3.3 DO PRECONCEITO
3.3.1 Da Família e da Sociedade
que o mesmo possa voltar a delinqüir, visto que, o mesmo está inserido em um meio completamente falido que o impossibilita de ressocializar-se.
Todavia, muitos são os casos em que a família não proporciona ao apenado condições de ter uma oportunidade de seguir o caminho correto, o que nem sempre se apresenta como o mais fácil.
Várias famílias almejam apenas que o apenado providencie os recursos necessários para sanar com todas as despesas, sendo que por vezes não importa o meio pelo qual se obtém o dinheiro, porque os valores estão distorcidos aos extremos, e o que vai importar é o valor arrecadado.
É necessário que o apenado sinta-se integrante de algo, e tenha motivos para evoluir a afastar-se de praticas que distorçam o seu comportamento e o levem a pratica delituosa.
Por vezes para família é difícil aceitar que um ente tão próximo possa ter cometido tamanha barbaridade, contudo, se os próprios familiares não poderem dar uma oportunidade do apenado demonstrar que se regenerou tão pouco, pessoas entranhas poderão proporcionar tal oportunidade.
A família, sendo a base da sociedade, deve romper as barreiras do preconceito, da hipocrisia e da desigualdade, sendo que sentimentos como o amor, amizade, respeito, compreensão e diálogo devem estar sempre presentes, para assim, constituir uma família estruturada que proporcione meios de recuperação ao apenado.
A sociedade apresenta duas fortes interferências no que se refere ao preconceito contra o apenado. A primeira corresponde à idéia de que preso esta em melhor situação do que as pessoas que vivem livres. A segunda, que o apenado sempre vai ser um criminoso, é impossível acreditar na sua recuperação.
O primeiro preconceito apresentado é inaceitável, como uma pessoa pode acreditar que o apenado que encontra-se em cárcere está em uma situação melhor do que um homem livre? Impossível de se responder.
Só pensam assim pessoas que não conhecem a realidade do sistema prisional, pessoas que estão alheias às informações que são diariamente transmitidas. O sistema prisional na atualidade apresenta-se como um cenário típico da infração dos direitos do apenado e do desrespeito a dignidade humana.
O apenado por vezes está desprovido de recursos que são básicos a sobrevivência humana, e não raro são obrigados a conviver com a dor por falta de assistência qualificada.
É muito melhor viver livre e desprovido de alguns recursos que a entendimento próprio possam ser excluídos, do que viver recluso e não ter direito algum de escolha e estar sujeito a condições severas que levem apenas a sobrevivência.
O segundo preconceito, está relacionado à indiferença da sociedade com os apenados que saem dos estabelecimentos penais em busca de novas oportunidades de vida. Que procuram condições que não os levem ao caminho da criminalidade.
Porém, fácil de vislumbrar é o comportamento hostil das pessoas com os apenados, muitas se sentem incomodadas e a simples presença torna-se uma ameaça, uma situação difícil de ser vivenciada.
Em relação ao comportamento da sociedade, FURTADO64, assegura:
Na medida em que, como sociedade, estamos a fabricar criminosos, jogando homens mal formados( homens metade, pessoas abandonadas por um pacto social falido) dentro de um sistema penitenciário completamente abandonado pelo Executivo e desprezado pelo Judiciário, e de lá retiramos feras, estamos também, a ofender e atacar a nós mesmos[...]
O preconceito leva a prática de atitudes discriminadoras e cruéis, a pena ultrapassa a figura do apenado e toda uma família é exposta a
64 FURTADO, Renato de Oliveira. Nós e eles: sitema penitenciário. Texto disponível em http://www.direitocriminal.com.br. Acessado em 07.10.2009.p.02.
discriminação e a rejeição social. Torna-se impossível encontrar um emprego, os olhares discriminadores e reprováveis são freqüentes e implícitos.
Em consonância ao assunto, assevera MIRABETE65: O mais grave inconveniente que, tradicionalmente, tem levado a pena privativa de liberdade é a marginalização do preso. Não obstante tenha ele alguma ou todas as condições pessoais para se reintegrar ao convívio comunitário a que esteve afastado. E apesar dos esforços que possam ser feitos para o processo de reajustamento é inevitável que o egresso encontre uma comunidade fechada, refratária e que ela mesma o acabe impulsionando para delinqüir.
