• Nenhum resultado encontrado

Prática de Jogos de Azar

A prática de jogos de azar, assim descrito pela legislação contravencional em vigor no país, admite a dispensa motivada quando for jogo do bicho, rifas não

223 SAAD, Eduardo Gabriel. Consolidação das leis do trabalho comentada. 2006. p.478

224 SÜSSEKIND, Arnaldo. Curso de direito do trabalho. 2004. p. 341

225 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 2006. p. 1198.

226 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 2007. p. 362/363

autorizadas, apostas de corridas de cavalo, entre outros, que tiverem promessa de benefício pecuniário ou não.227

Ressalta Arnaldo Sussekind que há um contra-senso no que diz respeito aos jogos de azar porque a loteria, a sena, a quina e outros jogos explorados pelo Estado embora classificados como jogos de azar são lícitos e autorizados.228 Ao contrário, verifica-se a opinião de Sérgio Pinto Martins menosprezando qualquer tipo de jogo, se permitido ou não, reconhecendo como proibido aquele que causar prejuízo ao serviço. 229

Assim, para se caracterizar a confirmação da falta grave, deve-se levar em consideração tanto a habitualidade da prática do jogo como pela promessa de benefício ou pelo prejuízo à atividade praticada pelo empregado. 230

m) Outras Formas de Rescisão por Justa Causa Previstas

Além das formas de justa causa previstas no art. 482, da CLT, há outras formas de dispensa por justa causa, onde ao serem praticadas, o empregador deverá enquadrá-las no art. 482 da CLT, que serão agora tratadas.

O empregado bancário, conforme previsto no art. 508 da CLT, poderá ser despedido por justa causa se costumeiramente deixar de pagar suas dívidas legalmente exigíveis. 231 O ferroviário, da mesma forma, quando se furtar de prestar serviços extraordinários em casos emergência ou acidentes na estrada de ferro. 232

A inobservância das normas de segurança e medicina do trabalho e o não uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa, segundo o art. 158, §2°, da CLT, geram justa causa da rescisã o do contrato de trabalho. 233

São motivos para a dispensa por justa causa a manutenção da greve após a celebração do acordo ou decisão da Justiça do Trabalho, com base nos

227 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao direito do trabalho. 2006. p.228.

228 SÜSSEKIND, Arnaldo. Curso de direito do trabalho. 2 2004. p. 343

229 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 2007. p. 368

230 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 2007. p. 367

231 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 2007. p. 368

232 SÜSSEKIND, Arnaldo Curso de direito do trabalho. 2004. p. 343

233 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 2007. p. 368

arts. 14 e 15 da Lei 7.783/89 234 e a falta à escola, perda do ano letivo, insuficiência ou inadaptação dos procedimentos da aprendizagem nos contratos de menor aprendiz. 235

Por fim, o uso indevido do vale transporte, como venda do mesmo, utilização para outros fins que não de seguir do caminho, casa-trabalho, trabalho- casa, previsto no Decreto 95.247/87, além de outros que podem ser considerados como motivos que justificam a justa causa se analisados caso a caso.236

Finalizando, é também motivo de justa causa atos atentatórios a segurança nacional, mas segundo Maurício Godinho Delgado, com a Constituição Federal de 1988, esta forma de justa causa veio a ser revogada. Visto que a é assegurado Constitucionalmente o Direito a Liberdade e ao Devido Processo Legal, assim esta autorização de justa causa deve ser feita por um Processo Penal com direito ao contraditório e ampla defesa, não administrativamente o meio por ela originalmente defendida. 237

No terceiro e último capítulo será abordado as causas do alcoolismo, suas conseqüências no organismo do paciente, além de seus reflexos na vida social, familiar e no trabalho. Por fim, quais as novas decisões do TST e TRT da 12ª Região e que vem abranger o tema e seu atual estágio evolutivo no mundo jurídico trabalhista.

234 SÜSSEKIND, Arnaldo. Curso de direito do trabalho. 2004. p. 344

235 SÜSSEKIND, Arnaldo. Curso de direito do trabalho. 2004. p. 344

236 SÜSSEKIND, Arnaldo. Curso de direito do trabalho. 2004. p. 344

237 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho, 2006. p. 1201.

