[...] método de pesquisa que recolhe e analisa textos, sons, símbolos e imagens impressas, gravadas ou veiculadas em forma eletrônica ou digital encontrados na mídia a partir de uma amostra aleatória ou não dos objetos estudados com o objetivo de fazer inferências sobre seus conteúdos e formatos enquadrando-os em categorias previamente testadas, mutuamente exclusivas e passíveis de replicação.
(HERSCOVITZ, 2007, p.126).
A definição de Heloiza Herscovitz esclarece bem as possibilidades e os caminhos de aplicação do método no campo do jornalismo. De fato, nos trabalhos quantitativos, que precisam de tratamento estatístico e almejam o deslocamento dos resultados amostrais ao universo, quanto mais rigorosas e excludentes forem as categorias, mais confiáveis serão os resultados.
Contudo, partindo-se da compreensão de Berger e Luckmann (2007) de que a realidade é uma construção social e do entendimento proporcionado pelos Estudos Culturais de que as identidades são fluidas e transitórias e a relação de alteridade importante, o contexto social sempre será mais amplo do que aquilo que podemos classificar ou categorizar.
Pelo fato deste trabalho combinar instrumentos qualitativos e quantitativos, a partir de acompanhamento de diversos estudos que fazem uso da perspectiva teórica-conceitual de enquadramento, percebeu-se que esse caminho poderia responder ao problema que esta pesquisa se dedica a resolver. Mas, ainda que vários pesquisadores façam uso da “news framing analysis”, como é o caso dos trabalhos de monitoramento de mídia durante as eleições, pouco se fala sobre a amplitude de possibilidades que ela abrange.
Todos os assuntos que estudamos já foram estudados por muitas pessoas com ideias próprias [...]. Esses especialistas por profissão ou pelo grupo a que pertencem têm, em geral, um monopólio de ideias sobre “seu” assunto que não é examinado nem questionado. Os recém-chegados [...] podem ser facilmente seduzidos a adotar essas ideias convencionais como premissas não examinadas de sua pesquisa. [...]
Precisamos, portanto, de formas de expandir o alcance de nosso pensamento, de ver o que mais poderíamos estar pensando e perguntando, de aumentar a capacidade de nossas ideias lidarem com a complexidade do que passa no mundo (BECKER, 2007, p.24-25).
Seguindo essa espécie de aconselhamento de Howard Becker, a proposta é ampliar o olhar acerca da análise de enquadramento (framing analysis), cuja utilização, conforme Mauro Porto (2002), dinamizou o campo da comunicação política. Deste modo, apresentarei aqui uma breve revisão bibliográfica a partir dos estudos que fazem uso do enquadramento noticioso (news framing) como forma de justificar minhas escolhas metodológicas, tornar mais claro os procedimentos realizados (que serão detalhadamente apresentados nos próximos subcapítulos) e apontar caminhos para que princípios da framing analysis sejam usados de forma a complementar e tornar mais rica a análise de conteúdo clássica. Conforme apontado por outros autores, é possível que isso seja feito.
A sistematização do conceito de enquadramento partiu do sociólogo Erving Goffman, que “define enquadramentos como os princípios de organização que governam os eventos sociais e nosso envolvimento nestes eventos” (PORTO, 2002, p.4). Em uma de suas obras mais destacadas, Frame Analysis: an essay on the organization of experience, publicada em 1974, Goffman (2012) realizou pesquisa etnográfica buscando identificar como os indivíduos compreendem o ambiente em que estão inseridos, interagindo com ele e com outros indivíduos. A partir dos achados teóricos, propõe o entendimento dos quadros (frames) como
“esquemas de interpretação”, que seriam alguns dos atalhos utilizados pelas pessoas para perceber e identificar situações, eventos e questões.
