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DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

No documento mariana vilela veiga - Univali (páginas 43-60)

acontece no nono período. A matéria de Metodologia científica é oferecida no segundo período e o Trabalho de Conclusão do Curso se dá próximo a conclusão do curso, no décimo segundo período. O fato de serem disciplinas com assuntos correlacionados serem oferecidas próximas umas as outras, facilita seu entendimento e sua aprendizagem, e, ao contrário com distanciamento o primeiro conteúdo fica perdido ou necessitando ser recapitulado.

Outro ponto importante a ser discutido é a ausência de conteúdo de algumas matérias como bioquímica e genética, relatado de forma veemente pelos alunos, mas que por algum motivo tiveram seu conteúdo negligenciado pelos professores da época, como também o excessivo conteúdo repetido de ética, que acontece em 8 semestres e que poderia ser reduzido.

O primeiro contato do aluno com o paciente acontece no quarto período do curso, na disciplina de Semiologia. A semiologia, também chamada de propedêutica é a matéria que ensina toda a anamnese (entrevista com o paciente) e o exame físico. Aqui o aluno deveria aprender a conversar com seu paciente, ouvir de forma qualificada suas queixas e angústias, entender o contexto social e psíquico do paciente. Após isso, compreender como fazer um exame físico adequado, que alterações poderá encontrar no exame, ou se está normal. Mas a semiologia, entendida como a matéria fundante da boa clínica, acontece em apenas um período da semana num semestre do curso, o que não é suficiente para abranger todo o conteúdo necessário.

A proposta do curso é dar apenas a semiologia geral, então cada especialidade oferece sua semiologia específica. Estamos novamente dividindo nosso paciente em pedaços, ignorando o todo. Em contrapartida, está nesta mesma matriz curricular quatro semestres de diagnóstico por imagem.

Temos, portanto, uma matriz que desvaloriza a clínica ampliada, a escuta qualificada, mas valoriza a solicitação de exames, encarecendo o sistema de saúde, formando médicos que para compensar sua baixa resolutividade solicitam exames muitas vezes desnecessários.

A segunda categoria analisada foi o modelo pedagógico, que também traz consigo várias denúncias. É importante ressaltar que a falha não está no método de ensino, e sim nas práticas pedagógicas, ou na ausência delas.

Os alunos claramente visualizam seus professores como bons profissionais, que conhecem o assunto que ministram em aula, mas reclamam da falta de formação pedagógica, ou seja, um bom profissional nem sempre é um bom professor. Urge a necessidade da formação pedagógica dos professores.

É importante também citar que o mesmo professor, visto como mau professor mas bom médico, está consolidando o currículo oculto, mostrando este desprezo pelo ensino, valorizando apenas as cirurgias, o consultório e o hospital. Este professor não procura uma formação pedagógica porque não vê nem valoriza a importância disto, e acaba reproduzindo isto para seus alunos, que serão, talvez, futuros professores desta mesma forma.

Outra denúncia que não pode ser ignorada é quanto a relação professor-aluno na disciplina de Anatomia. A relação professor-aluno é fundamental para o posterior relacionamento entre os pares, os alunos referem que essa relação é inexistente, ou definida por alguns como baseada em medo (chegaram a dizer que anatomia é terrorismo), o que vai totalmente contra a metodologia das Diretrizes, que busca desenvolver metodologias ativas de ensino-aprendizagem baseadas no aluno.

Ainda falando na metodologia proposta pelas diretrizes, a orientação pedagógica deve basear-se nas necessidades de saúde da população, nas doenças mais comuns, e não nas exceções. Faz-se necessário rever conteúdos muito especícos de especialidades, e focar no básico, no dia-a-dia. Um exemplo visível é a disciplina de neonatologia, um semestre inteiro de uma subespecialidade da pediatria, qual a necessidade de aprofundamento nesse conteúdo para um médico generalista?

Não podemos esquecer também da avaliação dos alunos, hoje baseada principalmente no conteúdo teórico, que não considera o comprometimento do aluno, sua iniciativa, sua autonomia, a capacidade de trabalhar em equipe, a atitude ética e a habilidade de aplicar conceitos científicos em situações concretas. É muito importante adequar a avaliação para tornar-se mais completa, para formar um médico mais completo, mais capaz. E, mesmo assim, ainda há queixas de avaliações e provas absurdas, fora do contexto da matéria em aula, ou seja, se o aluno será avaliado apenas pela prova teórica. Aí aparecem afirmações tais como

“que pelo menos ela seja boa”.

Outra categoria de análise que demonstra como o modelo pedagógico utilizado hoje não está sendo suficiente são as ligas acadêmicas. No curso de medicina da Universidade em estudo, há um número muito grande de ligas acadêmicas e ao analisarmos estas ligas vimos que muitas delas buscam um maior vínculo do aluno com a prática, o que pode diagnosticar a insatisfação dos alunos com os conteúdos abordados em sala de aula.

Quando realizamos a revisão bibliográfica da formação médica vimos que ela tem se afastado cada vez mais da premissa principal do médico, que é o cuidado com o paciente, por

isso realizamos duas perguntas dirigidas que geraram duas categorias distintas, o motivo de escolher a profissão de médico e a sua visão de futuro.

Na análise do motivo de escolher a medicina como profissão, a maioria dos alunos referiu ser a possibilidade de ajudar o próximo, de cuidar do paciente o que o instigou a fazer medicina, ou seja, o sonho realmente é o cuidado, é essa premissa que leva a maioria a buscar a profissão, o que condiz com a literatura, onde Carvalho Filho (2015) observou que a maioria dos estudantes opta pelo curso por aptidões pessoais e vocação.

