A partir da observação dos dados das questões fechadas do questionário semiestruturado, percebemos que a turma apresenta 12 alunos e 11 alunas, desses os que deixaram de estudar por mais anos foram os do sexo masculino, isso porque precisavam parar de estudar para trabalhar, sustentando assim suas famílias. Dentre as alunas os principais motivos de terem interrompido os estudos aparece de forma equivalente, por gravidez não planejada e buscar sua própria independência através de um emprego remunerado.
5 ANÁLISE DOS DADOS
A coleta de dados na fase empírica se desenvolveu em diferentes momentos: a primeira aproximação às trajetórias dos sujeitos se deu na roda de conversa, em seguida foi aplicado o primeiro questionário, deu-se sequência na construção das aulas que vieram a compor o produto educacional e, finalmente, recorremos a um questionário final para a avaliação da proposta desenvolvida.
A seguir, serão apresentados os resultados e as discussões produzidas a partir da pesquisa de campo.
5.1 OS SUJEITOS TRABALHADORES DA EJA E SUAS PERCEPÇÕES SOBRE
sentido mais ligado à troca de força de trabalho por um salário e com este adquirir bens que satisfaçam nossas necessidades, como entende WIECZYNSKI, 2003:
No entanto, com o aparecimento da economia monetária a ocupação vai perdendo o seu significado. Em seu lugar, as atividades começam a ser comandadas pelo “status quo” que o dinheiro pode oferecer às pessoas.
Este status social, na maioria das vezes, está ligado à aquisição de bens materiais. (WIECZYNSKI, 2003, p.55).
No nosso estudo quando os alunos referem-se à ocupação, expressam-na como forma de emprego informal, ou seja, que não oferece os direitos trabalhistas como rege as normas da CLT6. Entretanto, temos superar o senso comum, pois ocupação pode tomar inserções no mundo do trabalho, seja ocupação formal ou informal.
Dando continuidade entendemos emprego como:
A conotação moderna do termo emprego reflete a relação entre o indivíduo e a organização onde uma tarefa produtiva é realizada, pela qual aquele recebe rendimentos, e cujos bens ou serviços são passíveis de transações no mercado (SOUZA: 1981, p.26).
Assim, entendemos emprego como uma tarefa produtiva realizada pelo trabalhador com vínculo formal, ou seja, a carteira assinada que garante todos os direitos trabalhistas previstos pela CLT. Já em relação ao emprego segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD - do IBGE do ano de 2010, distinguis-se os seguintes grupos: trabalhadores sob o regimento da CLT, agentes políticos, servidores públicos (estatutários), militares e particulares em colaboração com o Poder Público.
Já o trabalho, entendemos como algo que vai além da ocupação ou emprego, em que ambas tem a finalidade de recebimento de uma remuneração pelo esforço do indivíduo após um dia de labor, o trabalho é inicialmente concebido no mundo das ideais e depois que materializado no mundo real diferencia o homem dos outros animais, como no excerto:
O ponto de partida, para Marx, está no fato de que entre as ideias e o mundo objetivo, externo à consciência, se desdobra uma intensa mediação que tem no trabalho a sua categoria fundante. Tipicamente, é pelo trabalho que os projetos ideais são convertidos em produtos objetivos, isto é, que
6 Consolidação das leis do trabalho
passam a existir fora da consciência. E, do mesmo modo tipicamente, é reconhecendo as novas necessidades e possibilidades objetivas abertas pelo desenvolvimento material que a consciência pode formular projetos ideais que orientam os atos de trabalho. Realidade objetiva e realidade subjetiva são, assim, dois momentos distintos, mas sempre necessariamente articulados, do mundo dos homens (Lessa; Tonet: 2008, p.25).
Desse modo, podemos afirmar que o homem é o único a pensar antes de materializar o que fora antes concebido no mundo subjetivo. A partir do momento que materializa suas ideias o homem cria o seu mundo, alterando sua história, como afirma Lessa e Tonet (2008, p.29) “Para Marx, os homens são artífices de sua própria história. Afirmamos que, segundo ele, quando os homens se modificam e se constroem como seres humanos”.
