ingresso no Sistema Socioeducativo
---
Reincidente ( ) SIM ( x) NÃO
Ato infracional A primeira passagem foi em virtude de tráfico de drogas.
Contudo, a segunda foi em busca de se afastar das drogas, visto que na localidade que ela morava ainda não tinham conseguido vaga.
TRAJETÓRIA INSTITUCIONAL Passagens Passou 20 dias na instituição.
É a segunda passagem Momentos
“Agradáveis”
já participou de campeonato dentro da instituição.
Momento
“desagradável” Não ter visita Rotina institucional ---
Quem acompanha o processo?
Mãe
Trajetória A primeira vez por tráfico de drogas e agora ela procurou uma clínica para se tratar das drogas, só que ela não encontrou vaga e voltou para lá. Agora ela conseguiu uma vaga e vai embora amanhã, se tratar em Friburgo. “Estou muito feliz”. Ela usou maconha e fuma cigarro. Ela disse:
“Minha mãe agora está no meu lado.”
Como o Centro agi diante de comportamentos
errantes das adolescente?: Pelo
olhar da adolescente
---
Escolarização dentro do Centro
---
Os amigos das adolescentes ultrapassam os muros do Centro?
---
Ser mãe e Ser jovem --- Cadeia & Centro de
Socioeducação:
Qual a diferença para a adolescente?
----
Primeira dia no Centro: A experiência de uma
No dia que ela foi pega pela polícia, ela se levantou e tomou café, almoçou e foi para a rua. Eles pegaram ela cheia de drogas. (...)
adolescente O primeiro dia que entrou na instituição foi bom, todo mundo recebeu bem. No sétimo dia ela chorava porque não tinha visita.
Vivendo o último dia antes da saída do
Centro: Qual a sensação?
Ela sairia da instituição no dia seguinte. Quando questionada sobre a sensação de ir embora ela disse que
“a sensação é muito boa, estou muito feliz, só de saber que vou passar Natal e Ano Novo com minha família”.
Algo que mudaria na história
---
APÊNDICE J – Transcrição da entrevista com a adolescente 5
Adolescente 5
Idade 16 anos
Escolaridade Estudou, mas parou na 4ª série. Repetiu 3 e 4 série. A escola não é ruim nem bom. Vou estudar de novo.
Cursos ….
Com quem mora?
Morava com a mãe, o padrasto, e 9 irmãos.
Onde mora? Morava em Caxias, no Lote XV.
Filhos Tem filhos: ( ) SIM ( x ) NÃO Ela disse: “eu sou virgem, tia”
Caracterizaçã o da Família
Mãe: Para ela a mãe é a pessoa mais importante.
Pai: O pai mora perto, mas ele não vai vê-la. Então ela também não vai atrás dele, “ele que vá atrás de mim”.
Adolescente: Ficava com as crianças, olhava, cozinhava, arrumava a casa.
Nunca trabalhou, levava o irmão para a escola, na creche. Os irmãos ao respeitavam, caso contrario, ela batia neles. Eles ficavam com ela ou com a irmã de 14 anos. Ajudava a mãe, é a mais velha. Ela saia para baile de favela.
Gostava de curtir, de dançar. Namorou duas vezes em casa. Namoros que duraram 2 meses. Não teve filhos. Ela saia escondido, pois a mãe não deixava. Ela batia quando pegava. Conseguiu sair umas duas vezes sem a mãe pegar. Gosta de ficar em casa com a mãe.
Caracterizaçã o dos amigos
Se arrepende de ter estado com os amigos em Ipanema (ela e mais 2 garotos), lá eles “puxavam cordão” - “roubavam”. Pegaram eles. A mãe não gostava, mas ela andava com eles escondido.
Recordações O dia que ela fez 16 anos, a mãe fez carro de mensagem. Ela não tinha tido festa antes. A mãe dela queria festa de 15 anos, ela tinha vergonha do vestido.
