LIÇÃO XXIII
DAS CONTAS
(Conclusão)
Sumario:— Classificação. Na Contabilidade Rural. Clas- sificação. Exemplos.
— 88 —
DAS CONTAS NA CONTABILIDADE RURAL Todas as contas pódem ser sintéticas ou Analiticas, conforme se destinam á escrituração sintética ou á analitica.
As contas sintéticas ou de razão, só demonstram as mu- tações economicas; as contas analiticas, ou dos auxiliares, demonstram não só estas como a sua origem, natureza e es- clarecimentos necessarios.
Na Contabilidade Rural as contas auxiliares ou analiti- cas são importantissimas e apresentam vantagens formida- veis; são de grande necessidade e indispensaveis para demons- trar o custo e a razão de ser das diversas produções agrarias.
Contra elas não permanecem de pé as alegações de MA- RHENGI que tentou demonstrar a desvantagem da Conta- bilidade Analitica na Contabilidade Rural, sem lograr exito porém.
DA CLASSIFICAÇÃO DAS CONTAS RURAIS São varios os criterios que pódem ser adotados para a classificação das contas rurais. Dentre os principais cita- remos o que as estuda sob um ponto de vista geral, isto é, compreendendo as emprezas rurais mixtas e o da classifica- ção das contas segundo a especialisação da empreza rural (pastoril ou cultural).
Ocupar-nos-emos no momento da classificação das con- tas das emprezas rurais mixtas.
Quando tratarmos de cada uma daquelas especialisa- ções da Contabilidade Agraria, estudaremos-as classifica- ções que se lhes refiram. (1)
EXEMPLOS DE CONTAS DA CONTA- BILIDADE RURAL
Vamos enumerar perfuntoriamente algumas contas que geralmente são usadas tanto na Contabilidade Pastoril quan-
(1) Liv. cit., pag. 54 e seguintes.
to na Cultural, reservando para quando destas tratarmos es- pecialmente, fazer a enumeração das suas contas carateris- ticas.
Dentre as principais contas que usualmente aparecem na Contabilidade Rural, citaremos:
Capital. Conta fundamental. Representa os valores com que uma pessôa constitue o seu patrimonio para inicio de suas transações. E’creditada pelos valores que constituem o capital e debitada pela diminuição ou desaparecimento deste.
Caixa. Representa o movimento monetario. Registra a entrada e saida de dinheiro.
Imoveis. Representa os bens que não se deslocam De- bita-se pelos existentes e adquiridos. Credita-se pelos alie- nados.
Maquinismos ou Maquinarios. Representa as maquinas em uso na empreza rural. E’ debitada pelas que são insta- ladas e creditada pelas amortisações, depreciações e inutili- sações.
Contas Correntes. Registra as transações com os Cor- respondentes: no débito quando estes asumem uma obriga- ção; no crédito, quando adquirem algum direito.
Moveis e utensilios: Representa os objetos de uso. E’
debitada pelos comprados e creditada pelas amortisações e estragos.
Animais de Trabalho. Representa os que são utilisa- dos nos serviços agrarios. Debita-se pelos existentes. Cre- dita-se pelos que morrem ou são vendidos.
Animais de Trabalho. Representa os que são utilisados nos serviços agrarios. Debita-se pelos existentes. Credita-se pelos que morrem ou são vendidos.
Despezas Gerais. Registra por débito os gastos miudos do estabelecimento rural. Não tem crédito. E’ conta de lu- cros e perdas. Salda-se por balanço.
Salarios. Representa os pagamentos de serviços aos trabalhadores, por débito. Não tem crédito: salda-se por balanço. E’conta de resultado.
Colonos. Representa a conta das familias ou pessoas que empregam a sua atividade na fazenda. Movimento iden- tico ao de contas corrente.
Veículos. Registra as operações efetuadas com os bens de transporte. Movimento egual á Moveis & Utensilios, acrecido com as despezas por débito, com a sua manutenção e funcionamento.
Arreios e Selins. Representa estes utensilios, bem como correiames, barrigueiras, freios, etc. usados pelos animais de trabalho. Movimento identico á conta de Moveis e Uten- silios.
Titulos a Receber. Registra as obrigações aceitas a fa- vor do fazendeiro. Debita-se pelas aceitas. Credita-sé pe- las recebidas.