Depois de diferenciarmos ocupação, emprego e trabalho, voltaremos nossa discussão sobre as trajetórias de vida dos sujeitos da pesquisa para entendermos como as percepções sobre o trabalho, ocupação e o emprego são construídos nas experiências sociais de mulheres e homens da EJA, descreveremos a seguir, como se deram as apresentações dos/as educandos no fluxo dos diálogos promovidos na roda de conversa e teceremos algumas considerações.
Inicialmente, relatei que leciono a disciplina de geografia na modalidade da Educação de Jovens e Adultos. Expliquei sobre mestrado profissional do IFES e sobre o produto educacional, que seria uma sequência didática que auxiliaria professores da modalidade da EJA. Na sequência, li e expliquei o termo de livre consentimento da pesquisa e depois solicitei as assinaturas aos presentes. Em seguida, expliquei os objetivos da pesquisa e a importância da participação de todos e todas na pesquisa.
Após a minha identificação, solicitei que aos alunos se apresentassem voluntariamente, falando um pouco de sua trajetória, informando seus nomes (se quisessem), sua ocupação, o tempo que ficaram sem estudar, suas dificuldades e expectativas ao retornarem a uma sala de aula. Inicialmente houve certa resistência, que logo foi quebrada quando a aluna Maria7 (20 anos) se propôs a iniciar. Ela foi Minha aluna anos atrás no 9º ano do Ensino Fundamental, facilitando o diálogo.
Iniciou seu relato narrando que precisou abandonar os estudos devido a uma gravidez não planejada, mas que retornou depois de quatro anos para dar
7 Os nomes citados são fictícios para preservar a identidade dos participantes da pesquisa
continuidade, pois vê a educação como única forma de dar um futuro melhor a sua filha de quatro anos. Continuou reportando a dificuldade em conseguir emprego formal, pois não tem experiência comprovada e acrescentou que pretende finalizar o EM no fim de 2022 e iniciar um curso técnico em enfermagem.
O próximo aluno a se apresentar foi João (43 anos). Ele relatou que ficou sem estudar por 10 anos e que encontrou muitas dificuldades ao retornar. Ou seja, na sua visão o trabalho é sua atividade laboral diária que lhe dá uma remuneração no fim do mês. Entende que a educação é importante para seu futuro e só parou de estudar porque teve que escolher entre trabalhar ou estudar. Naquele momento da vida, “optou” pela primeira opção, pois é arrimo da família. Assim que terminar o ensino médio pretende fazer um curso superior em direito para ser advogado.
Na sequência se apresentou Marta, que preferiu não revelar a sua idade, mas falou que ficou sem estudar dois anos quando ainda estava no EF. Ao chegar aos dezoito anos sua matrícula foi direcionada para a EJA, pois o ensino regular era ofertado apenas aos alunos com até 17 anos. Seu desejo era frequentar o ensino regular, mas o sistema educacional não permite ao aluno com 18 anos ou mais frequentarem o EM regular, somente na modalidade da EJA. Disse que parou de estudar para trabalhar e que não pretende continuar estudando, pois, já tem um trabalho que atende suas expectativas. Afirmou que, para ela, trabalho e emprego são iguais.
A próxima a se apresentar foi Joana (20 anos) que também foi minha aluna no EF em 2018, disse que prefere a EJA por ter horário mais flexível e que os professores compreendem mais as necessidades dos alunos que trabalham. Assim como seus colegas, também considera que emprego e trabalho são sinônimos. Ela não enxerga na educação uma possibilidade para melhorar em sua vida profissional, pois trabalha como autônoma – estética – e não quer ter empregador ou horário fixo de trabalho.
O próximo a se manifestar foi Pedro (29 anos), que se apresentou, falando sua idade e disse que ficou sem estudar por nove anos, pois tinha que trabalhar, visto que se casou cedo e tinha família para sustentar. Voltou a estudar, pois entende que a educação é uma forma de crescer pessoalmente, e que uma formação a nível técnico pode lhe oferecer melhores oportunidades de emprego, entende que trabalho é a mesma coisa que emprego, ora, ambos têm a mesma finalidade, um salário no fim do mês.
