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3.3 CONFISSÃO FICTA

3.4.2 D ECISÕES DO T RIBUNAL S UPERIOR DO T RABALHO

No referido julgado a reclamada sustenta que a ausência à audiência do preposto e do advogado foi devidamente comunicada e a contestação foi apresentada quinze minutos após o início para ela designado, assim espera que seja afastada as penalidades que lhe foram aplicadas em conseqüência da revelia.

O desembargador entendeu que ausência da parte à audiência implica revelia e confissão quanto à matéria de fato, e somente poderá ser elidida em situações relevantes, não sendo o caso dos autos. A primeira Turma amparada pela Orientação Jurisprudencial n. 45 da Seção de Dissídios Individuais do TST, segunda a qual “inexiste previsão legal tolerando o atraso no horário de comparecimento na audiência”, achou por bem manter a aplicação da revelia e suas as conseqüências.

julgados, transcreve arestos do mesmo Tribunal prolator da decisão recorrida, ante o obstáculo da alínea "a" do artigo 896 da CLT.

Recurso de revista não conhecido. FRAUDE - ÔNUS DA PROVA.

(Violação do art. 5º, II, da CF/88 e do art. 333, I, do CPC). Se as partes convencionaram a produção das provas e tendo o julgador nelas se baseado, é destituída de qualquer lógica a reclamada agitar a questão do ônus da prova quanto à convicção acerca da existência de fraude na contratação, mediante cooperativa. Recurso de revista não conhecido197.

O referido julgado trata-se de recurso interposto pela reclamada, objetivando a reforma da decisão proferida pelo juiz de primeiro grau e posteriormente confirmada pela segunda instância, alegando que esta violou os artigos 400, do CPC e artigo 5º da CRFB/88, bem como seu direito de defesa.

Por unanimidade de votos os Ministros da 2ª Turma negaram provimento ao recurso, concluindo que a confissão ficta decretada à reclamante em razão de sua ausência na audiência na qual deveria depor, gera apenas presunção de veracidade, elidindo assim, a confissão ficta a partir de prova emprestada nos autos, de modo que não restou violados os princípios suscitado (art. 5º da CRFB/88), tão pouco o artigo 400, do CPC, que cabe apenas para o caso de confissão expressa.

Por oportuno se faz necessário transcrever o julgado abaixo, pois é contundente quanto elisão da confissão ficta:

PRELIMINAR DE NULIDADE POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. A prestação jurisdicional foi entregue de forma completa pelo Tribunal de origem, em conformidade com o art. 832 da CLT, embora tenha sido desfavorável ao reclamado, haja vista que o próprio artigo 400, inciso I, do CPC corrobora a decisão do Regional ao afirmar que o juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos já provados por confissão ficta. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.

CONFISSÃO FICTA. PREPOSTO. A confissão ficta decorrente do desconhecimento pelo preposto de minúcias acerca da jornada de trabalho do reclamante importa, tão-somente, em presunção "juris

197 BRASIL, Tribunal Superior do Trabalho. Recurso de Revista 61398. 2ª Turma. Relator: Ministro Renato de Lacerda Paiva, julgado em 22/10/2003, publicado em 21/11/2003.

tantum" de veracidade dos fatos alegados pelo reclamante.

Diferentemente da confissão real, não produz a preclusão do direito da parte, afeta por essa penalidade, de alegar os fatos incompatíveis com os admitidos como verdade, mas, apenas, a presunção favorável à parte contrária, fazendo recair o "onus probandi" sobre quem sofre a imposição. Dessa forma, deve o juiz buscar a verdade real deferindo o pedido de produção de prova testemunhal. Recurso conhecido e provido198.

No caso em tela o reclamado interpôs recurso pugnando pela nulidade da decisão que indeferiu a oitiva de suas testemunhas e pela aplicação da pena de confissão ficta, assinala a violação dos artigos 5º, incisos II e LV, 93, inciso IX, da Constituição Federal, 130 e 400 do CPC e 832 da CLT. Importante mencionar que a confissão ficta neste caso foi aplicada ante o desconhecimento do preposto dos fatos controvertidos.

Por votação unânime os Ministros da 1ª Turma decidiram conhecer do recurso quanto à preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, ante a violação do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, fundamentando a decisão no artigo 843, 1º, da CLT o qual garante que “é facultado ao empregador fazer-se substituir pelo gerente, ou qualquer outro preposto que tenha conhecimento de fato, cujas declarações obrigarão o proponente”. No entanto este dispositivo dever ser interpretado no sentido de que o preposto deve ter conhecimento geral sobre os fatos. Quanto à aplicação da confissão ficta concluíram que implica apenas em presunção de veracidade dos fatos alegados pela parte contrária podendo ser elidida por prova em contrário, cabendo ao magistrado nestes casos, deferir o pedido de produção de prova testemunhal formulado pela parte, objetivando a busca da verdade real.