Um exemplo típico do preconceito gerado na sociedade é o pedido de antecedentes criminais na concorrência de um emprego. A maioria da sociedade diz que não possui preconceitos contra pessoas que permaneceram reclusas, contudo não são capazes de ofertar um emprego para alguém que já foi preso.
E a problemática envolvida com o local da instalação dos estabelecimentos penais, ninguém deseja um presídio perto de casa. Como se fosse possível esquecer os encarcerados, de forma a “jogá-los” em celas e fazer do estabelecimentos vendeiros depósitos.
Se o apenado cumpriu com suas obrigações, atingindo o tempo suficiente para a progressão de regime, ou então, tenha cumprido integralmente a sua pena, não possui o mesmo, nenhuma divida com o Estado, tão pouco com a sociedade. Não devendo assim, ser submetido a situações de constrangimento e discriminação.
3.4 O DESCASO DO ESTADO
Em toda Execução Penal, pode-se observar várias situações que levam a afirmação de que o Estado trata com descaso todo o processo executório penal. Impossível não se visualizar o caos em que se
65 MIRABETE, Julio Fabbrini. Execução Penal: comentários à Lei nº 7.210, de 11-7-84. 8. ed.
rev e atual.p.88-89.
encontra os estabelecimentos penais, falidos e com estruturas ultrapassadas, parecendo mais “calabouços” do que celas.
A inobservância com a falta da prestação dos direitos básicos inerente aos presos, a situações negligentes a que estão submetidos, levam a um total esquecimento por parte dos governantes e legisladores.
Ao analisar esta questão FALCONI66 ressalta:
Entre nós, ninguém está verdadeiramente preocupado com a reeducação, ou com qualquer outra atividade que diga respeito à reinserção do condenado. Apenas estão preocupado, ou dizem que estão, em aumentar o número de prisões, na elaboração de leis cada vez mais virulentas e arrestos humanos cada vez maiores.
Uma vez que é retido do preso o direito de ir e vir, sendo que o mesmo fica impossibilitado para suprir sozinho com as suas necessidades básicas, o Estado passa a ser o seu tutor, sendo o mesmo o único detentor da capacidade sancionadora.
Deve então cumprir com as suas próprias determinações, fazendo valer os preceitos contidos em nossa Constituição e em legislação específica, como neste caso a LEP. Se o Estado através de seus representantes elabora as Leis, deve o mesmo ser o guardião delas, e fazer valer todo o seu conteúdo.
A crítica mais severa direcionada aos governantes que são efetivamente os representantes do Estado, está na questão da impossibilidade do preso votar. Após o trânsito em julgado de uma sentença condenatória, o preso perde, mesmo que momentaneamente, o seu direito ao voto.
Desta forma, não fazem os presos parte do público alvo dos governantes que, efetivam o desinteresse em propor soluções e alternativas ao caos que é o sistema prisional. Os estabelecimentos penais tornam-se “depósitos” de pessoas, que são visivelmente esquecidas pelo Estado.
66 FALCONI, Romeu. Lineamentos de Direito Penal . p. 111.
O único interesse demonstrado é o de construir mais estabelecimentos, para que comportem mais presos, sendo que o problema seria resolvido apenas momentaneamente, pois sem a aplicação efetiva da Lei não há que se falar em ressocialização, tão pouco em solução para as demandas da Execução Penal.
Acerca do assunto TELES67 enfatiza:
A história de nosso sistema penitenciário é essa, avançada na legislação, atrasada na prática. Cresce o país, a população, desenvolvem-se as cidades, a economia galga estágios de desenvolvimento, as péssimas condições de vida da maior parte do povo se agravam, aumentam a miséria e a fome, com elas a criminalidade, constroem-se penitenciárias e quantidade e qualidade insuficientes para atender à demanda, não restando ao legislador senão apresentar novas e modernas soluções, especialmente diante do descaso do Poder Executivo em todos os níveis.
Como exigir da sociedade comportamentos não discriminadores em relação aos apenados, se os próprios legisladores ignoram a situação do sistema prisional, empurrando os problemas visíveis e não oferendo nenhuma situação.
Doravante, com o descaso do Estado, o apenado, assim como o preso em todo o sentido lato, não possui apenas a sua pena a cumprir ou o tempo necessário a ficar recluso, mas deve o mesmo enfrentar situações sub-humanas e ao invés de recuperar-se e estar habilitado para retornar ao convívio em sociedade, nutre o mesmo sentimentos como ódio, raiva e revolta que o impulsionam cada vez mais ao mundo do crime.