3 O ALCOOLISMO E O REFLEXO NAS RELAÇÕES TRABALHISTAS

3.1 IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DO ÁLCOOL

O consumo de álcool é um grande problema de saúde pública, tema de reportagens, debates, leis e até mesmo discussões a mesas de bar. Mas esse problema apesar do que se imagina, vem acompanhando o homem através de sua história.

Há indícios que acerca de 40 milhões de anos, os nossos antepassados alimentavam-se de frutas estragadas, que pela fermentação natural possuíam 5%

de volume alcoólico. A partir deste período, o álcool esteve sempre presente na evolução histórica do homem e da sociedade. A primeira bebida alcoólica foi inventada entre 8.000 a 4.000 a.C., na China, produzida de arroz. Neste período, na Mesopotâmia, também surgiu à cerveja, bem como a Deusa Ninkasi, para homenageá-la.238

Na construção do Egito, das suas Pirâmides, os trabalhadores bebiam cerveja todos os dias. Nas grandes navegações havia estoque de bebidas e muito mais gastos com álcool do que armas, já que era o único líquido livre de contaminação. Um exemplo foi Fernão Magalhães que gastou o equivalente ao valor de duas Caravelas para abastecer sua frota de 5 navios que deram a primeira volta ao mundo, deixando assim seus marinheiros entorpecidos e vivos por mais tempo nas intempéries da viagem. A Declaração de Independência Americana foi escrita por Thomas Jefferson num bar, sendo que o primeiro a assinar foi John Hancook, um contrabandista de vinho. 239

Já no século XIX, os efeitos do álcool começaram a ser estudados cientificamente, com trabalhos de Hass(1852), Magnam (1874), Lasègue (1881), Garnier (1890) entre outros. Em 1855, no 2° Congres so Internacional de Estatística, em Paris, já constava a preocupação com a intoxicação alcoólica, porém somente em 1893 foi assim classificada. 240

238 GARATTONI, Bruno. Dez Mil Anos de Pileque, 2008. p.92

239 GARATTONI, Bruno. Dez Mil Anos de Pileque, 2008. p.92/93

240 MARTINS, Adalberto. A Embriaguez no Direito do Trabalho. 1999. p.17

Na II Guerra Mundial, o fluxo de álcool refletia a ação no front, onde os países também tinham como alvo o bombardeio de cervejarias, e controle das vinícolas dos países invadidos. Na França os alemães dominaram as vinícolas, assim como bombardearam as cervejarias inglesas, sendo que mais de 1.300 Pubs na Inglaterra forma bombardeados. Quando o jogo virou para os Aliados, a cerveja alemã começou a reduzir sua graduação alcoólica. Pelo fato de Hitler odiar bebidas alcoólicas, esterilizou milhares de alcoólatras durante a Guerra.241

Em 1946, a Organização Mundial da Saúde – OMS classificou alcoolismo como doença. Assim, o alcoolismo e suas derivações foram classificados sob as rubricas 322, 322.1, 322.2 e 307 para psicoses alcoólicas. 242

Na atualidade, o álcool está em grande destaque na mídia atual, principalmente com a chamada Lei Seca, na qual visa coibir a mistura, álcool e volante, que é causa da maioria das mortes no trânsito brasileiro.

3.2 O CONSUMO DE BEBIDA ALCOÓLICA

Em todo mundo o homem tem aproveitado o fenômeno da fermentação dos açúcares como prazer, sabor e seus efeitos. Assim, o ato de beber tornou-se parte de rituais sagrados, nos quais as pessoas honravam seus deuses. Deste modo, o ato de beber ficou vinculado a festas, oferendas a hóspedes, amigos e encontro sociais. 243