Já entre os estudos que tinham a comunicação como alvo, Porto (2002) considera que a primeira utilização mais consistente do conceito ocorreu no livro Making News, de Gaye Tuchman (1978), que ressaltou como as notícias incluem enquadramentos que servem para
construir a realidade. Ao considerar que as notícias são uma janela para o mundo, Tuchman destaca o processo pelo qual construímos nossas interpretações sobre esse mundo. Ou seja, as notícias seriam demonstrações típicas dos enquadramentos, já que, por suas janelas, conseguimos concentrar naquilo que foi enquadrado. Contudo, tanto o tamanho da janela e a opacidade ou transparência de sua vidraça, quanto quem está diante dela determinam formas diferentes de se enquadrar. Ainda que o objetivo principal de Tuchman não fosse explicar de que forma a realidade é enquadrada, ao abordar os aspectos estruturais que envolvem as ideologias, as organizações e as rotinas de produção dos jornalistas, a autora acaba por contribuir para a compreensão de como as notícias são enquadradas e enquadram a realidade.
A metáfora da janela é tão sugestiva quanto a das molduras que delimitam o espaço de uma tela ou obra de arte, por exemplo. Para Gamson e Modigliani (1989), os enquadramentos destacam algumas dimensões de um tópico complexo de forma que, se as molduras forem alteradas, outros quadros ganham ênfase, o que interfere nas imagens que são percebidas.
Todd Gitlin (1980) e Robert Entman (1993; 2010) são alguns dos autores que avançaram na utilização da perspectiva do enquadramento nos estudos de mídia, conceituando enquadramentos noticiosos como modelos de interpretação e seleção usados para organizar o discurso e enfatizar certas informações em um texto jornalístico. Para Entman (1993), os enquadramentos simplificam questões complexas, garantindo mais peso (salientando) a determinados aspectos do que a outros.
Já Gitlin (1980) definiu – em estudo sobre a cobertura midiática do movimento estudantil norteamericano Students for a Democratic Society (SDS) na década de 1960 – o que seria “enquadrar” midiaticamente e ponderou que, em meio à complexidade e à subjetividade social, algumas referências são usadas para “organizar o mundo”. Assim, os enquadramentos de mídia seriam importantes não somente para a organização do relato jornalístico, mas para toda a sociedade. Entman (2012) também contribui para esse entendimento ao afirmar que enquadrar consiste em observar a “realidade”, selecionar alguns aspectos dessa realidade percebida e destacá-los em um texto comunicativo.
Nelson Traquina (2008) faz uso da noção de enquadramento traçada por esses autores para afirmar que, além de selecionar os fatos – por meio do agendamento –, o jornalismo também enquadra esses fatos. Por isso, as notícias devem ser interpretadas como construções, narrativas, ainda que não sejam ficção.
A compreensão de que os profissionais do jornalismo fazem parte do processo de enquadrar levou alguns autores a se preocuparem com a questão cultural das rotinas sociais e profissionais. Van Gorp trabalha nesse sentido e acredita que os jornalistas têm à disposição
um repertório de “molduras” que pode ser útil para construir uma notícia. Os fatores organizacionais, as condições externas e os contatos com as fontes de informação contribuiriam então para a escolha do profissional por uma moldura em vez de outra. Assim, o ato de enquadrar se desenvolve não apenas pelo processo de aplicação dos valores noticiosos, mas também por sensibilidade cultural. A elaboração de enquadramentos midiáticos é um processo no qual os valores e as normas culturais são reproduzidos. Pode parecer que a ideia do repertório cultural de frames situa o enquadramento apenas a aspectos exteriores ao indivíduo, mas, como ponderam Gamson e Modigliani (1989), a construção social do significado reside na interação dos sistemas cultural e individual, daí a ideia da vertente construtivista (VAN GORP, 2010).
De acordo com Van Gorp, a partir dos estudos de Goffman na obra Frame Analysis, foi estimulado debate entre o estruturalismo e o interacionismo simbólico. Enquanto a primeira vertente entendia o texto como emaranhado complexo de elementos significativos, a segunda perspectiva defendia que essa estrutura de significado só poderia ser revelada na interação entre o texto e seu leitor (VAN GORP, 2010).
