"A existência de informações estatísticas e geográficas públicas confiáveis e atualizadas, cada vez mais,
é
entendida como essencial ao consolidar de uma sociedade democrática, participando ativamente do ingente esforço de aumento da governança, no sentido de tornar os governos distintamente eficientes na concepção, formulação e execução de políticas públicas. Estas informações, necessariamente de qualidade, fazem um retrato objetivo dos países, revelando o estado de suas economias e de suas populações, bem assim, mostrando aos olhos dos cidadãos o desempenho dos seus60
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Projeto Presença - Relatório Final governantes. Em suma, elas promovem uma relação de mão dupla entre governantes e governados, sendo consenso em todo o mundo que aos governos compete garantir que as mesmas sejam críveis à sociedade em geral. Na verdade, e isto é igualmente consensual, quando as estatísticas oficiais sofrem ingerências de ordem política, carecem de credibilidade, e são, portanto, inúteis; aliás, é esta constatação que tem refreado a interferência e ampliado a busca de autonomia dos órgãos de estatística em relação a seus governos."As informações estatísticas e geográficas, com essas características e com essas finalidades, interessam tanto àqueles que atuam no espaço nacional, quanto àqueles que atuam em espaços regionais. Nesse sentido, as agências nacionais de estatística, mais e mais, manifestam preocupação com ambos os espaços, ainda que permaneçam concentradas no tratamento do espaço nacional. De fato, mais e mais, as agências nacionais de estatística empenham-se para que as informações referidas ao espaço nacional contenham os espaços regionais.
"Ademais, constata-se que as informações produzidas por instituições oficiais estão mudando muito rapidamente, não só dentro dos países, mas também entre países. Um novo perfil de demanda está levando os órgãos responsáveis por elas a alargarem o âmbito de sua cobertura temática e espacial, atentando-se inclusive para a sua dimensão global. Em resposta a essas mudanças na demanda, e beneficiando-se dos avanços na tecnologia de informação e na tecnologia de comunicação, abre-se a oferta com a emergência de outros órgãos produtores dentro dos países. Com isso, aumenta a necessidade de coordenação, o que reforça a maior presença e essencialidade de um órgão central voltado à produção de informações estatística e geográficas públicas."
"No Brasil, o IBGE cumpre, há mais de sessenta anos, o papel de órgão central produtor de informações estatísticas e geográficas, retratando com fidelidade a realidade brasileira. A clara consciência dos condicionantes estratégicos, aos quais estará submetido no futuro imediato, coloca para uma instituição com tal perfil diversos desafios, de modo a adequar-se aos novos tempos. Dois desafios, pelo menos, destacam-se neste processo: primeiro, o conviver com recursos públicos escassos, em meio a uma crise fiscal que vem se agravando já de longa data; segundo, o conviver com novos atores públicos e privados envolvidos na produção e na disseminação de informações. Como os países precisam que elas sejam contínuas, abrangentes, estáveis e comparáveis, nacional e internacionalmente, a serem tomadas como bens públicos, é preciso desenvolver, principalmente num ambiente de verbas públicas minguantes, mecanismos que garantam uma contínua oferta de informações, sem as quais a democracia inevitavelmente se enfraquecerá. Para tanto, é crucial que o órgão central de estatística e geografia seja reconhecido e fortalecido politicamente."
No novo perfil da demanda, o espaço regional assume especial importância mormente ao equacionar dos problemas sociais, não mais passíveis de solução no ou apenas no espaço nacional. Pois, decorre dessa abertura espacial uma natural abertura temática, a impor grandes e difíceis desafios às agências nacionais de estatística. Desafios que são muitos, impondo- lhes um contínuo e profundo repensar de suas existências, confirmando-as ou mudando-as.
Ainda que as agências nacionais consigam responder às novas demandas, com a eficácia e a eficiência que lhes são próprias, dificilmente demovem governos estaduais e municipais da vontade de contarem com suas próprias agências de estatística. Daí, resultando uma oferta complementar, localizada, vê-se o positivo, mas, resultando uma oferta concorrente, localizada ou nacional, vê-se o negativo, seja pela dispersão de recursos escassos, seja pelo conflito de números.
