4.2 Das Alternativas de Resolução de Controvérsias por Meios Eletrônicos
4.2.1 Do Desenvolvimento da ODR – Online Dispute Resolution
Do ponto de vista estrutural destacamos a atuação do Departamento de Crimes por Computador que constitui um destacamento especial na ação contra os crimes cibernéticos, possuindo equipamentos sofisticados e treinamentos específicos408.
Através da polícia civil tem criado delegacias especializadas para o combate e repressão dos crimes eletrônicos (como a DRCE – Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos no Estado de Espírito Santo e a DRCI - Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática no Estado do Rio de Janeiro). Nada obstante a importância desta especialização cumpre ressaltar que em nada basta sua existência física individualizada se o aparato técnico e pessoal não tem condições físicas e educacionais compatíveis com a evolução eletrônica.
Na esfera do judiciário os tribunais superiores começam a se deparar com as primeiras discussões acerca do foro e casos de litígios criminais que envolvam o uso do computador.
Nestes termos a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar caso de calúnia em blog jornalístico no Conflito de Competência 97201, decidiu que a competência nos crimes cibernéticos corresponde ao local de onde partiu o ato delituoso, que no caso concreto foi a sede do provedor do site.
comerciar, mas também otimizar as fases secundárias do processo, incluindo a simplificação das formas de resolução dos conflitos transnacionais.
Tais meios alternativos de solução de litígios objetivam que as partes, por acordo mútuo, se afastem das incertezas geradas por dados sistemas jurídicos nacionais, o que os torna um meio preventivo à litigância em foros judiciais desestruturados e imparciais e/ou sobre a égide de duvidosas leis nacionais. Nesta perspectiva se propõe a ser um foro alternativo às fadigosas discussões sobre foro e lei aplicável nas disputas com elementos estrangeiros.
Assim foram desenvolvidos mecanismos extrajudiciais de resolução de litígios como meio alternativo às tradicionais cortes judiciais estatais. Identificados neste trabalho sigla ADR (do inglês Alternative Dispute Resolution)410, incluem diversos procedimentos, dentre os quais a mediação e a arbitragem, institucional ou ad hoc411. A arbitragem internacional, por exemplo, se destaca dentre estas alternativas pelo seu caráter vinculativo e pela confiança depositada pelas partes em seu método de trabalho, já que além de proporcionar um ambiente confidencial e da relativa economia temporal e financeira, é reconhecido como meio efetivo e exequível por quase todos os países do mundo, na forma da Convenção de Nova Iorque412,
O comércio internacional, contudo, recrudesce sobre uma nova faceta virtual, razão pela qual emergem discussões acerca da adaptação dessas formas alternativas ao vertiginoso crescimento do comércio internacional eletrônico. A intenção é que a mesma tecnologia investida para promover o crescimento do comércio eletrônico também seja aplicada para a que os conflitos sejam resolvidos sobre a mesma plataforma tecnológica (Internet) em que o negócio foi realizado.
As propostas para transpor os já consolidados métodos de ADR ao campo do comércio eletrônico traduzem uma necessidade comercial de conceder mais segurança à nova faceta virtual do comércio internacional, perfazendo um ciclo de confiança que fortalece e incentiva esta estirpe comércio, sobretudo para as transações de menor valor.
410 Pelos mesmos motivos descritos anteriormente utilizaremos a sigla ADR, conforme a sigla em inglês, para identificar os meios alternativos de resolução de litígios.
411 DONEGAN, Susan L. Alternative Dispute Resolutions for Global Consumers in E-Commerce Transaction.
In: CAMPBELL, Dennis (Dir). E-Commerce: Law and Jurisdiction. Comparative Law Yearbook of International Business. v. 24a. Kluwer Law International: Hague, 2002. 336 p. p. 117- 164.
412Atualmente a Convenção sobre o Reconhecimento e a Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras
(Convenção de Nova Iorque) já foi ratificada por 149 Estados. UNITED NATIONS. Status Convention on the Recognition and Enforcement of Foreign Arbitral Awards (New York, 1958). Disponível em:
<http://www.uncitral.org/uncitral/en/uncitral_texts/arbitration/NYConvention_status.html>. Acesso em: 03 maio 2014.
Deve ser rememorado que a Internet permite que qualquer indivíduo que a acesse a Internet participe de uma transação comercial internacional com pouco esforço e pouco custo413 (os sites de compra online como a Amazon, eBay e Mercado Livre são provas concretas dessa possibilidade). A mesma facilidade, contudo, ainda não está disponível em eventual fase de conflito e a resolução de controvérsias pelos meios judiciais tradicionais é, em regra, oneroso para as pequenas e médias empresas e principalmente para os consumidores não só pelos custos inerentes ao acesso a uma corte estrangeira, mas também pelas barreiras linguísticas, políticas, econômicas e culturais. E a impossibilidade ou a dificuldade de acesso à justiça, ainda que atrelado às relações comerciais de baixo valor, dá azo a um sistema injusto e inseguro.
This new global commerce is producing a knock-on effect on the volume of international disputes. However, the resolution in court of these disputes is often impractical because it is necessary to participate in complicated, expensive and lengthy offline procedures. This constraint contributes to the lack of trust that deters many potential consumers from purchasing online, as the judicial forum for enforcing their legal entitlements is unreachable. […] Accordingly, it is believed that efficient mechanisms to resolve online disputes will impact on the development of e-commerce414.
Nesta adaptação das técnicas da ADR para um procedimento eminentemente virtual ganha força, sobretudo nos países desenvolvidos, as chamadas Online Dispute Resolution – ODR, interpretada como uma soma das consolidadas técnicas da ADR com as tecnologias de informação e comunicação (Information and Communication Technology – ICT)415.
When international commerce went online, international commercial arbitration followed. Traditional off-line international arbitration centers launched their own Websites. In addition, new online or virtual centers and new groups of traders (small and medium enterprises involved in transactions over smaller quantities and lower value goods), emerged to facilitate the new economy (electronic commerce or e-commerce), as well as to reduce costs and
413 “In less than a decade, the Internet has transformed the world into a global marketplace where anyone having access to a computer linked to the World Wide Web may participate in some sort of international commercial transactions”. ENNIS, David Paul. The impact of Internet and E-Commerce on International Law: Jurisdiction, Consumer Protection & Commercial Arbitration. Disponível em: 2004. p. 82. E-book.
414 CORTÉS, Pablo. Online Dispute Resolution for Consumers in European Union. New York: Routledge, 2010. 260p. p. 51. Disponível em: <www.oapen.org/download?type=document&docid=391038>. Acesso em: 20 fev. 2013.
415“In effect, ODR is ADR plus ICT”. ALBORNOZ, Maria Mercedes; MARTÍN, Nura González. Online Dispute Resolution in Latin Americ and Emerging Countries. AC Resolution Magazine. Summer. Reston, VA, vol. 12, issue 3, p. 26-28, Summer 2013. Disponível em: <http://www.acresolution-
digital.org/acresolutionmag/summer2013#pg26>. Acesso em: 03 maio 2014.
time spent on dispute resolution (using the new technologies to by-pass traditional procedure).416