Titulos a Pagar. O inverso da precedente. Jogo escri- tural inverso.
Juros & Descontos. Comissões. Representam por débito os que abonamos aos nossos devedores, e por crédito os que nos são abonados.
Lucros e Perdas. Registra por débito os prejuizos e por crédito os lucros da empreza. Conta de resultado.
Fundo de Reserva. Representa uma parte dos lucros retirada para garantia de prejuizos eventuais, pelo que é cre- ditada. Debita-se pelos prejuizos.
Lucros Supensos. Idem, idem.
LIÇÃO XXIV
Das Contas
Sumario: — Classificação proposta no Primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade. Classificação adotada Critica.
CLASSIFICAÇÃO DAS CONTAS RURAIS NO PRIMEIRO CONGRESSO BRASILEIRO DE
CONTABILIDADE
Sob a epigrafe de “Uniformisação da Contabilidade Agricola”, o “Primeiro Congresso Brasileiro de Contabili- dade” estudou a questão da classificação das contas rurais, sendo então propostas duas classificações (1)
(1) “Relatorio do Primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade”, Rio de Janeiro, 1927, pag. 320.
Uma, pelo autor da tése numero 33, outra pelo relator desta, sendo esta ultima adotada pela Commissão encarregada de dár parecer, a qual foi posteriormente aceita pelo Congresso.
Vejamos estas classificações:
A tése num. 33 foi da autoria do Sr. PERCILIO DE CARVALHO. A classificação proposta por este, comquan- to encare a empreza rural sob varios aspétos, não nos apre- senta uma classificação rigorosa sob o ponto de vista con- tável, pois se extende assaz por sub-ordens. Preocupou-se tambem ecessivamente o seu Autor com a especialisação da
empreza rural. Aliás neste ponto a tése é interessante.
Não se ateve, porém, a uma classificação do ponto de vista geral. No entretanto a sua classificação das contas de
“Culturas” e “Criações” são muito bôas para compreensão das emprezas culturais e pastorís. (2).
Nota-se na classificação do Sr. PERCILIO DE CAR- VALHO o intuito de classificar as contas de acôrdo com a especialisação do estabelecimento rural. Ocupando-se na sua tése da classificação das contas das emprezas agrarias, num sentido amplo, não deveria se ater com as especialisações da produção dos estabelecimentos rurais.
Sob este ponto de vista, porém, a sua classificação das contas é perfeitamente aceitavel, não obstante a sua proli- xidade.
DA CLASSIFICAÇÃO ADOTADA NO “PRIMEIRO CONGRESSO BRASILEIRO DE CONTABILIDADE”
Por proposta da Commissão encarregada de relatar a tése n. 33, no citado Congresso, da qual foi relator o prof.
ANTONIO MIGUEL PINTO (3), foi aprovada outra classificação das contas da Contabilidade Rural. Na verdade a classificação então aprovada satisfaz ás exigencias da
(2) Idem, idem, pag. 309.
(3) Idem, idem, pag. 318.
técnica contábil, pois, encara as diversas especies de fatos ad- ministrativos de uma azienda agraria.
Classificando as contas em quatro grandes classes, o Congresso citado houve por bem aprovar a seguinte classifi- cação das contas na Contabilidade Rural: (4):
(4) Idem, idem, pag. 320.
CRITICA DA CLASSIFICÇÃO SUPRA
A classificação ácima não é prolixa. E é das melhores que conhecemos. E a que adotamos, tendo em vista que as contas na Contabilidade Rural ou representam os fundos com que foi constituida a empreza agraria (Conta de Capital), ou representam os fatos administrativos referentes ao exer- cicio agricola (contas da gestão rural), ou ainda as opera- ções comerciais das aziendas agrarias. E, finalmente, tendo- se em vista que estas duas ordens de fatos administrativos
pódem apresentar um resultado positivo (lucro) ou um re- sultado negativo (prejuizo), segue-se que devemos abrir ainda uma quarta e ultima classe de contas: as de Lucros e Perdas.Vê-se que é bem racional tal classificação.
Quando estudarmos as duas modalidades de emprezas agrarias exclusivas (cultura e pastoril), teremos ocasião de formular algumas idéas sobre a classificação das contas refe- rentes a cada uma daquelas aziendas.
A classificação ácima se refere ás emprezas rurais de caráter mixto.