Assim, a tradição de pesquisa de enquadramentos no campo da comunicação passou a comportar perspectivas diferentes, como sublinha Claes H. de Vreese. Enquanto Entman (1993) pondera que o uso eclético de teorias e a inconsistência nas definições de termos-chave dificultariam a fixação de uma teoria geral do enquadramento, contribuindo para um paradigma fraturado, D’Angelo (2002) defende que não existe e nem deveria existir apenas um paradigma para a pesquisa de enquadramento. Isso porque dificilmente haveria um paradigma capaz de reunir e “remendar” de forma satisfatória e homogênea as perspectivas que se desenvolveram. Para o autor, a diversidade teórica e paradigmática transparece um caminho visível por onde os processos de pesquisa de enquadramento foram trilhados. Tal tradição costuma ser sistematizada em três perspectivas paradigmáticas: cognitiva, construtiva e crítica, que estão enraizadas tanto no trabalho sociológico quanto na linha psicológica.
(D’ANGELO, 2002; DE VREESE, 2010).
A preocupação com a capacidade dos frames de influenciar a forma como as pessoas enxergam determinados fatos ou temas, bem como o caráter de negociação que ocorre no ponto de contato entre os valores que o indivíduo tem e aqueles transmitidos pelos frames, são questões essenciais da perspectiva cognitiva, que aborda os enquadramentos como estímulos capazes de despertar os esquemas previamente elaborados pelas pessoas. Embora reconheça que pensamentos e memórias não explicitamente relacionados a um enquadramento de notícias específico podem surgir na mente de um indivíduo, a vertente da cognição está mais
interessada em identificar aqueles pensamentos que refletem as proposições codificadas nos enquadramentos. (D’ANGELO, 2002).
É no início dos anos 1980 que o “construtivismo social”76 começa a ser difundido, principalmente, a partir de pesquisas que buscavam avançar nas teorias dos efeitos de mídia.
A abordagem do enquadramento se inseria nesse paradigma emergente. “Sustenta, por um lado, que os media exercem a sua influência como entidades centrais na construção social da realidade nas sociedades contemporâneas, pela definição dos enquadramentos através dos quais as imagens da realidade são interpretadas pelos indivíduos”, mas faz a ressalva de que os efeitos são mediados, pois é na interação entre mídia e indivíduos que se desenvolvem.
(GONÇALVES, 2011, p.161).
Em um trabalho seminal de tradição no campo da psicologia cognitiva, Tversky e Kahneman (1981) apresentam estudo estruturado da seguinte maneira: uma pergunta é feita e os participantes do estudo precisam decidir entre duas alternativas de resposta. O ponto fundamental é que as duas opções são equivalentes, porém utilizam enquadramentos distintos.
Os resultados indicam que a maneira como a questão é elaborada pode induzir à escolha de uma das alternativas77 (DE VREESE, 2010).
D’Angelo (2002) diz que a perspectiva construcionista busca refletir sobre o componente da “cultura” e é sustentada pela ideia de que os jornalistas são processadores de informação que criam “pacotes interpretativos” politicamente interessados, o que justificaria o
76 Construcionismo e construtivismo são abordagens contemporâneas da psicologia, sendo a primeira proveniente da psicologia social, a segunda da psicologia do desenvolvimento. Enquanto o construcionismo procura dar conta das construções que os indivíduos elaboram coletivamente, o construtivismo busca compreender a construção das estruturas cognitivas que o indivíduo elabora no decorrer do seu
desenvolvimento. Arendt (2003) argumenta que, ainda que aparentemente conflitantes, ambas as propostas teóricas se reportam aos princípios conceituais da filosofia pós-moderna: crítica ao acesso possível a uma realidade independente do indivíduo, rejeição de um enfoque cartesiano de investigação científica fundado no rigor e na objetividade. O autor defende que as duas abordagens sugerem uma redução, seja de caráter social, seja individual. Por isso, Arendt sugere que a integração de ambos pode funcionar como “proposta de fugir ao desequilíbrio típico das teorizações na psicologia social que, tradicionalmente, sempre colocou ênfase ou no indivíduo ou no contexto em seus modelos teóricos” (ARENDT, 2003, p.5).
