CONVERSA INICIAL
CAPÍTULO 05 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO POVOADO NAS
PRIMEIRAS DÉCADAS
O “Diccionario chorographico do Estado da Parahyba”40, escrito por Coriolano Medeiros, em 1914, descreve Barra de Santa Rosa como:
Povoação do município de Picuhy, na zona do Curi- mataú, assentada na confluencia do rio de seu nome com o Curimataú. Fica ao sul da freguesia do Cuité, 31 kilometros. Tem bôa egreja, escola publica pri- maria, agencia de correio e semanalmente realisa uma feira concorrida (MEDEIROS, 1914, p 245).
Na descrição acima, conforme as palavras do autor, observa-se a importância da feira realizada, tendo em vista a adjetivação que lhe caracteriza - “concorrida”. A saber, em termos de movimentação de produtos (importação e exportação), essa feira superava as feiras realizadas em Picuí e Cuité, já que o nosso município de Barra de Santa Rosa sempre foi muito grande e o distrito era bem mais perto para todas as propriedades no seu entorno, desde a serra do Paredão, serra do Damião, Telha, Santa Rosa, Jacú e Bombocadinho, que, em- bora, nessa época, fizesse parte do “nosso município”, mas pertencia a Picuí.
40 MEDEIROS, Coriolano de. Diccionario Chorographico do Estado da Pa- rahyba. Parahyba, Imprensa Official: 1914.
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Não temos uma ideia da arrecadação de impostos e vendas/com- pras do distrito nessa época (1915), pois os valores que eram apresen- tados pela “Mesa de Rendas”, conforme a tabela a seguir, represen- tava todo o município de Picuí, com os seus respectivos povoados, incluindo Barra. Por outro lado, a tabela nos mostra quais produtos eram mais comercializados, sinalizando para rapadura, farinha e se- mentes de algodão, que termina sendo o carro chefe dessa época, de- notando o sucesso que o algodão começava a ter, chegando ao auge na década de 30.
Figura 27 – Produtos exportados da Mesa de Rendas de Picuhy
Fonte: (Imprensa Official – Parahyba, 1918, p. 173)41.
O Distrito de paz de Barra de Santa Rosa aparece no recencia- mento rural realizado pela prefeitura de Picuí, em 1920, como uma grande propriedade, ou seja, eram vários lotes de terras ou pequenos sítios que juntos formavam a geografia do entorno do distrito. Essas propriedades rurais tinham os seguintes proprietários:
• Antonio Basilio de Oliveira;
• Antonio Fernandes de Souza;
41 Annuario Estatistico da Parahyba do Norte. Imprensa Official, Parahyba, 1918.
• Edésio Henrique da Silva;
• Evaristo Ferreira Lima;
• Francisco Santino de Souza.
• Fructuoso Brandão;
• Hermenegildo D. Pereira;
• Ignacio Francisco de Azevedo;
• Jesuino H. da Silva;
• João Freire de Almeida;
• João Gonçalves dos S. Lisbôa
• João Soares da Costa Lima;
• José dos Santos Lima;
• José Tertuliano da Silva;
• Vicente Pereira Marau;
O recenseamento realizado em 1920, em nível de Brasil, traz a re- lação dos “proprietarios ruraes recenseados no Estado da Parahyba”
e, por conseguinte, os 1.157 estabelecimentos rurais do município de Picuhy, que, segundo Fabiana Agra (2014), abrangia os atuais mu- nicípios de Picuí, Cuité, Pedra Lavrada, Cubati, Sossego, Nova Flo- resta, Frei Martinho, Nova Palmeira, parte do território do Seridó, Baraúna, Barra de Santa Rosa e Damião, totalizando uma área de 3.365 km2 e, consequentemente, tornando Picuhy o terceiro maior município paraibano em extensão.
A importância dessa relação, na qual o distrito de Barra de Santa Rosa se insere, mostrando as suas respectivas propriedades rurais, à época, delineia a geografia da nossa região, além de denotar a for- ça da produção rural com os seus mais de 200 proprietários, que, de certa forma, procuravam o distrito, para vender seus produtos agrícolas e animais, bem como comprar outros produtos básicos à necessidade humana. Essa premissa termina por justificar o cresci- mento econômico do distrito nas primeiras décadas. A seguir, temos a relação das propriedades com os seus respectivos proprietários:
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Figura 28 – Recenseamento de Picuhy realizado em 01 de setembro de 1920
Fonte: (Ministério da Agricultura, Industria e Commercio, 1928, p. 215 – 219)42. 42 Ministerio da Agricultura, Industria e Commercio. Recensamento do Brazil.
Associado a essas propriedades, o desenvolvimento econômi- co do distrito, na década de 20, era notório, quando verificamos a quantidade de “descaroçadores de algodão”, ou seja, comerciantes de algodão. Essa cultura se adaptou muito bem às condições climáticas da região, pois, embora fosse bem cultivados nas várzeas dos riachos, afluentes do Curimataú, também, podia ser no imenso território do Curimataú, espalhando-se por todo o cariri e pelo sertão paraibano.
Ele fazia parte da pequena agricultura, não necessitando de gran- des propriedades, requerendo, portanto, de menos mão-de-obra no trabalho.
A seguir, listamos todos os proprietários e comerciantes, identifi- cados pela “Mesa de Rendas de Picuhy”, que pagavam seus impostos com as vendas dos seus produtos, fiscalizados pelo posto fiscal esta- dual (Sr. Manoel José da Silva) e pelo posto fiscal municipal (Sr. José de Britto Filho):
• Antônio Soares de Sousa Lima
• Antônio Cleophas
• Manoel Correia de Sousa
• Pedro Ferreira Guimaraes
• Manoel Candido dos Santos
• João de Lima
• Manoel Vieira da Costa
• José Antônio Ferreira Rocha (Coronel José Antônio)
• Francisco Carlos de Melo
• João Ferreira de Luna
• Vicente F. do O.
“Commerciantes”:
• Antônio Soares de Sousa Lima
• Antônio José dos Santos (Antônio de Rosa – Avô de Tuta Lins)
• Manoel Marinho de Sousa
• Francisco Ignácio da Silva (vendas de querosene)
• Raul Feitosa
• João Baptista Leite
• Liberato Virginio de Sousa
Relação dos Proprietarios dos Estabelecimentos Ruraes Recenseados no Estado da Parahyba. Rio de Janeiro: Typ. da Estatistica, 1928.
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• Vicente Martins Casado
“Criadores, agricultores e lavradores”:
• Fortunato Rufino de Maria
• Pedro Ferreira Guimaraes
• João Freires de Almeida
• Antônio Jose Soares
• Manoel Correia de Sousa
• Thomaz Martins de Medeiros
Por essa relação, tem-se uma ideia do volume de impostos que a prefeitura de Picuí arrecadava com o seu maior distrito. Esse fato passou a ter um forte apelo político, além do econômico, já que uma grande representatividade de propriedades e comerciantes aqui se estabeleceram, impulsionando a economia do município de Picuhy.
De fato, esse foi o maior motivo que fez com que o Major Sousa Lima fosse candidato à Prefeitura de Picuhy, com o apoio do ex-governa- dor Sólon de Lucena, sendo eleito em 1925.