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Quadro de pessoal e voluntariado

No documento universidade estadual de santa cruz (páginas 106-112)

TSRESP01 [...] a gente acabou abraçando o lar temporário porque é aquela família que dá aquele socorro imediato, até que a gente possa ou abrir uma vaga para receber esse animal, ou já encaminha ele pra adoção [...]

TSRESP03

[...] a gente leva para um lar temporário, que é na casa de alguns voluntários da ONG. Quando vai para esse lar temporário, fica também afastado dos animais dos voluntários, porque todos os voluntários nossos têm muitos animais em casa.

TSRESP07

Aqueles que vão adotado, vai saindo, vai tendo aquela rotatividade. E, quando a gente tá lotado é o lar temporário. [...] A gente procura outro lar temporário, que, às vezes, no lar temporário que o animal fica, às vezes, ele acaba sendo acontece da pessoa, né, se aperfeiçoar [sic] com o animal e depois querer a Deus [...]

Fonte e elaboração do autor

Durante as entrevistas, inferiu-se que mesmo em um LT, a responsabilidade sobre os animais ainda é da ONG ou protetora correspondente. A existência e necessidade do LT demonstra o estado de superlotação dos abrigos de Itabuna e ainda a falta de estrutura adequada para isolar animais em quarentena. As participantes reconhecem todos os problemas estruturais como desafios para o exercício de suas atividades. Ainda assim, continuam a desenvolver o trabalho, o que reflete a dedicação dos envolvidos à causa animal. Em síntese, por intermédio desta investigação, é possível afirmar que, sob o ponto de vista estrutural, os abrigos locais são improvisados e estão, em maioria, superlotados atualmente.

As participantes responderam nos seguintes termos:

Tabela 14 Quadro de pessoal do terceiro setor (2021)

Participante Ações

TSRESP01

Então, o grupo tem várias pessoas envolvidas. Vamos colocar uma média aí de 25 pessoas. Mas nem todo mundo tem a disposição de estar presente no abrigo, ajudando com mão de obra. Então, a maioria, às vezes, ajuda compartilhando em rede social, é, ajudam efetuando campanha, ajudam financeiramente. Mas aquelas pessoas que, realmente, se disponibilizam a ir no abrigo, cuidar, dar um banho, ajudar na limpeza, são poucas. Eu acredito que hoje são em torno de 6, 7 pessoas, no máximo, que tem, realmente, se disponibilizam a ir no abrigo, cuidar, dar um banho, ajudar na limpeza, são poucas. [...] Devido à pandemia, isso agravou [...] nos finais de semana, que tá aberto aos voluntários, que hoje fica em torno de 4, 5 pessoas no final de semana, no máximo, dividindo no sábado e no domingo. Então, a gente é bem carente, realmente, dessa mão de obra voluntária, né? As pessoas vão no início e se empolgam, gostam daquilo e depois elas, simplesmente, deixam de ir [...] a gente precisa, realmente, da ajuda dos voluntários. E, quando esses faltam, os animais, eles acabam ficando na situação mais difícil, né? Porque sobrecarrega um grupo menor de pessoas, que não dá conta da demanda, né, que chega para gente todos os dias.

TSRESP02 Apenas 4 [...]

TSRESP03

Então, atualmente, a gente conta com 3 voluntários ativos [...] São os voluntários que vão pra o local de resgate pra resgatar o animal ou pra receber o animal que veio da denúncia. E aí, somente essas 3 pessoas levam pro abrigo, levam nos veterinários, fazem o acompanhamento de perto, né, diário, desses animais. Mas a gente conta com mais 5 parceiros, que são parceiros que ajudam a gente esporadicamente. Por exemplo, se a gente precisa de alguma doação, a gente conta com esses 5 parceiros. Se a gente precisa de um lar temporário, a gente conta com esses 5 parceiros, certo? Então, mas ativos mesmo, diariamente, a gente tem apenas 3 voluntários.

