das reservas de petróleo de 1975 a 2009.

Fonte: adaptada de Empresa de Pesquisa Energética (2010).

Figura 4.12 Gráfico da evolução das reservas de gás natural de 1975 a 2009.

Fonte: adaptada de Empresa de Pesquisa Energética(2010).

Figura 4.13 Gráfico da evolução do potencial hidrelétrico de 1970 a 2009.

Fonte: adaptada de Empresa de Pesquisa Energética (2010).

Figura 4.14 Gráfico da evolução das reservas de carvão mineral de 1974 a 2009.

Fonte: adaptada de Empresa de Pesquisa Energética (2010).

120

Como se pode observar nos gráficos das figuras anteriores, as reservas de petróleo, gás natural e urânio, cresceram significativamente a partir dos anos 1980 e 1990, significando um grande patrimônio para a oferta de energia.

No caso do carvão mineral, observa-se que as reservas permanecem constantes desde 1984, significando que as confirmações das jazidas se equi- valem ao consumo, que também pode estar declinando.

Quanto ao potencial hidrelétrico, observa-se que apesar de crescente, quanto mais explorado for, mais decrescente será o potencial estimado. Isto de- vido ao número de grandes usinas que estão em construção ou em funciona- mento, restando um potencial estimado menor, que pode estar na utilização de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).

4.8 Matriz energética nacional

Segundo o Plano Decenal de Energia para 2010-2019 (MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, 2010) a matriz energética nacional compõe-se de 51,7%

de fontes não renováveis e 48,3% de fontes renováveis. A Tabela 4.13 apresenta a composição da oferta interna de energia.

Tabela 4.13 Oferta interna de energia em 2010.

Discriminação 2010 Total

103 tep %

Energia Não Renovável 138.213 51,7

Petróleo e derivados 93.556 35,0

Gás natural 26.149 9,8

Carvão mineral e derivados 14.790 5,5 Urânio (U3O8) e derivados 3.718 1,4

Energia Renovável 129.035 48,3

Hidráulica e eletricidade 37.386 14,0

Lenha e carvão vegetal 28.922 10,8

Derivados da cana-de-açúcar 54.196 20,3

Outras renováveis 8.531 3,2

Total 267.248 100,0

Fonte: adaptada de Ministério de Minas e Energia (2010).

No mesmo Plano Decenal (MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, 2010) estão identificadas as quantidades de produção dos principais energéticos in- clusos na matriz energética nacional. A Tabela 4.14 apresenta os valores da produção nacional por fonte de energia.

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