Ensino de Geografia na FFP. Essa realmente contribuiu para minha formação como professora (PR05) (FERREIRA, 2016).
A professora 04 iniciou na profissão docente no ano de 2010 e trabalha com turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, da Rede Pública Estadual de São Gonçalo. Além de ser efetiva dessa rede, leciona também em uma escola privada desse mesmo município. Teve sua formação acadêmica no curso de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e cursou pós-graduação em Gestão Educacional. Sobre sua formação acadêmica a professora 04 afirmou:
Sou licenciada em Geografia pela Faculdade de Formação de Professores da UERJ e pós-graduada em Gestão Educacional (PR04) (FERREIRA, 2016).
A) Quais disciplinas de Cartografia você cursou na graduação?
A professora 05 relata que, pela dificuldade em matemática, inscreveu-se durante a graduação em uma disciplina de Cartografia que considerava mais fácil, na qual a professora passou apenas um trabalho durante todo o semestre e tinha faltas recorrentes. De acordo com essa professora, essa escolha não foi a mais correta e essa disciplina não acrescentou muito para sua formação docente no que se refere à base teórica e metodológica da Cartografia, principalmente a respeito do domínio quanto à utilização da escala.
Pondera que se talvez ela tivesse escolhido outro professor, considerado mais exigente, tivesse aprendido as noções sobre escala. Porém, fez essa escolha por medo do grau de dificuldade da disciplina. Somente depois, a partir do exercício da profissão e de novos estudos, foi descobrindo as questões referentes à escala e hoje considera ser uma professora que consegue transpor aos alunos os conhecimentos necessários para adquirirem as noções espaciais. Sobre as disciplinas de Cartografia, que cursou durante a graduação, a professora 05 percebe algo importante nos cursos de licenciatura em Geografia ao mencionar que as disciplinas curriculares oferecidas não são voltadas para o ensino de Geografia, ou seja, não trabalham a questão da transposição didática do saber acadêmico. Respondeu ela:
Duas... Uma era... Poxa, eu não me lembro do nome das disciplinas, mas foram duas.
Não voltadas para o ensino de Geografia, mas com o objetivo mesmo de formação acadêmica (PR05) (FERREIRA, 2016).
Em relação à professora 04, percebe-se através do seu relato, que essas questões também estão presentes nas disciplinas de Sensoriamento Remoto. Essas disciplinas negligenciam a transposição dos conceitos cartográficos, pelos professores de Geografia, na educação básica, e são ministradas da mesma forma para alunos da licenciatura quanto do bacharelado. A professora 04 disse o seguinte:
Não consigo me lembrar... Eu sei que era... A Cartografia era dividida em várias partes, né? Acho que era Cartografia 1, 2. É... Tinham as eletivas que poderiam ser sensoriamento remoto, que eu puxei, e outra lá, mas tudo relacionado à Cartografia mais digital e não ao ensino (PR04) (FERREIRA, 2016).
Por esse motivo, são necessárias mudanças no currículo e na prática de ensino da Cartografia nos cursos superiores de Geografia. A grade curricular dos cursos de licenciatura deveria apresentar disciplinas que considerem como as noções espaciais são apreendidas pelas crianças e adolescentes. Castellar e Vilhena (2010) apontam que articular a educação geográfica e a didática é fundamental para envolver a metodologia de ensino, os conceitos científicos e a realidade vivenciada, buscando reafirmar o papel do professor como mediador na realização de práticas que levem ao aluno, a partir do seu conhecimento prévio, argumentar e resolver problemas em diferentes escalas, numa dimensão cultural, econômica, ambiental e social.
Nesse sentindo, as atividades didáticas desenvolvidas pelos professores em sala de aula devem transpor determinados conteúdos acadêmicos, para turmas de Ensino Fundamental e Médio, com intuito dos alunos compreenderem de fato aquilo que está sendo ensinado e como aquele conteúdo pode ser aplicado em seu cotidiano. No entanto, essa aplicação no cotidiano não deve ser realizada de forma mecânica, ao contrário, o aluno deve compreendê-las, de forma que articule as referências teóricas com a prática.
C) Você planeja suas aulas? Quais recursos você utiliza para construir esse planejamento?