A próxima aluna a se voluntariar foi Graça (29 anos), que ao se apresentar falou que tem 29 anos, que ficou nove anos sem estudar, concordou com tudo que a aluna Maria relatou, inclusive disse que só retornou à escola pela pressão feita pelo companheiro, para dar exemplo aos três filhos que o casal tem. Entende também que trabalho e emprego são iguais. Não trabalha, pois o marido provê as necessidades da casa.
Dando continuidade aos relatos, a aluna Lúcia (29 anos) se apresentou, não relatou sua idade, mas discordou das duas colegas que não entendem que a educação é uma forma de ascensão social, pois em sua visão a mulher deve galgar espaço na sociedade, não se colocado de forma passiva. Parou de estudar, pois teve um filho, não se casou, preferiu criar a filha sozinha. Trabalha como caixa de supermercado, relatou pretende crescer dentro da empresa, pois é uma política interna incentivar crescimento dos funcionários, para isso quer fazer curso superior em administração para ter essa possibilidade. Entende que emprego é uma atividade que faz para ter como retorno um salário e trabalho como algo que pode ser remunerado ou não.
Na sequência, Alice (25 anos) pediu a palavra. Ela se apresentou dizendo que tem 25 anos e que ficou oito anos sem estudar. Concordou plenamente com Lúcia, pois entende que a mulher não pode ficar dependendo de nenhum homem, tem que estudar para conseguir um futuro melhor ao lado ou não de um homem.
Acha que só terá um futuro melhor se der continuidade aos seus estudos, pretende fazer faculdade de pedagogia para dar aula para crianças. Não sabe dizer se trabalho e emprego são sinônimos.
Outra aluna a se apresentar foi Patrícia (22 anos), concorda com as colegas que entendem que a mulher tem os mesmos direitos dos homens, também relatou que parou de estudar, pois engravidou cedo - com dezesseis anos – agora aos vinte e um anos quer terminar o EM e fazer curso superior em Enfermagem, para dar um futuro melhor ao filho. Entende que trabalho e emprego são sinônimos.
O próximo a se voluntariar foi Paulo (43 anos), que iniciou sua fala falando seu nome e que tem 43 anos, ficando mais de vinte anos sem estudar e como a educação mudou nesse tempo que ficou fora da sala de aula. Concluiu que tem que estudar e trabalhar por prover o sustento da família sozinho, pois a esposa está desempregada, mas que vê sim a importância do homem e da mulher estarem em condições iguais na sociedade. Pretende terminar o EM e fazer faculdade de
matemática para dar aula. Vê o trabalho e emprego como sendo a mesma coisa.
Dando sequência as apresentações, o próximo aluno a falar foi Lucas (23 anos), relatou que parou de estudar para trabalhar e se arrependeu, pois compreende que para conseguir uma melhor colocação no mercado de trabalho precisa fazer um curso técnico, mas ainda não decidiu qual. Percebe que trabalho e emprego são iguais. Nesta apresentação finalizamos a primeira aula.
Próxima foi Bruna (19 anos), apresentou-se dizendo que parou de estudar por desinteresse, quando cursava o no nono ano, mas que em 2021 decidiu voltar aos estudos porque ao “procurar um emprego” exigia-se ensino médio completo.
Estuda mais por obrigação, não pretende fazer curso superior, apenas terminar o EF e conseguir um emprego. Não sabe dizer se trabalho e emprego são iguais.
O último a se apresentar foi Ricardo (21anos), relatou que também não gosta de estudar e só voltou à sala de aula para terminar o EF e conseguir um emprego que o remunere melhor, é solteiro, gosta de se divertir com os amigos, vê o trabalho como uma obrigação e só trabalha para ajudar nas despesas em casa, pois ainda mora com os pais. Entende que trabalho e emprego são sinônimos.
Os outros sete participantes da roda de conversa preferiram não se manifestar publicamente, mas responderam o questionário inicial.
