6.2 CONSTRUÇÃO DO PRODUTO EDUCACIONAL
6.2.3 Eixo comunicacional
Esta etapa da construção do produto educacional é muito importante, pois ela será o facilitador da interatividade dos conceitos desenvolvidos nos dois eixos anteriores. Para isso devemos ser cuidadosos e criativos ao desenvolver o layout desse produto, para alcançaremos nosso objetivo, tirando as dúvidas e apresentando novos conceitos que permitirão que os utilizadores do produto entendam como o espaço geográfico é construído pela ação do nosso trabalho. “O layout é a técnica de administração de operações cujo objetivo é criar a interface homem-máquina para aumentar a eficiência do sistema de produção” (JONES &
GEORGE, 2008, p. 2).
Abaixo, encontram-se imagens da capa e do sumário do produto educacional que, após a validação pela banca, estará disponível gratuitamente nos repositórios do PROFEPT Vitória, na Biblioteca do Campus Vitória, e no Portal Educapes.
Assim, nossa proposta educativa contempla os princípios teóricos que a compõe em uma organização visualmente harmônica para a apresentação dos planos de aula da sequência didática.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa buscou entender como os alunos da EJA veem a ação humana a partir do trabalho construindo o espaço geográfico, para isso buscamos a fundamentação teórica em: Marx (1969) que nos alude sobre o conceito de trabalho e como ele pode ser um principio educativo; Santos (2009), que entende que o espaço geográfico é construído pela ação humana através do tempo, mas que deve ser enxergado com a contribuição da meta disciplina; Frigotto (2012), que versa sobre os conceitos de omnilateralidade e formação humana integral e Arroyo (2001) que traz sua contribuição sobre a Educação de Jovens e Adultos.
Depois de realizamos a roda de conversa e aplicarmos o primeiro questionário, verificamos que a maioria dos estudantes da segunda etapa da EJA enxergavam o trabalho e o emprego como sinônimos. A partir de sua vivência no mercado de trabalho entendiam que a sua força de trabalho é a única forma de garantir seu sustento, pois, a partir dele receberiam um salário para satisfazer suas necessidades.
Muitos alunos entendem que o espaço geográfico é algo que não é da natureza, poucos entendiam que o espaço geográfico era algo criado pelo homem.
Provavelmente, por essa razão nenhum discente compreendeu que existia a relação entre a construção do espaço geográfico e o trabalho.
A partir da constatação de que a maioria dos alunos não compreendiam os conceitos de espaço geográfico e sua relação com o trabalho, desenvolvemos uma sequência didática colocando a geografia como uma ponte que ligue as demais disciplinas do currículo da segunda etapa da EJA da Rede Estadual de Ensino do Espírito Santo, tendo eixo principal o trabalho.
Para a realização desta pesquisa tivemos um percalço, que foi a sazonalidade da presença dos alunos nas aulas, que inicialmente foi um problema, mas que foi contornado pela aplicação dos planos de aula novamente para os discentes que por diversos motivos não compareceram as aulas ministradas.
Mesmo diante das dificuldades entendemos que esta pesquisa pôde contribuir para o desenvolvimento da sequência didática, sendo que ela poderá ser aplicada de forma interdisciplinar aos alunos da Rede Estadual de Ensino do Espírito Santo, possibilitando assim ao professor de geografia aplicar as aulas previstas de forma transdisciplinar propiciando aos discentes uma formação mais omnilateral,
oportunizando aos mesmos compreenderem seu papel como cidadão ativo na construção de uma sociedade mais igualitária.
Findada as três primeiras etapas, ministramos aulas que abordavam as categorias geográficas e o conceito de trabalho com categoria teórica, para isso utilizamos quatro planos de aulas interdisciplinares que utilizaram sete aulas, em que abrimos espaço para outra roda de conversa partida dos conceitos já adquiridos nas aulas ministradas. Finalizamos a pesquisa aplicando o último questionário semiestruturado, por meio do qual verificamos:
Quase que a totalidade dos discentes relatou que o espaço geográfico é o espaço criado pelo homem no decorrer do tempo histórico e que esse trabalho constrói tudo o que está a sua volta, ou seja, o trabalho é responsável pela produção do espaço geográfico.