A professora 05 discorre sobre mudanças importantes no planejamento de sua prática pedagógica, a partir da superação de metodologias centradas apenas no discente. Ela afirma que, através de novas estratégias, busca promover a participação ativa do aluno no processo de ensino- aprendizagem e que esses avanços foram desencadeados pela sua participação no PIBID, reforçando assim a necessidade de intervenção e capacitação docente com o intuito de refletir
sobre transformações necessárias. Ser pesquisador no ensino, através desses grupos, é de suma importância para a formação do professor, pois por meio das observações e discussões cotidianas com outros sujeitos envolvidos, esse faz uma avaliação da sua ação pedagógica, buscando soluções para os problemas que surgem no decorrer do processo de ensino-aprendizagem.
Segundo ela:
Eu planejo minhas aulas sim, são muitas turmas então eu faço um resumo, como já sei o que vou trabalhar... na turma tal eu vou fazer isso, vou fazer aquilo e eu vou me organizando né? E eu vou chegando à conclusão de que cada vez mais eu não sou o centro. Quem tem que fazer a atividade é o aluno. Eu vou mediar, eu vou organizar a atividade, mas a aula antes de eu entrar no PIBID era centrada em mim e eu não via resultado, eu falava, falava e falava, às vezes até dialogando em tom de conversa, mas como eles são muito agitados muitas vezes eu ficava frustrada e a coisa não fluía. Então o que aconteceu... Eu já tinha uma leitura que falava o aluno é ativo no processo de ensino-aprendizagem, isso na graduação eu já sabia na leitura de Vygotsky, mas na prática eu não conseguia pela deficiência da graduação. Eu não sabia como fazer isso, eu queria fazer, mas não sabia como e aí como te falei, fui observando, fui vendo que a coisa era simples e que eu que estava complicando muito (PR05) (FERREIRA, 2016).
Para a professora 05, a construção desses conhecimentos para a melhoria da sua prática pedagógica foi se concretizando ao longo da sua carreira docente, tanto no cotidiano escolar, quanto na relação com outros sujeitos em diferentes espaços de formação. A partir das reflexões realizadas nesses espaços a professora se sentiu mais segura para transpor para os alunos algumas noções necessárias para a aprendizagem em Geografia que antes eram defasadas em sua prática.
Prossegue a professora 05:
Eu vou construindo aos poucos... Eu vou experimentando, vendo a prática de outros colegas e vou fazendo adaptações. Nesse encontro de geógrafos que teve lá em Goiás, o Fala Professor, a doutora falou que eu precisava ouvir... Ela falou assim: - olha, tudo é adaptável -. E eu comentando com outra professora ela disse: - realmente, você faz o novo a partir de outras coisas que você já viu, você vai adaptar e vai fazer o novo -.
Então assim, eu acabo fazendo isso né! Eu vou observando os colegas, coisas que eu não fiz na graduação e que eu estou tendo a oportunidade de fazer através do PIBID, com os estagiários, com os bolsistas e com você do mestrado. Eu estou tendo a oportunidade de experimentar e poder adaptar. Então assim... A Cartografia, depois do PIBID, depois de você, depois dos bolsistas, depois de tudo isso é que realmente estou tendo outro olhar e até mesmo lá em Goiás, na oficina de prática que as doutoras deram pra gente, elas ensinaram de maneira muito simples de fazer aquele cálculo da distância, e ela mesma falou: – Gente! Eu mesma tenho dificuldades em matemática -. E ela ensinou pra gente a fazer o cálculo distância com a régua e depois com barbante no mapa rodoviário. Ela ensinou de maneira bem simples a calcular a distância. E eu fiz o cálculo, ansiosa com medo de errar, porque meu bloqueio com matemática é tão forte, com aquela responsabilidade toda, mas deu certinho o meu cálculo. Eu passei de centímetros para quilômetros, fiz o cálculo da distância, né? O da distância real e o da distância imaginária... Então assim, superei ali uma grande dificuldade que eu tinha, naquele momento ali, naquela aula de prática. E eu vejo que é o grande problema da maioria, é
meio que um bloqueio assim sabe. Aos pouquinhos a Cartografia está entrando na minha aula e como é bom trabalhar com as imagens de satélite, com aquelas imagens que você trouxe sabe... Eu fui adaptando. Às vezes nem adaptando, fazendo do jeito que você fez mesmo14 (PR05) (FERREIRA, 2016).
Através do depoimento da professora 05 percebe-se que trabalho com a escala se estabelece como uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos professores de Geografia.