No de 16 anos ela quis churrasco.
Rotina que levava antes
do ingresso no Centro
Ficava em casa, saia com os irmãos. À noite saia com as colegas, ia para a praia de dia.
Vida profissional
antes do ingresso no
Centro
Já trabalhou?
( ) SIM ( x) NÃO
Descrição: ---
Planos para o futuro
Vida profissional
Queria trabalhar em negócio de salão, ser dona. Cuidar de criança. Ela disse que vai estudar e ficar direitinho agora.
Deseja morar aonde?
Se imagina “morando perto da mãe”.
Família “(...) quer ter três filhos, ter sua casa direitinha com seu marido.”
Um desejo ---
Pensamento Ela se considera um adulto.
Observação: Sobre os DADOS INSTITUCIONAIS DA ADOLESCENTE 5 – Relatos sem descrição da trajetória institucional
- A Adolescente apresentava uma visível dificuldade na fala. Rapidamente quis parar a conversa e perguntou se o juiz teria acesso as informações contidas na pesquisa. A adolescente parecia temer se expor.
APÊNDICE K – Transcrição da entrevista com a adolescente 6
Adolescente 6
Idade 17 anos
Escolaridade “Lá onde minha mãe mora, a minha mãe de criação mora a gente tava até preparando os negócios de estudo. Portanto, eu tinha até arrumado um emprego lá como garçonete.”
Ela parou de estudar , e diz que o motivo foi (…) pra morar com minha mãe e também por que (risos) eu matava aula pra namorar. (risos)”
Parou na “oitava”. E a família “ficava no meu pé, como toda família, você tem que estudar, e tal. Mas tá bom também, agora to estudando. Se arrependimento matasse teria ouvido minha família.”
Ficou 2 anos sem estudar.
Cursos Fez fora da instituição, curso de informática.
“E aqui dentro?
Todos, pintura, negócio de dobrar papel depois fazer desenho, bichinho, todos, o que eu acho mais legal é o de biscuit.
E o que você acha meio chato?
Dobrar o papelzinho, apesar que você aprende um monte de coisa, mais é enjoado.
Você faria esse tipo de curso se você tivesse só lá fora?
Com certeza.
Aonde?
Em qualquer lugar.
Lá tem?
Lá tem? Que eu saiba não.
E como você ia fazer?
Eu procuraria, nem que fosse no mundo a fora.
Você já tinha vontade de fazer?
Eu já tinha, portanto, eu que pedia a técnica pra colocar meu nome, ai colocaram.”
Com quem mora?
Você morava aonde?
Moro em Itaperuna com a minha avó e com minha mãe em Rio das Ostras.
Passava a maior parte do tempo com a avó e as irmãs, “porque minha avó me criou desde um aninho.” Só depois que ela foi morar com a mãe, só
“depois dos meus 16 anos”, por opção. Antes ela não morava com a mãe porque “ela praticamente tava no mundo a fora, ninguém sabia por onde ela tava”. Quando questionada sobre que motivo a levou decidir querer ficar com a mãe, ela responde: “Ah, tipo assim, um pouquinho, apesar que mãe é tudo, né? Me divertir um pouquinho com ela, conhecer ela...”. A mãe a recebeu bem.
Onde mora?
Filhos Tem filhos: ( ) SIM ( x) NÃO
Caracterização da Família
Adolescente: Uma menina alegre, todo mundo fala que eu sou muito brincalhona, e eu também tenho certeza disso, quando a pessoa tá triste igual uma colega minha tava, fui lá: - “por que você tá triste e tal?. Ela pegou
e falou. “Já experimentei cocaína e maconha.”
- é a caçula, gostria de ter um irmão.
Pai: falecido
Irmãs: 2 irmãs mais velhas que a adolescente.
Primo: “Meu primo, ele tá preso, ele tava ainda preso, tem 2 anos, agora ele tá aqui em Bangu esperando a audiência.”