A partir da roda de conversa e das respostas que os alunos descreveram no questionário inicial, podemos fazer uma relação com o bairro que a escola está inserida, de modo que a maioria dos discentes são trabalhadores ou estão em busca de emprego e como já trouxemos anteriormente, o bairro e todo seu entorno foi construído a partir da grande demanda de mão de obra nos inícios da década de 1980, em que houve um grande movimento migratório de outros estados para o Espírito Santo, inclusive para o município de Serra, isso fica evidenciado nas respostas de muitos alunos, que responderam que seus ascendentes vieram para essa região em busca de emprego no passado e se estabeleceram nos bairros próximos da escola alvo de nossa pesquisa.
Como podemos observar nas falas após as aulas ministradas e a aplicação do ultimo questionário semiestruturado, que foram:
João (43 anos),
Eu vim para Espírito Santo junto com meus pais quando eu tinha cinco anos de idade, meu pai tinha o primeiro grau incompleto e veio em buscar de serviço, pois em Teixeira de Freitas [BA]
estava desempregado. Aqui começou a trabalhar de ajudante de pedreiro na construção de conjuntos
habitacionais de em Eldorado e Porto Canoa.
Paulo (43 anos),
Minha história é parecida com a do João, pois eu também vim para Serra com minha família bem pequeno, acho que tinha 2 anos. Meu pai era pedreiro no Ceará, era analfabeto, mais lá o desemprego era muito grande, ai viemos pra Serra, logo ele conseguiu emprego pra construir casas em Barcelona, o conjunto estava no início.
Também conseguimos vislumbrar que grande parte do público da EJA não concluiu seus estudos no momento previsto pela necessidade de ter que conseguir um emprego para sustentar a sim e sua família. Mas entendem que para melhorar suas condições de vida deveriam dar continuidade aos estudos interrompidos no passado. Fato que pode ser observado nas falas dos seguintes participantes da pesquisa:
Maria (20 anos),
Sou aluna da escola desde as séries inicias, sempre estudei pela manhã e tarde, mas quando engravidei precisei parar de estudar, pois eu precisava dar comida a minha filha. Quando consegui melhor condição de vida voltei a estudar, pois vejo na educação a única forma de melhorar de vida.
Pedro (29 anos),
Eu sou de família humilde, me casei cedo e por isso tive que parar de estudar por nove anos, nesse tempo só trabalhei como ajudante de pedreiro, pois não tinha terminado o segundo grau e para conseguir um emprego melhor tinha que ter um grau maior de estudo, como tive dois filhos, voltei a estudar, pois queria passar para meus filhos que somente estudado podemos ser alguém na vida.
Patrícia (21 anos),
Eu engravidei do meu primeiro namorado quando tinha 16 anos estava no nono ano, fiquei com vergonha de continuar na sala com meus colegas, mas agora tenho 21 anos, sou casada, quero continuar estudando e ao terminar o ensino médio, quero fazer curso superior de enfermagem, pois acho que só estudado conseguirei dar um futuro melhor para meus dois filhos.
Paulo (43 anos),
Eu fiquei mais de vinte anos sem estudar, me casei, tenho três filhos nesse momento minha esposa está desempregada, mas ela sempre trabalhou junto comigo, pois acho que mulher e homem são iguais e juntos conseguiremos dar um futuro melhor para nossos filhos. Eu voltei a estudar e meu sonho é ser professor de matemática, pois gosto muito e tenho facilidade na matéria.
A partir da nossa experiência na EJA, percebemos ao longo dos últimos 15 anos o processo de juvenilização da EJA, que podemos constatar observando a
faixa etária dos participantes da pesquisa, em que dos 23 alunos, 18 discentes são jovens entre 18 e 29 anos e apenas cinco apresentam idade superior 29 anos.
Desses 23 estudantes, quatro formam meus alunos no ensino fundamental, e pararam de estudar para trabalhar ou tiveram filho sem planejamento, dificultando a continuidade dos estudos naquele momento de suas vidas.