3.4.1 O Desrespeito à Constituição
Em relação a todos os princípios basilares contidos em nossa Constituição, no que se refere à Execução Penal, verifica-se o desrespeito com praticamente todos os princípios nela contidos, sendo que o preso é lançado a condições degradantes e sub-humanas, infringindo assim inúmeros direitos e garantias constitucionais inerentes a qualquer pessoa.
67 TELES, Ney Moura. Direito penal: parte geral, arts. 1º a 120. p.298
Nesse sentido diz LEAL68:
Diante dos direitos e garantias constitucionais asseguradas a todo cidadão, o dispositivo pode parecer desnecessário.
Porém, num país, onde a pessoa do preso não tem merecido a menor consideração, parece-nos que a disposição legal acima transcrita é de todo recomendável e útil. É preciso respeitar o preso, assegurando-lhe o cumprimento da pena dentro dos limites impostos pela própria lei.
A sanção imposta ao apenado ultrapassa os limites da pena, o cárcere é muito mais severo do que o próprio tempo de pena a cumprir, a falta de direitos basilares e a situação degradante a que estão inseridos torna a realidade o oposto das condições expressas na Constituição.
O próprio Estado que deveria resguardar os preceitos contidos na Constituição, é que com mais veracidade, desrespeita, infringe e não faz valer o valor contido na norma.
Não há que se falar apenas na ineficácia da Execução Penal, mas também na ineficácia da própria Constituição, que não deve ser vislumbrada como apenas uma carta de recomendações, com princípios utópicos. Se o legislador contemplou na Lei garantias fundamentais a todos os homens, deve o mesmo criar meios de executar todos estes preceitos e fazer valer o conteúdo de nossa Lei magna.
3.4.2 Da não Prestação dos Direitos
Constatando-se a infração de princípios Constitucionais e direitos expressamente garantidos na LEP, evidencia-se a não prestação de direitos oriundos ao encarcerado, sendo ele apenado, em regime de cumprimento de pena, seja ele provisório.
Os direitos que são negados aos apenados então inseridos em todos os estágios, desde os básicos, como alimentação, vestuário, saúde, educação, até os mais elevados como auto-estima e possível auto-realização.
68 LEAL, João José. Direito Penal Geral. p.409.
THOMPSON69 acentua:
Rejeitados pela sociedade, confinados à força, obrigados a uma coabitação não escolhida, privados de autonomia, de recursos, de bens e serviços de caráter pessoal, de iniciativa, de segurança, separados da família, submetidos a um regime asfixiante de regras abstrusas, obtêm, não adequado à condições artificiais de vida que lhes são impostas.
O próprio sistema agride o preso, como então ele poderá acreditar na sua ressocialização se o próprio órgão responsável em corrigir o seu desfio de conduta, o cola a margem da sociedade e o estigmatiza, incentivando toda a sociedade a pratica de atos preconceituosos.
Exigem do preso o seu retorno eficaz a sociedade, contudo não verificam a falência do sistema em que ele esta inserido, não sendo prestados os direitos básicos inerentes a qualquer pessoa.
Relevante é o entendimento de que parte da pessoa a intenção de mudar, todavia se não for proporcionado o meio de provocar esta mudança, de nada adiantará a ilusão utópica que o sistema prisional conseguirá recuperar algum dos seus milhares de encarcerados.
3.5 INEFICÁCIA DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL
A palavra ineficácia em sentido stricto sensu está vinculada ao conceito de deficiência, ou seja, a carência, a falha na execução de algo.
Em relação à ineficácia da Lei de Execução Penal, afirma- se que a legislação referida possui defeitos e não está sendo aplicada de acordo com os seus preceitos, sendo impossível atingir os seus objetivos maiores, que são, a execução da sanção imposta pelo Estado, empregando em seus meios o respeito à dignidade do preso, e a ressocialização do encarcerado.
Os objetivos da Execução Penal, ora mencionados, estão inseridos no conteúdo do Artigo 1º da LEP, o qual vejamos:
69 THOMPSON, A Questão Penitenciária. p.82.
Art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.