Caracterização dos amigos
Você é uma pessoa de poucos ou muitos amigos?
Bastante.
Ela relata que deixou a família de lado em virtude de uma amizade.
“ - Então me conta como foi esse dia que você deixou ela …
- Porque é assim, essa garota que tava comigo, portanto hoje ela tá presa, ai natal a gente fizemos, só que lá em casa também tava tendo. Só que assim, eu me arrumei na casa dessa minha colega, fui pra minha casa. – Oi mãe, feliz Natal!”, fiquei uns vinte minutos e sai.
- Sua avó ou sua mãe?
- Minha avó, e sai, ai a gente ficou na casa dela, viramos a noite, dormi na casa dela, fiquei, fiquei, fiquei, fiquei, fiquei, fui deixando minha mãe de lado, entendeu?”
Outra discussão por conta da amizade:
“Você chegou a discutir com ela [avó]? Por quê?
Deixa eu lembrar. Porque eu fui ver meu sobrinho, porque depois de um tempão que eu não tava em casa eu fui ver meu sobrinho, eu falei assim: “- Mãe, fulana de tal quer ver o L. de quatro meses, só que falei “garota”, eu não falei quem era, minha mãe tem pavor dela. Ai eu peguei meu sobrinho, ai eu levei até a escada, ai minha mãe mandou voltar porque tava noite e tava ventando.
- Manda ela vim.
Ai eu falei assim: - É a fulana de tal.
Ela parecia que não ouviu, parecia que não ouviu. Ai nisso que ela entrou assim, minha mãe começou a falar # com ela, mandou eu sai também. Ai eu comecei a discutir com ela. Ah, o sobrinho é meu também. Você é avó e tal, mas tenho todo direito de vim ver também. Mandei a menina ficar quieta, não responder nem nada. Ai eu mandei ela esperar, juntei minhas coisas;
porque no outro dia a gente ia viajar pra casa do garoto que eu tava ficando e pra casa da amiga dela, na praia. Ai antes disso aconteceu isso, se não na terça que a gente voltamos, se não na quinta-feira a gente tava lá, entendeu?”
A família não aprovava a amizade:
“Essa amiga ela não era aprovada pela sua família, por quê?
Pelo comentário dela, comentário dela de #, prostituta, de #, entendeu?
E ela era?
Não. Portanto algumas pessoas julgam ela, porque, pelo fato dela ter muito amigo homem, entendeu? Ai a casa dela vê chegar os amigos dela, ah, não vai mandar ir embora. Ai os outros começou a ver e começou a falar.
Ai sua mãe, vó, não gosta?
Isso, não gostava. Portanto ela era sozinha, ela e o filho.
Por que você se aproximou assim dela? Por quê?
Eu não sei porque eu me aproximei dela. Se não me engano ela saia, ia pra festa. E ela como de maior e eu de menor. Eu entrava com ela, porque todo mundo que olha perguntava se a gente é Irma. Ai quando era censura 18 anos, ela entrava e falava que eu era Irmã dela. A gente entrava, (...), eu bebia. Nossa! Era uma farra.
Vocês iam muito pra festa?
Nossa, demais. Todo sábado a gente tinha. A gente virava a noite.
Esse fato de ir pra festa, sair, dormir fora, tua avó deixava?
Não, portanto eu ficava na casa dela, porque se eu pedisse minha mãe ela não ia deixar, entendeu?
Mas deixava você ficar na casa dela?
Nem ficar na casa dela, minha mãe já foi lá duas vezes me tirar da casa dela, falou muita # com ela, entendeu?
(...)
Se arrepende?
Arrependo.
Da amizade?
Da amizade, não, porque eu tenho pena dela, entendeu? Tenho muita pena dela, que ela é sozinha, ela sofreu muito, quando ela era pequena ela foi abandonada também pelos pais dela. Ela ficou no orfanato. Ela praticamente não teve carinho de mãe. Entendeu?
