4 CULTURA ORGANIZACIONAL E COGNIÇÃO SOCIAL
Considerando que o objetivo último deste estudo é o de investigar as convergências possíveis entre o fenômeno da cultura organizacional nas organizações sociais de produção e a abordagem psicossociológica da Cognição Social — de forma a verificar a viabilidade e a oportunidade de aplicação desta abordagem na análise, compreensão e intervenção nas manifestações culturais dessas organizações — convém que se esclareça, antes, as relações que se pode estabelecer entre cultura e cognição.
Nesse sentido, o capítulo em questão, primeiro, cuidará de elucidar estas relações para, em seguida, discutir as convergências que se pode estabelecer entre o fenômeno da cultura nas organizações sociais de produção e a Cognição Social como abordagem teórica da Psicologia Social.
Como já anteriormente aqui explicitado, a partir deste ponto de vista, a cultura, na concepção clássica, é entendida como uma instância que a tudo abrange na vida social à exceção da biologia; na concepção científico-social, é entendida como o conjunto de valores, de crenças e de sistemas simbólicos; e, na concepção pós-moderna, é também entendida como um conjunto de sistemas simbólicos só que fluídos, relativos e impermanentes.
Uma vez assim concebida e compreendida do ponto de vista antropológico, do ponto de vista psicológico, também tradicionalmente a cultura passa a ser assumida como uma realidade supra e extra-individual que todo homem necessariamente precisa interiorizar para se constituir como indivíduo particular e peculiar. A esse respeito, Berger e Luckman (1991, p. 173-174) acreditam que
[...] na vida de cada indivíduo existe uma seqüência temporal no curso da qual é induzido a tomar parte na dialética da sociedade. O ponto inicial deste processo é a interiorização, a saber a apreensão ou interpretação imediata de um acontecimento objetivo como dotado de sentido, isto é, como manifestação de processos subjetivos de outrem, que desta maneira torna-se subjetivamente significativo para mim. [...].
Dito de maneira mais precisa , a interiorização neste sentido geral constitui a base primeiramente da compreensão de nossos semelhantes e, em segundo lugar, da apreensão do mundo como realidade social dotada de sentido.
Estando compreendido que este sentido é atribuído à realidade social pelo conjunto de crenças, de valores, de costumes, de hábitos e de sistemas simbólicos que constituem a cultura.
Subjacente a estas concepções teóricas — antropológicas e psicológicas, neste caso — está uma pressuposição epistemológica peculiar e secular da natureza humana: a de que a mente humana é uma tábula rasa que não possui estrutura inerente e que, portanto, nela se pode e se deve inscrever toda uma ordem psicossocial construída e sustentada pela cultura.
Questionando esta pressuposição epistemológica acerca da natureza humana, Pinker (2004, p. 11) não só aponta sua limitação como também sugere sua não plausibilidade, à medida que entende que ―[...] a cultura é crucial, mas a cultura não poderia existir sem faculdades mentais que permitam aos seres humanos criar e aprender a cultura‖.
Deste modo, o autor postula uma outra base epistemológica para a compreensão da natureza humana, isto é, sugere ele que a mente humana, longe de ser uma tábula rasa, possui uma estrutura inata que é a base biológica que sustenta e possibilita o processamento cognitivo — sem o que ele inexistiria — através do qual o homem é capaz de apreender e significar a cultura peculiar ao mundo que o inscreve e o circunscreve.
Nesse sentido, a cultura não mais pode ou deve ser considerada como uma instância tão somente extra-individual. Ao contrário, se para ser apreendida, significada e compreendida ela precisa ser processada cognitivamente por cada indivíduo, então, ela se constitui como uma instância que é, antes, intra-individual.
