2.1 Formas de Rescisão do Contrato de Trabalho
2.1.2 Rescisão do Contrato de Trabalho Por Mútuo Consentimento
Essa forma de Rescisão de contrato, o de mútuo consentimento (mutuus dissensus ou contrarius consensus) distingue-se de qualquer modalidade de contratos tanto dos por prazo determinado quanto indeterminado, pois seus
142 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 2006. p. 121/122
143 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 2006. p.541
144 CARRION, Valentin. Comentários à consolidação das leis do trabalho. 2008 p. 287
145 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 2006. p. 378/379
efeitos são ex nunc146 fazendo supor um contrato válido e eficaz. Os contratos de trabalho podem ser resolvidos pelas partes, ou seja, por mútuo consentimento ser dissolvido. 147
Sergio Pinto Martins defende que “empregado e empregador poderão pactuar, mediante acordo, a Rescisão do contrato de trabalho. Os próprios interessados estabelecerão quais serão as formas e conseqüências do rompimento do vínculo de emprego. 148
Mauricio Godinho Delgado tem a visão legalista para este tipo de Rescisão de contrato, no qual afirma:
Tal figura, entretanto, não tem aplicabilidade prática significativa no âmbito trabalhista, embora, do ponto de vista meramente abstrato, seja viável: é que, como visto, repugna à ordem jurídica a idéia de que sujeitos de direito não possam, por vontade consensual, dar fim a certo relacionamento. 149
No caso de acordo mútuo para Rescisão do contrato de trabalho, não será objeto a autorização ao levantamento do FGTS, assim como o pagamento integral das férias vencidas e salários, sendo que somente as demais verbas poderão ser transacionadas. 150
Já quanto à análise da culpa recíproca, para Rescisão do contrato de trabalho, Sérgio Pinto Martins, ensina-nos que “a culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho envolve o fato de que ambas as partes dão causa à cessação do pacto laboral por justo motivo”.151 Nesta situação, existem duas faltas cometidas, uma do empregador, e outra do empregado, assim, determina a lei que a indenização devida ao trabalhador será reduzida à metade, aplicando-se ainda os termos da Resolução 121/2003 do TST. Súmula n. 14 do TST: art. 484 da CLT.
146 Ex nunc - expressão de origem latina que significa "desde agora". Assim, no meio jurídico, quando dizemos que algo tem efeito ex nunc, significa que seus efeitos não retroagem, valendo somente a partir da data da decisão tomada.
147 MORAES FILHO, Evaristo de. A Justa Causa na Rescisão do Contrato de Trabalho. 1996. p.17
148 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho.. 2006. p. 377
149 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 2006. p.1170
150 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 2006. p. 377
151 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 2006. p. 377
Culpa recíproca - Nova redação - Res. 121/2003, DJ 21.11.2003.
Reconhecida a culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho (art.
484 da CLT), o empregado tem direito a 50% (cinqüenta por cento) do valor do aviso prévio, do décimo terceiro salário e das férias proporcionais.
Um outro modelo controvertido sobre a Rescisão do contrato de trabalho por mútuo consentimento são os chamados “Planos de Demissão Incentivados”, os quais são oferecidos por grandes empresas para diminuírem seus gastos e despesas com empregados, nesses casos, oferecem parcelas inerentes à dispensa sem justo motivo, reparando o prejuízo com a perda do emprego (O Jurisprudencial 207, SDI-1/TST). Normalmente é permitido ao trabalhador a opção à aderência ao plano de desligamento.152 Assim, oferecendo grandes indenizações aos empregados para que peçam demissão, a empresa furta-se de futuramente responder ações trabalhistas que venham a ter pleitos que retroajam aos Planos de Desligamento Voluntários. Entretanto, o TST em março de 2008, veio a reconhecer que verbas trabalhistas devidamente reconhecido em juízo, não são suscetíveis de compensação pelo Plano de Demissão Incentivado.153 Deste modo, esses planos devem ser analisados com o maior rigor possível para não ser uma forma de enganar o empregado, fazendo que o mesmo através de falsas promessas venha a perder direitos irrenunciáveis.154
Ementa: PDI DO BESC. QUITAÇÃO PLENA. Tendo em conta que, notoriamente, as condições e efeitos do regulamento do plano de demissão incentivada implementado no âmbito do BESC foram amplamente discutidos no seio da categoria, contando com maciça manifestação do seu quadro de pessoal pela sua aprovação, não há como reconhecer qualquer forma de violência volitiva no ato de adesão do empregado, mormente diante da vultosa quantia percebida na ruptura contratual realizada com a chancela da autoridade competente (R$ 112.552,95), valor que, "in casu", representa a contraprestação equivalente a 105,8 remunerações mensais - quase 9 anos de trabalho
152 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 2006. p.1171
153 OJ nº 356 do SBDI-1 do TST: PROGRAMA DE INCENTIVO À DEMISSÃO VOLUNTÁRIA (PDV).
CRÉDITOS TRABALHISTAS RECONHECIDOS EM JUÍZO. COM-PENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE (DJ 14.03.2008) Os créditos tipicamente trabalhistas reconhecidos em juízo não são suscetíveis de compensação com a indenização paga em decorrência de adesão do trabalhador a Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PDV).
154 MORAES FILHO, Evaristo de. A Justa Causa na Rescisão do Contrato de Trabalho. 1996. p.18/19
no término de um contrato de 25 anos e 10 meses. Acórdão 13993/2007 - Juiz Geraldo José Balbinot - Publicado no TRTSC/DOE em 28-03- 2008, página: .155
Assim denota-se o dúbio entendimento da doutrina, ora obrigando a Rescisão do contrato de trabalho por mútuo consentimento das partes, ora desqualificando esses acordos, visto trata-se de direitos irrenunciáveis aos quais o empregado “abre mão” para obter uma maior indenização em pecúnia.
Entretanto, deve, o magistrado, em tais casos, utilizar o princípio da razoabilidade, pois o empregado ao pactuar um contrato de trabalho demonstra ser um ser capaz, e que possui discernimento necessário para ao assinar um Plano de Demissão Voluntário, apreciar o teor e conhecer suas implicações. Caso contrário, o mesmo seria representado/tutelado, e seu representante/tutor teria o discernimento necessário para assinar tal contrato.