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Discussão e Conclusão

No documento REVISTA HISPECI & LEMA (páginas 102-105)

RISK INFANTS

4. Discussão e Conclusão

Os resultados deste estudo foram obtidos por meio de avaliações dos bebês nos primeiros quatro meses de idade (120 dias) e reavaliados aos 180 dias. Comparando-os com bebês que a literatura considera normal (Pinto et al., 1997;

Funayama, 1996; Diament, 1996), foi possível detectar sinais sugestivos de alterações no desenvolvimento neuro-sensório- motor através da qualidade das respostas observadas na avaliação dos reflexos primitivos e reações posturais nos primeiros quatro meses de idade.

Os resultados obtidos na análise dos dados peri e pós-natal parecem corroborar com os dados descritos na literatura, onde Sweeney e Swanson (1994) estimam que cerca de 25 a 29% dos bebês que requerem assistência neonatal intensiva são considerados de risco, sujeitos a um comprometimento neurológico ou retardo no desenvolvimento. Cioni e colaboradores (1997) em estudos realizados estimaram que 5 a 15% das crianças prematuras com peso inferior a 1500 gramas mostraram anormalidades neurológicas severas, e 25 a 50% apresentaram distúrbios cognitivos e comportamentais, servindo assim de alerta para possíveis sinais de alterações no desenvolvimento neuro- sensório-motor desses bebês. No estudo proposto, verificou- se, que aos 180 dias, 73% dos bebês avaliados, com mais de um critério de risco pré e perinatal, apresentaram sinais indicativos de risco para alteração no desenvolvimento neuro- sensório-motor. Entretanto, a literatura considera muitos desses sinais, como sendo transitórios, ou ainda, vê a necessidade de se fazer a idade corrigida para as crianças prematuras. No entanto, o estudo objetivou detectar possíveis sinais de alterações, buscando-se encaminhar esse bebê, o mais precocemente possível, para uma intervenção, visando minimizar possíveis alterações futuras, favorecendo a aquisição de padrões de movimentos adequados, ou até mesmo, fazer um acompanhamento mais minucioso dessa criança.

Tudella (1989) e Levitt (1982) salientam que os sinais de retardo motor são seguidos pelo aparecimento de padrões anormais de postura e de movimento, em associação ao tônus postural anormal, levando assim a um retardo na aquisição dos mecanismos de equilíbrio postural. Molnar (1979) considera que o atraso nas atividades dos reflexos primitivos ao nascimento e na infância é decorrente da imaturidade do sistema nervoso central.

Corroborando esses resultados, Tudella (1989) afirma que para o bebê adquirir as coordenações sensório- motoras primárias, é necessário preexistir uma fase reflexa e de movimentos espontâneos. A ação conjunta dessas fases proporciona à criança as primeiras imagens do movimento, permitindo a execução do movimento em resposta aos estímulos do meio ambiente.

Contudo, os resultados obtidos no estudo sinalizam que o bebê de risco apresenta sinais sugestivos de alterações neuro-sensório-motoras, devendo ser acompanhado minuciosamente por uma equipe interdisciplinar especializada.

E, apesar das considerações a respeito da variação na pontuação de risco observadas em cada categoria nas diferentes idades, pode-se sugerir que antes dos 4 meses de

idade (120 dias) é possível detectar estes sinais. É relevante salientar que o instrumento utilizado para a avaliação demonstrou alterações qualitativas antes dos 4 meses de idade, podendo assim facilitar a detecção precoce. A Figura 1 demonstra isso, ao se observar que aos 90 dias, houve uma marca divisória da apresentação dos reflexos e reações. Isso pode ser explicado devido aos 90 dias, ocorrer o desaparecimento de diversas atividades reflexas do bebê considerado normal, e intensificar o aparecimento de suas reações posturais. O Teste t-Student corrobora tais resultados, pois, aos 90 dias foi estatisticamente significativo (p<0,01), tanto para reflexos primitivos como para reações posturais.

Portanto, as categorias reflexos primitivos e reações posturais, apesar das controvérsias observadas na literatura, como por Prechtl (1990), podem sugerir riscos devendo ser avaliadas minuciosamente por médicos pediatras, neurologistas e fisioterapeutas. Entretanto, deve-se considerar todos os possíveis sinais e critérios de risco para o bebê, pois sabe-se, que um único sinal não é suficiente para classificar o risco do bebê, nem determinar possíveis alterações. Para tanto, maiores estudos deverão ser realizados.

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