5.2 Ferramenta de Planejamento de Serviços
5.2.2 Discretização, Divisão e Classificação do Ambiente Estudado
Para o desenvolvimento do modelo, em (GOMES, 2018) , dividiu-se o mapa da UFPA em quadrados cujos lados medem 50 m. A discretização do cenário foi necessária para trabalhar de maneira matricial a posição dos pontos de medição e do(s) transmis- sor(es).
Nesta tese, visando o refinamento da metodologia proposta por (GOMES, 2018) , foi adicionada uma linha divisória (meridiano), representando uma divisão informal exis- tente no território da UFPA em Belém. Por razões históricas, a comunidade acadêmica do referido campus se localiza a partir das divisões em “campus básico” e “campus pro- fissional”. Geograficamente, esta divisão se dá pelo igarapé Tucunduba, que deságua no Rio Guamá, do qual a UFPA compõe a orla. Neste trabalho, inspirado nesta divisão in- formal, traçou-se um meridiano que reparte, de forma aproximada, o território do campus
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em “básico” e “profissional”. Em termos de influência no resultado deste trabalho, esta divisão foi acompanhada de um critério importantíssimo: o de que não poderia haver mais de uma ERB em um mesmo lado do campus. Isto é, tem-se apenas uma torre em cada um dos lados. Em comparação com (GOMES, 2018) , esta outra contribuição reduziu significativamente o tempo gasto com o processamento dos códigos de computador.
A Fig. 5a mostra uma imagem de satélite onde o território da UFPA e adjacências estão devidamente demarcados e divididos segundo a malha de discretização deste tra- balho. A Fig. 5b mostra a área efetivamente considerada neste estudo, delimitada pelas diagonais de corte (retas na cor magenta) e o um meridiano (linha vermelha) de divisão informal da UFPA, a torre transmissora (círculo vermelho), os locais de medição (quadra- dos azuis) em 2100 MHz e 2600 MHz e locais candidatos para as novas torres (triângulos amarelos).
(a) (b)
Figura 5 – a) Território da UFPA e adjacências e b) Pontos medidos e locais candidatos na UFPA.
O tamanho do lado do quadrado da malha pode ser alterado, contudo se for muito grande, a precisão pode ser prejudicada, e se for muito pequeno, pode implicar na inviabili- dade do modelo, em termos de custo computacional na etapa de classificação das posições.
Para reduzir o número de quadrados analisados desnecessariamente, foram traçadas duas diagonais de corte, reduzindo a área efetivamente analisada pelo modelo proposto e o esforço computacional.
A área entre as diagonais possui um total de 652 quadrados. Cada um dos quadra- dos recebeu uma denominação, dependendo do tipo de ambiente nele contido. São eles:
1) Descampado, geralmente ruas, áreas de vegetação rasteira ou sem vegetação; 2) Arbo- rização, caracterizado por densas áreas verdes; 3) Edificação, caracterizado pelos prédios
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e estruturas de alvenaria; 4) Arborização + Edificação, combinação dos ambientes 1) e 2). Como a unidade da malha quadriculada possui 50 m de lado, existem quadrados que, efetivamente, possuem mais de uma característica. Este é um dos aspectos passíveis de refinamento da metodologia proposta. A Fig. 6 ilustra a tipificação do ambiente adotada neste estudo.
Figura 6 – Mapa de coloração conforme os atributos.
Os atributos listados podem ser alterados, já que o modelo de conhecimento per- mite a inserção de outras classificações ou a substituição das existentes. Contudo, inserir muitos atributos aumenta a incerteza dos cálculos.
A inserção dos valores dos atributos foi feita de maneira manual, isto é, na matriz de posição foram inseridas as informações sobre os 652 quadrados, um a um. A tipificação do ambiente foi feita de maneira visual, a partir da foto aérea. Logo, é possível que diferentes pessoas analisem e classifiquem um quadrado de diferentes formas. Ainda assim, possíveis diferenças no que tange a classificação dos quadrados, nos termos propostos neste momento, dificilmente deve diferir significativamente do resultado aqui exibido.
Além da divisão do território da UFPA em duas partes meridionais, um critério de prioridade de ambiente, baseado na tipificação ilustrada na Figura 5.4 e explicada anteriormente, foi adicionado. Deste modo, o objetivo da ferramenta proposta deixa de ser apenas obter a máxima cobertura em toda a área da UFPA e torna-se a obtenção da maior cobertura nos locais mais importantes, isto é, tem-se um objetivo múltiplo para ser alcançado nos resultados aqui exibidos.
O critério de prioridade adotado leva em consideração, basicamente, o tipo de terreno determinado para cada quadrado da malha. Contudo, a tipificação dos quadrados
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vizinhos também influencia na importância de um determinado quadrado. Neste trabalho, considera-se como vizinhança os quadrados vizinhos nas direções cardinais: norte (N), sul (S), leste (L) e oeste (O), como ilustrado na Fig. 7a. Isto é, considerando uma malha de 5 quadrados, para saber o valor do critério de prioridade do quadrado central (ponto P), necessita-se saber o tipo de terreno de cada um dos 4 quadrados que o circundam. Cada tipo de terreno tem associado a si um valor de importância. Estes valores são exibidos na Tabela 4.
Tabela 4 – Valor de importância de cada tipo de terreno.
Tipo de Terreno Valor de importância
1 - Descampado 3
2 - Arborização 4
3 - Edificações 10
4 - Edificações + arborização 8
A partir destes valores, toma-se nota dos tipos de terreno e valor de importância dos 4 quadrados adjacentes (conforme Tabela 4) e soma-se todos estes valores individuais de importância. Esta soma é considerada o valor de prioridade do quadrado analisado.
Por exemplo (ver Fig. 7b), um quadrado cercado por 4 vizinhos do tipo 3 (edificações), tem um valor de importância de 40, o máximo permitido pelos valores aqui adotados.
A valoração de importância de cada tipo de terreno pode ser alterada, de acordo com a necessidade do projeto.
(a) (b)
Figura 7 – a)Pontos vizinhos considerados para cálculo da importância e b)Ilustração com exemplo sobre cálculo da importância.
Este procedimento é replicado para todos os quadrados da malha, na geração do gráfico de importância do terreno, mostrado na Fig. 8.
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Figura 8 – Gráfico de Importância do território da UFPA. Cores mais quentes (amarelo e afins) indicam regiões mais importantes.
Nota-se, ao comparar com as figuras oriundas de fotos de satélite, que as principais zonas povoadas do território da UFPA, notavelmente o lado “básico” e os pavilhões de aula e laboratórios na região do “profissional” destacam-se como zonas importantes.