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As demandas presentes no cotidiano dos docentes, através do uso das tecnologias, hora contribui para seu árduo trabalho e, ao mesmo tempo, deixa–os sobrecarregados, com a grande demanda de produções, correções, pesquisas, organizar áudios, vídeos, slides, além das respostas demandadas aos alunos, pais, gestores e coordenadores, ao qual muitas das vezes ultrapassam a carga horária dos docentes.

Desse modo, repensar a profissão com uma qualidade socialmente referenciada, é denotar os limites e fronteiras que contribuíram para a qualidade de vida no trabalho e na sua vida pessoal.

Todo excesso é tóxico, assim as cobranças devam existir, entretanto, os fatores atribuídos, devem ser medidos de forma que a equalização das ações sejam prevalentes a saúde frente ao trabalho, pois de um depende o outro, assim mediar com resiliência, aprender a se comunicar, aprender a ouvir, aprender a interferir no momento certo é algo correto, e ético no sentido do trabalho com qualidade.

Porém, foram, sem dúvida, os sintomas de mal–estar e de sofrimento mental, ou mesmo de distúrbios psicológicos (referidos pelos professores como nervosismo, estresse, ansiedade, angústia, depressão, medo, esgotamento mental, loucura) que apareceram com mais ênfase, relacionados a sentimento de frustração, culpa, desânimo, baixa autoestima e/ou excesso de trabalho. Foram vários os motivos apontados desse tipo de sofrimento mental, entre eles, a falta de interesse dos alunos; a falta de apoio institucional e de reconhecimento de seu esforço; e o controle abusivo das escolas sobre sua atividade docente (FERREIRA, 2019, p.6).

Tratar da mente, é trabalhar para um futuro longo, com perfeito bem-estar, nessa perspectiva o cansaço mental do trabalho docente, é um fator a ser agregado no sentido de monitorar as ações, as sobrecargas, os excessos aos quais traz o adoecimento.

A pessoa docente deverá estar a todo momento de vigília quanto a sua saúde, e muitas vezes os mesmos não percebem esse adoecimento, daí a necessidade de ser realizadas avaliações contínuas de ordem física e psicológicas.

2.5 DOCENTE NA CONTEMPORANEIDADE: ASPECTOS ESTRUTURAIS,

A reflexão sobre os desafios da docência na contemporaneidade se faz necessário para que o professor, no exercício da profissional, possa compreender e atuar da melhor forma.

Diante da gênese da profissão professor lá na Idade Média, e nas mudanças sociohistoriográficas, como também no pensamento da docência, além das mudanças tecnológicas e comportamentais, a sociedade apresenta novos olhares e desafios no ser professor.

Estamos vivendo um momento de muitas mudanças ocasionadas pela globalização, consumo e comunicação, marcado pelo fácil acesso a informação e em decorrência disso, o professor não é mais o único que detém todo o saber, deixou de ser o centro de tudo e passou a ser um mero mediador de certos conhecimentos (COSTA et. al, 2013, p.7).

Mudanças de comportamento na sociedade, no contexto educacional, faz necessário repensar a profissão, onde os sujeitos se constroem em decorrência de tais mudanças, estando o profissional docente alerta a sua prática, pois a sua construção é cotidiana, no se reinventar para agregar na mediação das aprendizagens.

A relação da docência e biopolítica nos remete as relações de poder, onde a aplicação dos mecanismos de controle e de disciplina possibilita um novo olhar a população diante dos fenômenos da coletividade, surgindo os efeitos políticos e econômicos.

Foucault (1993) propõe a observação cuidadosa das relações de poder que se estabelecem não como poder de um, mas como ação de pessoas sobre pessoas; uma prática, um fazer do homem sobre o homem, buscando a articulação entre saber e poder como condição para que práticas específicas de poder sejam permanentemente atualizadas (SCHEINVAR; D’ALMEIDA, 2010, p.11).

