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II AMBIENTE DA INSTITUIÇÃO

No documento c• IBGE (páginas 50-53)

Duas ordens de justificativas para a presença nacional do IBGE podem ser anotadas:

primeira, buscando-se destacar em seu ambiente externo a sua peculiar importância, na razão em que são essenciais as informações estatísticas e geográficas de âmbito nacional

"'~IBGE

Projeto Presença - Relatório Final que lhe compete produzir; segunda, buscando-se destacar no seu ambiente interno, a peculiar natureza de seu trabalho como órgão nacional de produção das referidas informações estatísticas e geográficas de âmbito nacional. Donde decorre que:

• sendo a informação, em geral, mais e mais vista como essencial à gestão da coisa pública e à gestão da coisa privada, e

• sendo as informações estatísticas e geográficas, em especial, das mais importantes informações, dentre todas as possíveis, e mais,

• sendo o IBGE a entidade oficialmente responsável pela produção e pela decorrente disseminação dessas informações em âmbito nacional,

então sua presença no território nacional é mesmo essencial, porquanto sendo necessário obter as informações individuais a serem superadas (em seu caráter individual) no processo de geração das informações estatísticas e geográficas, como é sabido, expressão que são de múltiplos organizados.

Isso posto, nos valemos da seção Visão de Futuro Institucional do documento Planejamento Estratégico referente ao biênio 1999-2000, para destacar a importância mais e mais atribuída às informações estatísticas e geográficas de âmbito nacional, remetendo-as ora ao espaço global, ora ao espaço local; trata-se de apreender as novas necessidades, captando tanto as possibilidades quanto as exigências ou restrições que se impõem ao órgão produtor dessas informações, de modo a mantê-las no curso de um adequado atendimento à sociedade.

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"A existência de informações estatísticas e geográficas públicas confiáveis e atualizadas, cada vez mais, é entendida como essencial ao consolidar de uma sociedade democrática, participando ativamente do ingente esforço de aumento da governança, no sentido de tornar os governos distintamente eficientes na concepção, formulação e execução de políticas públicas. Estas informações, necessariamente de qualidade, fazendo um retrato objetivo dos países, revelam o estado de suas economias e de suas populações, bem assim, mostram aos olhos dos cidadãos o desempenho dos seus governantes. Em suma, elas promovem uma relação de mão dupla entre governantes e governados, sendo consenso em todo o mundo que aos governos compete garantir que as mesmas sejam críveis à sociedade em geral. Na verdade, e isto é igualmente consensual, quando as estatísticas oficiais sofrem ingerências de ordem política, carecem de credibilidade, e são, portanto, inúteis; aliás, é esta constatação que tem refreado a interferência e ampliado a busca de autonomia dos órgãos de estatística em relação a seus governos.

Ademais, constata-se que as informações produzidas por instituições oficiais estão mudando muito rapidamente, não só dentro dos países, mas também entre países. Um novo perfil de demanda está levando os órgãos responsáveis pelas mesmas a alargarem o âmbito de sua cobertura temática e espacial, atentando-se inclusive para a sua dimensão global. Em resposta a essas mudanças na demanda, e beneficiando-se dos avanços na tecnologia de informação e na tecnologia de comunicação, abre-se a oferta com a emergência de outros órgãos produtores dentro dos países. Com isso, aumenta a necessidade de coordenação, o que reforça a maior presença e afirma mesmo a essencialidade de um órgão central voltado à produção de informações estatística e geográficas públicas.

No Brasil, o IBGE cumpre, há mais de sessenta anos, o papel de órgão central produtor de informações estatísticas e geográficas, retratando com fidelidade a realidade brasileira. A clara consciência dos condicionantes estratégicos, aos quais estará submetido no futuro imediato, coloca para uma

C~ IBGE

Instituto Btasíletro de Geogra~ia e Es:atlstica Projeto Presença - Relatório Final

instituição com tal perfil diversos desafios, de modo a adequar-se aos novos tempos. Dois desafios, pelo

menos,

destacam-se neste processo: primeiro, o conviver com recursos públicos escassos, em meio a uma crise fiscal que vem se agravando já de longa data; segundo, o conviver com novos atores públicos e privados envolvidos na produção e na disseminação de informações. Como os países precisam que elas sejam contínuas, abrangentes, estáveis e comparáveis, nacional e internacionalmente, a serem tomadas como bens públicos, é preciso desenvolver, principalmente num ambiente de verbas públicas minguantes, mecanismos que garantam uma contínua oferta de informações, sem as quais a democracia inevitavelmente se enfraquecerá. Para tanto, é crucial que o órgão central de estatística e geografia seja reconhecido e fortalecido politicamente.