Destarte, leciona Martin Claret em sua obra sobre o alcoolismo que “o álcool é hoje instrumento de rituais para abrir o apetite, estimular uma convenção, inspirar bons sentimentos, propiciar boa sorte e inspirar coragem contra o medo, a timidez e as adversidades.”244 Como visto, o álcool, que é uma substância relaxante, ficou intimamente associado a atividades agradáveis, sendo que empresas que fabricam bebidas alcoólicas, em suas campanhas de marketing, investem maciçamente em patrocínio de festas populares como a “Oktoberfest”, carnaval, entre outras, as quais tem até mesmo o nome de suas próprias bebidas,

241 GARATTONI, Bruno. Dez Mil Anos de Pileque, 2008. p.96

242 MARTINS, Adalberto. A Embriaguez no Direito do Trabalho. 1999. p.17

243 CLARET, Martin. O que você deve saber sobre ALCOOLISMO. 2001. p. 19/20.

244 CLARET, Martin. O que você deve saber sobre ALCOOLISMO. 2001. p. 19/20.

um bom exemplo é o “Skol Beats”.245 O consumo de álcool é amplamente favorecido pela mídia, encontrado facilmente nos mais diversos locais para compra, de fácil acesso para todas as idades, embora haja proibição de vendas para menores de 18 anos de idade. As autoridades públicas que tem por função a fiscalização não alcançam com efetividade o seu objetivo coibindo o consumo por crianças e adolescentes e de forma exacerbada também por adultos, facilitando o consumo de álcool e associando-o à diversão. 246

O álcool é consumido inicialmente pelo seu gosto agradável, ou seja, bebe-se pelo paladar, sendo difícil fazer oposição a esta objeção. Assim um consumo moderado de álcool é plenamente tolerável pela sociedade, sendo que o mesmo não causará qualquer dano no corpo ou à mente. Pessoas que bebem pouco ou quase nada estranham a classificação da masculinidade do homem em círculos sociais que é medida pela quantidade de álcool consumida. O fomento ao consumo abusivo de álcool dificulta o reconhecimento da dependência. 247

Um dos motivos para o consumo de álcool é a necessidade de superar crises que “(...)nesse caso, deve ser entendido como uma conjuntura de momentos difíceis ou anormais, que surgem mais ou menos repentinamente, podendo ter expressão positiva ou negativa.” Desta feita, o álcool é tido como um produto que somente causa uma expectativa, um animador momentâneo, o qual traz uma falsa libertação de pressões e angustias, encorajando até mesmo contra os temores. 248

Outro ponto importante é que, em quase todo o mundo, é costume beber lentamente para apreciar o paladar da bebida, que é uma tradição. O organismo destrói essa substância, pelo organismo, não danificando o metabolismo de importantes órgãos como o cérebro e o fígado. Com esse consumo lento, a pessoa vai aos poucos viciando-se sem notar os prejuízos ocasionados pelo álcool ao longo do tempo. 249

245 PINSKY Ilana., A Propaganda de Bebidas Alcoólicas no Brasil. Movimento Propaganda Sem Bebida - Uniad (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, da Universidade Federal de São Paulo – EPM/Unifesp) e pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), São PauloDisponível em:<

http://www.propagandasembebida.org.br/artigos/integra.php?id=12>. Acesso em: 27 jul. 2008.

246 CLARET, Martin. O que você deve saber sobre ALCOOLISMO. 2001. p. 20/21.

247 REHFELDT, Klaus H. G., Álcool e Trabalho: prevenção e administração do alcoolismo na empresa.

1989. p. 2.

248 REHFELDT, Klaus H. G., Álcool e Trabalho: prevenção e administração do alcoolismo na empresa.

1989. p. 2.