Podemos entender o espaço geográfico é construído pelo homem para melhor se adaptar ao meio natural, possibilitando-o viver em sociedade, a construção desse espaço é feita ao longo do tempo diferenciando-se pelo globo terrestre, pois cada um é construído a partir das características próprias de cada povo.
Contudo, como os estudantes trabalhadores da Educação de Jovens e Adultos compreendem o trabalho como algo que possa ser educativo? Conseguimos perceber a resposta para este questionamento nas falas de alguns alunos, em que explicitam como começar a trabalhar lhes deu novas perspectivas, lhes favoreceu crescer como profissional, como o caso do Pedro que era servente, depois se profissionalizou pedreiro igual seu pai. Essas falas nos desvelam a importância do trabalho não só o crescimento profissional, mas vai além, pois também abrem novos horizontes na vida desses estudantes trabalhadores.
Com esses conceitos em evidência podemos constatar que dezoito alunos conseguiram relacionar a construção do espaço geográfico a partir do trabalho.
Perceberam que as atividades remuneradas que exerciam eram o emprego, enquanto o conceito de trabalho era mais amplo, pois, não necessariamente deveria ser remunerado, como por exemplo, estudar na percepção deles seria também uma forma de trabalho, isso porque é uma atividade tipicamente humana e consciente com intuito de satisfazer suas necessidades.
Para não fazer apenas uma análise reducionista do trabalho, percebemos a distinção entre conceitos de trabalho concreto e abstrato, pois os participantes da
pesquisa conseguiram assimilar o conceito de trabalho, mas ainda fazem essa relação na maioria das vezes com o trabalho abstrato, que é aquele apontado por Marx como uma mercadoria, ou seja, o trabalhador utiliza sua força de trabalho como uma moeda de troca. É justamente essa concepção de trabalho que o sistema capitalista busca difundir para manter sua relação de poder com o detentor dessa força motriz que matem o sistema funcionando. Sendo o trabalho concreto sendo aquele que gastamos energia e sua finalidade são de satisfazer as nossas necessidades.
Mas também percebemos a partir das falas dos estudantes, que em vários casos entendem o trabalho no sentindo concreto, em outras palavras, é a partir do trabalho que o ser humano pode buscar satisfazer suas necessidades corpóreas (físicas), espirituais (intelectuais). Para isso o trabalhador deveria ter o tempo de ócio destinado a essas atividades não laborais, como entende Marx 2013, o trabalhador para usufruir do trabalho como meio de emancipação, deve ter momentos de ócio, isto é, tempo livre satisfazer outras necessidades, como ler um livro, assistir uma peça em um teatro, praticar esportes, dentre outras dezenas ocupações para esses momentos livres que lhes propiciará usufruir do trabalho como alforria da condição imposta pelo sistema capitalista.
8 REFERÊNCIAS
ABRÃO, J. A. A. Concepções de Espaço Geográfico e Território. Sociedade e Território, [S. l.], v. 22, n. 1, p. 46–64, 2012. Disponível em:
https://periodicos.ufrn.br/sociedadeeterritorio/article/view/3490. Acesso em: 31 out.
2022.
AFONSO, M. L.; ABADE, F. L. Para reinventar as rodas: rodas de conversa em direitos humanos. Belo Horizonte: RECIMAM, 2008
ANDRADE, E. R. Os sujeitos educandos na EJA. TV Escola, Salto para o
Futuro. Educação de Jovens e Adultos: continuar... E aprender por toda a vida.
Boletim, v. 20, 2004.
