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E STATÍSTICA DESCRITIVA

A estatística descritiva tem como objetivo identificar o comportamento das variáveis utilizadas neste trabalho. A partir delas pode-se conhecer características dos locais de origem e destino dos migrantes pendulares. Nos resultados apresentados na Tabela 1 é possível observar a média, desvio padrão, valor mínimo e máximo.

Tabela 1 - Estatística descritiva das variáveis do modelo gravitacional para os municípios do Norte do Brasil

Variáveis Média Desvio

Padrão Mínimo Máximo

Pendular 0,23 10,70507 0 4.231

Pendular Estudo 0,10 3,033139 0 1.086

Pendular Trabalho 0,13 7,893409 0 3.145

Distância 1.029,88 706,2215 5,71 3.024,62

População 35.332,86 116538,7 1.037 1.802.014

Gini 0,576 0,0624123 0,43 0,81

Violência 13,31 65,48138 0 895

Água 750,67 1547,638 80 20.382

Eletricidade 884,41 1695,118 116 21.858

Renda 254,79 121,4486 71,66 902,53

Saúde 17,90 15,13263 0 208,33

Estudo 8,57 1,28402 4,34 11,53

Esgoto 87,67 585,5582 0 8.887

Fonte: Elaboração própria com resultados da pesquisa.

Com relação as modalidades de mobilidade pendular, que podem ser tanto para trabalho como para estudo, percebe-se que a pendularidade para trabalho foi a que apresentou o maior número de indivíduos, com média de 0,13 e seu valor máximo de 3.145 pessoas fazendo esse movimento a trabalho.

A distância é uma variável importante, uma vez que as migrações pendulares são realizadas em sua maioria em distâncias curtas (BARBOSA et al., 2016). Desta forma, a média encontrada é de 1.029,88 km entre origem e destino, a menor distância entre estes dois pontos (i e j) é de 5,71 km e a maior distância é de 3.024,62 km. A partir do valor do desvio padrão (706,2215) observa-se que os valores estão bem distribuídos em torno da média, ou seja, valores heterogêneos, algo já esperado pois a Região Norte possui estados grandes em área e a maioria dos municípios também são grandes em extensão territorial.

Como mencionado na seção anterior, a variável 𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 é uma proxy para o tamanho da economia. A média populacional do Norte do Brasil é de 35.332,86, com desvio padrão de 116.538,7. A menor população encontrada foi de 1.037, valor que pertence ao município Oliveira de Fátima em Tocantins, e a maior população seria a de Manaus, no Amazonas com 1.802.014 habitantes, isto é, a maior economia. Tais resultados vão ao encontro em termos de PIB, em que Oliveira de Fátima é o município do Tocantins com menor PIB per capita (R$ 10.857,54), enquanto Manaus, por possuir um grande polo industrial, sendo modelo de desenvolvimento por receber empresas nacionais e internacionais, tem um PIB per capita de R$ 27.861,98 (GOVERNO DO ESTADO TOCANTINS, 2021; SIDRA, 2021).

O Índice de Gini, que é um instrumento utilizado para mensurar o grau de concentração da renda, teve média de 0,576, o que mostra que ainda há uma desigualdade social e de renda no Norte do Brasil. O menor Índice encontrado foi de 0,43 referente aos municípios de Teixeirópolis (Rondônia) e Ipueiras (Tocantins), enquanto o maior foi de 0,81 para o município de São Gabriel da Cachoeira (Amazonas), revelando uma maior concentração de renda e maior desigualdade. De acordo com o Atlas Brasil (2021), Teixeirópolis e Ipueiras possuem uma porcentagem relativamente baixa de pessoas na pobreza, 17,73% e 28,66%, respectivamente. Já São Gabriel da Cachoeira possui uma porcentagem de pessoas que vivem na pobreza bem maior, 56,81%, o que pode gerar uma

expulsão de indivíduos, ou seja, os indivíduos irão para locais com a concentração de renda menor, como por exemplo Teixeirópolis (Rondônia) e Ipueiras (Tocantins), citados anteriormente.

Para a violência foi utilizado o número de óbitos relacionados à agressão. A média para essa variável foi de 13,31, já o valor mínimo é de 0 e o máximo de 895. Cerca de 94 municípios alcançaram a marca de 0 óbitos por motivo de agressão e apenas 1 município, Belém (PA), alcançou o valor máximo de óbitos, mostrando que é a cidade com maior violência da região Norte com base nos dados utilizados. De acordo com o Atlas da Violência (2021), em 2010 a capital paraense teve 47,91% dos óbitos por meio de armas de fogo e 6 mortes violentas, sendo assim, possíveis fatores de repulsão de migrantes da localidade. O desvio padrão mostra que os dados são heterogêneos, 65,48138.

A média de residências que possuem acesso a água foi apenas de 750,67. O estado que obteve a menor média de residências que possuem água foi Tocantins, com 489,7. Já o município com o valor mínimo, foi Chaves (Pará), que de acordo com o SIDRA (2021), tem 21.005 habitantes e 4.312 domicílios, dos quais apenas 80 possuem acesso a água. O valor máximo de residências com acesso a água é de Manaus (Amazonas), de 460.676 residências, apenas 20.382 possuem água, um número pequeno em comparação ao total de residências da capital amazonense.

