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Nível 3 Reduzir a

4.2. Nível europeu: Estratégia Europeia de Adaptação às Alterações Climáticas

4.3.4. Programa Regional de Ordenamento do Território

101 Programa de Ação para o período 2014 – 2020. Em relação às AC é enfatizado o protagonismo que ganharam as políticas associadas à sua resposta após a publicação do PNPOT, propondo-se que seja reforçado o tratamento desta área de políticas públicas, nomeadamente a tradução territorial das medidas identificadas na ENAAC pelos vários setores. Assim sendo, o Programa de Ação do PNPOT deverá ser reorganizado no sentido de contemplar devidamente a ENAAC, em articulação com a resposta mitigação (DGT, 2014).

Na sequência desta avaliação, o Governo determinou o início dos trabalhos para a preparação de um novo Programa de Ação 2014 - 2020. Pretende-se com este novo programa consubstanciar a definição e a programação de uma Estratégia de Desenvolvimento Territorial para a aplicação dos fundos comunitários e nacionais, numa perspetiva de integração e territorialização das políticas públicas, constituindo assim o suporte estratégico e institucional para a concretização das novas Abordagens Integradas de Desenvolvimento Territorial previstas no Acordo de Parceria Portugal 202021 (DGT, 2014).

102 aplicação do programa e as suas alternativas razoáveis que tenham em conta os objetivos e o âmbito de aplicação territorial respetivos. Com efeito, dado que o RJIGT não é específico em relação à incorporação das questões relacionadas com os impactos das alterações climáticas nos PROT, considera-se que estas poderão ser abordadas no relatório ambiental.

Importa ainda mencionar que a elaboração deste relatório se encontra prevista no Decreto-Lei n.º 232/2007, de 15 de junho, que tornou obrigatório em Portugal o procedimento da avaliação ambiental de planos e programas, consagrando no ordenamento jurídico nacional os requisitos legais europeus estabelecidos pela Diretiva n.º 2001/42/CE, de 25 de junho.

Tabela 4.14. Relatório do programa regional de ordenamento do território - conteúdos

i) A avaliação das dinâmicas territoriais, nomeadamente a evolução do uso, transformação e ocupação do solo, as dinâmicas demográficas, a estrutura de povoamento e as perspetivas de desenvolvimento económico, social e cultural da região;

ii) Definição de unidades de paisagem;

iii) Análises à estrutura regional de proteção e valorização ambiental;

iv) Identificação dos espaços agrícolas, florestais e pecuários relevantes para a estratégia regional de desenvolvimento rural;

v) Representação das redes de acessibilidades e de equipamentos;

vi) Programa de execução incluindo disposições indicativas acerca da realização das obras públicas a executar na região, a curto ou a médio prazo, indicando as entidades responsáveis pela sua concretização;

vii) Identificação das fontes de financiamento e estimativa de custos, especialmente dos programas operacionais e setoriais.

Fonte: adaptado do art. 55º do RJIGT

O Decreto-Lei n.º 232/2007, de 17 de junho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 58/2011, de 4 de maio, assegura ainda a aplicação da Convenção de Aarhus, de 25 de junho de 1998, transpondo para a ordem jurídica interna a Diretiva n.º 2003/35/CE, de 26 de maio, que estabelece a participação do público na elaboração de planos e programas relativos ao ambiente, tendo em conta o Protocolo de Kiev da CEE/ONU, aprovado em 2003, relativo à avaliação ambiental estratégica num contexto transfronteiriço.

Conforme foi referido no preâmbulo do Decreto-Lei n.º 232/2007, de 17 de Junho, na sua atual redação, a preparação de um relatório ambiental por parte da entidade responsável pela conceção do plano ou programa não deve constituir uma descrição final da situação ambiental, mas sim uma análise inicial de base a todo o procedimento de elaboração e cujo conteúdo deve ser tido em consideração na redação da versão final desse plano ou programa. De acordo com o art. 6º deste diploma, o relatório ambiental deverá incluir os elementos constantes na tabela 4.15.