ANDERY, M. A. P. A. et al. Para compreender a ciência: uma perspectiva histórica. Rio de Janeiro: Garamond, 2012. 436 p.
ANTUNES, R. (Org.) A dialética do trabalho: escritos de Marx e Engels. São Paulo: Expressão Popular, 2009.
ARAÚJO, D. L de. O que é (e como se faz) sequência didática? Entre palavras, Fortaleza.v. 3, n.1, p.322-334, jan/jul 2013.
ARROYO, M. A Educação de Jovens e Adultos em tempos de exclusão.
Alfabetização e Cidadania. São Paulo: Rede de Apoio à Ação Alfabetizadora do Brasil (RAAAB), 2001.
BIONDO, E. C. Ambiente e Geografia: um estudo da relação entre espaço geográfico e educação ambiental. Porto Alegre – 2018.
Brandão, C. R. A pesquisa participante e a participação da pesquisa um olhar entre tempos e espaços a partir da América Latina. 3 ed. São Paulo: Brasiliense.
2001.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília:
Senado Federal, Centro Gráfico, 1988.
________. LEI Nº 5.379, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1967. Lei do MOBRAL.
Brasília, DF, 1967.
________. LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 1996.
________. Resolução Nº 466 - Conselho Nacional de Saúde. Brasília, 12 DE DEZEMBRO DE 2012.
BRASÍLIA. ‐ Resumo Técnico Do Estado Do Espírito Santo Censo Da Educação Básica 2019 - DF Inep/MEC 2020.
________. Resumo Técnico Do Estado Do Espírito Santo Censo Da Educação Básica 2019 - DF Inep/MEC 2022.
CAMPOS F. B. - A PRODUÇÃO DOS SIGNIFICADOS DE NATUREZA NO PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DE DOURADOS/MS (1970-2018): os papeis desempenhados pelo planejamento urbano e ambiental na reprodução das desigualdades socioespaciais - DOURADOS/MS – 2018.
CIAVATTA, M. VII Seminário sobre Trabalho e Educação – Uma década de estudos e pesquisas sobre trabalho e educação na Amazônia, realizado no Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Pará, dias 20 e 21 de outubro de 2011.
________.Dicionário da Educação Profissional em Saúde. Fundação Oswaldo Cruz – Rio de Janeiro – 2009.
CREUZ, V. Economia e geografia – Relações e interfaces – Editora UEMS, Mato Grosso do Sul – 2020.
COSTA, F. R. da; ROCHA, M. M. Geografia: conceitos e paradigmas -
apontamentos preliminares. Revista GEOMAE - Geografia, Meio Ambiente e Ensino. Vol. 01, Nº 02, 2º SEM/2010.
DI PIERRO, M.C. Notas sobre a redefinição da identidade e das políticas
públicas de Educação de Jovens e Adultos no Brasil. Educ. Soc., Campinas, vol.
26, n. 92, p. 1115-1139, Especial - Out. 2005.
DRUCK, G. TRABALHO, PRECARIZAÇÃO E RESISTÊNCIAS: novos e velhos desafios? CADERNO CRH, Salvador, v. 24, n. spe 01, p. 35-55, 2011.
ESPÍRITO SANTO. Currículo Básico Escola Estadual – Ensino Médio - Volume 03 – Área de Ciências Humanas – 2009.
FALCON, F. J. C. A época pombalina: política econômica e monarquia ilustrada.
Ensaios. 2.ed. São Paulo: Ática, 1993.
FERREIRA J. P. et al. - Enciclopédia Dos Municípios Brasileiros - XXII VOLUME RIO DE JANEIRO - 1 9 5 9.
FOUCAULT, M. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1987.
_________. A Arqueologia do Saber. Tradução de Luiz Felipe Baeta Neves, Rio de Janeiro - Forense Universitária, 2008.
FRIGOTTO. G. Trabalho como princípio educativo. In: CALDART, R.; PEREIRA, I.