A média de domicílios com iluminação no local foi maior que a de acesso a água (884,41), com desvio padrão revelando que os dados são heterogêneos. Os resultados mostram que o mínimo de residências com iluminação é 116 domicílios, valor este que pertence ao município São Félix do Tocantins (Tocantins), que possui, segundo dados do SIDRA (2021), apenas 345 residências. Já Manaus, ficou com o valor máximo de 21.858 domicílios com iluminação, assim como o acesso a água. Nesse sentido, segundo Tiebout (1956) essa oferta de bens públicos são fatores de atração de migrantes pendulares, aumentando, portanto, os deslocamentos para tais localidade.

A variável renda mostra o rendimento médio da localidade, sendo assim, o rendimento médio da região Norte foi de R$ 254,79. O menor rendimento médio é de Uiramutã (Roraima), com R$ 71,66 e o maior rendimento médio é da capital do Tocantins (Palmas), com R$ 902,53. Vale lembrar que em 2010 o salário mínimo era de R$ 510,00, ou seja, o Norte do Brasil ganhava em média metade de um salário mínimo. A população de Uiramutã recebia em média apenas 14% do valor do salário mínimo e a população de Palmas recebia em média 76% a mais. De acordo com o Censo Demográfico de 2010, o

rendimento médio dos brasileiros era de R$ 668,00, valor maior ao salário mínimo do ano de referência.

Como proxy para saúde, foi utilizado a taxa de mortalidade infantil (por mil nascidos vivos), que teve média para o Norte do Brasil de 17,90, ou seja, a cada mil nascidos vivos 17,90 das crianças vem a óbito antes do primeiro ano de vida. Cerca de 55 municípios tiveram 0 óbitos, por outro lado, apenas 1 município alcançou o valor máximo, que foi Tupirama (Tocantins), no qual a cada mil nascidos vivos 208,33 vão a óbito, o que pode indicar uma baixa qualidade na saúde e condição social da população.

A variável estudo demonstra as médias de anos de estudo nos municípios. O valor médio encontrado, foi de 8,57 anos de estudo, ou seja, os nortistas têm em média apenas o ensino fundamental que equivale a 9 anos. O município com a maior média de anos de estudo foi Presidente Kennedy (TO) com 11,53, aproximadamente 12 anos, sendo ensino fundamental e médio concluídos. Neste município, de acordo com o QEdu (2010), nos anos iniciais apenas 22 (5,1%) pessoas reprovaram e apenas 2 abandonaram, nos anos finais teve 21 (5,9%) reprovações e 4 abandonos, e no ensino médio apenas 7 reprovações e 12 abandonos. Se tratando do resultado com menor média de anos, tem-se o município de Barcelos (AM) com 4,34, referente aos anos iniciais (1º ano ao 5º ano) do fundamental.

O município de Barcelos (AM) possui um número considerável de evasão escolar nos anos iniciais e finais, e de reprovação nos anos iniciais. De acordo com o QEdu (2010), os anos iniciais apresentaram uma taxa de 10,2% (276) de reprovação e 6,3% (171) de abandono, já nos anos finais possui 4,4% (62) reprovações e 172 (12,1%) abandonos.

Por fim, a última variável esgoto mostra que, em média, 87,67 domicílios no Norte do Brasil possuem esgotamento sanitário. Os resultados apresentam que 88 municípios têm 0 residências com esgotamento sanitário, já Manaus (Amazonas) tem 8.887 domicílios com esgotamento sanitário. A precariedade do saneamento básico nos municípios é um dos principais fatores de doenças humanas. Além disso, está ligada a morte por diarreia de crianças menores de 5 anos, em geral, os índices de mortalidade infantil reduzem quando tem saneamento e a qualidade da saúde aumenta (FOLLADOR et. al., 2015).

Passando agora para informações da migração na Região Norte, pode-se observar o Gráfico 1, o qual apresenta a média de migração por estado, no Norte do Brasil, de acordo com o Censo Demográfico de 2010. Nota-se que o Amapá é o que possui o maior número de indivíduos realizando a migração pendular, o Pará ficou em segundo lugar.

Enquanto que o Amazona ficou em último lugar, o que pode estar relacionado a grande distância entre os municípios, já que este estado é o maior do Brasil em extensão territorial, com uma área de 1.559.167,878 km², e também pela existência do rio Amazonas e seus vários afluentes, o que pode dificultar a mobilidade entre municípios.

Figura 1 - Média da migração por estado, no Norte do Brasil em 2010

Fonte: Elaboração própria com dados da pesquisa.

Em suma o município que apareceu com mais frequência foi Manaus (AM), o mesmo apresentou bons resultados, atingindo valor máximo nas variáveis população proxy para o tamanho da economia, água, eletricidade e esgoto, demonstrando ser uma cidade que tem vários fatores que atraem indivíduos pendulares. Nas demais variáveis os resultados foram variados, Teixeirópolis (RO) e Ipueiras (TO) apresentaram o menor índice de Gini, resultado que mostra que entre todos é o que está mais perto de uma igualdade e com pouca concentração de renda.

Cerca de 94 municípios não tiveram óbitos por motivo de agressão. A capital do Tocantins, Palmas, teve destaque com relação a renda, sendo o município com maior renda média da região Norte. Já para a saúde cerca de 55 municípios não tiveram óbitos relacionados aos nascidos, o que podem ser indícios que estes municípios possuem boas condições no setor de saúde. Presidente Kennedy (TO) é o município com melhor resultado para a variável estudo, uma vez que é a única região que apresenta praticamente os 12 anos de estudo.

0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 0,3 0,35 0,4 0,45

Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins

Pendular Pendular Estudo Pendular Trabalho

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