EDUCAÇÃO EM
EDUCAÇÃO EM SAÚDE BUCAL
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O Brasil é marcado por desigualdade socioeconômica, o que produz extensas consequências para a saúde em geral, contudo a saúde bucal Brasileira é precária apresentando difícil acesso aos serviços odontológicos. A Política Nacional de Saúde Bucal contempla os eixos orientadores de ações de promoção e proteção à saúde, incluindo desde a fluoretação das águas, educação em saúde, higiene bucal supervisionada, aplicações tópicas de flúor e recu- peração e reabilitação da saúde bucal (CAMPOS, 2001).
A atividade do cirurgião-dentista por muito tempo estava fun- damentada na prática curativa, com a evolução uma mudança de paradigma começou a acontecer, refletindo no processo de formação de profissionais mais conscientes e responsáveis pela promoção e prevenção em saúde bucal. Portanto, tornou-se essencial a mudança de cenários nos quais se realiza o processo ensino- -aprendizagem integrando serviço e pesquisa, visando a uma abordagem problematizadora, ao compromisso ético, humanístico e social (MIALHE;
SILVA, 2011).
No processo de transformação também se leva em conta o acolhimen- to - a humanização do processo de desenvolver ações e serviços de saúde. Implica a responsabilidade dos serviços e dos trabalhadores de saúde, em construir, com a comunidade, a resposta possível às suas dores, angústias, problemas e aflições de uma forma tal que não só se produzam consultas e atendimentos, mas que o processo de consultar e atender possibilite a construção compartilhada do conhecimento e re- force a autonomia de cada pessoa atendida na gestão de sua saúde e bem estar (PAULETO, 2004).
Devem-se desenvolver ações considerando os sujeitos em sua integralidade biopsicossocial, garantindo que toda a equipe es- teja preparada para a humanização das relações nos atos de receber, escutar, orientar, atender, encaminhar e acompanhar.
Intervir sobre os fatores estruturais dos processos de saúde-do-
ença bucal, caracterizando uma prática que esteja voltada para resolver os problemas de saúde bucal integralmente, atuando sobre todos os determinantes do processo (ALENCAR, 2001).
É necessário, conhecer os problemas da comunidade, identificando-os e estabelecendo relações causais que transcendam a dimensão sim- plesmente biológica desse processo. Uma ação contínua deverá ser planeja e realizada, atingindo todas as modalidades de intervenção que estão para além da esfera clínica, mas que se fazem necessárias para potencializar os resultados que se pretende obter com relação à melhoria das condições de saúde bucal da população.
Na esfera do atendimento clínico, requer o desenvolvimento de práticas profissionais baseadas no respeito à identidade do usuário, conhecimen- to do contexto familiar e laboral, disponibilizando o tempo necessário à escuta da queixa e ao atendimento e providências pertinentes, criando suportes para a atenção integral à saúde e às necessidades dos dife- rentes grupos. Pretende-se fortalecer a perspectiva da Linha de Cuidado em Saúde de modo que promoção, prevenção, tratamento e reabilitação ocorram num processo articulado e coordenado.
A saúde bucal é parte integrante e fundamental da saúde geral, definida como um conjunto de condições objetivas (biológicas) e subjetivas (psicológicas), que possibilita ao ser humano exercer funções como mastigação, deglutição e fonação e, também, tendo em vista a dimensão estética inerente à região anatômica, exercitar a autoestima e relacionar-se socialmente sem inibição ou constrangi- mento. Portanto, educar neste âmbito, significa permitir a aquisição desses conhecimentos, o desenvolvimento de habilidades e aptidões pessoais, possibilitar a formação de atitudes e a criação de valores que levem o indivíduo e a sua família a agirem, no seu dia-a-dia, em benefício da própria saúde bucal e da saúde bucal dos outros.
Esse processo não deva se limitar em transmitir informações, mas estimular a aprendizagem, a valorização de apresentar uma boa saúde bucal, para que no futuro os educandos, enquanto sujeitos da ação, possam ter a competência e, sobretudo, autonomia, para tomar decisões mais saudáveis e serem capazes de influenciar positivamente a comunidade aonde vivem.
Educação em saúde é a busca pela capacitação e pelo encorajamento do ser humano a assumir responsabilidade sobre a sua própria saúde e a sua participação na vida comunitária de uma maneira construtiva, recomenda-se que as ações de educação em saúde bucal voltadas aos diferentes grupos sejam partes de programas integrais de saúde da criança, do adolescente, pré-escolar, da mulher, do trabalhador e do idoso, percebendo as interrelações da saúde bucal com a saúde geral e entendendo o indivíduo como sujeito integrado à família, ao domicílio e à comunidade (ARROYO, 2001)
Uma das principais ferramentas da promoção de saúde é a educação, à medida que proporciona aos indivíduos o resgate de sua autonomia, a percepção de valores e conhecimentos, o desenvolvimento de uma visão crítica e do empoderamento da população, todo profissional de saúde é um educador em saúde em potencial. É condição essencial para a sua prática o seu próprio reconhecimento como sujeito do processo edu- cativo, evidenciando a relevância da formação desses profissionais com essa visão (BREW, 2002).
A prática educativa em saúde deve ser vista de maneira ampla, e não como uma mera relação de ensino/aprendizagem, mas sim como uma relação dialógica pautada na horizontalidade entre os seus sujeitos, como atribuição de todo trabalhador de saúde.
A escola é considerada um espaço ideal para o desenvolvimento de estratégias que promovam saúde, devido sua abrangência e o fato de ser também responsáveis pela formação de atitudes e valores,
em idade pré-escolar ou seja, a primeira infância, constitui-se em um grupo prioritário de trabalho, especialmente na Odontologia, pois, além dessas crianças apresentarem alto risco de cárie, elas possuem grande capacidade de imitar ações que presenciem e apresentam fa- cilidade em alterar hábitos errôneos.
No entanto, Educação não pode ser um ato de transmitir, de depositar, mas um “ato cognoscente” entre sujeitos (educador e educando), numa relação dialógica, mediada pela palavra, pelas relações e pelos objetos cognoscíveis, no entanto, é tida como o pilar principal para promover e preservar a saúde, à medida que trabalha a construção de novos conhecimentos e práticas, levando em consideração a realidade na qual os indivíduos estão inseridos. A prática de saúde como método educativo então, deixou de ser, ou pelo menos se preten- deu que deixasse de ser um processo de persuasão, como há muito foi compreendida, e dentro de uma metodologia participativa, passou a ser um processo de capacitação dos indivíduos para a transformação da realidade, e mudança de hábitos (MESQUINI, 2006).