Lacoste (1988) discute o problema da escala enquanto níveis de análise, relacionando esses níveis de análise à visibilidade de um fenômeno que se queira representar. Afirma que o aprendizado das noções de escala pelos alunos é crucial para o desenvolvimento do raciocínio espacial. No que diz respeito à compreensão do que seja escala, esse autor chama atenção para um empobrecimento desse conceito, considerado por muitos como uma simples relação matemática com a realidade. Ao invés de se prender às medidas de proporção matemáticas, eles deverão se pautar em apreender e comparar a escala do fenômeno estudado. Segundo Lacoste:
Vai-se à escola para aprender a ler, a escrever e a contar. Por que não para aprender a ler uma carta? Por que não para compreender a diferença entre uma carta em grande escala, e uma outra de em pequena escala e se perceber que não há nisso apenas uma diferença de relação matemática com a realidade, mas que elas não mostram as mesmas coisas?
Por que não aprender a esboçar o plano da aldeia ou do bairro? Por que não representam sobre o plano de sua cidade os diferentes bairros que conhecem, aquele onde vivem, aquele onde os pais das crianças vão trabalhar etc.? Por que não aprender a se orientar, a passar na floresta, na montanha, a escolher determinado itinerário para evitar uma rodovia que está congestionada? (LACOSTE; 1988, p. 55).
Através da entrevista com a professora 05, nota-se também que a produção do espaço é, geralmente, trabalhada na ênfase de grandes extensões, sendo uma prática muito distante da realidade dos estudantes, que se sentem distanciados do ensino de Geografia. A esse respeito, muitos pesquisadores já demonstram que o estudo da escala local é de uma importância imprescindível, visto que articula outros níveis de análise, espaços mais extensos ou menos extensos, despertando a percepção dos alunos aos fenômenos estudados. Essa prática docente permite ao educando a construção de um pensamento complexo, através de diferentes níveis de análises (escalas cartográficas).
Lacoste (1988) pondera que “a mudança de escala é uma condição necessária, mas não suficiente da pluralidade dos espaços de conceituação; ela é o resultado da vontade de apreender os espaços de tamanhos diferentes, na realidade” (p. 82), desse modo, para além de modificar, é
14 Em posse das imagens de satélite do bairro da Trindade, levadas pela pesquisadora, a professora 05 adaptou o material e propôs novas atividades para as turmas que leciona no EJA (Educação de Jovens e Adultos).
necessário discutir junto às relações que estão engendradas na escala do local, para que seja dado um significado à escala local, e ao mesmo tempo desenvolver o raciocínio espacial sobre outros níveis de análise. Este exercício permite o uso da escala local em consonância com escalas mais abrangentes e complexas no que tange aos fenômenos. Sobre o uso de mapas do município de São Gonçalo em sala de aula a professora 05 comenta:
Olha no dia que eu coloquei no segundo ano um mapa de São Gonçalo aberto do quadro, sabe aquele monte de jovens colando a cara no quadro? Dizendo se Alcântara tá aqui eu moro aqui. Olha foi um encantamento, eu deixei, fiquei só observando eles lá olhando para o mapa. Essa escala grande é que eu desconhecia antes da pós e do PIBID e como a aprendizagem fica mais legal. A formação é importante, mais a falta de material prejudica muito o trabalho. Eu aprendi aquela coisa de partir do concreto, do local e pegar a realidade que eles vivem. Depois que eu descobri a escala grande... O próprio Yves Lacoste critica né? - a gente só usa uma a escala pequena -. E o aluno não conhece a partir do mapa o seu bairro, a sua realidade. E eu custei a fazer essa descoberta e como é legal quando ele vê a imagem de satélite do bairro dele, que tem importância. Ele passa a conhecer e entender que ele mora em um bairro de uma cidade como São Gonçalo, com essas questões urbanas e ambientais interligadas. Eu prefiro muito mais partir da realidade local para o aluno entender (PR05) (FERREIRA, 2016).
A professora 05 assinala caminhos interessantes para iniciar o estudo com representação do espaço. Utilizar o espaço vivenciado pelos alunos facilita o trabalho com as noções cartográficas, isso porque o estudo torna-se mais significativo quando o conhecimento local do aluno é considerado para a leitura e confecção das representações cartográficas. Analisar o lugar onde a escola está localizada, residência de cada um, o bairro e depois ampliar para espaços mais extensos, como o município e o Estado, é um importante caminho para a formação de um sujeito consciente do processo de construção do espaço vivenciado. Conforme ressalta Callai (2005):
Desenhar trajetos, percursos, plantas da sala de aula, da casa, do pátio da escola pode ser o início do trabalho do aluno com as formas de representação do espaço. São atividades que, de um modo geral, as crianças dos anos iniciais da escolarização realizam, mas nunca é demais lembrar que o interessante é que as façam apoiadas nos dados concretos e reais e não imaginando/fantasiando. Quer dizer, tentar representar o que existe de fato.