Como esclarece Pinker (2004, p. 92-93), é preciso
[...] reconhecer que a cultura, apesar de toda a sua importância, não é um miasma que penetra nas pessoas através da pele. A cultura depende de um conjunto de circuitos neurais responsável pela proeza que denominamos aprendizado. Esses circuitos não fazem de nós imitadores indiscriminados; têm de funcionar de modos surpreendentemente sutis para possibilitar a transmissão da cultura. Por isso é que o enfoque sobre as faculdades inatas da mente não é alternativa a um enfoque sobre aprendizado, cultura e socialização, e sim uma tentativa de explicar como essas faculdades funcionam.
Essa nova pressuposição epistemológica põe em cheque as concepções teóricas aqui discutidas. No que diz respeito à concepção antropológica clássica de cultura, a incompatibilidade é evidente uma vez que tal concepção descarta, já na definição que estabelece para o conceito, a biologia. E no que diz respeito às
concepções antropológicas científico-social e pós-moderna igualmente cabe o mesmo questionamento uma vez que assumem a cultura como uma instância externa da vida social que precisa ser interiorizada por cada indivíduo.
Uma ressalva, entretanto, precisa ser feita em relação às concepções científico-sociais de cultura que Keesing (apud LARAIA, 2003, p. 59) classifica como cognitiva ou de conhecimento e que têm em Goodenough (apud GEERTZ, 1989, p.
8) um de seus maiores representantes. No entendimento deste teórico, a cultura está localizada na mente do homem porque é alguma coisa que ele deve saber e acreditar para poder agir em conformidade com seus pares. Neste caso, ainda que não claramente estabelecidas as questões referentes à mente e ao processamento cognitivo que ela engendra, já há uma consideração diferente acerca da própria natureza humana, na medida em que a cognição, parece, é tomada como pressuposto para o sentir e o agir do homem.
Resta claro, pois, que o entendimento que tais concepções pregam acerca da cultura — exceção feita, em parte, à concepção científico-social cognitivista acima referida — como realidade extra individual, determinante do comportamento e independente da biologia, pode ser questionado. Isto porque, antes de poder se constituir em uma realidade extra individual, a cultura é uma realidade intra- individual; ou seja, depende ela, para existir como tal, do processamento cognitivo de cada indivíduo. ―Devemos conceber a cultura, segundo o antropólogo cognitivo Dan Sperber, como a epidemiologia de representações mentais: a propagação de idéias e práticas de pessoa a pessoa‖ (SPERBER, apud PINKER, 2004, p. 99).
No que diz respeito à concepção psicológica da cultura, que a assume como uma realidade extra individual a partir do momento que a concebe como realidade a ser interiorizada por cada indivíduo, igualmente fica clara sua insuficiência
explicativa. A esse respeito, Pinker (2004, p. 96-97) lembra a necessidade, que os psicólogos sociais desde há muito atestaram, de o homem se conformar aos seus pares por dois motivos básicos: o informacional, que é o de partilhar do conhecimento dos demais; e o normativo, que é o de aderir à regras e normas de seu grupo. Mas, ainda que isto seja um fato incontestável, ele não se dá de forma unilateral; isto é, a aculturação não é uma via de mão única porque, como ressalta o próprio autor,
a realidade social existe apenas entre um grupo de pessoas, mas depende de uma capacidade cognitiva presente em cada indivíduo: a capacidade de compreender um acordo público para conferir poder ou status, e de honrá-lo enquanto as outras pessoas também o fizerem (PINKER, 2004, p. 99).
Nesse sentido, o novo enquadramento epistemológico que vem sendo desenvolvido pelas ciências da cognição possibilita a compreensão da biologia (natureza) e da cultura como instâncias indissociáveis, constitutivas e constituintes do ser humano uma vez que
nossa compreensão de nós mesmos e de nossas culturas só pode ser enriquecida pela descoberta de que nossa mente se compõe de intrincados circuitos neurais para pensar, sentir e aprender, em vez de tábulas rasas, massas informes ou fantasmas inescrutáveis. (PINKER, 2004, p. 109).