249 CLARET, Martin. O que você deve saber sobre ALCOOLISMO. 2001. p. 20.

Cabe ainda lembrar, por ser uma substância tão presente, não é lembrado que o álcool é uma droga, que exerce efeitos físicos e psicológicos sobre o indivíduo.250 Muitas vezes é usado como lubrificante social, onde pessoas que normalmente são tímidas em pessoas que com menos temor social, mais falantes, extrovertidas, inserindo-as no meio social, tornando com isto, aceito e recomendado pela sociedade. 251

Adverte-se, ainda, que o álcool é uma droga diferente do fumo, cocaína, crack e maconha. Há evidências que mostram que baixas doses podem vir a fazer bem, ao contrário das drogas acima citadas. É recomendável o consumo de pequenas doses por dia de álcool para prevenir doenças cardíacas. O problema do álcool está na quantidade que pode ser consumida para que o excesso não seja prejudicial à saúde. Ressalta-se, ainda, que há uma diferença entre a reação do álcool entre homens e mulheres. 252

Em uma pessoa que não é acostumada ao consumo de álcool, o seu uso em excesso pode vir a causar efeitos colaterais físicos e psicológicos como o vômito, a excitação ou depressão. Num usuário freqüente, mesmo em overdose, não causa reações físicas ou de comportamento, embora com o tempo cause degeneração física e mental. 253

Em estudos promovidos pelo INCA - Instituto Nacional de Câncer, que é o órgão do Ministério da Saúde, vinculado à Secretaria de Atenção à Saúde, responsável por desenvolver e coordenar ações integradas para a prevenção e controle do câncer no Brasil, entre os anos de 2002 e 2003, apurou-se que o maior percentual de bebedores foi encontrado na região Sul e, na região Sudeste.

As regiões com menor número de consumidores são Norte e Nordeste. Dado interessante foi que na região Sudeste notou-se dois padrões diferentes, um maior percentual de consumo nas cidades de Belo Horizonte e Vitória (51,9% e 53,4%), respectivamente, e no Rio de Janeiro e São Paulo, índices menores (46,7% e 44,9%). As capitais das demais regiões, Nordeste e Centro-Oeste, apresentaram um padrão de consumo heterogêneo, sendo que Aracaju e Campo Grande destacaram-se com percentuais mais elevados e João Pessoa e Natal,

250 LARANJEIRA, Ronaldo e PINSKY, Ilana. O Alcoolismo. Mitos e Verdades. 1997. p.9.

251 REHFELDT, Klaus H. G., Álcool e Trabalho: prevenção e administração do alcoolismo na empresa.

1989. p. 3.

252 LARANJEIRA, Ronaldo e PINSKY, Ilana. O Alcoolismo. 1997. p.12.

253 CLARET, Martin. O que você deve saber sobre ALCOOLISMO. 2001. p. 20/21.

com percentuais mais baixos. As capitais das regiões Norte e Nordeste apresentaram a maior disparidade de consumo entre homens e mulheres, representando praticamente o dobro do consumo dos primeiros equiparando-se às últimas. 254

Pela magnitude dos dados apontados e dos danos associados ao uso de álcool, tem-se a necessidade do envolvimento de toda a sociedade para criar um controle público/social mais atuante e eficaz com uma nova política baseada no aperfeiçoamento da legislação referente ao consumo de álcool e às restrições à publicidade do produto. 255

3.3 ALCOOLISMO E SUAS CARACTERÍSTICAS.

Ensina Marc A. Schuckit, que “o alcoolista256 óbvio, é aquele embriagado que chama no meio da noite ou que tem sinais de cirrose, representa uma minoria dos indivíduos com alcoolismo.” Acrescenta que “o paciente usual que abusa do álcool é um homem de família de classe média que se apresenta com queixas de insônia, tristeza, nervosismo ou problemas interpessoais.”257

Como se denota, esse problema com álcool é muito normal já que ninguém nasce alcoólatra258, pois decorre de um processo múltiplo de

“estratificações”, 259 pois nem só os alcoólatras bebem para superar os seus problemas, no trabalho e no meio social muitos problemas são resolvidos pelo

254 INCA. Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos não Transmissíveis. Brasil, 15 capitais e Distrito Federal 2002–2003., Consumo de Álcool.,Disponível em: <http://www.inca.gov.br/inquerito/docs/consumoalcool.pdf> Acesso em: 02 setembro 2007

255 INCA. Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos não Transmissíveis. Brasil, 15 capitais e Distrito Federal 2002–2003., Consumo de Álcool.,Disponível em: <http://www.inca.gov.br/inquerito/docs/consumoalcool.pdf> Acesso em: 02 setembro 2007

256 Alcoolista é menos que alcoólatra, é uma pessoa que bebe muito freqüente e se alcooliza. É o individuo afetado pelo alcoolismo.

