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Discussão integrada dos resultados

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a) Poder público estadual

b) Poder público municipal

c) Iniciativa

privada d)

Comunidade local (associação

de bairro)

e) OnG (Comite da Bacia do Rio

Timbó)

f) Cursos de Turismo da

Região

1 -participativos com ações

2 - participativo sem ações

3 - poderia ser maisparticipativo com ações 4 - nenhum envolvimento

nãoresponderam

Figura 32: Visão da Comunidade local com relação ao envolvimento dos diversos segmentos no desenvolvimento do Turismo na região pesquisada.

Fonte: Entrevistas realizadas pela mestranda, de fevereiro a abril 2004.

direcionados aos locais específicos, buscando impactar o mínimo possível o Rio e o lençol freático da região.

• A conscientização da comunidade local e a integração desses atores no processo de desenvolvimento do turismo apresentam-se como fatores importantes e ainda não desenvolvidos plenamente.

• Não se percebe ainda fatores negativos ou malefícios a partir do começo das atividades turísticas na região, bem como não se percebe nem a interferência positiva ou mesmo negativa do turismo na dimensão cultural. Isto é preocupante no sentido da visão somente dos aspectos positivos, pois se sabe que os aspectos negativos podem acontecer de forma sutil e com o tempo ser um grande entrave para a atividade.

• Há certa preocupação, mesmo que ainda de forma discreta, com o ambiente natural, em função de ser o maior atrativo para o turismo na região. No entanto, percebe-se que é necessário um trabalho de conscientização tanto para a comunidade, quanto para o turista, sobre os aspectos relacionados à pesca predatória, pois é a partir desse potencial, que o turismo se efetivou na região e a exploração em larga escala trará, mesmo que em um futuro distante, a inviabilidade da atividade turística.

• Acredita-se que o turismo, num futuro próximo, poderá trazer maiores benefícios econômicos para a comunidade e empreendedores, desde que haja uma união entre as partes. Mas não se acredita que acarrete aspectos negativos com relação a esta dimensão. No entanto, essa visão pode ter, nesse momento, validade, porém como em diversos locais onde o turismo acontece, os aspectos negativos tendem a ser perceptíveis.

Com isso, pode-se ter uma base de como direcionar o planejamento da localidade e auferir ações em função da sua especificidade, bem como avaliar quando ela começa a chegar à sua maturidade, indicando a importância do rejuvenescimento, em função da manutenção da sustentabilidade, que deverá ser proposto num futuro Plano Turístico do Município. Ou seja, o turismo, no caso, caracteriza-se por ser praticado no espaço rural, com especial atenção ao turismo de pesca e ao ecoturismo e ainda está na fase em que se pode direcionar ações para um efetivo desenvolvimento, promovendo um gerenciamento mais adequado em relação às responsabilidades de cada ator social.

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De acordo com Magalhães (2000, p.145), conforme citado anteriormente, procurou-se responder às perguntas:

10. A região apresenta potencialidade para o turismo?

11. Qual é a importância do turismo para a economia da região?

12. A comunidade tem noção do que seja a atividade turística?

13. A população aceita o desenvolvimento do turismo no município?

14. Existe mão-de-obra?

15. È possível treinar essa mão-de-obra?

16. Os investimentos necessários para melhorar a infra-estrutura turística se justificam em detrimento de outros?

17. O desenvolvimento do turismo no Município pode competir com os municípios que apresentam os mesmo atributos

18. O Município tem condições de promover medidas de proteção dos seus potenciais natural, histórico e cultural?

Partindo do estudo e da análise das respostas às questões proposta para o trabalho, apontam-se as seguintes respostas aos questionamentos:

1. A região apresenta diversas potencialidades para o turismo, quer nos aspectos naturais, históricos e culturais, sendo já nesse momento utilizado os recursos naturais mais expressivamente para o turismo. E conforme pudemos analisar no relato do Capitão Kirk, no começo do século XX, a região apresentava naquela época uma paisagem expressiva e que ainda em partes se apresenta em seus remanescentes. Pode-se destacar o turismo no espaço rural, onde a atividade de pesca amadora apresenta-se como o maior potencial, além de atividades ecoturísticas estimuladas ainda de forma sutil.

