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sociedade conjugal, conforme o disposto no art. 1.622, parágrafo único do Código Civil.160

O tutor ou o curador que pretender adotar o pupilo ou o curatelado, somente poderá fazê-lo se prestar contas da administração e saldar o débito. (art. 1.620 CC).161

Art. 227, § 6º. Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.

Desta forma, passa a ser o parentesco o da adoção, ou seja, os parentes dos adotados serão os dos pais adotantes. Remanescendo apenas a vinculação relativa aos impedimentos para o casamento.167

Por força do parentesco biológico, o impedimento matrimonial é irremovível na esteira de razões morais, éticas e genéticas. Nesse sentido, os impedimentos atingem o adotado com relação a ambas as famílias, a adotante e a biológica.168

Há a transferência para o adotante definitiva e de pleno direito do poder familiar, se o adotado for menor, com todos os direitos e deveres que lhe são inerentes.169

Acerca do poder familiar170 ressalta Venosa171:

Como corolário, o pátrio poder é assumido pelo adotante, com todos os deveres respectivos, suprimindo-se o pátrio poder dos pais biológicos a partir da sentença que defere a adoção.

Destaca Rizzardo172:

Assim, sejam quais forem os eventos que ocorrerem, não se autoriza aos pais sanguíneos desconstituírem o liame criado. Na hipótese de conduta nociva à criação ou formação do filho, o caminho é a destituição do poder familiar, e não a revogação do ato da adoção.

166 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: direito de família. p. 344.

167 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família: Lei nº 10.406, de 10.01.02. p. 590.

168 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: direito de família. p. 345.

169 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito de família. p. 458.

170 O Código Civil de 2002 optou por designar este instituto como poder familiar.

171 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: direito de família. p. 344-345.

172 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família: Lei nº 10.406, de 10.01.02. p. 591.

Os vínculos de filiação do pai ou da mãe são mantidos quando casado ou companheiro do adotante.173

O art. 1627 do Código Civil de 2002 estipula que a decisão que decreta a adoção confere ao adotado o sobrenome do adotante, podendo determinar a modificação de seu prenome, se menor, a pedido do adotado ou do adotante. É aberta, portanto, exceção ao princípio de imutabilidade do prenome.174

Discorre Granato175 acerca do direito ao uso do patronímico do adotante:

A transmissão do nome de família é efeito decorrente da decretação da adoção. Quando o adotado adquire o estado de filho legítimo do adotante, assume, com isso, o nome de família ou patronímico.

A pessoa adotada tem o direito de usar os apelidos do adotante juntamente com os nomes dos pais naturais. Pode o adotado, contudo, preferir suprimir os apelidos dos pais naturais, mantendo somente os apelidos dos pais adotantes.176

Desta forma, é conferido ao adotado o sobrenome do adotante, conferindo-se assim, um direito, o qual fica na disposição do adotado aceitar ou não. Sendo possível manter o sobrenome anterior.177

Dentre os efeitos patrimoniais destacam-se o direito sucessório, a obrigação de alimentar e o usufruto e administração dos bens do adotado, pelo adotante.

173 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família: Lei nº 10.406, de 10.01.02. p. 591.

174 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: direito de família. p. 345.

175 GRANATO, Eunice Ferreira Rodrigues. Adoção: doutrina e prática. p. 91.

176 ISHIDA, Valter Kenji. Direito de família e sua interpretação doutrinária e jurisprudencial. p.

237.

177 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família: Lei nº 10.406, de 10.01.02. p. 592.

Com o mandamento constitucional do artigo 227, § 6º e o artigo 20 do ECA, não resta dúvida sobre a aquisição do direito do adotado em suceder ao adotante.178

Diante da posição de filho do adotante, desfruta o adotado de todos os direitos que a lei confere aos descendentes, entre eles e no campo econômico os direitos sucessórios e alimentícios.179

Enquanto aos direitos e deveres alimentícios discorre Granato180: ”A obrigação de prestar alimentos é recíproca entre adotante e adotado, no mesmo grau de obrigatoriedade, como se fossem pai e filho biológicos”.

Desta forma, o adotado pode pleitear alimentos do pai adotivo e, se necessitar, também pode exigi-los dos membros de sua família adotiva. Do mesmo modo, se necessitar, o pai adotivo pode pedir alimento ao filho adotivo.181

Tornando-se o adotado filho legítimo dos adotantes, incumbe a estes administrar e usufruir dos bens daquele, conforme disposto no artigo 1.689, I e II182 do Código Civil de 2002.183

Gera a adoção um parentesco civil, entre o adotante e adotado, mas em tudo equiparado ao consangüíneo.184

A adoção começa a produzir efeito a partir do trânsito em julgado da sentença que a concede, com exceção se o adotante vier a falecer

178 GRANATO, Eunice Ferreira Rodrigues. Adoção: doutrina e prática. p. 91.

179 RODRIGUES, Sílvio. Direito civil. p. 387.

180 GRANATO, Eunice Ferreira Rodrigues. Adoção: doutrina e prática. p. 93.

181 GRANATO, Eunice Ferreira Rodrigues. Adoção: doutrina e prática. p. 93.

182 Art. 1.689, do CC: “O pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar: I – são usufrutuários dos bens dos filhos; II – têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade”.

183 GRANATO, Eunice Ferreira Rodrigues. Adoção: doutrina e prática. p. 94.

184 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito de família. p. 105.

durante o seu procedimento. Situação esta, em que a adoção terá força retroativa à data do óbito.185

Ressalta Rodrigues186:

A adoção constituída por sentença judicial será inscrita no registro civil. Do mandado que a ordenar não se dará certidão, porque o intuito é o de que todos o esqueçam. Cancelar-se-á o registro original e nenhuma observação sobre a origem do ato poderá constar na certidão de registro. Nesta figurarão os nomes dos pais do adotante como avós do adotado.

Uma vez inscrita no cartório de registro civil a adoção, rompem-se por completo os vínculos entre o adotado e sua família biológica, excetuando-se para os fins dos impedimentos matrimoniais, evitando-se, desta forma, práticas ofensivas à ordem pública, a moral e aos bons costumes.187

Ademais, cabe ressaltar que apesar de rompidos os vínculos e cancelado o registro original do adotado, não sendo feita qualquer menção acerca da modificação, os dados permanecerão disponíveis para eventual requisição pela autoridade judiciária. E o cartório de registro que revelar indevidamente estes dados ficará sujeito a penalidades administrativa, criminais e/ou civis (perdas e danos, mormente de ordem moral).188

Por derradeiro, a adoção cria um vínculo absoluto entre o adotado, o adotante e a família deste; portanto, decorrência lógica dessa solução legal é sua perenidade189, ou seja, este novo vínculo de filiação é definitivo190.

Desta forma, constatados os requisitos legais necessários a concretização da adoção, bem como os efeitos oriundos deste vínculo, é que se passará a analisar, diante do ordenamento jurídico brasileiro a possibilidade ou

185 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família: Lei nº 10.406, de 10.01.02. p. 593.

186 RODRIGUES, Sílvio. Direito civil. p. 387.

187 LISBOA, Roberto Senise. Manual de direito civil: direito de família e das sucessões. p. 338.

188 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil: direito de família. p. 343.

189 RODRIGUES, Sílvio. Direito civil. p. 388.

190 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família: Lei nº 10.406, de 10.01.02. p. 591.

não da concessão da adoção à pares homoafetivos, levando-se em consideração os princípios basilares contidos na Constituição Federal.