ALENTEJANO, P.; FRIGOTTO, G. (Orgs.). Dicionário da Educação do Campo. Rio de Janeiro, São Paulo: Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Expressão Popular, 2012.
GADOTTI, M. “Paulo Freire: uma bibliografia”. Brasília, DF. UNESCO – 1996.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. - São Paulo: Atlas, 2002.
GRAMSCI, A. Os intelectuais e a organização da cultura. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. 8ª edição. Rio de Janeiro-RJ: Civilização Brasileira, 1991.
_________. Cadernos do cárcere. Volume 8. Edição e Tradução de Carlos Nelson Coutinho; coedição de Luiz Sérgio Henriques e Marco Aurélio Nogueira. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira. 2016.
_________. Cadernos do cárcere, v. 2: os intelectuais. O princípio educativo.
Jornalismo. Ed. e trad. de Carlos N, Coutinho. Coed. de Luiz S. Henriques e Marco A. Nogueira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000a.
HADDAD, S.; DI PIERRO, M. C. Escolarização de jovens e adultos. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, n. 14, 2000.
JONES, Gareth R.; GEORGE, Jennifer M. Administração Contemporânea. 4ª edição. São Paulo: McGraw-Hill, 2008.
KAPLÚN, G. Material educativo: a experiência do aprendizado. Comunicação &
Educação, São Paulo, p. 46. maio/ago. 2003.
KUENZER, A. Z. Educação e trabalho no Brasil: o estado da questão. Brasília:
Inep; Santiago: Reduc, 1991.
LEMOS, L. M. (2021). O trabalho de campo como experiência educativa em geografia. Geographia, 23(50).
https://doi.org/10.22409/GEOgraphia2021.v23i50.a41079
LESSA, S. Mundo dos homens: trabalho e ser social. – São Paulo: Instituto Lukács, 2012. – 3.ed. rev. cor.
SA, S.; TONET, I. Introdução à filosofia de Marx. São Paulo: Expressão Popular, 2010.
LOPES, L. M., FIALHO, G. D., SANTOS, S. G. R., & Lima, M. C. (2018).
Alfabetização na EJA: Uma revisão bibliográfica. Ciclo Revista (ISSN 2526- 8082), 3(1). Recuperado de
https://periodicos.ifgoiano.edu.br/index.php/ciclo/article/view/714
LOBO, S. A. Políticas para educação sob o Governo Bolsonaro e seus impactos sobre a formação de professores. Belo Horizonte, 2020.
LUNA, J. C.; NETO, L. B. Contribuições marxistas para compreender as
relações de trabalho na sociedade brasileira. Revista Expedições, Morrinhos/GO, v. 9, n. 3, mai./ago. 2018.
LUKÁCS, G. Para uma ontologia do ser social. v. I. São Paulo: Boitempo, 2012.
MARX, K. O Capital. Crítica da economia política – livro I – O processo de produção do capital - 4ª ed. São Paulo: Boitempo, 2013.
MARX, K.; ENGELS, Friedrich. Crítica da Educação e do ensino. Introdução, tradução e notas de Roger Dangeville. Paris: Maspero, 1978.
MÉLLO, R. P. et al. Construcionismo, práticas discursivas e possibilidades de pesquisa. Psicologia e Sociedade, v.19, n.3, p. 26-32, 2007.
MORAES, A. C. R. Geografia, interdisciplinaridade e metodologia. GEOUSP – Espaço e Tempo (Online), São Paulo, v. 18, n. 1, p. 9-39, 2014.
MOURA, M. G. C. Educação de Jovens e Adultos: um olhar sobre sua trajetória histórica/ Maria da Glória Carvalho Moura – Curitiba: Educarte, 2003.
NÓVOA, A. Professores: imagens do futuro presente. Lisboa: Educa, 2009.
OLIVEIRA, F. M. - Expansão Industrial e Dinâmicas Sócio-Espaciais No município De Serra – Vitória – ES – 2007.
