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5.5. Discussão de resultados

172 do dia, que permitiram perceber a dinâmica da área de estudo no que respeita aos seus principais utilizadores. Tais procedimentos contribuíram para validar os resultados obtidos.

Resumindo, da análise da figura 5.28 destacam-se três hotspots de vulnerabilidade:

i) quatro subsecções situadas na parte norte da Baixa Pombalina (que correspondem à Praça do Rossio, à Praça da Figueira e a duas subsecções entre estas praças no limite norte), áreas identificadas como sendo bastante afetadas por inundações urbanas, e

ii) nove subsecções na parte central influenciadas por inundações urbanas e possuindo níveis elevados de falta de capacidade adaptativa;

iii) nove subsecções localizadas na parte sul, três das quais confinantes com o Estuário do Tejo, que podem ser afectadas pelos dois fenómenos em análise, subida do nível médio das águas do mar e inundações urbanas.

Estas áreas deverão ser pormenorizadamente analisadas aquando da elaboração de propostas de opções de adaptação a integrar no Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina.

173 acerca dos impactos das alterações climáticos condicionar a sua atuação. Por seu lado, o número de postos de trabalho associado aos estabelecimentos comerciais é elevado, o que denota o dinamismo económico deste território e uma maior capacidade financeira para lidar e recuperar de um evento meteorológico extremo.

Uma vez que o mapa do índice compósito de vulnerabilidade poderá ocultar aspetos específicos importantes, os resultados deverão ser analisados separadamente para cada uma das componentes da vulnerabilidade de forma a evitar uma má interpretação dos mesmos. Trata-se da primeira tentativa para mapear, na Baixa Pombalina e ao nível da subsecção estatística, a vulnerabilidade atual e as respetivas componentes aos impactos expectáveis da subida do nível médio das águas do mar e da ocorrência de inundações urbanas. Considera-se que os resultados deste estudo constituirão um ponto de partida para análises e discussões futuras acerca da vulnerabilidade da Baixa Pombalina, uma zona histórica incluída no Conjunto de Interesse Público da Lisboa Pombalina e que faz parte integrante da Lista Indicativa de Portugal ao Património Mundial apresentada em maio de 2016.

Na elaboração da análise de vulnerabilidade foi encontrada uma barreira que importa destacar para melhor caracterizar as componentes sensibilidade e capacidade adaptativa, nomeadamente a falta de dados socioeconómicos desagregados ao nível da subsecção estatística. Verificou-se ainda a existência de limitações institucionais, por parte do município e de outros organismos da administração central, para fornecer dados de caracterização física e socioeconómica (por exemplo, rendimento) a uma escala espacial detalhada como a subsecção estatística. Assim sendo, recomenda-se que sejam desenvolvidos esforços por parte das entidades competentes, designadamente o município, no sentido de recolher outros dados socioeconómicos, como o rendimento per capita, a faturação anual por estabelecimento comercial ou hoteleiro e o nível de consciencialização dos utilizadores acerca dos impactos das alterações climáticas, à escala da subsecção estatística, a fim de diminuir a incerteza na conceção e operacionalização das opções de adaptação.

Por último, refira-se que os resultados obtidos contribuirão para informar a tomada de decisão no estabelecimento de prioridades, em termos da definição e implementação de opções de adaptação aos eventos climáticos, a integrar em planos municipais de ordenamento do território, conforme será discutido no capítulo 6. As opções de adaptação serão escolhidas tendo por base os hotspots de vulnerabilidade e os resultados do mapeamento individual de cada indicador, uma vez que estes últimos dados permitem identificar os aspetos mais críticos encontrados nestas áreas. A título de exemplo, menciona-se o hotspot iii) que inclui nove secções, das quais três subsecções confinantes com o Estuário do Tejo apresentam uma sensibilidade física elevada em termos de mobilidade.

Nessa sequência, deverá ser dada especial atenção a estas unidades espaciais de forma a serem selecionadas opções de adaptação que contribuam para aumentar a sua resiliência aquando de um evento meteorológico extremo, evitando que ligações viárias e rede de transportes públicos sejam afetadas.