77 A questão apresentada era: “‘Imagine que os Estados Unidos estão a preparar-se para a emergência de uma epidemia asiática rara, que se espera que venha a matar 600 pessoas.’ São propostos dois programas alternativos para combater a epidemia. [...] Se o programa A for adoptado, 200 pessoas serão salvas. Se o Programa B for adoptado, há um terço de probabilidade das 600 pessoas serem salvas e dois terços de
probabilidade de nenhuma pessoa ser salva. [...] Neste teste, 72% dos indivíduos escolhem o Programa A; 28%
escolhem o Programa B. Numa experiência seguinte com outros inquiridos, são colocadas opções idênticas para solucionar a mesma situação, mas verbalmente enquadradas em termos de mortes prováveis e não de vidas salvas: ‘Se o programa C for adoptado, 400 pessoas morrerão. [Ou] Se o Programa D for adoptado, há um terço de probabilidade de ninguém morrer e dois terços de probabilidade de 600 pessoas morrerem.’ As percentagens invertem-se: o Programa C foi escolhido por 22% dos indivíduos, [...] o Programa D recolheu a preferência de 78% dos inquiridos [...]. Este exemplo demonstra como o enquadramento pode influenciar as formas como a maioria das pessoas percepciona, compreende e memoriza um problema.” (GONÇALVES, 2011, p.162).
fato de alguns enquadramentos dominarem a cobertura jornalística por longos períodos. Outro ponto de vista disseminado é o de que as organizações midiáticas envoltas em uma cultura e modo de operação fixados socialmente acabam limitando o leque de informações sobre as temáticas. Este ponto, especificamente, é alvo de abordagem distinta pela perspectiva crítica, que atribui tal característica à hegemonia de mídia. Enquanto as ideias construcionistas estão influenciadas pela abordagem de Goffman (2012), o suporte da vertente crítica advém de Tuchman (1978), que critica o fato de Goffman não explicar “adequadamente” as funções ideológicas da notícia e do trabalho jornalístico.
D’Angelo (2002) considera ainda que as perspectivas cognitiva e crítica divergem em três caminhos no que tange à conjectura. Enquanto estudiosos críticos argumentam que as organizações jornalísticas selecionam algumas informações e intencionalmente omitem outras, reduzindo a pluralidade de enquadramentos de um tópico e até mesmo promovendo apenas um ponto de vista – em geral, a favor da manutenção do status quo –, teóricos da vertente cognitiva ponderam que os jornalistas rotineiramente enquadram questões de forma significativamente diferente seja na mesma notícia, seja entre notícias distintas.
Outra distinção é que os críticos consideram que o poder político não é distribuído de forma plural, enquanto a ala da cognição enxerga que os jornalistas estão sendo mais sensíveis e responsivos no que toca à demanda por pluralidade. Se os críticos mensuram frequentemente a opinião pública de forma agregada (coletiva), para mostrar como oscila em massa a partir dos frames, os cognitivistas examinam os efeitos a partir de experimentos individuais ou, ainda que em grupo, têm a proposta de verificar como o sujeito se comporta diante de diferentes enquadramentos para um mesmo tópico e como se dão as variações do
“conhecimento” ativado.
Van Gorp propõe em seu trabalho, como solução intermediária, relacionar construcionismo e construtivismo, pois, se, por um lado, os quadros fazem parte de uma cultura e não são puramente individuais, por outro, os indivíduos são necessários para fazer a conexão entre texto e “estoque de enquadramentos”. Dessa maneira, propõe-se a ideia de que o estoque cultural de enquadramentos não está acima das pessoas, mas sim entre elas, já que a cultura se origina também da comunicação e é articulada pela mídia e pelo discurso (VAN GORP, 2010).