PACHECO, E. Fundamentos políticos-pedagógicos dos Institutos Federais.
IFRN Editora. Natal, 2015.
OSTUNI, J. Carlos Ritter.In: Boletim Geográfico. v. 26, n. 196, 1967.
SANTOS, D. D. dos; ALMEIDA, N. F. de. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) como política pública no município de São Paulo (SP): uma revisão
bibliográfica, Rio de Janeiro – 2020.
SANTOS, J. N. dos; BRANCHER V. R. Formação de professores da educação profissional e tecnológica- ept e narrativas de formação: uma revisão
literatura. Acta Tecnológica v.12, nº 1, 2017.
SANTOS, M. A Natureza do Espaço. 4ª ed. São Paulo: Editorada Universidade de São Paulo, 2006.
SANTOS, dos P; SILVA, G da. O s Sujeitos da EJA nas Pesquisas em Educação de Jovens e Adultos. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 45, n. 2, e96660, 2020.
SAVIANI, D. O choque teórico da politecnia. Revista Trabalho, Educação e Saúde, n. 1, v. 1, p. 131-152, 2003.
SPUDEIT, D. Elaboração do Plano de Ensino e do Plano de Aula. Rio De Janeiro – 2014.
SOUZA, Paulo Renato. O que são empregos e salários. São Paulo: Brasiliense, 1986.
TEIXEIRA, de C. J. CARLOS; Gonçalves, Thalismar Matias. RODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO DA SERRA-ESPÍRITO SANTO: estratégias recentes da construção imobiliária. Mercator - Revista de Geografia da UFC, vol. 8, núm. 17, septiembre-diciembre, 2009, pp. 69-78 Universidade Federal do Ceará Fortaleza, Brasil.
__________. Trabalho e educação: fundamentos históricos e ontológicos.
RevBrasEduc, v. 12, n. 34, p. 152-65, 2007.
VÁZQUEZ, A. S. As Ideias Estéticas de Marx. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968.
VERSOLATO, R. – Trabalho Abstrato e Trabalho Concreto: um estudo a partir da obra “O Capital”. Anais do V Colóquio Internacional Marx e os Marxismos. São Paulo, 2013.
Yin, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos; trad. Daniel Grassi - 2.ed. - Porto Alegre: Bookman, 2001.
APÊNDICE A – PRODUTO EDUCACIONAL
SEQUÊNCIA DIDÁTICA: ARTICULANDO O TRABALHO COM O ESPAÇO GEOGRÁFICO NO DIA A DIA DOS ESTUDANTES TRABALHADORES DA EJA.
ALESSANDRO VASCONCELOS SILVA
POLLYANA DOS SANTOS
SEQUÊNCIA DIDÁTICA: ARTICULANDO O TRABALHO COM O ESPAÇO GEOGRÁFICO NO DIA A DIA DOS ESTUDANTES TRABALHADORES DA EJA.
ALESSANDRO VASCONCELOS SILVA
POLLYANA DOS SANTOS Autores
Vitória/ES 2022
SUMÁRIO
Apresentação...7 1 Fundamentação teórica...6 2 Sequencia didática...7 2.1 Objetivos...7 2.2 Conteúdos programáticos...7 2.3 Metodologia...8 2.4 Recursos...8 2.5 Avaliação...8 2.6 Referencias...9 3 Plano da aula – 1 – As paisagens mundiais e a dinâmica da
4 Litosfera, continentes e oceanos e o relevo terrestre...11 Plano da aula – 2 – Territorialização dos recursos energéticos:
origem, localização das fontes, circulação e produção...14 5 Plano da aula – 3 – Globalização: aspectos conceituais e desdobramentos no espaço geográfico...17 6 Plano da aula – 4 – Técnicas e tecnologias na organização da produção e do trabalho... ...20 7 Considerações finais...23
APRESENTAÇÃO
Prezado (a) professor (a) este material é resultado de uma pesquisa desenvolvida no Mestrado em Educação Profissional e Tecnológica – PROFEPT – e apresenta para você uma proposta de uma sequência didática a ser aplicada com os alunos da Educação de Jovens e Adultos com os princípios da educação profissional Apresentaremos a você quatro planos de aulas que perfazem um total sete aulas, direcionado ao ensino de: as paisagens mundiais e a dinâmica da litosfera;
Territorialização dos recursos energéticos e o uso de energias renováveis;
Globalização e seu desdobramentos; Técnicas e tecnologias na organização da produção e do trabalho.
