O dimensionamento de recursos humanos de enfermagem é a primeira etapa para provimento de pessoal e tem por objetivo a previsão do número de funcionários por categoria, necessária para atender, direta ou indiretamente, às necessidades de assistência de enfermagem da clientela (KURCGANT et a1, 1991).
É inquestionável nos dias de hoje, para a maioria das organizações, a necessidade de capacitar seus profissionais, por meio de uma educação refletida e participativa. Tempos atrás, no entanto, não era possível fazer essa afirmação, pois as organizações limitavam-se a práticas simplistas de admitir e demitir pessoas.
Em seguida, as organizações passaram a se preocupar com o treinamento como uma forma de reduzir erros e custos de produção e, mais recentemente, tem buscado, também, a capacitação do pessoal que gerencia os recursos humanos (GONÇALVES, 1997).
O dimensionamento de pessoal na resolução do COFEN, 2004 ele baseia-se em três características: tipo de instituição, o serviço de enfermagem e o tipo da clientela.
O dimensionamento inadequado dos recursos humanos em enfermagem traz implicações sobre o resultado da qualidade da assistência de enfermagem prestada à clientela, em virtude dos aspectos quantitativos e qualitativos de pessoal estarem diretamente ligados ao produto final do seu trabalho, que é a qualidade da assistência prestada ao paciente.
A percepção dos sujeitos de pesquisa em relação a suficiência de funcionários para a assistência ao cliente, fica demonstrado na fala de Carambola.
Não, porque, como nossos pacientes são de alta complexidade, precisaria de mais funcionário, porque além de cuidado de higiene e conforto, medicação, transporte, tem todo o preparo do paciente para a cirurgia e procedimentos complexos, então é pouco... Não está tendo quase cirurgia, a máquina está quebrada, para nós está tranqüilo, para o paciente não, o psicológico dele está muito afetado.
Carambola.
Considerando que dimensionar recursos humanos em enfermagem está vinculado ao tipo de cuidado necessário a cada paciente, tem sido proposto utilizar como critério, o Sistema de Classificação de Pacientes (SCP), foi introduzido no Brasil por Ribeiro (1972), embora tenha iniciado, de forma empírica, desde os tempos de Florence Nightingale, que buscava localizar, mais convenientemente na enfermaria os pacientes que demandavam maior atenção de enfermagem (RIBEIRO, 1972).
O SCP considera o número médio de horas despendidas pela equipe de enfermagem, segundo cada categoria de cuidado. Os parâmetros do SCP diferem de um modelo para outro e em nenhum deles são explicadas as condições em que esses parâmetros foram determinados.
A falta de parâmetros bem definidos, destinados à operacionalização do dimensionamento de pessoal de enfermagem, faz com que este assunto se torne polêmico, causando falta de argumentação para as chefias de enfermagem diante da administração do hospital. Isso possibilita a interferência de profissionais de outras áreas na determinação da quantidade e qualidade do pessoal de enfermagem quando a competência para o dimensionamento de recursos humanos em enfermagem deve ser dos enfermeiros que atuam diretamente na assistência (CAMPEDELLI e GAIDZINSK).
Na instituição que foi realizada a pesquisa não está normatizado a utilização de classificação de pacientes, este estudo foi realizado pelos acadêmicos de enfermagem da Universidade do Vale do Itajaí n, na disciplina de Estagio Curricular Supervisionado do 7º e 8º período. Foi realizada uma amostra durante um período de 30(trinta) dias aplicando a SCP conforme o modelo de Fugulin (1994), visando identificar o grau de cuidados destes pacientes nessas unidades.
A escala mensal tem por objetivo dividir as atividades de Enfermagem diariamente, de maneira eqüitativa, entre os elementos da equipe, dividindo os dias de trabalho a serem executado para cada funcionário a fim de garantir que a assistência seja prestada e evitar sobrecarga para alguns funcionários e ociosidade para outros (KURCGANT, 2005).
A escala diária deve ser elaborada pela enfermeira responsável pelo plantão ou pela enfermeira que irá gerenciar a assistência durante o período. Na sua elaboração, deve-se considerar o número, qualificação, habilidade e preferências dos elementos que compõem a equipe; bem como a área física, o volume, a quantidade e complexidade dos cuidados de cada paciente. Para a elaboração da escala, a enfermeira precisa conhecer seus clientes, enfatizando a assistência a ser prestada e grau de dependência dos mesmos. O uso de um impresso específico agiliza a elaboração da mesma
Segundo os dados levantados na entrevista os sujeitos de pesquisa em relação à elaboração das escalas foi observado que 80% consideram que não há possibilidade de fazer uma escala sem sobrecarregar os funcionários, e com os outros 20 % houve uma resposta positiva, dizendo que há possibilidade sim, mas tendo hora plantão, que além de estar fechando a escala está aumentando a renda dos funcionário.
Há período que é complicado fazer as escalas, pois o índice de absenteísmo é grande, e isso faz com que a enfermeira responsável pela escala tenha dificuldades para fazer a mesma;
entretanto para elaborar a escala ela precisa obviamente das horas plantões, pois o número de funcionários é insuficiente para se ter uma escala sem sobrecarregar os funcionários.
Alguns sujeitos da pesquisa apontaram fatores falicitadores ou restritivos para a elaboração de uma escala mensal conforme as falas:
É difícil, tento manter esse número de funcionário, dando as folgas que eles têm direito mais é muito difícil, tem que esta cobrindo com HP, não têm como não ter HP, se não eu fecho a unidade...., o número de horas que eu tenho que é de 1500 horas e já extrapolei com 1980 horas usando de HP, fora plantão, eu conseguiria manter a media, só que com esses atestados e problemas de saúde que estou tendo bastante na unidade me obrigou a extrapolar. Carambola
Os funcionários já estão sobrecarregados, pois nós já estamos fazendo 45 semanais, hoje é impossível, não fazer HP, porque com isso nossos salários estão desvalorizados, estamos buscando meios para complementarmos nosso salário, sendo que o governo esta ganhando, porque ele esta pagando um funcionário e estamos trabalhando por 2 , ela é essencial. Foi jogada uma situação, foi feito um plano para nós que nos enganou, o governo nos enganou com isso, eu tenho um único vinculo, mais para ter uma qualidade de vida melhor eu tive que buscar a HP. Infelizmente to amarrada. Pitanga.
No momento sim, porque nossa demanda é grande e o número de leito é pequeno para demanda, então o número de funcionários no momento acho que é o suficiente para atender os pacientes. Goiaba.
Em tese se consegue elaborar, mais atualmente é complicado por causa dos atestados, faltas, e ai fica realmente complicado, com HP você até consegue montar uma escala, mas para mim o HP não é um bom negocio, porque a qualquer momento o estado pode cortar e ai nós ficamos sem funcionários para trabalhar.... Laranja.
Os sujeitos de pesquisas expressaram em suas falas o objeto de um salário que possibilita-se o servidor te rum único vinculo e atribuir a utilização do HP - hora plantão como solução temporária que trás conseqüências na assistência de enfermagem prestada como sobrecarga ou dupla jornada.