Reese (2010, p.19) esclarece que são os interesses do pesquisador que direcionam em qual vertente ele deve seguir. O autor afirma, em um estudo sobre a “guerra ao terror” travada pelo governo norte-americano, que elegeu a perspectiva construcionista e crítica. Crítica no sentido de compreender enquadramentos como expressões e resultados de poder, distribuídos
de forma desigual entre a opinião pública dominada, e construcionista no sentido de conceder aos participantes do processo, como os jornalistas, alguma autonomia profissional e também subjetiva, percebendo enquadramentos como “pacotes interpretativos” para criar entendimentos do mundo social.
Nos estudos de enquadramento, os pesquisadores costumam realizar uma síntese dos vários paradigmas e escolher, entre as possibilidades que eles apresentam, os elementos que mais se conectam com o objeto e os objetivos da pesquisa, explica D’Angelo (2002).
Contudo, ele alerta que, apesar disso funcionar bem em pesquisas destinadas a estudar o conteúdo propriamente, é algo difícil de ser empregado em análises voltadas à compreensão dos efeitos de mídia. Alguns resultados, entretanto, são bem-sucedidos e demonstram que, se as perspectivas são compreendidas e empregadas de maneira justificada, podem contribuir para a visão multiparadigmática do media framing.
No Brasil, as pesquisas sobre mídia e política protagonizam a aplicação do conceito de enquadramento. Porto (2002) faz referência ao professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF) Afonso de Albuquerque, que foi responsável por um estudo pioneiro na área, envolvendo a análise da cobertura eleitoral do pleito de 1994. A preocupação do autor era verificar se havia desequilíbrio no tempo dedicado aos dois principais candidatos na disputa (Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva), bem como compreender os principais enquadramentos utilizados pelo Jornal Nacional.
Outro exemplo é o modelo utilizado pelo Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública (Doxa) do antigo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), que utilizou a noção de enquadramento aliada à análise de conteúdo. Aldé, Mendes e Figueiredo (2010) monitoraram as coberturas eleitorais dos jornais impressos com a intenção de verificar a visibilidade garantida aos candidatos à Presidência da República. Para tal, os autores classificaram as notícias quanto às valências (positiva, negativa, neutra e equilibrada) garantidas a cada político na disputa. A valência foi um critério estabelecido “não como intenção ou viés do jornal, mas em função da saliência e destaque dados às notícias positivas e negativas produzidas pelos candidatos, espontânea ou propositalmente” (ALDÉ;
MENDES; FIGUEIREDO, 2010, p.155).
Com a intenção de sistematizar os elementos que evidenciam o espaço dedicado e a maneira que o jornal aborda os fatos produzidos por cada concorrente do pleito, as pesquisas quantificam, qualificam e comparam aquilo que foi publicado em cada veículo analisado.
Além da classificação de valências, temas, manchetes, autores e resumos, as análises também focam os principais enquadramentos usados pelos jornais, classificados pelos autores em:
“Corrida de cavalos (pesquisas de intenção de voto, análises de posicionamento, possibilidades); personalista (perfil, personalidade, trajetória pessoal); temático (tratamento substantivo dos assuntos); episódico (dedicado ao acontecimento, fato, agenda, etc.)” (ALDÉ;
MENDES; FIGUEIREDO, 2010, p.157).
Em artigo que apresenta os principais estudos referentes à framing analysis, Porto (2002) destacou que ainda não existe definição consensual do que seriam os enquadramentos da mídia, devido à falta de clareza nos vários usos do conceito. Daí, a necessidade defendida pelo autor de que o tema seja debatido, tanto para que a sociedade compreenda que os enquadramentos existem e são utilizados quanto para que os jornalistas aperfeiçoem suas atividades de produção. Como alerta Gitlin (1980), a questão não está em enquadrar aquilo que será contado, já que esse é um procedimento natural e, muitas vezes, implícito. O problema decorre da forma em que se enquadra e que sejam usados sempre os mesmos enquadramentos.