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DA RECEITA DAS ENTIDADES SINDICAIS

No documento Marilene Petri.pdf - Univali (páginas 49-88)

conforme disposto no art. 195 da Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988. 153

As contribuições destinadas à seguridade social estão previstas no art.

195 da Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988 que indica o fato gerador e o sujeito passivo deste tributo. O inciso I prevê contribuições do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, que incide sobre (a) a folha de salários e demais mesmo sem vínculo empregatício; (b) sobre a receita ou o faturamento; (c) o lucro, como base de calculo que identifica o fato gerador; o inciso II versa sobre a contribuição do trabalhador e dos demais segurados da previdência social; o inciso III sobre a receita de concursos de prognósticos e o IV refere a contribuição do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. 154

Em suma, verificou-se que a doutrina e a jurisprudência entendem que há cinco espécies de tributos em nosso ordenamento jurídico.

(I) impostos (art. 145, I ,CF c/c art. 16 do CTN;

(II) taxas (art. 145, II da CF c/c arts. 77 e 78 do CTN);

(III) contribuições de melhoria (art. 145, III, CF c/c arts. 81 e 82 do CTN;

(IV) empréstimo compulsório (art. 148 CF);

(V) contribuições (art. 149, CF).155

Passa-se agora a analisar a receita das entidades sindicais.

inúmeras contribuições obrigatórias e espontâneas, é o valor pago à entidade sindical, seja por imposição legal ou deliberação de assembléia, para a consecução de seus fins. 156

Assim, entende-se como contribuição sindical toda e qualquer contribuição paga à entidade sindical, seja ela facultativa ou obrigatória.

A contribuição sindical obrigatória é disciplinada por lei, cuja competência para criação é exclusivamente da União (art. 149 da Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988, artigos 578 a 591 da Consolidação das Leis do Trabalho). 157

Cabe destacar a previsão legal sobre o assunto:

Art. 578 - As contribuições devidas aos Sindicatos pelos que participem das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas pelas referidas entidades serão, sob a denominação do "imposto sindical", pagas, recolhidas e aplicadas na forma estabelecida neste Capítulo. (Vide Lei nº 11.648, de 2008)

Art. 579 - A contribuição sindical é devida por todos aqueles que participarem de uma determinada categoria econômica ou profissional, ou de uma profissão liberal, em favor do sindicato representativo da mesma categoria ou profissão ou, inexistindo este, na conformidade do disposto no art. 591. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) (Vide Lei nº 11.648, de 2008)158 Assim sendo, percebe-se que, no tocante a contribuição obrigatória ela é determinada em lei e é prevista na Consolidação das Leis do Trabalho como um imposto sindical, o que, como visto acima é equivocado tendo em vista que se enquadra constitucionalmente como contribuição.

A natureza jurídica da contribuição sindical é classificada como tributo cujo fato gerador encontra-se previsto na Consolidação das Leis do Trabalho. De acordo com o art. 149 da Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988, trata-se de contribuição parafiscal, se enquadrando no gênero social sujeito a todos os trabalhadores. 159

Também é o entendimento jurisprudencial:

CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL.

IMUNIDADE. C.F., 1967, ART. 21, PAR-2., I, ART-19, III, "b", C.F.,

156MORALES, Cláudio Rodrigues. Das contribuições aos sindicatos. São Paulo: Ltr, 2000, p.11.

157MORALES, Cláudio Rodrigues. Das contribuições aos sindicatos. p.16.

158BRASIL, Decreto-Lei n. 5.452 de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>.

Acesso em: 10 de out. 2011.

159BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito de trabalho.p.1244.

1988, ART-149, ART-150, VI, "b". I. A imunidade do art. 19, III, da CF/67, (CF/88, ART. 150, VI) diz respeito apenas a impostos. A contribuição e espécie tributaria distinta, que não se confunde com o imposto. E o caso da contribuição sindical, instituida no interesse de categoria profissional (CF/67, art. 21, par-2., I; CF/88, art. 149), assim não abrangida pela imunidade do art. 19, III, CF/67, ou art. 150, VI, CF/88. II. Recurso Extraordinário não conhecido. 160

Desta forma, sendo uma contribuição deve ser paga por qualquer membro da categoria, independente de ser ou não filiado à entidade sindical.