Verifica-se assim que a legislação sobre os PROT apenas refere a adaptação às AC de forma indireta e em geral quando são enumerados objetivos mais genéricos que contemplam a proteção e preservação do ambiente. Os PROT apresentam o quadro estratégico a desenvolver pelos planos municipais (n.º 1 do art. 27º do RJIGT), pelo que cada município deverá incluir, no seu Plano Diretor

103 Municipal (PDM), a relação entre este plano e a estratégia de crescimento regional prevista no programa regional respetivo, bem como a forma como o PDM irá integrar a estratégia regional ao longo do tempo.

Tabela 4.15. Elementos constituintes do Relatório Ambiental de planos ou programas

a) Uma descrição geral do conteúdo, dos principais objetivos do plano ou programa e das suas relações com outros planos ou programas

b) As características ambientais das zonas suscetíveis de serem significativamente afetadas, os aspetos relevantes acerca do estado atual do ambiente e a sua provável evolução se não for aplicado o plano ou programa

c) Os problemas ambientais pertinentes para o plano ou programa, incluindo, em concreto, os que se referem a todas as zonas de especial importância ambiental, nomeadamente as abrangidas pelo Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de abril, na sua atual redação

d) Os objetivos de proteção ambiental estabelecidos a nível internacional, comunitário ou nacional que sejam relevantes para o plano ou programa e a forma como estes objetivos e todas as outras questões ambientais foram considerados durante a sua preparação

e) Os possíveis efeitos significativos no ambiente na sequência da aplicação do plano ou programa, incluindo os efeitos secundários, cumulativos, sinergéticos, de curto, médio e longo prazos, permanentes e temporários, positivos e negativos, abrangendo aspetos como a biodiversidade, a população, a saúde humana, a fauna, a flora, o solo, a água, a atmosfera, os fatores climáticos, os bens materiais, o património cultural (património arquitetónico e arqueológico), a paisagem e a inter-relação entre os condicionantes supracitados

f) As medidas que visam prevenir, reduzir e, na medida do possível, eliminar quaisquer efeitos adversos significativos no ambiente, após a aplicação do plano ou programa

g) Um resumo dos motivos que fundamentam as alternativas escolhidas e uma descrição do modo como se procedeu à avaliação, incluindo todas as dificuldades percecionadas durante a recolha das informações

h) Uma exposição enumerando as medidas de controlo previstas no art. 11º deste diploma i) Um resumo não técnico das informações citadas nas alíneas anteriores

Fonte: art. 6º Decreto-Lei n.º 232/2007, de 17 de Junho, na sua atual redação

Na tabela 4.16 constam os PROT em vigor nas diferentes regiões de Portugal Continental, assim como os seus diplomas legais e datas de publicação. Acresce referir que, nos termos do art. 200º do RGIT, os planos regionais deverão ser reconduzidos à figura de programas regionais até 13 de julho de 2017. Note-se que a cidade de Lisboa se encontra abrangida pelo Plano Regional de Ordenamento da Área Metropolitana de Lisboa (PROT AML), publicado em 2002, que será abordado no subcapítulo 6.1.

104

Tabela 4.16. Planos Regionais de Ordenamento do Território (PROT) em vigor Região Designação Publicação em Diário da

República Data da publicação

Algarve PROT ALGARVE Resolução do Conselho de

Ministros n.º 102/2007 (revisão)

Resolução do Conselho de Ministros n.º 188/2007 (1ª

alteração)