(CALLAI, 2005, p, 244).
A professora 04 destaca a utilização do livro didático como principal recurso para o planejamento das suas aulas. Além disso, discorre que a distribuição dos horários de algumas turmas dificulta o melhor planejamento das aulas. Segundo ela é difícil planejar alguma atividade mais extensa e que exige uma maior interação entre os alunos quando se tem apenas um tempo de 50 minutos em um dia. Ela comenta:
Livro didático, né? Tudo vai depender muito da dinâmica da escola, da estrutura e do tempo né? Porque às vezes se for uma turma que o tempo é muito quebrado não dá nem pra você fazer um planejamento muito legal, né? Mas quando você tem uma turma que o tempo é mais... Assim... Maior, você consegue fazer uma coisinha melhor, um trabalho melhor (PR04) (FERREIRA, 2016).
O planejamento das aulas é essencial para a organização de estratégias que viabilizem o estudante a entender os conteúdos geográficos, organizando de forma clara a metodologia, os objetivos e as formas de avaliações a serem seguidas. No entanto, o livro didático não pode ser o único instrumento de apoio do professor, tendo em vista que esse instrumento apresenta algumas limitações para atender à Geografia local.
D) Na sua aula, em qual momento você utiliza às representações cartográficas?
Sobre essa questão, as professoras apontam, como principal aspecto, o uso da cartografia como instrumento para conduzir os educandos a localizar-se no espaço. Ainda é marcante essa finalidade dada às representações em sala de aula, no entanto, o professor deve promover práticas que levem o aluno a fazer uma leitura crítica das representações, avançando para procedimentos de análise, correlação e síntese (SIMIELLI, 2009). A Cartografia não deve ser trabalhada apenas em nível de localização, não privilegiando análises e correlações mais complexas, capaz de desenvolver leitores críticos e mapeadores conscientes. Essa ação restrita à localização dos fenômenos no mapa, não permite mobilizar os conhecimentos dos alunos para um entendimento mais amplo e autônomo acerca do espaço em que vivem.
Outra questão observada foi o destaque para o uso da Cartografia no trabalho com os conteúdos da Geografia física, colaborando para a ideia apresentada por Pissinati e Archela (2007), que asseguram que a cartografia é desconsiderada com uma linguagem importante também para os temas da Geografia Humana. Elas responderam:
Olha, pra ele compreender e se localizar espacialmente, como por exemplo, uma aula sobre Ásia: - vamos achar a representação da Ásia no hemisfério? -. Olha, eu costumo introduzir o assunto pelo mapa, principalmente no 9° ano. Por que 9° ano é África, Europa, Ásia eu começo pela localização e trago o altas e o mapa para sala de aula. A gente localiza os mares os oceanos. Na outra sala sobre Ásia, o título do trabalho foi “O rosto asiático” eu fiz a regionalização da Ásia, mostrando a diferenças regionais e para o aluno saber se localizar. Então assim, a Cartografia realmente tem que ter nas aulas de
Geografia, como diz Manoel Fernandes naquela crônica “O mapa nosso de cada dia”15 (PR05) (FERREIRA, 2016).
Bem... Por exemplo, eu não tenho como dar aula para o sexto ano, que é a Geografia totalmente física, sem um globo e um mapa, né? Geralmente recorro também a desenhos. Por exemplo, coordenadas geográficas, eu faço um esquema no quadro para poder entender. Não tem como não utilizar esses mecanismos, né? E nas outras também, por exemplo, se eu vou falar da África, eu tenho que utilizar o mapa do continente africano. Mais para eles se localizarem no espaço (PR05) (FERREIRA, 2016).
E) O que você entende por alfabetização cartográfica?
Para Castellar (2011), é necessário que os professores compreendam os fundamentos teóricos da discussão cartográfica para iniciar o processo de letramento em educação geográfica.
Esses conteúdos precisam ser tratados na formação inicial dos professores na medida que para ensiná-los é necessário se apropriar deles. Saber ler um mapa, reduzir proporcionalmente e entender porque os mapas são construídos a partir de uma projeção são conhecimentos importantes para o uso e entendimento das representações cartográficas, e, o aluno que possui essas habilidades, torna-se um leitor e um mapeador eficiente nos diferentes tipos de representações.