TSRESP04

[...] A limpeza do local aí é eu e eu mesma. É assim, das 6 da manhã até meio- dia, meio-dia, 13 horas, eu tô aqui nesse abrigo aqui. Das 14 horas até às 16, 16:30, eu tô no segundo abrigo, entendeu? Então, nessa questão da limpeza, a não ser que seja, assim, um dia de banho. De um dia de banho aí eu chamo a pessoa, e aí eu dou um trocado pra essa pessoa me ajudar e dar banho na galera toda. Ajuda no banho.

TSRESP05 Não, sou só eu. Eu pagava uma pessoa pra ajudar, mas aí eu fui cortando a despesa, né, porque vai pesando. E aí, eu, agora, eu faço tudo sozinha. Ela fazia a limpeza lá, no gateiro, só limpeza.

TSRESP06 Não. Não. Tem não. Só quem me ajuda aqui é meu filho, meu esposo aqui em casa.

TSRESP07

[...] Olha, atualmente, só quem tá trabalhando mesmo são 5 pessoas. [...] E a gente, realmente, faz aquele trabalho diário. E, quando tem a castração, todas elas vêm até mim que eu consigo a castração dos animais, então? Então, quem tá trabalhando diretamente são essas meninas, nós 5.

Fonte e elaboração do autor

As respostas indicam um número pequeno de pessoas engajadas para uma quantidade considerável de animais. As respondentes consideram integrantes e voluntários em resposta à Q.14. A questão do voluntariado ainda será apresentada especificamente. A participante TSRESP03 relatou a evasão de pessoal que compunha a ONG, ao longo do tempo:

[...] no início da ONG, a gente contava com 20 voluntários, foram as 20 pessoas que fundaram a ONG. Dessas pessoas que fundaram a ONG, eu sou a única que continuou, né, os outros 19 não estão mais atuantes, não estão mais na ONG [...] quando a gente tinha esses 20 voluntários, a gente conseguia dividir mais as atividades [...] (TSRESP03)

A participante TSRESP03 não informou por quais motivos estas pessoas deixaram de integrar a ONG, mas a diminuição no quadro de pessoal é relevante e pode ser objeto de estudo próprio. Inclusive, a participante TSRESP07 elencou algumas razões para evasão de voluntários:

[...] tem gente que entra, mas depois não aguenta, não aguenta o trabalho, não aguenta porque vê muita coisa absurda. Que, como é que o ser humano pode fazer isso, de maus-tratos, né, de abandono, negligência, vê o que o animal tá doente, tá com pulga, tá com sarna. Quando começa, você tem que cuidar. Aí, às vezes, tem animal que chega sem quase pelo nenhum, meu Deus do céu, no corpo. [...] Então, tem muita negligência também e as pessoas são agressivas, são agressivas. [...] eu mesmo não tenho mais coragem de fazer o que eu fazia, sair de noite e no bairro Califórnia e não sei aonde, pra resgatar animal, com gente que você não sabe o tipo que é, e que lhe recebe mal e acha que tá agindo certo, né? Eu digo, eu acho que eu não tenho mais essa coragem, não.

(TSRESP03)

A declaração aponta o necessário preparo psicológico que as pessoas envolvidas nas atividades do terceiro setor necessitam. Além disto, há ainda o risco no momento de resgate, especialmente diante de de tutores que maltratam seus animais e são agressivos. Estas razões podem ser determinantes para a evasão do contingente voluntariado neste campo.

Sobre as funções do pessoal

-se que as pessoas envolvidas realizam tarefas de limpeza dos abrigos, alimentação dos animais, resgates, acompanhamentos em consultas veterinárias, tratamento dos animais, divulgação, venda de produtos, além de eventuais serviços de construções improvisadas.

O baixo número de integrantes no quadro formal das ONGs e voluntários faz com que haja uma sobrecarga de serviços para as pessoas efetivamente envolvidas. A manutenção dos abrigos, em especial as atividades de limpeza, demandam tempo e esforço, principalmente quando se tem um número elevado de animais sob tutela. No caso das ONGs formais, deve-se levar em consideração que existem ainda atividades administrativas que também demandam atenção das partes. Assim, várias atividades são concentradas em uma ou duas pessoas. A participante TSRESP03 relatou as atividades administrativas da ONG: [...] Então, sou eu e mais uma tesoureira, né, que nós somos, nós fazemos parte dessas 3 pessoas que estão à frente

da ONG. Eu e a tesoureira, a gente faz toda essa parte, né, administrativa e financeira (TSRESP03).