E, em conseqüência, viabiliza teoricamente o estabelecimento de relações entre os níveis de análise social e cultural e os níveis de análise psicológico e biológico. Empreendimento possível somente na interseção de diferentes campos de estudo, como é o caso deste presente estudo acerca da cultura organizacional — que se constitui ao nível da análise social e cultural — e da Cognição Social — que se constitui ao nível da análise psicológica e biológica.
4.2 Convergências entre a cultura organizacional e a Cognição Social
Partindo, então, desta possibilidade epistemológica aberta pelos pressupostos das ciências da cognição em geral e, em particular, por aqueles, na Psicologia Social, referentes à abordagem da Cognição Social, ver-se-á, agora, que convergências são possíveis entre as postulações desta abordagem e o fenômeno da cultura organizacional.
Para tanto, é necessário assumir um determinado conceito de cultura organizacional e buscar estabelecer as convergências possíveis entre dito conceito e a abordagem da Cognição Social.
E o conceito de cultura organizacional mais amplamente difundido, discutido e, em grande medida, consentido no âmbito das organizações sociais de produção é o conceito proposto por Schein (1992, p. 12). Ressalve-se, todavia, que, apesar de dito conceito ser identificado e considerado como uma acepção integradora da cultura organizacional, o que nele se discutirá, neste momento, é, antes, a definição que encerra sobre a cultura organizacional, e não a acepção que pressupõe. Isto porque, ainda que existam acepções diferentes sobre o conceito, a definição propriamente dita que dele se tem e, de fato a mais precisa até agora, é aquela proposta por Schein (1992, p. 12). E é a partir dela que, invariavelmente, se discutem as diferentes acepções do conceito.
Assim, a definição que Schein (apud SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN, 1999, p. 196) estabelece considera a cultura organizacional como ―o sistema de ações, valores e crenças compartilhado que se desenvolve numa organização e orienta o comportamento de seus membros‖ e que, como tal, se estrutura em três níveis — do mais superficial ao mais profundo — distintos mas interdependentes. No
nível mais superficial estão os artefatos, que compreendem as estruturas e os processos organizacionais; no nível mediano estão os valores compartilhados, que compreendem as estratégias, as metas e a filosofia da organização; e, no nível mais profundo, estão os pressupostos básicos, que compreendem as crenças, as percepções, os conteúdos cognitivos e as emoções.
E, lembrando que a definição proposta por Hamilton, Devine, Ostrom (1999, p. 2) para a Cognição Social pressupõe que seja esta uma abordagem tanto conceitual quanto empírica que se destina à investigação, análise e compreensão das estruturas, dos processos e dos conteúdos cognitivos que são subjacentes a todo fenômeno psicossociológico — de forma a não só analisá-los e compreendê- los, mas, sobretudo, transformá-los sempre e quando necessário — as seguintes convergências entre aquele fenômeno organizacional e esta abordagem psicossociológica podem ser apontadas.
Em primeiro lugar, há que se apontar a compatibilidade do enquadramento epistemológico que fundamenta tanto a cultura organizacional quanto a Cognição Social. O pressuposto, aqui defendido, de que o homem não é uma tábula rasa, alicerça tanto a abordagem da Cognição Social quanto explica e possibilita o entendimento da cultura organizacional; na medida em que considera que a cognição — elo necessário e imprescindível entre o biológico e o cultural — é o processo através do qual é possível ao homem significar a si e ao mundo que o cerca, definindo, portanto, não só a cultura da sociedade a que pertence como também a cultura — e subculturas — do grupo organizacional que integra. Nesse sentido, parece inegável a possibilidade de emprego da abordagem da cognição social na investigação, análise e compreensão do fenômeno da cultura organizacional.
Em segundo lugar, há que se estabelecer a convergência teórica possível entre a cultura organizacional e a Cognição Social. Considerando que a cultura organizacional se constitui como sistema de ações, valores e crenças desenvolvidos e compartilhados coletivamente na interação social que têm lugar nas organizações sociais de produção e considerando que a Cognição Social intenta explicar as estruturas, os processos e os conteúdos que precisamente fundamentam tais interações sociais, parece evidente a plausibilidade da utilização desta abordagem para a análise e compreensão daquele fenômeno.
