Em matéria de Direito Ambiental, as fronteiras entre diversos segmentos do conhecimento humano tornam-se cada vez menores. Na analise a ser tomada pelo aplicador da lei em matéria ambiental, necessariamente estão presentes considerações que não são apenas jurídicas.
É fundamental, para todos aqueles que se preocupam com a proteção jurídica do Meio Ambiente, que se consiga estabelecer uma adequada definição do Direito Ambiental, caracterizando-lhe os métodos, o objeto jurídico tutelado, a extensão e os limites de seu campo de incidência.
Com o melhor estudo constam alguns questionamentos fundamentais que diferenciam a proteção jurídica dos bens ambientais feita no passado, com a tutela conferida ao Direito Ambiental.
As principais diferenças estão demonstradas na obra de Antunes33 onde se referem nos seguintes termos:
33 ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 8ª edição. Editora Lúmen Júris. Rio de Janeiro.
2005, p. 04
Uma profunda modificação ontológica da tutela conferida aos bens naturais; Ruptura dos conceitos de Direito Público e Direito Privado. Ruptura dos conceitos de Direito interno e Direito Internacional. Integração entre diversas áreas do conhecimento humano na aplicação da ordem jurídica. Considerações do desenvolvimento econômico e com a integração das populações em tal desenvolvimento.
A natureza dos princípios do Direito Ambiental Antunes34 trata que os princípios jurídicos ambientais podem ser implícitos35 ou explícitos36, ambos são dotados de positividade e, portanto devem ser levados em conta pelo aplicador da ordem jurídica.
Para Coelho37, o entendimento sobre o tema, traduz da seguinte forma:
Trata-se de um sistema de normas jurídicas que, estabelecendo limitações ao direito de propriedade e ao direito de exploração econômica dos recursos da natureza, objetivando a preservação do meio ambiente com vistas a melhor qualidade da vida humana.
O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é um Direito Fundamental da pessoa humana, haja vista que nenhum ser humano sobrevive sem os recursos naturais básicos que são: a água, o ar e o solo, de onde provém a nossa sobrevivência.
A partir desta constatação, verificou-se que o cidadão e os movimentos sociais organizados com acesso à informação têm melhores condições de atuar em matéria ambiental e de se tornar parte ativa nas decisões que lhes interessam diretamente.
34 ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 2005, P. 25
35 IMPLICITOS: são os principio que decorrem do sistema constitucional, ainda que não se encontrem escritos.
36 EXPLÍCITOS: são aqueles que estão claramente escritos nos textos e, fundamentalmente, na Constituição da República Federativa do Brasil.
37 COELHO, Luiz Fernando. Aspectos Jurídicos da Proteção Ambiental. Curitiba: Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, Delegacia do Estado do Paraná, 1975. p. 5.
O princípio democrático materializa-se através dos direitos a informação e a participação. Tais direitos estão expressos em textos e Lei fundamental e diversa leis esparsas.
Sendo uma delas a Constituição de 1988, em seu art. 5°, incisos XIV, XXXIII e XXXIV, resguardou a todos os cidadãos o direito de acesso às informações. (res Antunes38, 2005 p.4-90).
Em matéria ambiental, dento a esta importância do livre acesso às informações, em 16 de abril de 2003 foi publicado a lei Federal nº 10.650, Lei específica que regulamenta o direito de acesso à informação. O art. 2º desta Lei assim conceitua “acesso a informação”
Os órgãos e entidades da Administração Pública, direta, indireta e fundacional, integrantes do Sisnama, ficam obrigados a permitir o acesso público aos documentos, expedientes e processos administrativos que tratem de matéria ambiental e a fornecer todas as informações ambientais que estejam sob sua guarda, em meio escrito, visual, sonoro ou eletrônico, especialmente as relativas a:
I - qualidade do meio ambiente;
II - políticas, planos e programas potencialmente causadores de impacto ambiental;
III - resultados de monitoramento e auditoria nos sistemas de controle de poluição e de atividades potencialmente poluidoras, bem como de planos e ações de recuperação de áreas degradadas;
IV - acidentes, situações de risco ou de emergência ambientais;
V - emissões de efluentes líquidos e gasosos, e produção de resíduos sólidos;
VI - substâncias tóxicas e perigosas;
38 ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 2005, p. 4-91.
VII - diversidade biológica;
VIII - organismos geneticamente modificados.”
Prevalece, portanto, segundo esta Lei, aos órgãos e entidades integrantes do SISNAMA39 (Sistema Nacional de Meio Ambiente) obrigados a permitir acesso ao público em documentos, que estejam sob a sua guarda, e que tratem de matéria ambiental e, também de fornecer todas as informações, aos cidadãos interessados.
Cumpre a observar que, qualquer pessoa, independentemente da comprovação de interesse específico, terá direito ao acesso às informações de que trata esta lei, por esta razão ressalta obriga ao interessado em fazer um requerimento por escrito, assumindo o compromisso de que não ira utilizar as informações para fins comerciais.
Por ser pública esta Lei demonstra a sua importância para o bem ambiental, o uso comum a todos e inclusive dos que estão por vir, deve ser resguardado e cuidado independentemente das condições em que o cidadão se encontra, por força disto é de extrema relevância a informação sobre o estado da flora e fauna bem como as ocorrências ambientais que possa prejudicar o ser humano.
Assim, todas as categorias da população, conscientes de suas responsabilidades, devem contribuir na proteção e melhoria do meio ambiente.
O que desde logo compre observar merece especial destaque à expressão Direito Ambiental, podendo afirmar que se caracteriza por ser multidisciplinar e pela complexidade a que ele se reveste.
39 O SISNAMA são os órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos territórios e dos Municípios, bem como as Fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental. São estruturados em vários órgãos dentre eles: Órgão Superior: o Conselho de Governo, com a função de assessorar o Presidente da República na formulação da política nacional e nas diretrizes governamentais para o meio ambiente e os recursos ambientais; Òrgão Consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).
Em se tratando de matéria para fundamentar Direito Ambiental, Antunes40 destaca entre as principais à metodologia, e tem sido reconhecida pela doutrina, como já mencionamos, como uma das características fundamentais.
Salientamos ainda que o Direito Ambiental somente poderá oferecer uma solução jurídica se estiver coordenada e integrada com as questões que interagem o problema a ser enfrentado pelo Direito.
Enfocado o entendimento do Direito Ambiental, partiremos observar de que maneira podemos ingressar para que o nosso direito constitucional seja preservado diante do desrespeito a natureza.