03 de agosto de 2007

28 de dezembro de 2007

Alentejo PROTA Resolução do Conselho de

Ministros n.º 53/2010 Declaração de Retificação

n.º 30-A/2010

02 de agosto de 2010 01 de Setembro de 2010

Lisboa e Vale do Tejo

PROT Área Metropolitana de Lisboa

Resolução do Conselho de Ministros n.º 68/2002

08 de abril 2002

PROT Oeste e Vale do Tejo

Resolução do Conselho de Ministros n.º 64-A/2009 Declaração de Retificação

n.º 71-A/2009

06 de Agosto de 2009 02 de outubro de 2009

Centro

PROZAG (PROT para a Zona Envolvente das Barragens da Aguieira, Coiço e Fronhas)

Decreto Regulamentar n.º 22/92

25 de setembro de 1992

Norte PROZED (PROT para a

Zona Envolvente do Douro)

Decreto Regulamentar n.º 60/91

21 de novembro de 1991

Fonte: http://www.dgterritorio.pt/sistemas_de_informacao/snit/igt_em_vigor__snit_/acesso_simples/

(acedido no dia 21 de junho de 2016) 4.4. Nível municipal

De acordo com a Lei de Bases Gerais da Política Pública de Solos, de Ordenamento do Território e de Urbanismo (art. 43º da Lei n.º 31/2014, de 30 de maio), os planos territoriais de âmbito municipal definem o regime de uso do solo e a respetiva execução. Os Planos Municipais de Ordenamento do Território (PMOT) são instrumentos da política de ordenamento do território e variam em função da área e sobretudo da escala de intervenção. Os PMOT incluem o plano diretor municipal (PDM), o plano de urbanização (PU) e o plano de pormenor (PP), sendo que cada um destes planos é constituído pelos respetivos conteúdos documental e material. O PDM consiste num instrumento de planeamento da ocupação, uso e transformação do território concelhio e de programação das ações e dos investimentos municipais. O PDM é de elaboração obrigatória e estabelece um modelo da estrutura espacial do território do município em causa, constitui uma síntese estratégica do desenvolvimento e ordenamento local, integrando as opções de desenvolvimento nacional e regional.

Trata-se do instrumento de referência para a elaboração dos demais planos municipais.

Importa ainda nesta fase focar o PP, visto que a área escolhida para estudo de caso no âmbito desta dissertação se encontra abrangida pelo Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina (PPSBP). Refira-se que este instrumento desenvolve e concretiza o PDM, descrevendo pormenorizadamente a implantação e volumetria das edificações, a forma e organização dos espaços

105 de utilização coletiva e o traçado das infraestruturas (n.º 5 do art. 43º da Lei n.º 31/2014, de 30 de maio). Resumindo, pode afirmar-se que o PDM é um instrumento de caráter geral de ordenamento do território do município, enquanto os PU e PP são essencialmente instrumentos de execução, especificando o modo como serão atingidos os objetivos definidos no PDM.

O novo Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão do Território (RJIGT), publicado pelo Decreto- Lei n.º 80/2015, de 14 de maio, introduziu uma maior flexibilidade no planeamento territorial ao nível municipal, na medida em que permite uma transformação do uso do solo mais célere e adaptada às necessidades de cada período económico, através da promoção de procedimentos mais flexíveis de alteração e revisão dos planos. Ao mesmo tempo, os processos de revisão dos planos municipais passaram a depender dos resultados da sua execução, e.g., da sua monitorização e avaliação no âmbito do relatório de estado do ordenamento do território ou outro relatório elaborado para o efeito, pela câmara municipal, de quatro em quatro anos.

Nas relações entre os planos municipais, assim como na relação entre estes e os programas territoriais de âmbito regional, o RJIGT apenas obriga a um compromisso recíproco de compatibilização, tendo em conta as escalas em que os vários planos e programas operam e os objetivos de cada um. O dever de compatibilidade entre os planos não impede que outros planos municipais não possam dispor ao contrário do que dispõe um PDM, mas obriga a regras de boa administração que requerem o respeito da adequação funcional dos planos de âmbito territorial mais restrito relativamente aos planos que incluem um território mais vasto. Na relação entre os diferentes níveis de planeamento, o RJIGT em vigor prevê assim um princípio de prevalência cronológica uniforme, com a obrigação de atualização e adaptação dos instrumentos anteriores.

