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CRIMES DE TÓXICOS

No documento HABEAS CORPUS: (páginas 68-71)

Preliminarmente, será apresentado um breve histórico da legislação brasileira que tratava sobre os crimes de tóxicos anteriores a lei n. 11.343/06.

De acordo com os ensinamentos de GRECO FILHO245 a origem da legislação brasileira sobre os crimes de tóxicos se deu nas Ordenações Filipinas, que trazia em seu título 89 “Que ninguém tenha em casa rosalgar, nem o venda, nem outro material venenoso”. O Código Criminal do Império não trouxe a matéria, porém foi especificado com o Regulamento de 1851 que tratou da polícia sanitária e da venda de substâncias medicinais e dos medicamentos.

No Código de 1890 ficou preceituado a proibição em “expor à venda ou ministrar substâncias venenosas sem legítima autorização e sem as formalidades previstas nos regulamentos sanitários”, porém com o aumento do uso da toxicomania em 1914, este passou a ser ineficiente. Assim, em 21 de julho de 1921, foi baixado o decreto n. 4.294, que foi alterado pelo decreto n. 15.683 e regulamentado pelo decreto n. 14.969, ambos de 1921, que também não foram suficientes para coibir o uso e a venda de entorpecentes, em 1932 houve nova alteração, foi editado novo decreto de n. 20.930 que foi modificado em 1934 pelo decreto n. 24.505. Essas alterações visavam reprimir a utilização de substâncias entorpecentes.

GRECO FILHO246 explana que o grande impulso legal contra a toxicomania se deu com o decreto n. 780, de 28 de abril de 1936, que foi alterado em 1938 pelo

244 CAVALCANTE, Antônio Mourão. Drogas: esse barato sai caro: os caminhos da prevenção. 5 ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Ventos, 2003, p. 22.

245 GRECCO FILHO, Vicente. Tóxicos: prevenção-repressão. 11 ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p.

39. 246

GRECCO FILHO, Vicente. Tóxicos: prevenção-repressão. 11 ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p.

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decreto n. 2.953. Em 13 de março de 1941, foi criada a Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes, com o decreto n. 3.114, em 13 de março de 1941, alterado em 1946 pelo decreto n. 8.647, essa comissão, segundo o autor, tinha a atribuição “de estudar e fixar normas gerais sobre fiscalização e repressão em matéria de entorpecentes, bem como consolidar as normas dispersas a respeito”.

Na parte penal, o decreto n. 891 fez alterações no decreto n. 20.930/32, tal decreto trazia em seu texto, as substâncias consideradas entorpecentes, as normas que restringiam sua produção, o tráfico e o consumo e dispunha sobre a internação e interdição dos toxicômanos. A parte penal do decreto n. 891 foi alterada pelo Código Penal de 1940.

O Código Penal de 1940 trazia em seu artigo 281 a tipificação do crime de drogas, segundo CAPEZ247, tal artigo foi revogado pela lei n. 6.368, de 21 de outubro de 1976, conhecida como Lei de Tóxicos, que dispunha sobre medidas de prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de entorpecentes. A Lei de Tóxicos foi revogada pela lei n. 10.409, de 11 de janeiro de 2002, que teve sua revogação com a nova lei de drogas, n. 11.343/06, objeto de nosso estudo.

A lei n. 11.343/06, de acordo com GAMA248 teve origem com o projeto de lei n. 109/2002 encaminhado pelo Presidente da República ao Congresso Nacional, transformando-se no projeto n. 115 e após algumas alterações passou a ser o projeto de lei n. 7.134/2002. O projeto 115 trazia em seu texto o fim da prisão para o usuário de drogas, lembrando que a lei de tóxicos anterior de n. 10.409/2002, tentou frustradamente fazer tal alteração, que foi vetada pelo Presidente da República.

Na visão de FERREIRA NETO249, a nova lei de tóxicos, revoga expressamente as duas outras anteriores, lei n. 6.368/76 e lei n. 10.409/02.

GAMA250 comenta que os objetivos da nova lei são: a) instituir o Sisnad (Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas) com o intuito de promover a integração entre os órgãos que combatem a produção e o tráfico de drogas; b)

247 CAPES, Fernando. Curso de direito penal: parte especial: dos crimes contra os costumes e dos crimes contra a administração pública (arts 213 a 359-H). Vol 3. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 236.

248 GAMA, Ricardo Rodrigues. Nova lei sobre drogas–Lei nº 11.343/2006: comentada. Campinas:

Russell, 2006, p. 11.

249 FERREIRA NETO, Décio. Auxílio ao tráfico de drogas e a lei nº 11.343/06. Teresina, 2006.

Disponível em: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8881. Acesso em 22 abril 2007.

250 GAMA, Ricardo Rodrigues. Nova lei sobre drogas–Lei nº 11.343/2006: comentada. Campinas:

Russell, 2006, p. 15.

instituir mediadas para a prevenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas, contribuindo para a sua inclusão social; c) estabelecer normas visando à repressão à produção e ao tráfico de drogas; d) redefinição de crimes, por exemplo, ao usuário será dado tratamento diferenciado quando cometer o crime de estar portando substância ilícita, como prestação de serviços à comunidade, comparecimento em curso ou programa educativo; e) intercâmbio de informações gerais, inteligência policial e de dados junto às autoridades judiciais, visando à cooperação internacional.

Para ALCÂNTARA251 a nova lei concede tratamento diferenciado ao consumidor, seja ele usuário ou dependente, sendo visto como um problema de saúde social, que receberá tratamento com o intuito de ressocializá-lo ou reeducá-lo.

No entanto, para o traficante, explica GAMA252 houve o agravamento da punição da restrição de liberdade e da multa.

Nas lições de NIEMEYER253 a definição de crime está prevista na Lei de Introdução ao Código Penal, artigo 1º, que diz que “crime é uma infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa”.

Os crimes de tóxicos estão devidamente tipificados na lei n. 11.343/06, nos artigos 28 e 33, segundo GAMA254, respectivamente tratando, do usuário e do traficante de drogas, além de tipificar as condutas equiparadas descritas no artigo 28, § 1º e nos artigos 34 a 37 da aludida lei.

O próximo tema elucidará sobre a lei n. 11.343/06, em seu aspecto processual, explicando sobre as condutas típicas do usuário e do traficante.

251 ALCÂNTARA, Gustavo Kenner. A nova lei de tóxicos e o ordenamento jurídico brasileiro. São

Paulo, 2006. Disponível em

http://www.odireito.com/impressão.asp?ConteudoId=258&SecaoID=10&SubSecao=1&Su... Acesso em: 19 abril 2007.

252GAMA, Ricardo Rodrigues. Nova lei sobre drogas–Lei nº 11.343/2006: comentada. Campinas:

Russell, 2006, p. 55.

253 NIEMEYER, Sérgio. Lei de tóxicos, usuário não comete crime nem contravenção penal. São Paulo, 2007. Disponível em http://conjur.estadao.com.br/static/text/52981,1. Acesso em 19 abril 2007.

254GAMA, Ricardo Rodrigues. Nova lei sobre drogas–Lei nº 11.343/2006: comentada. Campinas:

Russell, 2006, p. 46 a 58.

No documento HABEAS CORPUS: (páginas 68-71)

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