Mas, quando analisamos sua visão de futuro, esse princípio de ajudar o próximo some dentro de especialidades clínicas ou cirúrgicas, seja em consultórios ou em hospitais.

Figueiredo (2014) constatou que os estudantes de Medicina tem uma expectativa negativa de que sua qualidade de vida piore ou continue no mesmo padrão que a faculdade quando ele analisa seu futuro, o que pode explicar a busca por especialidades com maior prestígio, e que apresentam ter uma qualidade de vida melhor.

Será que é o cadáver? O professor terrorista? As aulas sem didática e por professores desinteressados em ensinar? O fato de substituir uma boa conversa, uma boa relação médico paciente por uma tomografia? O currículo oculto? E, principalmente, cabe pensar, estamos falando apenas de uma universidade do sul do país ou de todo um ensino médico que necessita de mudanças para formar médicos diferentes?

A reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais e a mudança pela qual a Universidade está passando mostra que estamos mudando e que os alunos já percebem essa

“esperança” e, por outro lado, os alunos sabedores da mazelas do curso apresentam soluções, algumas com muita propriedade, que devem ser levadas em consideração pelos protagonistas da mudança curricular. Portanto sugerimos que eles sejam ouvidos. Assim, entendemos que a Universidade deve estimular um diálogo entre o professor e o aluno, com o objetivo de se planejar melhor a aula e qualificar a prática docente.

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APÊNDICES APÊNDICE A

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Você está sendo convidado(a) para participar, como voluntário (a), da pesquisa titulada “Elementos para a Mudança curricular no curso de Medicina de uma universidade no sul do Brasil”. Após ser esclarecido(a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, assine ao final deste documento, que está em duas vias. Uma delas é sua e a outro é do pesquisador responsável. Em caso de recusa, você não será penalizado(a) de forma alguma.

INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA

Título do Projeto: Elementos para a Mudança curricular no curso de Medicina de uma universidade no sul do Brasil.

Pesquisadores Responsáveis: Mariana Vilela Veiga e Marco Aurélio da Ros.

Contato: (47) 9988-2245 ou (47) 3341-7932.

Instituição onde será realizada a pesquisa: Universidade do Vale do Itajaí.

Esta pesquisa tem por objetivo geral avaliar o currículo do curso de Medicina e todo o processo de mudança curricular que está acontecendo. O benefício relacionado à sua participação será de reunir subsídios que venham a contribuir na discussão acerca da mudança curricular.

O grupo será gravado para posterior transcrição e análise. As informações serão analisadas, classificadas e categorizadas. A pesquisa de campo (grupos) serão realizadas durante o segundo semestre de 2014. O grupo tem um tempo de duração médio de uma hora.

A pesquisa será de cunho qualitativo e sua participação fica restrita às informações fornecidas. O objetivo não é avaliar o desempenho individual do aluno(a) ao longo da formação, e sim identificar o conteúdo oferecido na prática. Não haverá identificação nominal ou outras formas que permitam identificá-lo(a) em qualquer material da pesquisa. Além disso, a pesquisa conta com autorização prévia da instituição para sua realização

Sua participação nesta pesquisa é voluntária, sendo assim, você poderá recusar-se a responder qualquer uma das perguntas ou até mesmo desistir de participar, bem como retirar o seu consentimento, sem que isso lhe traga qualquer prejuízo.

Não haverá qualquer custo para você em participar deste estudo, bem como você não terá nenhuma compensação financeira referente a sua participação.

Suas respostas serão tratadas de forma anônima e confidencial, sendo que em nenhum momento será divulgado o seu nome. Sua privacidade será resguardada uma vez que utilizaremos nomes fictícios quando for necessário. Você não será identificado (a) em nenhum momento, mesmo quando os resultados desta pesquisa forem divulgados em qualquer forma.

Os dados coletados serão utilizados somente nesta pesquisa e os resultados divulgados em eventos e artigos científicos.

Nenhuma pesquisa é isenta de risco, portanto para esta pesquisa os riscos identificados são: o constrangimento ou desconforto diante da pergunta gerativa ou ainda do extravio do material do grupo. Contudo, caso você fique constrangido (a) com alguma pergunta, você poderá deixar de responder a questão, ou se preferir, poderá sair do grupo, sem que isso lhe cause algum prejuízo. Quanto ao extravio será tomado o cuidado para que não venha ocorrer, porém se houver o roteiro do grupo não é identificado, garantindo o anonimato. Há ainda o risco de você sentir-se embaraçado pelo fato da interação com outros alunos, mas você pode sair do grupo em qualquer momento se sentir-se desconfortável.

Os resultados da pesquisa serão socializados com todos os participantes através de uma exposição oral a qual todos serão convidados. Uma cópia da dissertação será entregue à Universidade.

Caso você tenha alguma dúvida com relação a esta pesquisa, você pode contatar os investigadores: Mariana Vilela Veiga, telefone para contato: (47) 9988-2245 e Marco Aurélio da Ros, telefone para contato: (47) 3341-7932 em horário comercial. Se você tiver ainda alguma dúvida poderá entrar em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade, através do telefone (47) 33417738, ou no seguinte endereço: Rua Uruguai, 458, Bloco F6, térreo.

Assinatura dos Pesquisadores:

___________________________ ___________________________

Mariana Vilela Veiga Marco Aurélio da Ros

CONSENTIMENTO DE PARTICIPAÇÃO DO SUJEITO

Eu, ______________________________________________, RG_______________, CPF __________________ abaixo assinado, concordo em participar do presente estudo como sujeito. Fui devidamente informado e esclarecido sobre a pesquisa, os procedimentos nela envolvidos, assim como os possíveis riscos e benefícios decorrentes da minha participação.

No documento mariana vilela veiga - Univali (páginas 43-60)

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