Você tem?
Ah, eu tive da minha mãe, né?, por parte de mãe, e agora da minha mãe também, que eu tenho, entendeu? Ai, quando ela se sentia só, eu tava ali, dando uma força pra ela também, entendeu?”
Amiga que estava com ela no dia do crime -
“(...) essa menina era maior ou menor?
Maior, 28 anos. Ela pegou 12 anos de cadeia. E ela tem um filho que é meu afilhado de 8 meses. Ai, ela enlouqueceu, ela enlouqueceu. Disse que eia tá na cadeia enganada, tipo assim, que falaram pra ela que ela ia embora depois do natal. Ai ao mesmo tempo que eu tô aqui eu fico preocupada com ela também, entendeu?”
(...)
Pra mim ela era uma irmã, era não, é uma irmã.
Sua família aprovava essa amizade?
Não, claro que não. Porque assim, antes eu odiava muito ela, só não lembro porquê mais, eu odiava ela. Assim, minha irmã do meio conversava com ela, e tal, minha irmã afastou e eu fui chegando, entendeu? Ai, quando a gente foi presa, a gente chorava, a gente lembrando quando eu tava
arrumando a casa, eu brigando com ela: - Eu arrumei isso, vai arrumar aqui.
Caindo na gargalhada, a gente não sabia se a gente chorava ou se a gente ria, entendeu?
Recordações Me conta como foi sua infância.
Foi ótima.
Uma coisa quando você lembra da sua infância você lembra daquele dia, você lembra daquela brincadeira, você lembra do que?
Eu e meus irmãos mamando mamadeira. É uma cena que eu nunca vou esquecer, nós três, uma do lado da outra, cada uma com uma mamadeira, caindo na gargalhada todo mundo.
Só lembro dos meus quatro anos eu brincando com meu cachorro, correndo em volta dele, ele enrolou a corrente no meu pé, eu cai gritando minha mãe.
(risos) E a gente sentando nele, eu e minhas irmãs em cima dele. (risos).
“(...) se eu pudesse eu voltava a minha infância.”
Rotina que levava antes do
ingresso no Centro
…
Vida profissional
antes do ingresso no
Centro
Já trabalhou?
(x) SIM ( ) NÃO
“Já trabalhei como empregada, já trabalhei como babá, já trabalhei na política”. Quando questionada se gostava do trabalho ela afirma: “Amava, nossa muito show, fazia amizade nova também.”
Com o dinheiro: “ (...) saía. (risos) (…) Ia pra festa, ia pra casa dessa garota.”
Planos para o futuro
Vida profissional
O que você pensa daqui pra frente?
Ah, mudar. Procurar terminar meus estudos, primeiramente.
Você quer ser o que?
Meu sonho era ser modelo, depois eu desisti, e veterinária. Por enquanto eu to em dúvida.
Veterinária, por quê?
Porque eu amo animais. Tenho cachorro, tenho 12 gatos em casa. (risos)
Daqui a dez anos, se você pudesse imaginar daqui a dez anos, como você se imaginaria?
Eu me imaginaria uma médica.
Médica de que?
De tudo, tanto de gente quanto de bicho.
(...)
Me fala teus sonhos?
Meu sonho na verdade é ser modelo que nem eu falei.
Dançarina de funk, vê se pode, médica veterinária.
Quando eu era bem pequena meu sonho era ser polícia, entendeu? Mas depois desisti.
Por que?
Ah, sei lá, parecia que... quando eu contei pra minha mãe, minha mãe falou assim: - Quero ver você (...) um tiro. Uma arma apontada na sua cara mais fácil se cagar pela perna abaixo. Ai, eu cai na gargalhada. Ficava imaginando: - É mesmo! Praticamente, eu acho que eu não consigo mesmo não, se for pra matar eu vou ser a primeira a sair correndo. Ai eu parei, pensei, isso daí não serve pra mim mesmo não. Ai eu desisti.