2. A região destaca-se pela atividade agrícola e o turismo poderá futuramente, desde que bem planejado e gerido, ser uma boa opção econômica para a população local, além da geração de renda e a profissionalização dos moradores locais, estimulando ainda a produção artesanal de alimentos e bebidas para o abastecimento dos empreendimentos turísticos, podendo proporcionar empregos diretos e indiretos.

3. A população ainda de forma tímida apresenta um conhecimento da atividade, no entanto, é necessário um trabalho de base, a fim de conscientizar a mesma

das influências positivas e negativas advindas da atividade. Apresenta pouco interesse pela atividade, talvez pelo seu desconhecimento.

4. A população aceita o desenvolvimento da atividade, desde que sinalize benefícios de ordem econômica e social.

5. Há a existência de mão-de-obra na localidade, no entanto, apresenta-se com deficiências no que se refere à qualificação, apontada principalmente pela iniciativa privada e pelo poder público.

6. Para o treinamento dessa mão-de-obra é necessário parcerias entre poder público e iniciativa privada, o que no momento, já é pauta de ações, a fim de aproveitar o excedente da própria localidade. Haja vista, as primeiras atividades técnicas desenvolvidas com cursos do SENAR em 2004 para os pousadeiros da região.

7. Logicamente esse é um fator primordial, pois é necessário o investimento na rede de esgoto e saneamento da localidade, a fim de não afetar a meio ambiente em médio prazo, visto que se utiliza o sistema de fossas sépticas, e ao longo do tempo, o número de turistas poderá aumentar, e, conseqüentemente, ocorrerá o aumento de detritos. Além do recolhimento do lixo orgânico, bem como a sinalização turística e conservação do acesso à localidade.

8. Na visão dos próprios atores, existe essa possibilidade, tanto no verão quanto no inverno. No verão, o turismo de pesca e o ecoturismo e no inverno, a hospedagem em meio rural, seguindo o modelo de Joinville e mesmo de Gramado e Canela, no entanto percebem que é necessário diversos investimentos para tal, além das parcerias entre os atores, bem como estratégias de marketing que estimulem a demanda para a região. No entanto o produto turístico ofertado ainda é muito aquém do que já está no mercado das cidades citadas.

9. Esse item é de extrema importância e o município tem condição, mesmo porque há a ONG Eco Iguaçu, e todo um trabalho do Ibama, Epagri e Polícia Ambiental, no sentido de promover a conservação dos recursos naturais e também há o trabalho desenvolvido pela UNIUV no sentido de promover a preservação da cultura, por meio do Encontro das Etnias, em sua 3ª. Edição, em que busca através da festa trazer as etnias e sua cultura (dança, música, gastronomia) e estimular as pessoas a continuarem a difundir a sua cultura e

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história. Contudo é necessário um trabalho contínuo para que esses potenciais se perpetuem.

Nesse sentido pode-se considerar que, para que as iniciativas, projetos e mesmo o planejamento para o turismo de uma localidade possam obter êxito e, principalmente, para a atividade na área do objeto de pesquisa, alguns fatores devem ser observados como enfatiza a OMT (2000, p.15), com relação às boas práticas do turismo apresentadas em nível Mundial, a saber:

o la participacion de la comunidad local em la planificación, el desarollo y gestión de los proyectos .

o la coperación entre todos los interlocutores para el logro de los objetivos de los proyectos o de las iniciativas .

o el compromiso com la protección ambiental por parte de los promotores de los proyectos.

o la continua vigilância del desarollo del proyecto.

Baseado nesse contexto considera-se que o turismo local deve ser responsável, sendo necessário levar em consideração as observações acima expostas, pois reflete casos de sucesso que independem de os países serem desenvolvidos ou estarem em fase de desenvolvimento, como é o caso do Brasil. Para o caso da comunidade em questão, o turismo de base local, outras iniciativas e práticas se tornam fundamentais para poder-se pensar em uma atividade sustentável.

Outro fator interessante que a OMT (WTO 2000, p.15), ainda ressalta sobre esses casos é que: “[...] la existência de uma legislácion pertinente o de um estricto marco relamentario, y el apoyo o las subvenciones de gobiernos u organismos de ayuda, mientras que solo em cuatro casos la iniciativa fue exclusivamente privada”.