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Projeto Presença - Relatório Finallnstilulo &1si~ de Geogr1~11 e Es!ltfsm:a
Nessa situação, em meio a agências estaduais e municipais, eventualmente complementares, eventualmente concorrentes, releva haver uma efetiva coordenação, pautando-a numa intensa argumentação, claro, a emanar da agência nacional, mas, a exigir, com certeza, diálogos intensos e contínuos nos próprios espaços regionais. A intensidade e a continuidade dos diálogos, a par com a natureza da argumentação, específica e especializada, serão peças chaves nesse tabuleiro.
"Num tal contexto, o IBGE deve empenhar-se no uso de metodologias avançadas no trabalho de campo e no trabalho de análise, lançando mão da melhor tecnologia de informação e da tecnologia de comunicação; deve ampliar sua qualificação como analista de resultados, o que naturalmente requer capacitação técnica e uma sólida e moderna disseminação; deve também tornar-se mais ágil no estabelecer de alianças e vínculos de cooperação com outros órgãos produtores e instituições afins, nacionais e internacionais;
e mais, deve empenhar-se na garantia de sua independente institucionalização, buscando estabelecer mandatos pré-definidos para os seus dirigentes, tendo em seu quadro funcional pesquisadores competentes e remunerados devidamente, dispondo de um orçamento e de um fluxo de recursos financeiros adequados ao longo do tempo, bem assim, de flexibilidade na administração dos recursos humanos, podendo valorizá-los à altura de seu desempenho e formação, aumentando sua competência técnica, fazendo-se legítimo interlocutor, centro de excelência, nos espaços nacional e internacional."
"O IBGE como produtor de informações estatísticas e geográficas, deverá mais e mais se transformar em uma organização intensiva em conhecimento, tornando-se mais leve e mais flexível em sua gestão, de modo a melhor fazer frente às mudanças. O IBGE entende que deve dinamizar seu Conselho Técnico, como encaminhado em sua recente revisão estatutária, de modo a dar-lhe uma melhor transparência e expressão dos diferentes segmentos significativos da sociedade; dessa forma, espera melhorar sua interação com a sociedade, tornando-a mais sistemática, de modo a melhor acompanhar
• as mudanças na demanda, cada vez mais intensa e segmentada. O IBGE atento ao renovar do planejamento, já não mais nacional, mas regional e mesmo local, entende que deve dinamizar a oferta de informações georreferenciadas, relativas a espaços e a temas mais desagregados, com diferentes formatos e provenientes de diferentes fontes, o que é especialmente importante em face de uma realidade cada vez mais complexa.
Em especial, o IBGE registra o surgimento de uma consciência ambiental, com a consolidação da noção de desenvolvimento sustentável, o que implica a elaboração de novas informações que revelem a relação entre o desenvolvimento econômico e a exploração dos recursos naturais e a degradação do meio ambiente."
Formular e implantar uma coordenação será, em última instância, fazer com que as informações estatísticas e geográficas geradas nas diversas agências públicas tenham os atributos da abrangência, da permanência e da padronização, com vistas ao imperativo de serem comparáveis e combináveis no tempo e no espaço. Isso exige, claro, que as atividades inerentes, vale dizer, que os processos de pesquisa sejam mais e mais intensivos em conhecimento, marca da sociedade contemporânea, não ao acaso chamada sociedade do conhecimento; ora, a geração, transmissão e aplicação de conhecimento trazem as características da coordenação, como visto antes, isto é, a intensidade e a continuidade, a remeter ao espaço regional. Mas, a esse novo tempo, um tempo pautado no conhecimento, associe-se um novo homem, um homem formado no conhecimento, sendo parte do todo e tendo parte do todo.
"Por fim, consciente da descentralização político-administrativa que vige no país, o IBGE entende que deve trabalhar em parceria com os diferentes órgãos produtores de informações estatísticas e geográficas, o que implica a dinamização da coordenação,
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