A professora 05 destaca a importância do processo de domínio e aprendizagem sobre as habilidades básicas da cartografia ser ofertado pelo ensino de Geografia. Em sua fala a professora faz uma inferência a partir dos elementos cognitivos e práticos construídos durante a sua formação docente, porém, ela deixa explícito que estaria extrapolando suas competências por não ser doutora nesse assunto. Ela expõe:
É justamente introduzir o aluno na produção dos mapas, saber entender aquela representação e saber construir também o mapa. É você introduzir o aluno na confecção de mapas, no pensar espacialmente. Alfabetização dá ideia de quê? De aprender a ler e a escrever, agora uma alfabetização cartográfica seria essa introdução do aluno na Cartografia. Seria ele aprender essa linguagem da Geografia. Eles têm chegado ao ensino médio no curso noturno de EJA sem saber fazer uma legenda. Eu tenho para mim, claramente, que o problema maior no ensino de Geografia, - Olha só eu né doutora-, é o uso excessivo do livro didático, o professor com várias turmas, com aquela vida difícil, ele chega no sexto no sexto ano manda o aluno abrir o livro didático e vamos fazer exercício do livro. E não existe a construção de um mapa em sala de aula, fazer uma legenda. Então assim, isso eu vejo demais. O ideal do material seria um para cada um. Claro que em grupo tem sua riqueza. Mas tem aqueles que se acomodam na atividade, um vai pegar e vai fazer e outros não vão. Mas seria caríssimo. Eu gasto tinta a beça da minha impressora, argila que comprou para as atividades da maquete. Eu sinto falta de um material assim. Então, é aquele aluno do sexto ano que tem o hábito de ter o
15 Crônica apresentada na epígrafe deste trabalho.
contato com o mapa. A própria gestão escolar engessa o professor e que quem me resgatou foi o PIBID. Foi eu ter dado o primeiro passo para fazer a especialização e depois a grata notícia da professora me convidar para participar do PIBID. Ai eu pus em prática tudo que eu aprendi na pós. Eu me senti uma privilegiada, pois terminei a pós e comecei no PIBID. Nele eu refleti, cheguei a conclusões que eu tinha que ter chegado na graduação, mas também fui uma estudante na graduação que tinha um filho pequeno e tinha que trabalhar. Então assim, eu tenho consciência, eu fui uma aluna que pouco se dedicou. Na minha graduação eu dava aula de Inglês. Agora que realmente eu estou me sentindo professora de Geografia. Eu estou aprendendo agora muita coisa. Ser professora de Geografia é uma coisa nova, de me sentir professora de Geografia. Pensar espacialmente, Eu não consigo mais pensar de outra maneira. Uma vez eu vi Ruy Moreira falando: - Quem descobre a maneira de pensar da Geografia descobre um universo novo- (PR05) (FERREIRA, 2016).
No seu depoimento a professora 04 demostra alguns conhecimentos importantes sobre as etapas metodológicas assinaladas por Almeida e Passini (1994) para que a leitura do mapa seja realizada de forma eficaz. O contato com o mapa inicia-se pela observação do título, buscando conhecer qual o espaço representado, seus limites e suas informações. Depois o aluno deve observar a escala gráfica ou numérica, percebendo não apenas uma diferença de relação matemática com a realidade, mas estabelecendo comparações de tamanhos, áreas e das diferentes escalas dos fenômenos estudados. Além disso, observar a legenda, relacionando os significantes e o significado dos signos espalhados no mapa refletindo sobre sua distribuição/organização.
Sobre esse tema, a professora 04 comentou:
Bem, assim... Apresentar o mapa, ver quais características o mapa tem que ter, que tipo de escala, se essa escala é uma escala grande ou pequena... Ensinar o aluno que o mapa é na realidade a realidade reduzida algumas vezes, né? Ele tem que ter todo esse conhecimento para eu conseguir analisar o objeto utilizando aquele mapa, para poder entender, né? Para poder fazer essa análise então, é esse aluno ele tem que inicialmente saber o que esse mapa significa, o que aquela imagem significa, qual é o sentido dela, para que ela serve, para quê que ela está ali. Então ele consegue mais ou menos entender aquela imagem, porque se você não fizer essa alfabetização cartográfica, ele não vai entender nada, ele vai ver só um troço ali na frente dele sem sentido nenhum, aí ele vai aprender que o mapa precisa de título, precisa da rosa dos ventos... e tudo mais (PR04) (FERREIRA, 2016).
F) Quais são as limitações para o uso da Cartografia em sala de aula?
Segundo a professora 05:
Falta de material é o principal, tanto porque a escola não investe, como o acesso mesmo de alguns materiais. Isso porque algumas informações são difíceis de conseguir, por exemplo, o mapa do relevo de São Gonçalo, onde tem isso? Será que a prefeitura