a gente tava atuante, a gente fazia, é, tem uma cartilha, um folheto, como cuidar do animal, como tratar quando tiver doente, . Sobre a realização de campanhas de conscientização em escolas, a participante TSRESP01 respondeu que:
Sim. É, antes da pandemia, a gente, inclusive, tava fazendo um trabalho nas escolas. A gente tava indo nas escolas. Inclusive, a gente recebeu vários convites de participar de gincanas [...] As pessoas precisam ter essa consciência e isso começa desde a infância. Então, a gente tava indo nas escolas, fazendo campanha, leva os animais, né, falava sobre maus-tratos, sobre adoção responsável. Mas, depois da pandemia, a gente suspendeu essas atividades, né? A gente tem feito mais a conscientização através de rede social.
(TSRESP01)
A participante TSRESP03, a única integrante remanescente dentre os 20 fundadores da ONG, apontou que a falta de pessoal contribuiu para que campanhas em escolas não sejam mais realizadas:
Logo no início, em 2015, a gente visitou algumas escolas e fez campanhas de conscientização nas escolas. [...] Quando a gente tinha esses 20 voluntários, a gente conseguia dividir mais as atividades e aí, a gente fazia grupos pra ir visitar as escolas, mas agora a gente não tá mais conseguindo fazer isso [...]
Já houve, no início da ONG. Atualmente, não. (TSRESP03)
As participantes não mencionaram se a conscientização era realizada em escolas privadas e também públicas. Ao final da entrevista, a participante TSRESP03 informou que as campanhas da ONG que representa foram feitas apenas em escolas particulares. O acesso ao conhecimento perpassa pelo fator renda. Logo, o ideal é que as campanhas de conscientização promovidas pelo terceiro setor sejam feitas também em instituições públicas.
Promover a conscientização é determinante para que os maus-tratos sejam gradativamente diminuídos. Essa é uma tarefa que poderia ser mais explorada caso o terceiro setor local contasse com mais suporte financeiro e pessoal voluntariado.
protetoras de Itabuna. A pandemia de Covid-19 está inserida neste contexto, pois pode ter afetado a vida financeira de pessoas que fazem doações ao terceiro setor local. Além disto, outros efeitos poderiam ocorrer com este cenário como, por exemplo, o aumento de abandonos de animais de estimação.
Com base nestas premissas, as participantes do Núcleo do Terceiro Setor responderam -19 afetou as atividades da ONG/protetora -19 afetou os custos da ONG de alguma
de maus- mento no número de abandono de animais
Apenas a participante TSRESP04 afirmou não ter sofrido efeitos negativos, mencionando, inclusive, que o período lhe foi favorável:
Não. [...] eu acho que nesse período, a pandemia, foi quando a gente começou a construir o abrigo. Então, eu tô achando que o período, a pandemia foi até favorável, não sei. Eu acho que as pessoas estão [...] até solidárias e me ajudando a construir esse abrigo, entendeu? Eu não tenho tido dificuldade. [...]
(TSRESP04)
As demais participantes informaram algumas dificuldades neste período:
Tabela 31 Efeitos da pandemia de Covid-19 no terceiro setor (2021)
Participante Respostas
TSRESP01
Muito. Financeiramente, afetou muito porque, desde quando as pessoas estão sendo prejudicadas, elas também não têm condição de tá ajudando da mesma forma, né? Então, financeiramente, as doações caíram muito, o que acabou nos deixando endividados [...] mantendo, realmente, o básico, que é alimentação.
Em dezembro, inclusive, nós fizemos até uma campanha pedindo ração [...] a pandemia, ela atrapalhou diretamente aí no nosso trabalho, com toda certeza.
TSRESP02 Afetou, Doação afetou. Doação e adoção. Adoção caiu. [...] a gente tem percebido que algumas coisas estão mais caras, né?
TSRESP03
Sim. Afetou tanto na devolução de animais, quanto afetou também na diminuição de doações, né, pra ajudar a gente. E dificultou também porque a gente precisou fazer mais resgates durante a pandemia, por causa de tutores que foram hospitalizados por causa do Covid, o animal ficou em casa sozinho.
Então, os vizinhos entravam em contato com a gente e a gente tinha que entrar na residência pra tirar esses animais porque os próprios vizinhos tinham medo de pegar um animal e, através do animal, pegar o Covid. Então, a gente não ia deixar esses animais dentro de casa passado fome e sede. A gente teve que entrar nessas residências pra fazer o resgate do animal. Diminuíram (doações).
Aumentou um pouco, né, ração, areia de gato, aumentou. Os produtos, medicamentos, aumentaram um pouco. Teve um aumento nos produtos veterinários.
TSRESP05 Afetou porque as doações caíram muito, né? O pessoal não tá procurando pra adotar. Influi muito. Muita gente abandonou animal. Afetou porque subiu muito, a ração subiu demais.