Para os trabalhadores trata-se de uma contribuição feita uma vez ao ano, correspondente a um dia de trabalho, descontado em folha salarial e recolhida aos sindicatos, consoante o art. 580, inciso I da Consolidação das Leis do Trabalho. 161

Já para os trabalhadores autônomos, profissionais liberais o recolhimento é executado no mês de fevereiro e consiste na importância correspondentes a 30%

do maior valor de referência fixado pelo Poder Executivo, vigente à época em que é devida a contribuição sindical, conforme dispõe o art. 580, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho. 162

Para às empresas será feito o recolhimento no mês de janeiro (art.587 da Consolidação das Leis do Trabalho) correspondendo a uma importância proporcional ao capital social da firma ou empresa, registrado nas respectivas Juntas Comercias ou órgãos equivalentes, mediante a aplicação de alíquotas, conforme tabela exposta no art. 580163 da Consolidação das Leis do Trabalho164:

160BRASIL, Supremo Tribunal Federal. Recurso extraordinário nº 129930, de São Paulo.

Relator: Min. Carlos Velleso.Segunda Turma. Publicado no DJ em: 16/08/1991. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=constitucional+e+trib utario+e+contribui%E7%E3o+e+sindical&pagina=2&base=baseAcordaos> Acesso em: 10 de out. 2011.

161BRASIL, Decreto-Lei n. 5.452 de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>.

Acesso em: 10 de out. 2011.

162BRASIL, Decreto-Lei n. 5.452 de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>.

Acesso em: 10 de out. 2011.

163BRASIL, Decreto-Lei n. 5.452 de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>.

Acesso em: 10 de out. 2011.

164BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito de trabalho.p.1244.

Classes de Capital Alíquota % 1 Até 150 vezes o maior valor-de-referência 0,8

2 Acima de 150, até 1.500 vezes o maior valor- de-referência

0,2

3 Acima de 1.500, até 150.000 vezes o maior valor-de-referência

0,1

4 Acima de 150.000, até 800.000 vezes o maior

valor-de-referência 0,02

Esta contribuição é distribuída entre todas as entidades sindicais que compõem o sistema confederativo inclusive para a central sindical, desde que respeitem os requisitos de criação e existência dispostos na Lei 11.648/2008. 165

A contribuição será rateada entre as entidades sindicais nos percentuais preconizados no art. 589 da Consolidação das Leis do Trabalho, que aduz que para os empregadores serão direcionados 5% (cinco por cento) para a confederação correspondente; 15% (quinze por cento) para a federação, 60% (sessenta por cento) para o sindicato respectivo, 20% (vinte por cento) para a ‘Conta Especial Emprego e Salário, para os trabalhadores, serão 5% (cinco por cento) para a confederação correspondente, 10% (dez por cento) para a central sindical; 15% (quinze por cento) para a federação, 60% (sessenta por cento) para o sindicato respectivo, 10% (dez por cento) para a ‘Conta Especial Emprego e Salário. 166

Com relação a contribuição facultativa (art. 8, IV da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988) vale dizer que pode ser fixada pela assembléia geral da categoria, independe de regulamentação de lei ordinária, tendo apenas que ser deliberada em Assembléia Sindical, no seu serviço de poder autônomo. 167

165BARRETO, Gláucia. Curso de direito do trabalho. p. 409-412.

166BRASIL, Decreto-Lei n. 5.452 de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>.

Acesso em: 10 de out. 2011.

167SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. p. 506.

E, por não ser considerada um tributo, não pode ser exigida aos trabalhadores não filiados ao sindicato. 168 Neste sentido o TST através do Precedente Normativo n. 119169 e o STF através da Sumula n. 666 entenderam que a contribuição é obrigatória somente para os filiados e não a todos os integrantes da categoria. 170

Neste norte, a contribuição facultativa pode assumir outras nomenclaturas, tais como: contribuição assistencial a qual consiste no recolhimento aprovado por convenção ou acordo coletivo, descontado em folha de pagamento em uma ou mais parcelas durante o ano. È conhecida também como reforço sindical ou contribuição de fortalecimento sindical. 171

A Consolidação das Leis do Trabalho no art. 513, “e” prevê esse tipo de contribuição que será fixada mediante sentença normativa da Justiça do Trabalho ou por acordos e convenções coletivas de trabalho para custear as atividades assistenciais do sindicato. Costumeiramente essa contribuição é de 10% do primeiro salário reajustado após a data-base. 172 Essa contribuição não tem natureza tributaria, portanto o trabalhador contribui se assim desejar (TST-SDC-RODC 617/88). 173

Tal contribuição custeia atividades assistenciais como planos de bolsa de estudo, serviço médico, odontológico, devida, portanto somente pelos associados.