Não obstante se tenha entendimento de que a declaração da confissão ficta é absoluta, afastando-se a possibilidade de produção de outras provas necessárias nos autos, o que deve prevalecer em razão da garantia de justiça, e até mesmo pela busca incessante da verdade real, é o entendimento de que a confissão ficta é relativa, em razão disto deve ser elidida por outros meios de prova.

198 BRASIL, Tribunal Superior do Trabalho. Recurso de Revista 401891. 1ª Turma. Relator: Ministro Ronaldo Leal, julgado em 30/08/2000, publicado em 13/10/2000.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Partindo-se da premissa que a declaração da confissão ficta diante da ausência da parte na audiência em que deveria depor infringe o direito da parte de produzir as provas necessárias para a comprovação da matéria de fato e o esclarecimento da verdade verifica-se a ocorrência de cerceamento de defesa, objeto de estudo deste presente trabalho.

Um exemplo a ser citado, é o indeferimento de prova testemunhal quando o reclamante não comparece em audiência. Sabe-se que no direito do trabalho a prova testemunhal é muito relevante e que garante às partes

litigantes o reconhecimento do seu direito, em especial em favor do empregado, grande parte das vezes, autor da ação. Nestas reclamações, todo o fundamento do pleito do trabalhador está na prova testemunhal, em especial porque grande parte das provas documentais são manipuladas pelos empregadores e encontram-se em suas mãos. O indeferimento da prova testemunhal pela aplicação da pena de confissão ao empregado implica em grave cerceamento de defesa, pois a falta de provas quanto a determinado fato relevante ao processo e, que poderá ter influência na decisão, prejudica aquele a quem tinha responsabilidade de provar, e não o feito, a sentença terá o respectivo fato como inexistente.

Deste modo mesmo facultando ao juiz de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias à instrução do processo, indeferido as diligências inúteis e meramente protelatórias, não lhe enseja o direito de restringir ou coibir o direito das partes de apresentarem suas provas, principalmente aquelas que visam os fatos constitutivos de seu direito.

Na Justiça do Trabalho o juiz ao declarar a confissão ficta pela ausência da parte, viola os princípio constitucional do devido processo legal e conseqüentemente os princípios do contraditório e da ampla defesa.

Trata-se aqui, do termo princípio como sendo uma das fontes do direito na qual se objetiva criar normas com base ao anseio social.

Neste sentido o juiz através do princípio do contraditório coloca-se entre as partes, por força de seu poder de imparcialidade, de modo que será proporcionada a parte à igualdade de oportunidades garantindo tanto o direito de ação, quanto o de defesa.

A ampla defesa é uma garantia constitucional que dá ao interessado, em qualquer processo, o direito de se defender apresentando suas alegações e auxiliando na obtenção de uma solução mais justa.

Do mesmo modo deve-se garantir a efetiva aplicação dos princípios que regem o direito processual do trabalho, como o princípio da celeridade e economia processual que garantem a solução rápida dos conflitos, ou seja, quanto mais rápida a solução da controvérsia torna-se mais barato o acesso à justiça. Em

consonância com estes princípios encontra-se o da concentração que visa à execução de todos os atos processuais em um único ato.

A aplicação da confissão ficta decorrente da ausência da parte na audiência em que deveria depor gera apenas presunção de veracidade dos fatos alegados pela parte adversa, podendo ser elidida por outros meios de prova.

No entanto esta presunção de veracidade é destinada ao juiz, que está autorizado a consolidar seu convencimento principalmente pela análise exaustiva de provas que corroboram com os fatos havidos no caso concreto, mas isto não impede que para aperfeiçoar o conhecimento dos fatos e em busca da verdade real autorize a parte confessa a produzir provas, já que a conseqüência da confissão ficta ao contrário da confissão real não implica na preclusão do direito da parte de alegar os fatos controvertidos, mas apenas a inversão do ônus da prova.

A prova tem como objeto os fatos, e estes devem ser provados pela parte que os alegou. Desta forma o juiz deve autorizá-la a produzir todos os meios de provas necessários à comprovação da realidade dos fatos. A impossibilidade da produção de provas evidencia-se em cerceamento de defesa, visto que o direito a prova é uma garantia constitucional tutelada no artigo 5º, da Constituição Federal, devendo o ato ser declarado nulo por manifesto prejuízo a parte afastando-se assim a pena de confissão ficta.

Ante o exposto, resta evidenciado que, para a aplicação justa do processo, em especial no processo do trabalho, objeto deste estudo, é necessário que os operadores do direito possibilitem às partes de maneira exaustiva a busca pela verdade real, possibilitando a desconstituição da confissão ficta como presunção de veracidade dos fatos, prevalecendo o entendimento de que é relativa podendo ser elidida por outros meios de prova.

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