Para iniciarmos apresentaremos essa sequência com o objetivo de apresentar a disciplina de geografia como fio condutor de uma proposta educativa interdisciplinar que dialogue com os conteúdos das disciplinas de: Física, química, matemática, língua portuguesa, sociologia, filosofia, história e biologia presentes nas matrizes curriculares de cursos de Educação de Jovens e Adultos e de cursos de formação de educação profissional e tecnológica.
Por ser uma disciplina que dialoga com outras áreas do conhecimento, tomamos a geografia como ponto focal para promovermos a interdisciplinaridade entre as disciplinas que compõe a grade curricular da segunda etapa da Educação de Jovens e Adultos a partir da categoria trabalho, como na figura a seguir:
Figura 2: Geografia como norteador da interdisciplinaridade baseada na categoria trabalho
Convidamos você a conhecer a sequência didática que se segue.
1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Nesta sequência didática desenvolvemos aulas teóricas e práticas com a finalidade de propiciar aos estudantes da Educação de Jovens e Adultos a nível médio, para professores da Educação de Jovens e Adultos articulada à Educação Profissional e para professores da Educação profissional a nível médio a possibilidade de relacionarem a construção do espaço geográfico por meio do trabalho, numa perspectiva da omnilateralidade. Para iniciarmos, buscamos em Santos, entender que o nosso espaço é construído ao longo da história, e, por não ser estático, está sempre em movimento contínuo, sendo nossa prática laboral responsável pela construção e reconstrução do espaço que está a nossa volta.
Dessa forma, esse espaço que está em constante construção é chamado de espaço geográfico.
Depois de entendermos o significado de espaço geográfico, buscamos nas concepções de Lessa, o conceito de trabalho, que para ele é a atividade humana que transforma a natureza nos bens necessários à reprodução social, criando o próprio homem, ou seja, a partir da transformação da natureza o homem se diferencia dos outros animais. De fato, o trabalho nos traz uma enorme possibilidade de encontrarmos nossa origem como homo sapiens e ao mesmo tempo nos diferenciamos dos outros seres animais. Mas como proporcionar que o trabalho alcance todo esse potencial? Devemos buscar a formação do homem em todas as suas dimensões. Para isso devemos entender a formação omnilateral.
Em que Frigotto entende a formação omnilateral é aquela oferecida a todos – sem distinção de classe social, credo ou cor – buscando desenvolver o ser humano em todas as suas dimensões, ou seja, desenvolver plenamente as dimensões objetivas ou subjetivas, levando-os a uma emancipação total, permitindo a cada pessoa alcançar todos os níveis de sua formação humana, proporcionando- lhe ser um operário ou dirigente, segundo sua própria vontade e não pela designação do sistema.
A partir do exposto, endentemos que para oferecermos a formação omnilateral aos educandos, devemos utilizar a sequencia didática a seguir.