Em terceiro lugar, há que se apontar a compatibilidade metodológica entre a cultura organizacional e a Cognição Social. Enquanto a cognição social se fundamenta ao nível das estruturas, dos processos e dos conteúdos cognitivos, a cultura organizacional o faz ao nível dos artefatos, dos valores compartilhados e dos pressupostos básicos (crenças, percepções, pensamentos e emoções). As correlações neste âmbito, também parecem inequívocas: por um lado, os artefatos da cultura organizacional compreendem as estruturas e processos organizacionais, portanto, estruturas e processos cognitivos da cognição social; e, por outro lado, os valores compartilhados e as crenças, percepções, pensamentos e emoções socialmente construídos desenvolvidos na organização constituem-se nos conteúdos cognitivos da cognição social.
Em quarto lugar, há que se apontar a convergência empírica entre a cultura organizacional e a Cognição Social. À medida que, de forma cada vez mais intensa, as organizações sociais de produção demandam intervenções psicossociológicas freqüentes no sistema cultural que as constitui, fica claro que o arcabouço teórico- metodológico da Cognição Social — não só porque compatível, mas, sobretudo, porque ressalta principalmente o resultado das interações sociais — surge como
uma possibilidade de intervenção evidente, necessária e, em termos de resultados organizacionais, desejável mesmo. Isto porque, como Psicologia Social aplicada, para além das hermenêuticas tradicionais — que intentam analisar e explicar a realidade — a Cognição Social abre caminho para intervenções empíricas efetivas que podem conduzir às transformações ou mudanças pretendidas nas e pelas organizações sociais de produção.
Por fim, uma quinta e fundamental convergência que se pode apontar entre a cultura organizacional e a Cognição Social é de ordem político-social. Isto porque, na medida em que as transformações organizacionais são, hoje, imperativas no sentido de que se alcancem níveis cada vez mais elevados de desenvolvimento social sustentado e na medida em que se considera a relevância emancipatória que engendra o conhecimento psicológico — uma vez que possibilita o estabelecimento de uma liberdade subjetiva e, assim, a não sujeição inconsciente e inconseqüente do homem a regras impostas arbitrária e coercivamente — não pode restar qualquer dúvida acerca da influência decisiva que este conhecimento psicológico tem sobre a condução das transformações organizacionais necessárias. Em outras palavras, não resta dúvida sobre a viabilidade de a Cognição Social — como abordagem psicossociológica que é — contribuir na análise e intervenção nos sistemas culturais das organizações de forma a possibilitar-lhes um desenvolvimento sustentado e, consequentemente, a construção de uma sociedade mais emancipada.
Isto posto, uma terceira e última conclusão parcial pode-se antecipar agora, antes das conclusões finais. É a de que cultura organizacional — enquanto um sistema de ações, valores e crenças compartilhados que se desenvolve numa organização e orienta o comportamento de seus membros — pode e deve ser analisada, interpretada e compreendida como fenômeno psicossocial a partir da
perspectiva da Cognição Social. O encontro fundamentado desses dois tópicos de estudo, crê-se, pode trazer benefícios tanto para a cognição social — uma vez que alarga seu campo de aplicação prática — quanto para a cultura organizacional — uma vez que permite sua interpretação e compreensão a partir de conceitos mais estruturados e definidos.
5 CONCLUSÃO
Partindo das conclusões parciais já antecipadas, concluiremos este estudo — que começou com a elucidação das concepções antropológicas do conceito de cultura; prosseguiu com o esclarecimento da apropriação deste conceito nas organizações sociais de produção como cultura organizacional; salientou a abordagem da Cognição Social como possível caminho analítico para fenômenos psicossociais e encerrou discutindo as possíveis convergências entre esta abordagem e aquele fenômeno da cultura organizacional —, tecendo algumas considerações de ordem teórica, de ordem metodológica e de ordem prática.