TSRESP06 [...] Houve, né, porque, a partir do momento que teve a pandemia, [...] aumentou o número de animais na rua, que estavam perambulando, né, com fome, [...], eu tive que trazer. [...] aumentou o número, aumentou a ração. [...]
TSRESP07
É, afetou porque afetou também no bolso das pessoas também, as condições financeira [sic], por exemplo, sem trabalhar, é, pra sustentar o animal a pessoa já pensa 2, 3 vezes antes de adotar. Porque é uma despesa a mais, de qualquer forma é uma despesa. É uma despesa que você vai ter. [...] Até a gente, pra receber ração, se tornou mais difícil com a pandemia porque muitos setores ficou [sic] parado.
Fonte e elaboração do autor
As respostas das participantes convergiram e afirmaram que o número de animais abrigados aumentou no período. A participante TSRESP01 afirmou que:
[...] Na verdade, assim, a quantidade de pedidos de resgate, basicamente, continua a mesma. A gente conseguiu ter uma rotatividade maior de animais porque, como a gente conseguiu doar mais animais, a gente acabou abrindo vaga para outros, né? [...] a medida que a gente foi doando (animais adotados), a gente foi resgatando, né? Foi doando, abre 1 vaga, entra 2 no lugar, né? [...]
(TSRESP01)
Sobre a ocorrência de casos de maus-tratos, parte das participantes informou que as denúncias se mantiveram no mesmo nível, apesar da pandemia. Outras não responderam com certeza. Mais uma vez, fica evidente a importância de catalogar as atividades das ONGs e protetoras.
As respostas concedidas à pergunta foram as seguintes:
Tabela 32 Alternativas adotadas pelo terceiro setor durante a pandemia de Covid-19 (2021)
Participante Respostas
TSRESP01
As medidas que a gente tem feito são sempre as mesmas, de campanha, de venda de produto, de salgados e tortas, de rifas, de sorteios, essas coisas assim, que a gente consegue arrecadar recurso. [...] A gente tenta, na verdade, aquele momento de dificuldade em encontrar uma luz, né, pra poder manter esse trabalho.
TSRESP02
[...] nossa lojinha virtual nasceu da pandemia [...] Primeiro, nós começamos vendendo máscaras, né? Até mesmo com o comercio fechado, né? Algumas lojas de tecido ficavam abertas. Eu comprava o tecido e [Nome Sigilo]
costurava as máscaras. E aí, a gente saia distribuindo nas [sic] pet shops [...] foi daí que veio o capital de giro pra gente lançar a loja. Porque a gente viu que a venda de máscara tava caindo e a gente foi lançando os produtos, entendeu? A pandemia teve seu lado bom. Assim eu acredito, ela teve o lado bom dela.
TSRESP03
Então, a única coisa que a gente pôde fazer foi rifa, que a gente não tinha como fazer bazar, né, e festival de torta. Então, a gente fez rifa e, entre os 5 voluntários, a gente começou a postar em grupos de amigos, roupas, objetos que a gente tinha em casa, que [...] não usava mais, pra ver se a gente vendia, né? E aí, vendendo entre os amigos, a gente conseguiu arrecadar um certo valor.
TSRESP05 Não. Tentei, assim, como eu falei, despachei a moça, eu mesmo quem faço tudo.
Aí, eu tento fazer as economias pra não diminuir nada da comida deles, né? Tiro até da minha própria, de mim mesmo, mas deles, não.
TSRESP06 [...] eu tive que, realmente, apelar pra internet pra pedir ajuda porque, além dos meus, eu tava pegando outros animais de rua também, pra poder cuidar e dar lar temporário [...]
TSRESP07
[...] eu mesmo fiquei aqui nos meus contatos, né, com os colaboradores que eu tenho e tentando arranjar mais, né? A gente fica tentando arranjar mais colaboradores com as postagens que a gente faz na página da ONG e aqui no Whatsapp particular de cada um, cada uma vai tentando se virando. [...]
Fonte e elaboração do autor
Deve-se destacar a alternativa implementada pela participante TSRESP02, que buscou o lado empreendedor como forma de amenizar os efeitos negativos do período. Outro destaque está na fala da participante TSRESP03, que afirmou ter vendido bens pessoais de pessoas envolvidas no trabalho para manutenção do abrigo.
Este é um breve recorte sobre este evento histórico enfrentado por diversos setores da sociedade e, obviamente, também pelo terceiro setor que integra o presente trabalho.
Caminhando para o final da exposição dos resultados do Núcleo Terceiro Setor, as participantes foram perguntadas sobre pontos de otimização relativos aos seus abrigos e à proteção e bem- estar animal em Itabuna, dados que serão apresentados na sequência.