Para compreender melhor o serviço voluntário neste campo, as participantes protetora independente é aberta ao serviço

ONG/protetora i

Todas as participantes informaram que os abrigos são abertos ao serviço voluntário.

A participante TSRESP02 afirmou que: Sim. Se a pessoa quiser, entendeu? Agora, porque, assim, como é um trabalho muito duro mesmo, é muito difícil, assim, aguentar, porque a gente gasta muito tempo limpando, entendeu? [...] (TSRESP02).

A dificuldade em realizar as atividades de limpeza pode estar relacionada também a questão estrutural dos abrigos, já que estes são improvisados em edificações que não foram pensadas para esta finalidade. Provavelmente, em um abrigo planejado, as tarefas de limpeza tendam a ser facilitadas, o que pode atrair mais voluntários.

participantes mencionaram as seguintes tarefas:

Tabela 15 Serviços voluntários necessários para ONGs e abrigos de animais (2021) Participante Ações voluntárias disponíveis

TSRESP01

Os cuidados com os animais, ajudar a medicar, a limpeza do local, né, porque são muitos animais. Então, tem muitas fezes, urina, precisa estar trocando os paninhos que eles dormem, lavar esses panos, né, manter o ambiente limpo, adequado e ajudar na manutenção, tanto do local como dos animais, né, que necessitam de banhos, necessitam de outros cuidados.

TSRESP02 Rapaz, indo ajudar limpando, uma vez por semana já tá maravilhoso. Era esse nosso planejamento.

TSRESP03

Podem participar dos mutirões de banho, podem dar lar temporário, podem ajudar levando o animal pra o veterinário, podem medicar animais, se tiverem, né, é, disponibilidade. [...]

TSRESP04

Se ele se dispor [sic], aí pode lavar o abrigo, né, fazer o serviço de recolhimento das fezes de gatos, cachorros, né, e lavar tudo direitinho, lavar as vasilhas, pôr alimentação, né, pra os animais. É geralmente isso que se faz. Medicação, só se [...] tá fazendo Veterinária [...]

TSRESP05 Ah, pode ajudar pra dar banho, pra fazer a limpeza, que é fundamental, isso aí, né? Hoje eu já dei banho em 5 cachorros. Aí, só falta 2 pra dar banho amanhã.

TSRESP06 [...] eu acho que se eu tivesse um veterinário voluntário, seria ideal porque eu tenho muitos animais, que eu não sei se tá doente [...] só sei quando tão quieto.

TSRESP07 A gente precisa, voluntário, pode ser, seria ótimo pra conseguir doação de ração, doação de medicação, né? [...] às vezes, a gente encontra alguns voluntários, que já sabe da nossa ONG, então, eles fazem doação de ração [...]

Fonte e elaboração do autor

Conseguir voluntários é um desafio para o terceiro setor local que se volta à proteção animal. Um fator que explica isto é o fato de estarmos inseridos em uma sociedade especista, assim como apontado por Singer (2020), ou seja, à atenção aos animais não é prioridade para boa parte da população. Outra razão pode estar relacionada à natureza dos serviços que os abrigos precisam: limpeza. As entrevistadas reconhecem que limpar os abrigos constituem uma tarefa difícil, haja vista o número de animais abrigados e a características estruturais improvisadas. Assim, atrair voluntários para recolher fezes de cães e gatos é uma barreira considerável. Ultrapassar estas limitações requer uma grande mudança de ideário da população para conscientização de que os animais abrigados merecem atenção e consideração.