Deseja morar aonde?
Você se imagina morando aonde?
Ah, ai só Deus sabe.
Família Você se imagina com uma dessas profissões morando com quem?
Casada, com meu filho.
Quantos filhos?
Um casal, ou se não, só uma menina.
Um desejo “Com certeza, quero mudança, e tal.”
Pensamento ---
APÊNDICE L – Dados institucionais da adolescente 6 Idade de
ingresso no Sistema Socioeducativo
17 anos - “Vai fazer um mês agora dia 23.”
“(…) Eu fui presa dia 12 de novembro (...). Para mim nunca ai acontecer comigo, nunca, sempre tem a primeira vez. Errar é humano, permanecer no erro é burrice.”
Reincidente ( ) SIM ( x) NÃO
Ato infracional Colocar uma quantidade grande de droga nas coisas de outra pessoa.
TRAJETÓRIA INSTITUCIONAL
Passagens Primeira
“”Momentos
“Agradáveis”
“O bom é que eu fiz algumas amizades legais aqui.”
“O que foi mais marcante pra mim foi quando eu dei uns parabéns uma colega que eu fiz aqui, mandado de outra colega que teve aqui que eu peguei em Nova Friburgo. Ai no dia:
- Parabéns, fulano de tal mandou e tal.
- Você chegou a conhecer?
Me deu um abraço e tal.
– Seja bem vinda e tal.
Foi muito marcante e as amizades que muitas já foram, que eu defendi.”
“(...) O que mais me marca também é quando assim, que eu e minha irmã do meio assim, não se dá bem por nada, não se dava bem por nada, pra mim ela nunca ia vim cá. Ai quando ela veio começamos a chorar, abraçar uma a outra. Ai pra mim você nunca ia me ve. Ai ela: - Jamais eu faria isso.”
“A minha família reunida que nem tá agora.
Isso se deu depois de você entrar aqui?
Isso
Talvez se você não tivesse entrado não... aconteceria isso.
Huhum (não).
Momento
“desagradável”
E o que aqui não é tão bom?
As grades, você não ter sua liberdade de lá fora, quando ir é algemada.
Qual é a sensação de andar algemada?
É uma vergonha, pra mim é uma vergonha, muito ruim.
Em quais lugares você já foi algemada?
Já fui no negócio de identificação RE. É horrível, todo mundo te olhando, no meu pensamento os outros devem está pensando que eu sou criminosa.
Quando eu fui algemada, quando eu sai de Nova Friburgo, fui pra Campos algemada, os policiais ficaram com medo de mim ai mandaram me algemar pensando que eu ia abordar o cara no meio do caminho. Ai, quando ficou eu e os dois policiais e eles viram que não era do jeito que eles pensaram que eles começaram a se abrir.
Rotina institucional ---- Quem acompanha o
processo?
Aqui alguém te visita?
A minha irmã veio sexta-feira passada e sexta-feira retrasada veio a minha mãe, minha mãe mesmo. Minha irmã do meio que veio sexta- feira passada. Ai, depois de amanhã eu não sei quem vai vir. Se é
minha avó e a minha outra irmã e meu sobrinho, ou se vai ser minha mãe mesmo.
Trajetória ---- Como o Centro agi
diante de comportamentos
errantes das adolescente?: Pelo olhar da adolescente
---
Escolarização dentro do Centro
Agora está estudando
Os amigos das adolescentes ultrapassam os muros
do Centro?
---
Ser jovem, adolescente ou
adulto
“Você se considera o que hoje? Criança, adolescente, jovem, adulta...
Uma jovem (riso) Por que?
Ah não sei, só sei que me considero uma jovem.
Por que não uma adolescente?
Porque que eu tenho uma cabeça mais madura, entendeu? Eu me considero uma jovem mesmo.
E por que não uma adulta?