No futuro, o exercício de mapeamento de hotspots de vulnerabilidade deverá ser realizado com periodicidade, por exemplo, sempre que seja apresentado um relatório de estado do ordenamento do

174 território, por parte do governo local, uma vez que a vulnerabilidade varia ao longo do tempo, dependendo grandemente das medidas de adaptação implementadas. A divulgação dos resultados obtidos contribuirá para aumentar a consciência da população acerca dos impactos das alterações climáticas e da importância do seu envolvimento a fim de promover a capacidade adaptativa no território em causa.

175 6. PROMOÇÃO DA CAPACIDADE ADAPTATIVA NA BAIXA POMBALINA

A área de incidência do Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina (PPSBP) encontra- se integrada no Conjunto de Interesse Público da Lisboa Pombalina, conforme foi referido no capítulo 5. Esta área do PPSBP inclui ainda outro conjunto classificado, a Praça do Comércio, e vários edifícios isolados igualmente classificados. Mais recentemente, a 30 de maio de 2016, a Comissão Nacional da UNESCO concluiu o processo de atualização da Lista Indicativa de Portugal ao Património Mundial, da qual faz parte a Baixa Pombalina de Lisboa. Um relatório conjunto da UNESCO, da Union of Concerned Scientists e do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP, na sigla em inglês), publicado em 2016, recomenda aprofundar o conhecimento acerca da exposição e da sensibilidade às alterações climáticas (AC) dos locais de valor universal excecional, classificados como Património Mundial e a incorporação de opções de adaptação nos documentos estratégicos elaborados para locais especialmente vulneráveis a impactos decorrentes das AC (UNESCO et al., 2016). Demonstra-se assim a necessidade urgente de compreender, monitorizar e responder aos impactos mais significativos das AC a que está exposta a Baixa Pombalina de Lisboa, visto que podem constituir fortes ameaças para o desenvolvimento de um local que pretende ser classificado como Património Mundial.

Importa ainda referir que, face às características deste património cultural classificado, os especialistas da Câmara Municipal de Lisboa, com responsabilidades na área de estudo, quando confrontados com propostas de opções de adaptação para a Baixa Pombalina que possam alterar de alguma forma o desenho do edificado ou que preconizem a adoção de materiais de construção que comprometam de algum modo as suas características arquitetónicas, mostraram em geral resistência à sua aceitação. Deste modo, as opções a adotar, para aumentar a resiliência deste território aos impactos das AC analisados, deverão ser ponderadas atendendo à natureza inamovível deste património e à necessidade da sua preservação ao máximo. Note-se que apesar de ser possível deslocalizar património cultural, esta ação tem impactos globais muito negativos no valor do local.

Tais problemas já foram identificados em estudos realizados pela UNESCO sobre AC e património mundial classificado, que defendem que as respostas de adaptação deverão incluir a monitorização e/ou investigação dos impactos presentes e futuros das AC, por parte das entidades com jurisdição nestas áreas e vertidas nos planos municipais em vigor, tendo em vista o aumento da resiliência do local (Colette, 2007).

Este capítulo do trabalho de investigação, para além das notas introdutórias, é constituído por três partes. Na primeira parte são referidos os instrumentos de gestão territorial existentes à escala regional e municipal com incidência na Baixa Pombalina, focadas as normas previstas no Regulamento do Plano Diretor Municipal de Lisboa, tendo em vista minimizar os impactos das AC resultantes da SNM e de inundações urbanas, bem como as medidas de adaptação constantes neste plano municipal. No ponto 6.2 é descrita a metodologia usada para a integração de opções de adaptação em planos municipais e, por último, em 6.3, são elencados exemplos de propostas de

176 opções de adaptação a incorporar no PPSBP, tendo por base a análise de vulnerabilidade realizada no capítulo 5. Apresentam-se ainda os resultados obtidos na sequência da realização de uma sessão de trabalho, dirigida a um grupo de especialistas, pertencente à Câmara Municipal de Lisboa – Departamento de Planeamento e Divisão de Proteção Civil – Serviço Municipal de Proteção Civil, tendo em vista conhecer a sua posição sobre as opções de adaptação propostas.