174

A contribuição facultativa também pode ser chamada de mensalidade, a qual consiste em contribuição estatutária de caráter voluntário ou associativo, pagas pelo associado do sindicato, podendo em seu estatuto prever um valor fixo. Ela é voluntária em decorrência do livre desejo da pessoa filiar-se a um sindicato. 175

Vale destacar:

168PAULO, Vicente; ALEXANDRINO, Marcelo. Manual de direito do trabalho. p. 411.

169BRASIL, Tribunal Superior do Trabalho. Precedente Normativo n. 119. Disponível em:<http://www.tst.gov.br/DGCJ/IndiceResolucoes/Resolucoes/82.html>. Acesso em: 12 de out. 2011.

170BRASIL, Supremo Tribunal Federal. Sumula 666. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaSumula&pagina=sumu la_601_700>. Acesso em: 12 de out. 2011.

171DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. p.1342.

172PAULO, Vicente; ALEXANDRINO. Marcelo. Manual de direito do trabalho. p. 412.

173PAULO, Vicente; ALEXANDRINO. Marcelo. Manual de direito do trabalho. p. 412.

174BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito de trabalho. p.1243.

175BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito de trabalho. p.1243.

A mensalidade sindical está prevista no estatuto de cada entidade sindical e é paga apenas pelos associados ao sindicato, pois só estes se beneficiam dos serviços por ele prestados. É legítima a exigência conforme estabeleça o estatuto da entidade sindical, pois sendo a filiação ao sindicato uma faculdade, só os trabalhadores interessados contribuirão.176

Com isso, as contribuições facultativas são consideradas a principal fonte de recursos das entidades sindicais, responsável pela manutenção de suas estruturas e dos benefícios repassados aos contribuintes, como por exemplo, assistência judiciária, contábil, médica, cursos. 177

Além das contribuições acima mencionadas, integrarão a receita das entidades sindicais bens e valores adquiridos e respectivas rendas, doações e legados, multas e outras rendas eventuais. 178

No tocante ao posicionamento doutrinário a respeitos das contribuições acima debatidas cabe destacar que parte da doutrina critica a contribuição sindical obrigatória e a combatem nos seguintes termos:

A contribuição sindical representa, no fundo, uma deformação legal do poder representativo do sindicato. Baseado numa fictícia representação legal dos interesses gerais da categoria profissional (art. 138 da Carta de 1937) atribui-se, por lei, ao sindicato, os recursos tributários impostos pelo próprio Estado, à guisa de estar legislando em nome do sindicato. Daí dizer-se que o mesmo tem poderes de impor contribuições a todos os que pertencem às categorias econômicas e profissionais (letra e, art. 513, CLT).

Faltando soberania ao sindicato, dada a sua condição de pessoa de Direito Privado [...] O sindicato, alimentado por um tributo público, vivendo às expensas do estado, controlando por este, perdeu sua independência, alienou toda sua liberdade. Se todas as modalidades de controles, que o sistema sindical pátrio impôs ao sindicato, deixasse de existir, por uma reforma completa da lei sindical, bastaria a permanência deste tributo para suprimir-lhe qualquer veleidade de independência. Nenhum Estado pode dispensar-se da tutela às pessoas jurídicas, quando fornece os recursos que lhes mantêm a sobrevivência. Pensar de modo diferente é raciocinar em termos irreais, fantasiosos quando não o seja de má-fé. [...] Vai daí que se criou uma pessoa jurídica de direito privado nutrida por tributos públicos extra-orçamentários. [...] em nenhum país democrático, que preza a liberdade sindical, jamais se instituiu semelhante tributação.

Os sindicatos, ali, vivem de seus próprios recursos, previstos nos seus estatutos; e são eles que dão a força ao sindicalismo independente. 179

176PAULO, Vicente; ALEXANDRINO, Marcelo. Manual de direito do trabalho. p. 412.

177SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. p. 506.

178BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito de trabalho. p.1249.

179GOMES, Orlando. Curso de direito do trabalho. p. 569.

Outros aceitam a contribuição sindical por ser um tributo que faz com que o sindicato não viva às custas do Estado, e que seja aplicado em ações assistenciais, proibindo que os mesmos utilizem esse recurso financeiro na manutenção de seus serviços normais, que devem ser atendidos pelas rendas próprias. 180

Finalizando este segundo capítulo destaca-se que a contribuição sindical obrigatória constitui-se em um tipo de tributo chamado contribuição e que, portanto, deve ser recolhido obrigatoriamente de todos os membros da categoria. Por sua vez, são tributos criados em razão de atividades especiais desempenhadas pelo entes parafiscais que possuem competência para sua arrecadação.

Deste modo, apresentados os conceito e as espécies de tributos, bem como analise das contribuições sindicais especialmente às destinadas as centrais sindicais, tem-se a seguir, a análise da (in)constitucionalidade das contribuições sindicais direcionadas para as centrais sindicais.

180BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito de trabalho. p.1245.

3. A (IN)CONSTITUCIONALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS DIRECIONADAS PARA AS CENTRAIS SINDICAIS

Conforme já exposto no presente trabalho, no dia 31 de março de 2008 foi sancionada a Lei n. 11.648 que reconheceu legalmente as centrais sindicais como entidades de representação dos trabalhadores.

Porém o Partido Político Democratas (DEM) ajuizou em 09/04/2009 uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN n. 4067)181 no Supremo Tribunal Federal postulando a declaração de inconstitucionalidade dos arts. 1º, II e 3º da Lei 11.648/2008182; do art. 589, II, “b”, e parágrafos 1º e 2º, e do art. 593 da CLT183. A ação tem como Relator, o Ministro Joaquim Barbosa.184

No tocante aos arts. 1º, II e 3º da Lei 11.648/2008 destaca-se que tratam sobre o número de participantes e da participação das centrais sindicais em espaços de diálogo social que possuam composição tripartite. Senão vejamos:

Art. 1º. A central sindical, entidade de representação geral dos trabalhadores, constituída em âmbito nacional, terá as seguintes atribuições e prerrogativas:

[...]

II - Participar de negociações em fóruns, colegiados de órgãos públicos e demais espaços de diálogo social que possuam composição tripartite, nos quais estejam em discussão assuntos de interesse geral dos trabalhadores.

Art. 3º A indicação pela central sindical de representantes nos fóruns tripartites, conselhos e colegiados de órgãos públicos a que se refere o inciso II do caput do art. 1o desta Lei será em número proporcional ao índice de representatividade previsto no inciso IV do caput do art.

2o desta Lei, salvo acordo entre centrais sindicais.

181BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI n. 4067. Peças eletrônicas. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/estfvisualizadorpub/jsp/consultarprocessoeletronico/ConsultarProcesso Eletronico.jsf?seqobjetoincidente=2609348>. Acesso em: 30 out. 2011.

182BRASIL, Lei n. 11.648 de 31 de março de 2008. Presidência da República Federativa do Brasil. Dispõe sobre o reconhecimento formal das centrais sindicais para os fins que

especifica, altera a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e dá outras providências. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11648.htm>. Acesso em 30 out. 2011.

183BRASIL, Decreto-Lei n. 5.452 de 1º de maio de 1943. Presidência da República Federativa do Brasil Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível

em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>. Acesso em 30 out. 2011

184BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI n. 4067. Peças eletrônicas.Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2609348 >.

Acesso em: 30 de out. 2011.

§ 1o O critério de proporcionalidade, bem como a possibilidade de acordo entre as centrais, previsto no caput deste artigo não poderá prejudicar a participação de outras centrais sindicais que atenderem aos requisitos estabelecidos no art. 2o desta Lei.

§ 2o A aplicação do disposto no caput deste artigo deverá preservar a paridade de representação de trabalhadores e empregadores em qualquer organismo mediante o qual sejam levadas a cabo as consultas.185

Já com relação ao art. 589, II, “b”, e parágrafos 1º e 2º da CLT a modificação promovida pela lei em comento foi no sentido de direcionar às centrais sindicais 10% de toda a contribuição sindical obrigatória feita pelos trabalhadores. O que ocorreu é que diminuíram o percentual destinado a conta especial de emprego e salários.Veja-se a nova redação:

Art. 589. Da importância da arrecadação da contribuição sindical serão feitos os seguintes créditos pela Caixa Econômica Federal, na forma das instruções que forem expedidas pelo Ministro do Trabalho:

[...]

II - para os trabalhadores:

a) 5% (cinco por cento) para a confederação correspondente;

b) 10% (dez por cento) para a central sindical;

c) 15% (quinze por cento) para a federação;

d) 60% (sessenta por cento) para o sindicato respectivo; e

e) 10% (dez por cento) para a ‘Conta Especial Emprego e Salário’; (grifo nosso)

§ 1º O sindicato de trabalhadores indicará ao Ministério do Trabalho e Emprego a central sindical a que estiver filiado como beneficiária da respectiva contribuição sindical, para fins de destinação dos créditos previstos neste artigo.