Estando postos os objetivos, devem ser apontados os meios pelo qual deve se percorrer para atingir o resultado final. É o que ocorre no decorrer dos 204 artigos da LEP.
Por várias vezes verifica-se elogios a LEP, entretanto lodo seguem as críticas direcionadas a sua inaplicabilidade. A Lei se distância da realidade que esta contida no sistema prisional e torna-se utópica frente à falência do Estado.
OLIVEIRA70 entafiza:
A Lei de Execução Penal é, de uma maneira geral, inexeqüível. Suas disposições consubstanciam, sem duvida, o resultado dos estudos mais avançados sobre a matéria, mas não houve a preocupação de se alevantarem as estruturas existentes e necessárias para a sua efetivação, constituindo-se mais, em uma lei de caráter utópico, sem o devido embasamento na realidade social do nosso país.
A não prestação de direitos previstos na LEP acarreta na revolta dos presos, que estão expostos a superlotação, a falta de profissionais, a falta de infra-estrutura, e todos os demais problemas que concebem a falência prisional.
Impossível ressocializar alguém, em um ambiente inadequado e cenário para o cometimento de tantas ilegalidades. Não se pode repreender o encarcerado se o próprio Estado a quem estamos todos subordinados é o principal infrator das Leis que ele mesmo, cria e deve executar.
Em consonância aos dados apresentados, certa é a afirmação de BITTENCOURT71:
70 OLIVEIRA, João Bosco. A Execução Penal: uma realidade jurídica, social e humana. São Paulo: Atlas, 1990.p.85
71 BITTENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito penal: parte geral. p.1993.
A superlotação das prisões, a alimentação deficiente, o mau estado das instalações, pessoal técnico despreparado, falta de orçamento, todos esses fatores convertem a prisão em um castigo desumano.
Bem verdade, que todo o sistema está falho, possuindo políticas que não atingem o público alvo, como por exemplo, a saúde, a educação e a segurança, entre outros. Todavia o que se deve entender é que o encarcerado está em situação de desvantagem, de fragilidade, não podendo suprir por si as suas necessidades.
Deve-se planejar uma política de divulgação da humanização da execução penal, de forma a transmitir não somente aos operadores do direito, mas a toda sociedade a necessidade de ver o preso como ele realmente é, ou seja, uma pessoa igual a todas as demais.
Segundo ALBERGARIA72 a política penitenciária terá que enfatizar a humanização da execução penal, privilegiando as medidas alternativas e a colaboração da comunidade.
Não somente as autoridades ou a o preso e sua família devem apontar a ineficácia da LEP, mas toda a sociedade deve priorizar os direitos humanos e exigir que o encarcerado tenha o tratamento adequado para estar apto ao retorno da sociedade, que é inevitável, observando que não existe pena de morte ou prisão perpétua em nossa legislação.
As péssimas condições do sistema prisional, o descaso do Estado, a inércia da sociedade apenas contribuem a falência do sistema e a revolta do encarcerado, que quando ganhar a liberdade não se sentira inserido em meio algum, e marginalizado não respeitara contrato social algum, e provavelmente voltara a interferir no bem comum, ou seja, a paz social.
Ao se falar em ineficácia, aponta-se as falhas da LEP, que são visíveis a qualquer pessoa, não sendo necessário a presença a opinião de um especialista, haja vista que a realidade esta posta.
72 ALBERGARIA, Jason. Comentários à lei de execução penal..p.94.
Sobre o assunto discorre ALBERGARIA73:
Entre as dificuldades da política criminal inclui-se a deficiente informação estatística, ao lado da crônica escassez de recursos, ineficácia e burocratização dos programas sociais, enfoque setorial, ausência de participação da comunidade, crônica escassez de recursos e outros fatores negativos.
Precisa-se ter a certeza ora afirmada, de que uma coisa é certa, o preso retornará a sociedade, e de acordo com o seu tratamento, sentirá a necessidade de retribuir as situações que foi exposto. Será um espelho de todas as desigualdades vivenciadas.
Sendo assim, as péssimas condições do sistema prisional, o descaso do Estado, a inércia da sociedade apenas contribuem a falência do sistema e a revolta do encarcerado, que ao ganhar a liberdade não se sentira inserido em meio algum, e marginalizado não respeitara contrato social algum, e provavelmente voltará a interferir no bem comum, ou seja, a paz social.