Assim, teoricamente, este estudo buscou evidenciar que o conceito de cultura organizacional não é um conceito sem lastro histórico, inserido em teorias organizacionais para dar conta de certos fenômeno típicos das organizações sociais de produção. Ao invés disso, é um conceito extraído — como tantos outros nas organizações — da Antropologia cultural e das ciências sociais de modo geral, o que o deixa influenciado pelas interpretações que vêm sendo apresentadas nessas ciências para este conceito. Nesse sentido, não há como deixar de perceber que cada viés antropológico do conceito de cultura engendra uma concepção particular para o conceito de cultura organizacional, o que significa uma análise e uma intervenção também particulares e específicas nas organizações, dependendo da interpretação que se escolha.
Importa notar que tais interpretações, ainda que postas e levadas a termo a título da promoção de um maior e melhor desenvolvimento organizacional, via de regra, não se preocupam com as efetivas condições do trabalhador destas
organizações, tampouco parecem levar em conta o fato de que é o trabalho executado pelo conjunto destes trabalhadores a condição sine qua non de existência da própria organização. Tais condições de trabalho, a despeito de todo o esforço teórico que se faz, muito pouco parecem estar sofrendo significativas transformações valorativas. Ao contrário, o que se percebe nos sistemas organizacionais é um crescente — e alarmante, até — descaso com a melhora da vida das pessoas que trabalham nestas organizações (MARTIN; FROST, 2001, p.
240).
Deste modo, cabe questionar se essa teorização sobre cultura organizacional
— porque tributária de concepções tradicionais sobre cultura e, por conseqüência, sobre a natureza humana —, não considera este trabalhador como receptáculo passivo desta cultura e não como partícipe ativo dela.
E foi no sentido de buscar uma opção que não reproduza estas distorções que, aqui, se procurou discutir a possibilidade de aplicação da abordagem da Cognição Social na análise da cultura organizacional e, consequentemente, no desenvolvimento de intervenções organizacionais de fato mais efetivas para o trabalhador e para a própria organização.
Deste modo, metodologicamente, cabe considerar que a Cognição Social — como abordagem teórico-metodológica que é — se apresenta compatível e congruente tanto para a análise da cultura organizacional quanto para o desenvolvimento e a implementação de intervenções ao nível dos sistemas culturais das organizações sociais de produção, se e quando necessário. Seja porque analiticamente se apresenta como um referencial lógico útil, que considera as manifestações culturais a partir das representações mentais daqueles que participam de organizações de trabalho, nelas realizando por certo suas atividades,
mas exercendo sua percepção, refletindo acerca de sua experiência, assim como a de outros, no contexto operacional em que se encontram. Seja porque, do ponto de vista da necessidade de intervenção nestas manifestações culturais, se apresenta como uma opção metodológica viável e, sobretudo, capaz, ao que parece, de promover as transformações cada vez mais requeridas nos ambientes organizacionais, exatamente porque incide diretamente sobre o modo como os membros da organização pensam o ambiente em que trabalham e a ele reagem.
Assim, praticamente, a Cognição Social sugere ser, hoje, uma das opções teórico-metodológicas em Psicologia Social, ao que parece, capaz de fornecer subsídios fundamentados à prática psicossociológica nas organizações sociais de produção, especialmente no que diz respeito à análise e intervenção na cultura organizacional típica destas organizações. Fundamentados porque capazes de — para além das meras especulações analíticas, atualmente tão comuns no ambiente organizacional — possibilitar intervenções efetivas que propiciem a melhora das condições daqueles que integram tais organizações e, assim, contribuindo para um desenvolvimento organizacional sustentado e sustentável. Isto porque, como salienta Sowell (apud PINKER, 2004, p. 102),
Uma cultura não é um padrão simbólico, preservado como uma borboleta em âmbar.