§ 2º A central sindical a que se refere a alínea b do inciso II do caput deste artigo deverá atender aos requisitos de representatividade previstos na legislação específica sobre a matéria.186

Com relação ao art. 593 da CLT, a nova lei determinou o seguinte:

Art. 593. As percentagens atribuídas às entidades sindicais de grau superior e às centrais sindicais serão aplicadas de conformidade com

185BRASIL, Lei n. 11.648 de 31 de março de 2008. Dispõe sobre o reconhecimento formal das centrais sindicais para os fins que especifica, altera a Consolidação das Leis do

Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-

2010/2008/Lei/L11648.htm>. Acesso em: 30 out. 2011.

186BRASIL, Decreto-Lei n. 5.452 de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>.

Acesso em: 30 out. 2011.

o que dispuserem os respectivos conselhos de representantes ou estatutos.

Parágrafo único. Os recursos destinados às centrais sindicais deverão ser utilizados no custeio das atividades de representação geral dos trabalhadores decorrentes de suas atribuições legais. 187 Assim sendo, a aplicação das contribuições recebidas pelas centrais será, em conformidade com a nova lei, disciplinada pelos conselhos e estatutos das referidas entidades tendo em vista o custeio da representação geral dos trabalhadores o que decorre de sua atribuição legal.

O objetivo do presente estudo é analisar as posições doutrinárias e dos juízes do Supremo Tribunal Federal no tocante as inconstitucionalidades apontadas pelo partido Democratas na supracitada ação.

Neste sentido este capítulo será dividido da seguinte forma: primeiro será analisada a posição da doutrina e dos juízes do Supremo Tribunal Federal no tocante a inconstitucionalidade da participação das centrais sindicais em órgão tripartites, em segundo lugar analisar-se-á a inconstitucionalidade do recebimento, pelas centrais sindicais de parte da contribuição sindical, e, por último, estudar-se-á a inconstitucionalidade do fato das centrais poderem dispor como querem de sua receita sem a devida fiscalização.

3.1. DA PARTICIPAÇÃO DAS CENTRAIS EM ÓRGÃO DE COMPOSIÇÃO TRIPARTITE

O artigo primeiro da Lei 11.648/2008 determina que as centrais sindicais podem participar em rodadas de negociação em fóruns, colegiados de órgãos públicos e demais espaços de diálogo social que são organizados de forma tripartite, ou seja, com a participação de governo, patronato e trabalhadores, sempre que o assunto discutido seja de interesse geral dos trabalhadores.188

187BRASIL, Decreto-Lei n. 5.452 de 1º de maio de 1943. Presidência da República Federativa do Brasil. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível

em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>. Acesso em: 30 out.

2011.

188BRASIL, Lei nº 11.648, de 31 março de 2008. Presidência da República Federativa do Brasil. Dispõe sobre o reconhecimento formal das centrais sindicais para os fins que especifica, altera a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e dá outras providências. Disponível em

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11648.htm>. Acesso em: 30 de out. 2011.

Já o artigo terceiro da supracitada lei prevê que a indicação de membros para compor os referidos órgãos tripartites deve ser feita pela central sindical proporcionalmente ao índice de representatividade previsto no inciso IV do caput do art. 2º da Lei 11.648/2008.189

O que o Partido dos Democratas alega em sua ação direta de inconstitucionalidade ao permitir a participação das centrais em órgãos tripartites, está o art. 1º da Lei 11648/2008 passando às centrais sindicais o direito a representação direta dos trabalhadores, ainda que sem nenhum tipo de autorização dos mesmos.190

Entende o partido que a representação laboral sem a autorização expressa dos trabalhadores só pode ser feita nos termos da previsão constitucional do art. 8º, III, senão vejamos: “III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas”. 191

Verifica-se que o artigo supracitado autoriza apenas o sindicato a representar diretamente o interesse dos trabalhadores em questões judiciais e administrativas.

Já o art. 10 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 reza o seguinte: “É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação”,192

189BRASIL, LEI nº 11.648, de 31 março de 2008. Presidência da República Federativa do Brasil. Dispõe sobre o reconhecimento formal das centrais sindicais para os fins que especifica, altera a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e dá outras providências. Disponível em

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11648.htm>. Acesso em: 30 de out. 2011.

190BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADIn n. 4067. Peças eletrônicas. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/estfvisualizadorpub/jsp/consultarprocessoeletronico/ConsultarProcesso Eletronico.jsf?seqobjetoincidente=2609348>. Acesso em 20 de out. 2011.

191BRASIL, Constituição Federativa da República do Brasil de 1988. Presidência da República Federativa do Brasil. Disponível

em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm> Acesso em:30 out. 2011.

192BRASIL, Constituição Federativa da República do Brasil de 1988. Presidência da República Federativa do Brasil. Disponível

em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm> Acesso em:

21 out. 2011.

No documento Marilene Petri.pdf - Univali (páginas 49-88)

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