A ineficácia da LEP está explicita na realidade do sistema prisional, falida, inalcançável e inaplicável. Se não houver modificações em relação a exigibilidade do cumprimento do conteúdo exposto na Lei, continuar- se-á a mesma como uma carta de intenção.
73 ALBERGARIA, Jason.Comentários à lei d e Execução Penal .p. 106.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente Monografia teve como objeto a ineficácia da Lei de Execução Penal, a infração de Princípios Constitucionais e a as conseqüência desta ineficácia n e infração no processo de ressocialização.
A pena como forma de sanção imposta a uma pessoa que por um desvio de conduta cometeu um ato previsto como ilícito, sempre provocou várias discussões em relação a sua aplicabilidade.
Os Regimes Prisionais surgem como forma de efetivar a sanção ora imposta pelo Estado, sendo o mesmo através de seus representante o único detentor da imposição de uma sanção.
Contudo, no processo de execução da sanção penal, verifica-se a inobservância de princípios e direitos basilares a Dignidade Humana.
A prisão no atual sistema carcerário, apresenta-se como ambiente inadequado a reeducação de uma pessoa, todavia é único meio existente para enclausurar pessoas que infringiram o contrato social que dita as regras comportamento para a paz social.
Para melhor compreensão do assunto em tela, faz-se necessário analisar a forma que procede a execução de pena no atual cenário em que estamos inseridos. Desta forma será apresentado o resultado desta pesquisa de forma sintetizada em cada um dos capítulos abaixo.
No primeiro Capítulo, apresentou-se um apanhado histórico da pena, com ênfase a sua origem e desenvolvimento desde o inicio da civilização até a atualidade. Além disso, discorreu-se sobre as teorias para
sua finalidade e sobre os Regimes Prisionais, que são a forma do cumprimento da sanção imposta pelo Estado,
No segundo capítulo, explanou-se, sobre os Princípios Constitucionais direcionados a Execução Penal, sendo que os mesmo não são cumpridos de forma efetiva, provocando assim a infração de nossa Lei maior.Culminando com o assunto, verificou-se quais são os direitos inerentes ao apenado contidos na LEP, sendo que os mesmos não são proporcionados, acarretando assim na marginalização dos presos, violando a sua dignidade e inserindo os mesmos a condições degradantes e intoleráveis.
No terceiro Capítulo, foi direcionado o assunto a Ineficácia propriamente dita da LEP, sendo apontado como responsável para a falecia prisional, o Estado, que deveria exigir e fiscalizar o cumprimento da Lei, de forma a resguardar a integridade física e moral dos presos. No decorrer da pesquisa, foi abordado a importância da família e da Sociedade no que tange a recuperação do encarcerado. Para finalizar evidencio-se que, da forma que esta sendo direcionada a execução penal, impossível se faz a ressocialização do encarcerado.
No tocante a hipóteses levantadas no início da pesquisa e que serviram de base para o desenvolvimento do trabalho, restaram confirmadas, como se verá a seguir:
Hipótese 1 : Com efeito, na prática, é visível a grosseira antinomia entre o desejo do legislador e a realidade evidenciada.O encarcerado não possui de forma efetiva a assistência expressa na LEP, tornando-se a mesma ineficaz.
Hipótese 2 : Sendo o Estado o único detentor do poder de punir, transfere-se a ele a responsabilidade de prover as necessidades básicas do cidadão encarcerado, sendo que o mesmo tem seus atos ceceados pelo Estado que o colocou em cárcere.
Hipótese 3 : Frente o atual sistema e as condições sub- humanas a que esta inserido o preso, impossível é sua ressocialização ,
sendo que o mesmo esta posto a margem da Sociedade, de forma a ficar impossibilitado de retornar ao convívio social.
Para que a pena deixe de ser apenas o retorno do ato praticado, será necessário que sejam cumpridos os princípios Constitucionais básicos, bem como os preceitos contidos na LEP. O apenado deve ser visto como um sujeito portador de direitos e não somente de deveres. O Estado e a Sociedade devem proporcionar, cada um dentro de suas obrigações, condições do encarcerado estar retornando ao convívio social, sendo que o mesmo também é produto deste meio e não pode ser esquecido dentro dos estabelecimentos penais. Para que a Lei cumpra a sua função social, é necessário compreender a sociedade como um todo e não parti-la em camadas que só nos levam a a desigualdade e injustiça.
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