257 SCHUCKIT, Marc. Abuso de álcool e drogas. 1991. p.103.

258 É aquele que é viciado na ingestão de bebidas alcoólicas; que ou aquele que se entrega à doença do alcoolismo; etilista.

259 Salvo casos da Síndrome Alcoólica Fetal ou, Síndrome da Abstinência Fetal, visto que o feto não filtra o álcool consumido pela gestante no período da gravidez.

consumo de álcool ou, pela sensação de relaxamento proveniente do consumo em excesso de álcool. 260

Conforme já explanado, é uma substância que atrai quando consumida moderadamente por seu efeitos benéficos, como redução de problemas cardiovasculares, torna o agente mais sociável, sendo reversível os malefícios do álcool quando suas alterações patológicas durante o consumo moderado. 261

Em contrapartida, as pessoas que consomem bebidas alcoólicas de forma excessiva ao longo de certo tempo podem vir a desenvolver dependência do álcool, uma condição conhecida como alcoolismo, tão freqüente que atinge cerca de cinco a dez por cento da população brasileira adulta. 262

A dependência alcoólica, ou alcoolismo, é uma necessidade psicológica e/ou física ao álcool. Também pode ser conhecida como habituação ou uso compulsivo. Deste modo, quando do uso continuado de álcool, representa mais para o usuário que os problemas advindos por tal uso, podemos dizer que a pessoa está abusando do álcool, ou seja, está dependente. Em contraponto, a tolerância aumenta ao álcool, havendo assim necessidade de doses cada vez maiores para atingir os mesmos efeitos. 263

A evolução conceitual da dependência do álcool tem grande influência de Bowman e Jelinek, que objetivaram identificar os tipos puros de alcoólatras. 264

Jellinek por exemplo, em seus estudos, propôs a expressão “alcoolismo”

como equivalente à adição de álcool em troca da expressão “alcoolismo crônico”.

Defendeu que só poderia ser considerado o alcoolismo como doença, ao se verificar a conjunção da tolerância, abstinência e perda do controle ou inabilidade de abster-se. 265

Embora se tenha conhecimento da diferença da terminologia alcoólatra e alcoolista, não se conseguiu, durante a elaboração deste trabalho, bibliografia capaz de distingui-las, portanto, serão consideradas sinônimas.

260 REHFELDT, Klaus H. G., Álcool e Trabalho: prevenção e administração do alcoolismo na empresa.

1989. p. 3.

261 SCHUCKIT, Marc. Abuso de álcool e drogas. 1991. p.80/81.

262 INCA. Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos não Transmissíveis. Brasil, 15 capitais e Distrito Federal 2002–2003., Consumo de Álcool.,Disponível em: <http://www.inca.gov.br/inquerito/docs/consumoalcool.pdf> Acesso em: 02 setembro 2007

263 SCHUCKIT, Marc. Abuso de álcool e drogas. 1991. p.24.

264 MARTINS, Adalberto. A Embriaguez no Direito do Trabalho. 1999. p.18.

265 LARANJEIRA, Ronaldo. Manual da psiquiatria. 1996. p.83/85.

Ressalta ainda Marc A. Schuckit que o alcoolismo é um problema que atinge todas as camadas sociais, idades, religiões, sexo, raça independente da parte do mundo que se encontre. O alcoolista usual, tem períodos de abstinências ou, de pouco consumo de álcool, com períodos de elevado consumo. 266

Já quanto à definição médica, este é tido como: “consumo compulsivo de bebidas alcoólicas em excesso”, consideradas como uma patologia crônica comportamental e fisiológica. Isso transforma a necessidade do álcool, algo anormal aos padrões sociais, que afeta a saúde mental e física. Tendo o alcoolismo como causa. Tornando deste modo, vários fatores que, em conjunto, ou indistintamente, provocam o vício, tais como os biológicos, patológicos, psicológicos, sociais e existenciais.267