Num tal contexto, o IBGE deve empenhar-se no uso de metodologias avançadas no trabalho de campo e no trabalho de análise, lançando mão da melhor tecnologia de informação e da tecnologia de comunicação; deve ampliar sua qualificação como analista de resultados, o que naturalmente requer capacitação técnica e uma sólida e moderna disseminação; deve também tornar-se mais ágil no estabelecer de alianças e vínculos de cooperação com outros órgãos produtores e instituições afins, nacionais e internacionais; e mais, deve empenhar-se na garantia de sua independente institucionalização, buscando estabelecer mandatos pré-definidos para os seus dirigentes, tendo em seu quadro funcional pesquisadores competentes e remunerados devidamente, dispondo de um orçamento e de um fluxo de recursos financeiros adequados ao longo do tempo, bem assim, de flexibilidade na administração dos recursos humanos, podendo valorizá-los

à

altura de seu desempenho e formação, aumentando sua competência técnica, fazendo-se legítimo interlocutor, centro de excelência, nos espaços nacional e internacional.

O IBGE como produtor de informações estatísticas e geográficas, deverá mais e mais se transformar em uma organização intensiva em conhecimento, tornando-se mais leve e mais flexível em sua gestão, de modo a melhor fazer frente às mudanças. O IBGE entende que deve dinamizar seu Conselho Técnico, como encaminhado em sua recente revisão estatutária, de modo a dar-lhe uma melhor transparência e expressão dos diferentes segmentos significativos da sociedade; dessa forma, espera melhorar sua interação com a sociedade, tornando-a mais sistemática, de modo a melhor acompanhar as mudanças na demanda, cada vez mais intensa e segmentada. O IBGE atento ao renovar do planejamento, já não mais nacional, mas regional e mesmo local, entende que deve dinamizar a oferta de informações georreferenciadas, relativas a espaços e a temas mais desagregados, com diferentes formatos e provenientes de diferentes fontes, o que é especialmente importante em face de uma realidade cada vez mais complexa. Em especial, o IBGE registra o surgimento de uma consciência ambiental, com a consolidação da noção de desenvolvimento sustentável, o que implica a elaboração de novas informações que revelem a relação entre o desenvolvimento econômico e a exploração dos recursos naturais e a degradação do meio ambiente.

Por fim, consciente da descentralização político-administrativa que vige no país, o IBGE entende que deve trabalhar em parceria com os diferentes órgãos produtores de informações estatísticas e geográficas, o que implica a dinamização da coordenação, de modo a não se perder de vista os três pilares de um necessário sistema de informações: a abrangência temática e espacial, a permanência temporal, a padronização conceitual, tudo, com vistas à uma indiscutível comparabilidade no tempo e espaço. No caso especial das estatísticas, o IBGE entende que deve estimular e viabilizar o uso de registros

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administrativos, para ampliar a cobertura temática e espacial das estatísticas, em princípio reduzindo os custos de sua produção e a carga de visitas aos informantes, nas empresas e nos domicílios. Para tanto, e atento aos novos tempos, o IBGE entende que deve envidar sérios esforços no sentido de rever a legislação estatística e a legislação cartográfica, atualizando-as, até mesmo para reforçar a complexa questão do sigilo individual das informações, uma das peças-chave do adequado funcionamento de um órgão central produtor de informações estatísticas e geográficas".

Pois, da leitura atenta deste texto, pode-se bem aquilatar quão relevante é a peculiar presença nacional do IBGE, com suas unidades regionais, estaduais e municipais, primeiro, no sentido de executarem expeditamente as atividades operacionais descentralizadas que lhes são próprias nos diversos processos de pesquisa, segundo, no sentido de responderem rapidamente aos desafios que decorrem das expansões temáticas e espaciais que sempre se propõem ao IBGE, terceiro, no sentido de assumirem uma desejada e desejável representação institucional descentralizada, cujos contornos ainda não estão bem definidos.

No documento c• IBGE (páginas 50-53)

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