Além disso, com relação aonde se localiza, ou melhor, dimensiona-se os projetos, dá uma ênfase ao desenvolvimento em nível local, quando afirma:

El ambito geográfico de la mayoria de las iniciativas y de proyectos sostenibles el local o regional (80%), y um porcentaje similar se refiere a proyectos pequeños o medianos. Sin embargo, el número de proyectos o iniciativas de grandes dimensiones que cubren tod el território de um país nos es despreciable, lo que demuestra que la sostenibilidad em turismo no está reservada por fuerza a las operaciones de pequena escala.

A priori, entende-se que o primeiro passo se dá no sentido de buscar parcerias, respeitando o ponto de vista de cada grupo de atores sociais e na filosofia da sustentabilidade, onde se prega a participação ativa da comunidade local, já que em um planejamento para o turismo é necessário um levantamento das possibilidades, deficiências e oportunidades da localidade.

Esse trabalho já apresenta em seu contexto parte deste passo, no sentido de uma análise a partir da visão dos atores sociais envolvidos com a atividade, e também na caracterização do objeto, sem a qual não seria possível uma apreciação da situação atual, permitindo assim a análise e tomada de decisões. Conforme afirma Petrocchi (1998), “[...] a finalidade do planejamento é definir as decisões básicas que articulam as políticas turísticas de um estado, região ou organização, ou seja, estabelecer as diretrizes que orientarão as decisões para o desenvolvimento do turismo, o tipo de turismo que se quer promover, os mercados que serão atingidos, a posição que se deseja ter nestes mercados, as metas a alcançar e as estratégias dos programas de ação.”

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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Partindo da análise dos resultados, da observação in loco, com base no aprofundamento teórico e no conhecimento de outros casos, pôde-se trazer para este trabalho as considerações acerca dos objetivos estabelecidos para a pesquisa.

É possível destacar os resultados mais significativos referentes à sustentabilidade do turismo, a partir da visão dos atores envolvidos. Dessa forma, quanto ao poder público ressalta-se: a importância da pesca para o turismo; a falta de planejamento turístico; e a necessidade de um maior envolvimento dos atores e parcerias entre poder público e privado.

Para a sociedade civil organizada o turismo de pesca e o ecoturismo são os pontos fortes da localidade, no entanto as deficiências aparecem com a falta de infra-estrutura, a falta do apoio efetivo do poder público, e a falta de parcerias entre os atores envolvidos.

Para a iniciativa privada a pesca e o ecoturismo também são os pontos fortes da localidade, sendo necessário um maior apoio do poder público, a conscientização da comunidade local para o turismo através de oficinas ou cursos e mão de obra mais qualificada.

E para a comunidade local a pesca é o maior atrativo, sendo necessário um maior envolvimento do poder público, a implantação de infra-estrutura, divulgação e capacitação de mão de obra, além de uma melhor sinalização turística e planejamento para o turismo.

Diante do contexto, julga-se neste caso, na visão do atores envolvidos, da autora e a real situação que se encontra, que a sustentabilidade da atividade turística não está em plena ascensão, haja vista que a sustentabilidade consiste na manutenção das diversas dimensões aqui pesquisadas (econômica, social, cultural e ecológica-ambiental) visando compatibilizar o uso atual com o futuro, gerenciando os possíveis impactos causados pela atividade (OMT, 2003).

Além disso, pode-se observar, começando pelas questões referentes à infra- estrutura básica a exemplo de redes de esgoto, que havendo um fluxo maior de pessoas na localidade, pode não suportar tal demanda, proporcionando um aumento do lixo orgânico e inorgânico que poderá trazer efeitos negativos para o ambiente. A pesca predatória também aparece na pesquisa, demonstrando que ainda falta um melhor controle por parte dos órgãos competentes.

Analisando ainda os efeitos multiplicadores na economia para a comunidade local, verifica-se que ainda é muito incipiente, pois pequena parte da comunidade participa do

processo e aufere valores monetários advindos da atividade que proporcionem maior qualidade de vida. Isso reflete que a atividade na localidade ainda não se caracteriza como sustentável, pois diversos fatores condicionantes ainda estão em estágio inicial ou mesmo nem existem.

Portanto são necessárias ações que envolvam os diversos atores, direcionando a atividade para um caminho que torne o turismo mais responsável e que realmente não fique só nos discursos que a atividade é geradora de desenvolvimento para a região, assim como, para os residentes do município, pois isso ainda é um objetivo a ser alcançado.