Assim, podemos trazer à nossa discussão dois motivos pelos quais os alunos da educação básica sofrem o processo de exclusão do espaço escolar: a gravidez não programada que afasta as estudantes do sexo feminino da sala de aula, isso ocorre por vergonha que sentem por serem mães muito jovens ou pelo fato de não conseguirem ninguém para cuidar da criança durante o período que estaria na escola; Já no caso dos alunos do sexo masculino, o problema é a escolha que têm a fazer, estudar ou trabalhar, fatos que constatamos na fala de muitos estudantes na roda de conversa, nesses relatos eles afirmam que gostariam de dar continuidade aos estudos no passado, mas que o horário de trabalho e das aulas era incompatíveis, por ser arrimo de família desistiram de estudar.
Por conseguinte, os estudantes iniciaram no mercado de trabalho muitas vezes de forma precária, pois não tinham ainda completado o Ensino Fundamental, o que dificultava encontrar postos de trabalho com melhor remuneração, aliado a esse fato a necessidade imediata de suprirem as necessidades básicas de seu grupo familiar aceitam a primeira oferta de ocupação que lhes era oferecida.
A visão neoliberal da economia entende o mercado de trabalho como um conceito de trocas entre cidadãos que procuram emprego e as empresas que tem empregos a oferecer, isto é, quem tem a força de trabalho a oferece para quem precisa de trabalhadores oferecendo um salário em troca de seu labor.
Independentemente do motivo que levaram os participantes da pesquisa a abandonar seus estudos, a grande maioria entende que a educação é uma mola propulsora em sua vida, ou seja, entendem que a educação abrirá nos horizontes, pois lhes dará formação técnica ou propedêutica para melhor se localizar no mundo do trabalho (cursos técnicos) ou dar continuidade aos seus estudos (nível superior).
Para auxiliar nesse processo de formação desenvolvemos o produto educacional em forma de sequência didática, que oferecerá a oportunidade de aulas interdisciplinares do currículo da segunda etapa da EJA, propiciado uma formação humana que atenda seus anseios e lhes dê base para continuarem suas jornadas seja a nível técnico ou superior.
Partindo desse instrumento de pesquisa, desvelaremos os dados coletados levando em consideração suas percepções ao longo de todas as etapas da pesquisa.
Em relação às profissões que os participantes ocupam, observamos que somente uma exigia-se grau de estudo, que é a de jovem aprendiz, isso porque é um pré-requisito estar estudando para fazer parte do programa, por fim vimos que todas as outras ocupações não exigia formação escolar, somente experiência profissional.
Voltando na fala de Pedro (29 anos):
Eu sou de família humilde, me casei cedo e por isso tive que parar de estudar por nove anos, nesse tempo só trabalhei como ajudante de pedreiro, pois não tinha terminado o segundo grau e para conseguir um emprego melhor tinha que ter um grau maior de estudo, como tive dois filhos, voltei a estudar, pois queria passar para meus filhos que somente estudado podemos ser alguém na vida.
Percebemos que a baixa escolaridade impõe aos estudantes trabalhadores da EJA uma precarização social do trabalho, como entende Druck (2011, p. 39):
Precarização Social do Trabalho, compreendida como um processo em que se instala – econômica, social e politicamente – uma institucionalização da flexibilização e da precarização moderna do trabalho, que renova e reconfigura a precarização histórica e estrutural do trabalho no Brasil, agora justificada pela necessidade de adaptação aos novos tempos globais.
Como afirma Druck, a precarização social do trabalho atualmente no Brasil é justificada pela necessidade de adaptação ao processo de globalização que todos os países estão passando, seja em nível inicial, intermediário ou avançado. Esse processo pode ser observado nas falas da maioria os estudantes, que relataram a necessidade de interromperem seus estudos para se dedicar ao sustento da família por meio de uma ocupação que na maioria das vezes os remunera com baixos salários, esses justificados pelo baixo índice de escolaridade dos trabalhadores.
Já a partir da análise dos dados das questões abertas do questionário semiestruturado, percebemos que os participantes da pesquisa entendem que a educação é uma base que os possibilitará um crescimento pessoal e principalmente profissional, como na fala de Lúcia (32 anos).
Eu parei de estudar, pois tive uma filha, consegui um trabalho como caixa de supermercado, serviço muito cansativo e tem salário baixo. Eu quis