2 SEQUÊNCIA DIDÁTICA
Disciplina: Geografia Nível: Médio da EJA/EPT
Docente: Alessandro Vasconcelos Silva
Turma: 2a Etapa da EJA, sendo possível também a aplicação na EPT Carga Horária: Sete Horas
2.1 Objetivos Gerais:
Associar as paisagens mundiais com a dinâmica da Litosfera, localizando os biomas e domínios morfoclimáticos e fazendo a classificando os tipos de clima;
Citar os recursos naturais e modos de produção relacionando-os ao capital mundializado e fazer a analise da territorialização dos recursos energéticos;
Correlacionar o desenvolvimento com os Impactos Ambientais;
Deduzir os efeitos da globalização e os desdobramentos no espaço geográfico;
Esquematizar as técnicas e tecnologias na organização da produção e do trabalho;
2.2 Conteúdo Programático Aplicado:
As paisagens mundiais e a dinâmica da Litosfera, continentes e oceanos e o relevo terrestre.
Minerais e rochas e os tipos de solos: práticas de manejo e conservação
A dinâmica da atmosfera: elementos e fatores, classificação e tipos de clima.
Recursos naturais e modos de produção: o capital mundializado
Territorialização dos recursos energéticos: origem, localização das fontes, circulação e produção.
Fenômenos da natureza: alterações antrópicas e implicações em sua dinâmica global-local e local-global.
Globalização: aspectos conceituais e desdobramentos no espaço geográfico.
Técnicas e tecnologias na organização da produção e do trabalho.
Divisão internacional do trabalho e da produção Fluxos, estradas e redes:
circulação de ideias, tecnologias, pessoas, mercadorias, comunicações e informações.
2.3 Metodologia:
Nas sete aulas de geografia aplicadas para a Segunda Etapa da Educação de Jovens e Adultos utilizamos vários métodos para melhor alcançar os objetivos descritos neste plano, dentre eles: confecção de maquetes, trabalho em grupo, estudo dirigido, debates, aula expositiva, proposição de júri simulado.
2.4 Recursos:
Para a realização das aulas utilizamos como recursos: data show, notebook, caixa de som, quadro, pincel, computadores para pesquisa, papel A4, máquina para tirar cópias, caderno, caneta, material para fazer a maquete (papel cartão, argila, cartolina; palitos de sorvete; garrafas pet; canetinha; lápis de cor; tinta; tesoura; cola normal ou cola quente; barbante; palito de dente; rolos de papel higiênico).
2.5 Avaliação:
Inicialmente sugere-se uma avaliação diagnóstica com o intuito de saber os conhecimentos prévios nos discentes sobre os conteúdos que adquiriam anteriormente ao longo da vida.
A segunda avaliação será formativa, ou seja, um acompanhamento do processo formativo dos alunos ao longo das aulas e trabalhos propostos na metodologia.
A terceira será uma avaliação qualitativa, para aferirmos se os objetivos propostos para essa sequência didática foram alcançados.
2.6 REFERÊNCIAS
Biologia
LOPES, Sônia. ROSSO, Sergio – Biologia – Editora Saraiva – 2a Edição – São Paulo 2016.
Física
FERRANO, Nicolau Gilberto Maria. et al. Física Básica – Atual Editora – São Paulo – 2013.
Filosofia
ARANHA, Maria Lucia de Arruda. MARTINS, Maria Helena Pires – Filosofando – Introdução a Filosofia – Editora Moderna – 6a Edição – São Paulo – 2016.
Geografia
MARTINI, Alice de. GAUDIO, Rogata Soares Del – Geografia: Ação e Transformação – Editora Escala Educacional – 1a Edição – São Paulo – 2016.
História
PELLEGRINI, Marco César. Et al – Contando História – Editora Quinteto – 1a Edição 2016 – São Paulo.
Língua portuguesa
SETTE, Graça. et al. Física Básica – Interação Português – Editora do Brasil – São Paulo – 2020.
Matemática
FREITAS, Luciana Maria de. et al. Interação Matemática – Editora do Brasil – São Paulo – 2020.
Química TRINDADE, Diamantino Fernandes – Química: Ensino Médio – ícone Editora - São Paulo – 2016.
Sociologia ARAÚJO, Silvia Maria de. et al. Sociologia – Editora Scipione – São Paulo – 2016.