(risos), não sei, (…). Não uma adulta porque eu não sou dona do meu próprio nariz.
Mas você tomava decisões...
Que também não agradava minha mãe, entendeu?
E mesmo assim você tomava.
É (…)
Então de certa forma você não era dona?
Era. Entre aspas mas era. Adolescente só se for adolescente emburada. (risos) (…). mas definir, não sei.
Não consegue?
Não consigo.
Não mesmo?
Não mesmo.”
Cadeia & Centro de Socioeducação:
Qual a diferença para a adolescente?
“(…) Que nem vivo falando isso com ela, isso foi uma reflexão que a gente passamos, foi até bom acontecer agora do que acontecer mais tarde e eu tá com 18 anos, nem sequer vir pra cá, ir pra Bangu, entendeu? Porque a quantidade, tem pouca gente, e o delegado falou assim comigo você deu sorte porque você é de menor, porque se fosse de maior você pegava 5 anos. A de maior pegou 12. ela tá respondendo um monte de processo, esse negócio de encaminhamento de menor, entendeu? Ah, tá bom! Deus sabe o que faz. Aquilo que eu falo, é bola pra frente, vida nova. Não quero saber de droga nunca mais. “
Primeira dia no Centro:
A experiência de uma adolescente
----
Um dia antes de entrar no Centro
Como foi um dia antes de você parar aqui? Você consegue lembrar?
Foi horrível, eu tinha discutido com minha mãe.
Sua avó?
Isso.
Assim que eu discuti com ela, quando foi no outro dia de manhã, eu e essa colega minha que tá presa fomos presa. Foi horrível. Sem sequer eu ir pedir desculpa a minha mãe.
(...)
Por que te pegaram?
Por que fizeram uma denuncia, porque assim que eu cheguei, eu e a garota chegamos na casa da menina que deixamos a droga, a gente tava procurando o lugar porque a agente não conhecia, fizeram a denúncia. Eu cheguei com minha mala chamativa, que era rosa chamativa. E a menina já era manjada. Ai pronto.
Vocês fizeram como? Botaram a droga lá?
É porque estava “endolada” numa caixa de guaravita, só que eu não tinha chegado a ver. Pra mim era aquilo tudo. Ai quando os policiais abriram na delegacia, eram 10 tabletes cada um com 1 quilo.
Você não sabia?
Não, sabia! Portanto, eu falei que queria ir junto , que Miracema era tão falado que eu queria conhecer Miracema, mas se caso a polícia pegasse era dela. (...)”
“(...) ela tinha um cara preso na cadeia, ai através desse cara ela começou a comunicar com meu primo. Ai ele pediu pra ela fazer esse favor. Ai ela pegou e fez. Com certeza ela ia ganhar algum em troca, entendeu?
Então sabendo que seu primo vendia...
Isso, que ele tava preso na cadeia.
Essa menina pegou droga com seu primo?
Isso, ela foi em Campos pegar, ai quando foi o outro dia eu fiquei em casa com o filho dela. Ai quando foi no outro dia, pegar outra quantidade pra entregar na Miracema, eu falei que ia com ela.
Ela sempre fazia isso?
Ai eu não sei.
E você sabia que era droga?
Isso ela comentou comigo uma vez, eu não sabia que ela ia sempre.
Alguém mais sabia?
Não, só eu e ela. Ai no primeiro dia que ela foi em Campos pegar a droga eu fiquei com o filho dela e com a mãe dela. Ai tá, passa outro dia, quando ela foi pegar a outra droga pra ir pra Miracema ela me avisou , eu falei que eu ia com ela.
- Ai você me acorda e vou tomar banho, me arrumar pra gente ir.
Nisso que ela acordou, eu não quis levantar, parecia que falou não vai.
Ai eu senti um aperto no coração. Eu não vou não. Ai depois eu falei: - Ah, vou sim. Se caso acontecer vai acontecer com nós duas, vou sim,