As participantes também foram submetidas ao seguinte questionamento:

veterinário é membro integrante da ONG (ou atua em parceria com a protetora i . As participantes mencionaram parcerias com alguns veterinários, mas nenhum deles integra o quadro pessoal das ONGs e das protetoras independentes.

protetora i

participantes negaram a existência de uma lista de voluntários. Entretanto, a TSRESP01, quando perguntada, falou sobre a percepção social sobre a ONG, nos seguintes termos:

[...] a gente montou um grupo de Whatsapp, né, onde tem essas pessoas e ali a gente discute os assuntos da ONG, as necessidades, as pessoas que podem ir no final de semana, ou não. Então, esse grupo é fechado no momento, e as outras pessoas que se interessarem em fazer parte, elas passam primeiramente, por uma entrevista porque a gente, infelizmente, ainda precisa saber quem realmente tá vindo com objetivo de ajudar, ou não. Porque tem muita gente que, às vezes, se interessa em saber onde é a ONG não para ajudar, mas para ir abandonar animais ou para entregar os animais que estão na sua residência por que as pessoas ainda tem essa dificuldade de entender qual é realmente a função da ONG. Então, muita gente entra em contato dizendo que quer ser voluntário. Na verdade, a pessoa só quer saber onde é o endereço da ONG para ir lá entregar algum animal. [...] (TSRESP01)

A resposta demonstra que a percepção social sobre o papel das ONGs, às vezes, é desvirtuada. O relato indica que há falta de conscientização não apenas em relação à proteção e bem-estar animal, mas também sobre como as ONGs e protetoras se inserem neste contexto.

Aparentemente, há uma parcela da população que terceiriza a responsabilidade por seus animais, abandonando-os diretamente junto aos abrigos. Este é um ponto que também influencia na captação de serviço voluntário já que, como dito pela participante TSRESP01, as ONGs e os protetores não podem sequer divulgar seus endereços para visitação de pessoas interessadas. As protetoras independentes entrevistadas também confirmaram esse problema.

Em resposta à , apenas a participante TSRESP07 mencionou que os voluntários não são assíduos. As participantes TSRESP05 e TSRESP06 atuam ou sozinhas ou com ajuda de familiares. Contudo, a participante TSRESP01 afirma que nem sempre é possível contar com a mão de obra voluntária:

[...] não dá sempre para contar com mão de obra voluntária e, principalmente, quando chega Natal, ano novo, carnaval, feriado. As pessoas não comparecem e esses animais, eles precisam ser cuidados de domingo a domingo porque todos os dias você tem que tá ali pra limpar, pra alimentar, pra dar banho, pra trocar o pano, pra colocar água, pra colocar comida. Então, não tem feriado.

São todos os dias. E ninguém aguenta fazer esse serviço voluntário constantemente porque as pessoas, além de ter outros afazeres, geralmente, a maioria tem trabalho paralelo, tem que se sustentar de outra maneira, né?

Então isso dificulta pra ONG. (TSRESP01)

A relação entre o número de animais e a quantidade de pessoas envolvidas no trabalho é representada pela seguinte tabela:

Tabela 16 Número de animais abrigados por quadro de pessoal do terceiro setor (2021) Participante Cães e gatos Quadro de

pessoal Média de animais por pessoa

TSRESP01 420 71 60

TSRESP02 159 4 39,7

TSRESP03 50 3 16,6

TSRESP04 148 1 148

TSRESP05 112 1 112

TSRESP06 48 3 16

TSRESP07 Não informado 5 Cálculo prejudicado

Total aprox.. 937 24

Fonte e elaboração do autor

O número de animais por pessoa no terceiro setor é elevado, o que leva à consequência já apontada de sobrecarga de trabalho diário, que ocorre de forma mais acentuada entre as protetoras independentes. Este cenário pode ser suficiente para que alguns atores do terceiro setor encerrem suas atividades, o que seria considerado como um problema grave de saúde pública levando-se em consideração que os animais abrigados poderiam retornar às ruas do Município.

1 A participante TSRESP01 informou, em resposta à Q.14, que em torno de 4 ou 5 pessoas do grupo de voluntários

estão disponíveis nos finais de semana. Além destas, para tabela, foi acrescentada a própria participante e outra integrante formal da ONG, o que levou a o número 7 no quadro de pessoal.

Visto os problemas relativos ao quadro de pessoal e voluntário, cabe apresentar os resultados da investigação sobre a parte especifica dos custos de manutenção, cenário ideal, formas de financiamento e prestação de contas.

10.5 Custos de manutenção, cenário financeiro ideal, formas de financiamento e

No documento universidade estadual de santa cruz (páginas 106-112)

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