No contexto nacional, merece referência o projeto ClimAdaPT.Local, coordenado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), no âmbito do qual foi divulgado em setembro de 2015 um “Manual para Integração das Opções de Adaptação nos Instrumentos de Gestão Territorial de Âmbito Municipal” (Barroso et al., 2015). A metodologia proposta neste manual para a incorporação da adaptação nos IGT é constituída essencialmente por quatro tarefas que se encontram descritas na tabela 4.17.

Tabela 4.17. Metodologia para integração de opções de adaptação nos planos municipais de ordenamento de território

Tarefa 1 Analisar e avaliar as opções de adaptação identificadas para o município em causa

Tarefa 2 Caracterização dos instrumentos de gestão territorial (IGT) de âmbito municipal em vigor no concelho

Tarefa 3 Definição dos IGT de âmbito local mais adequados para integrar as opções de adaptação em análise e forma de transposição

Tarefa 4 Elaboração de uma matriz de princípios, diretrizes e normas orientadoras para incorporar as opções de adaptação nos IGT de âmbito municipal

Fonte: Adaptado de Barroso et al. (2015)

O objetivo final deste processo é obter um conjunto de fichas síntese com orientações para integração das opções de adaptação por tipologia de plano municipal de ordenamento do território.

106 Note-se que no projeto ClimAdaPT.Local participam 26 municípios portugueses que pretendem desenvolver uma estratégia municipal de adaptação às AC e promover a sua integração nas ferramentas de planeamento municipal. Este projeto é de grande relevância, não só para os municípios envolvidos mas também porque a disseminação dos seus resultados poderá alavancar iniciativas de outros municípios, no sentido de passarem a incorporar a adaptação às AC nos IGT à escala local, uma vez que esta integração não é obrigatória nos termos da legislação em vigor.

De acordo com Barroso et al., (2015) através do ordenamento do território à escala municipal é possível promover a adaptação às alterações climáticas (AC), recorrendo a diversas formas de intervenção conforme se apresenta na tabela 4.18.

Tabela 4.18. Formas de intervenção para promover a adaptação às alterações climáticas através do ordenamento do território à escala local

Formas de intervenção

Estratégica Elaborando cenários futuros de desenvolvimento territorial; concebendo novos princípios de uso e ocupação do solo; definindo orientações no que respeita à localização de edificações e infraestruturas, usos, morfologias e formas de organização do território; fazendo benchmarking de boas práticas

Regulamentar Através da definição das disposições de natureza legal e regulamentar no que concerne ao uso e ocupação do solo e às formas de edificação

Operacional Estabelecendo disposições acerca das intervenções consideradas prioritárias, elaborando os projetos em função da exposição e sensibilidade do território às AC e definindo o plano de financiamento dos investimentos públicos tendo em vista a qualificação, valorização e proteção territorial

Governança de base territorial

Promovendo a participação dos serviços da administração local, central e regional bem como de parceiros chave da sociedade; articulando a troca de experiências e conhecimento; fomentando a coordenação vertical e horizontal de diferentes políticas com incidência num mesmo território; promovendo a capacitação e a consciencialização de técnicos, decisores e cidadãos

Fonte: Adaptado de Barroso et al. (2015)

Nos pontos 4.4.1 e 4.4.2 deste subcapítulo são resumidos e comparados os principais aspetos dos conteúdos materiais e documentais dos planos municipais relevantes para este estudo: PDM e PP.

De seguida, são focadas as estratégias face às alterações climáticas de dois municípios portugueses que consideram a adaptação às AC, dando-se especial ênfase às opções de adaptação contidas nestas estratégias para fazer face aos impactos decorrentes da subida do nível médio das águas do mar e da ocorrência de inundações urbanas.