Seu lugar não é em um museu, mas em atividades práticas da vida diária, onde ela evolui sob as pressões de objetivos concorrentes e outras culturas rivais. As culturas não existem simplesmente como ―diferenças‖ estáticas a ser celebradas; competem umas com as outras como melhores e piores modos de fazer as coisas — melhores e piores não do ponto de vista de um observador, mas do ponto de vista das próprias pessoas, conforme suas labutas e aspirações em meio às duras realidades da vida.
Nesse sentido, cabe finalmente considerar que, como Psicólogos Sociais atuantes nas organizações sociais de produção, por este caminho da Psicologia Social Aplicada, estaremos, como salientamos ao início deste estudo com Cahagan (1976, p. 23), tratando tanto das idéias quanto de seus efeitos, uma vez que é de
todo impossível tratar dos efeitos prescindindo ou tomando em menor conta as idéias.
REFERÊNCIAS
ALVES-MAZZOTI, A. J., GEWANDSZNAJDER, F. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira, 1998.
ALVESSON, M. Cultural perspectives on organizations. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.
ARENDT, R. J. J. Construtivismo ou construcionismo? Contribuições deste debate para a Psicologia Social. Estudos de Psicologia, v. 8, n.1, p. 5-13, 2003..
BARBOSA, L. Cultura e empresas. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2002.
BAUER, M. W., GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002.
BERGER, P. L.; LUCKMAN. T. A construção social da realidade: tratado de sociologia do conhecimento. Petrópolis: Vozes, 1991.
BERNARDES, J. S. História. In: STREY, M. N. et al. Psicologia Social contemporânea. Petrópolis: Vozes, 1998.
DEMO, P. Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia científica no caminho de Habermas. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1994.
ECO, U. Como se faz uma tese. São Paulo: Perspectiva, 1995.
FARR, R. M. As raízes da Psicologia Social moderna. Petrópolis: Vozes, 1999.
FISKE, S. T., TAYLOR, S. E. Social Cognitive. New York: McGraw Hill, 1991.
FLEURY, M. T. L., FISCHER, R. M. (Coord.) Cultura e poder nas organizações. São Paulo: Atlas, 1996.
FREITAS, M. E. Cultura organizacional: identidade, sedução e carisma? .Rio de Janeiro: FGV, 2002.
GAHAGAN, J. Comportamento interpessoal e de grupo. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1995.
HILAL, A. V. G. Dimensões e clusters de cultura organizacional de uma empresa brasileira com atuação internacional. Rio de Janeiro: Mauad, 2003.
JAIME JÚNIOR, P. Um texto múltiplas interpretações: antropologia hermenêutica e cultura organizacional. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 42, n.
4, p. 72-83, out./ dez. 2002.
KRÜGER, H. R. Introdução à Psicologia Social. São Paulo: EPU, 1986.
KRÜGER, H. R. Perspectivas para a Psicologia no Brasil. 1997. 9 f. Palestra realizada na Universidade Federal de Juiz de Fora em 25/11/1997, Juiz de Fora, 1997 (a).
KRÜGER, H. R. Princípios gerais da pesquisa psicológica. In: ______.Tópicos de Psicologia Social. Rio de Janeiro: UGF, 1997(b).
KUHN, T. S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1996.
KUPER, A. Cultura: a visão dos antropólogos. Bauru: EDUSC, 2002.
LARAIA, R. B. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003.
MARTIN, J.; FROST, P. ―Jogos de guerra da cultura organizacional: a luta pelo domínio intelectual‖. In: CLEGG, S. R.; HARDY, C.; NORD, W. R. Handbook de estudos organizacionais: reflexões e novas direções. São Paulo: Atlas, 2001. p. 219- 251. v. 2.
MARX, M. H., HILLIX, W. A. Sistemas e teorias em Psicologia. São Paulo: Cultrix, 1978.
MORGAN, G. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 1996.