A relação de controle pela sociedade, diante da regulação e ordenamento através do trabalho, imergido continuadamente, onde a biopolítica envolve diretamente as formas da vida, destacando a estrutura social e política como elemento essencial a vida.

O poder adentrou todas as esferas sociais, de forma que a cada instante se articula e mobiliza, trazendo para seu próprio interesse. As relações e contextos de comunicação, organização, percepção e processos, se constituem de forma direta e indiretamente, emergindo de baixo para cima, de dentro para fora.

A construção atual do profissional docente, se apropria de diferentes pensamentos, voltados as realidades e perspectivas ao qual se constroem nas relações de trocas e de poder.

A docência enquanto profissão, destaca–se por desempenhar sua função enquanto licenciado, regulamentado e fiscalizado pelo Estado, o controle do exercício da docência, neste sentido a relação do poder coletivo. Quando exequível no seu ambiente de trabalho, o docente se constitui nos processos articuladores do saber e do poder, se apresentando diante das práticas da biopolítica.

[...] a prática de velejar coloca a necessidade de saberes fundantes como o do domínio do barco, das partes que o compõem e da função de cada uma delas, como o conhecimento dos ventos, de sua força, de sua direção, os ventos e as velas, a posição das velas, o papel do motor e da combinação entre motor e velas. Na prática de velejar, se confirmam, se modificam ou se ampliam esses saberes (FREIRE, 2010, p. 22).

Os saberes são necessários a essência do ser humano, na constituição da profissão, esse percurso no navegar, onde cada passo é parte de um todo, e as combinações constituem–se nos modos de divergir, mas também de conduzir a um norte nas relações de poder.

As mudanças instantâneas no comportamento das pessoas, frente a dinâmica social, nos faz refletir o quão é necessário, e urgente produzir mecanismo formativos no profissional docente, os impactos causadores da demanda educacional, ao qual remete não apenas os alunos, e sim todos os sujeitos envolvidos na apropriação do fazer da profissão. Neste sentido, os ambientes laborais devem estar adequados, não apenas ao aspecto estrutural, mas de uma consciência coletiva, onde o papel da escola esteja centrado na mudança.

A sociedade, enquanto meio de trocas, perdas e ganhos, compreende aos sujeitos as diferentes vertentes, que permite repensar as necessidades contemporâneas à profissão docente. Através de comportamentos e/ou mudanças, onde os mecanismos de poder geram o controle e regulação da vida, assim está disposto a compreender e compartilhar novas habilidades e competências.

Neste sentido, a escola, enquanto ambiente norteador de conhecimento e de socialização, traz uma nova roupagem para a figura do docente, onde a percepção ultrapassa a missão de ensinar, evidentemente com a mediação entre família e a escola, o docente tornou–se o mediador de confiança de um enorme contingente de

alunos, perpassando muito além da sua função, caracterizando num universo de função (mediador, orientador, psicólogo, coordenador, formador, entre tantas outras).

A responsabilidade diante das incertezas apresentadas no ambiente de trabalho, ampliou o olhar clínico dos docentes, frente a percepção do seu campo de atuação, diante não apenas de um período pandêmico, mas de uma população doente socialmente (descontrole emocional, irresponsabilidade, facilidade no ter, o não compromisso, a não aceitação, empatia, egoísmo, rejeição ao novo, entre outros).

Frente a uma sobrecarga de conhecimentos, solicitada pela sua função para lhe dar com as condutas emergentes nas demandas de novas tecnologias e novos comportamentos.

A prática docente, na contemporaneidade, se apresenta numa verdadeira metamorfose, onde as mediações sociais demandam um novo olhar, perpassadas por políticas públicas que mediam parte de um todo, que compreende o universo escolar, onde as práticas mediadoras são pouco ou quase nada compreendidas por estes profissionais, e o todo no universo escolar, trazendo as indagações e interrogações do que é ser docente na atualidade.