Deste modo, no âmbito jurídico trabalhista, Adalberto Martins vem a informar que a embriaguez patológica é uma forma de intoxicação alcoólica aguda, causada por grande concentração de álcool no sangue. Que favorecida por lesões celebrais anteriormente existentes e até por problemas epiléticos ou psicopatia. Pode deste modo ter a embriaguez patológica ter uma breve duração quando for consumida pouca quantidade de álcool, mas tem como conseqüências desde “(...)excitação eufórica até o estupor do coma alcoólico.” 268

3.4 A ETIOLOGIA DO ALCOOLISMO

A “teoria dos fatores biológicos” esclarece que apesar indícios hereditários que possam levar uma pessoa ao alcoolismo, não há prova científica suficiente de que o alcoolismo seja um fator hereditário.269 No entanto, outros estudos refutam esta teoria demonstrando que há uma alteração geneticamente influenciada como uma taxa de herança, ou seja, é similar à chance de herdar a diabete ou úlcera.270

266 SCHUCKIT, Marc. Abuso de álcool e drogas. 1991. p.90.

267 CLARET, Martin. O que você deve saber sobre ALCOOLISMO. 2001. p. 25.

268 MARTINS, Adalberto. A Embriaguez no Direito do Trabalho. 1999. p.25.

269 CLARET, Martin. O que você deve saber sobre ALCOOLISMO. 2001. p. 25.

270 SCHUCKIT, Marc. Abuso de álcool e drogas. 1991. p.93.

Quanto à “teoria dos fatores patológicos”, esta tem influência direta na capacidade de tolerância do organismo ao consumo contumaz, acostumando-se e adaptando ao seu consumo. 271

Já no que tange à “teoria dos fatores psicológicos”, sabe-se em estudos recentes que não existe uma personalidade característica dos alcoólatras. Alguns fatores que levam uma pessoa a beber não têm nenhuma influência sobre outras pessoas. Os fatores psicológicos intensificam os danos psicológicos pelo uso do álcool, e, em muitos casos sobrepondo-se a eles, ao contrário de resolvê-los. 272

Ao que concerne à “teoria dos fatores sociais e culturais”, podemos descartar este último, visto que nenhuma observação semelhante de uma sociedade é generalizada nas outras, sendo neste caso somente um “enfoque heurístico273”, pois o alcoolismo em cada cultura pode ter um fator determinante.

274

Quanto ao fator social, é notável que a pobreza é um fator determinante para o abuso de álcool, visto que em sociedades industriais, o consumo de álcool pelos pobres, subempregados e desempregados é exacerbado se comparado com o consumo dos ricos e os de classe média. O consumo, neste caso, é proveniente da necessidade de fuga de problemas ou ainda denominada como

“forma anestésica moral” para suportar o bem-estar que não consegue atingir em suas condições reconhecidas, subumanas. As competições sociais que levam muitos ao stress para manter o emprego, ansiedade do sucesso, frustrações são também motivos para o consumo do álcool em excesso, apesar de provado que se o problema gerou o consumo do álcool, não será por ele resolvido, podendo, no máximo, atenuar momentaneamente ou ainda, agravar por suas conseqüências. 275

O aprendizado ou a imitação dos outros, apelos de propagandas e outros fatores de tão rara relevância, levam pessoas a consumir álcool e conseqüentemente ao alcoolismo. O uso em rituais, nas festas e reuniões sociais, o uso do álcool é sinônimo de confraternização. A embriaguez torna-se um apelo

271 CLARET, Martin. O que você deve saber sobre ALCOOLISMO. 2001. p. 26.

272 CLARET, Martin. O que você deve saber sobre ALCOOLISMO. 2001. p. 26.

273 Relativo à heurística; designativo do processo pedagógico que leva o aluno a descobrir a verdade, por si próprio.

274 SCHUCKIT, Marc. Abuso de álcool e drogas. 1991. p.93/94.

275 CLARET, Martin. O que você deve saber sobre ALCOOLISMO. 2001. p. 28.