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A escolha profissional é um momento indiscutivelmente importante na vida de qualquer pessoa. É uma ocasião de fazer projetos sobre o que se pretende ser e fazer, enfim, decidir a forma como se pretende viver. Essa escolha leva em consideração o contexto histórico, social, cultural e econômico que se encontra em constante transformação, incidindo na vida dos sujeitos e na relação destes com o mundo do trabalho, mesmo que o estudante não perceba essa influência no processo de escolha. Daí a importância de se fazer uma opção consciente e responsável. Portanto, quando entendemos ser essa uma decisão que não tomamos sozinhos e que não afetará somente a nossa vida, constatamos a amplitude dessa escolha.

Para conhecer o que motiva a escolha da profissão docente, faz-se necessária, também, uma reflexão sobre os fatores que comumente motivam a escolha profissional de modo geral, pois, muitos e variados são os fatores que influenciam na decisão pela carreira. Na atualidade,

as alternativas para a escolha profissional se ampliaram, por outro lado, se verifica que a docência tem sido desprestigiada, sobretudo, em decorrência das condições de trabalho, baixos salários, pouca valorização social, falta de incentivo da família, entre outros aspectos determinantes.

Soares (2002) divide os fatores determinantes durante a escolha profissional em:

políticos, econômicos, sociais, educacionais, familiares e psicológicos. Os fatores políticos estão relacionados com as políticas predominantes na educação e na preparação do jovem para a “escolha” do trabalho, observando as tendências pedagógicas. Nas tendências liberais, o jovem é levado a acreditar que a escolha profissional é algo apenas individual, essa escolha não interfere na sociedade. Já nas tendências progressistas, o jovem é conscientizado sobre a importância da sua escolha no contexto social. Cada governo, segundo sua política, seu interesse, opta por uma estratégia educacional e, consequentemente, um modo de preparar para a escolha profissional.

Os fatores econômicos têm relação com a decisão da escolha profissional e explica-se pelo fato que o jovem é suscetível à influência das condições econômicas. Ele precisa aceitar o que o mercado de trabalho oferece, assim, pretende trabalhar em uma função e fazer carreira somente para se sustentar.

Os fatores sociais estão basicamente relacionados com a classe social na qual o indivíduo pertence e que, na maioria das vezes, determina se ele poderá ou não fazer um curso superior. Observando os contextos sociais, infelizmente, podemos perceber que as profissões são divididas por classe social e como dificilmente essa realidade se altera. Assim, um médico terá mais possibilidades de ver seus filhos médicos e com eles organizar uma clínica; um advogado, geralmente, tem filhos advogados, inclusive trabalhando no mesmo escritório. A convivência social também é determinante na nossa escolha, pois somos fruto da sociedade onde vivemos. “É impossível se pensar o homem como algo separado de seu meio social”.

(SOARES, 2002, p. 44). As profissões valorizadas pela sociedade em que vivemos certamente estarão em nossa lista de possibilidades, afinal, a profissão, também, é vista como uma forma de ascensão social importante.

Os fatores educacionais referem-se ao fato de que o sistema educacional influencia na escolha profissional. Assim, a escola, na maneira como se organiza, com seus métodos e objetivos, gera uma influência. No caso dos professores, a sua maneira de conduzir a aula desperta interesses em relação à sua especialidade profissional.

Os fatores familiares também são determinantes, afinal, como sabemos, a família é parte fundamental na vida de qualquer indivíduo, por isso no momento da escolha profissional esse grupo exerce grande influência. Geralmente, todo o pai tem projetos para o seu filho, e estes se fazem presentes na maneira como acompanha o desenvolvimento de sua prole.

Portanto, mesmo sem querer, a família exerce papel decisivo na escolha da carreira.

Os fatores psicológicos dizem respeito ao conhecimento que o jovem tem sobre si mesmo, sua história de vida, suas preferências, suas aptidões. Esses fatores às vezes passam despercebidos pela escola e deveriam ser mais estimulados pela família. Para uma escolha profissional consciente e reflexiva, o jovem deve, primeiramente, se conhecer. Isso possibilitará que saiba, com mais precisão, com qual profissão tem mais identificação e, até, possibilidade de sucesso. Para tanto, é importante se lembrar de situações em que esteve em contato com diferentes profissões e quais suas reações diante de cada uma delas.

A escolha profissional é uma temática complexa, ela não é simplesmente determinada por um ou dois fatores. Na verdade, ao escolher a profissão, estamos evidenciando uma bagagem que acumulamos durante toda a nossa vida, de modo que essa decisão não é nada fácil. Portanto, fica claro que a escolha profissional é um processo dinâmico, permeado por fatores subjetivos, emocionais e motivacionais. Fazer uma boa escolha requer conhecimento e reflexão sobre si mesmo, sobre as profissões e o próprio mercado de trabalho. A melhor escolha é realizada de forma mais consciente, considerando-se o que se quer e pode realizar, considerando-se, ainda, as condições sociais, econômicas e políticas em que se vive. Porém, algo é certo e definitivo: escolhida a profissão, é preciso ser competente no que se faz.

Por tudo o que mencionamos, é evidente que a escolha profissional implica fatores como a situação da profissão frente ao mercado de trabalho, no presente, as expectativas familiares, os desejos e possibilidades pessoais, além de outros elementos, tanto de ordem individual como contextual, os quais também compõem a motivação, os interesses e as expectativas para a escolha da profissão de professor. Todavia, em um contexto social e cultural em que ser professor não é uma carreira muito atrativa devido a vários fatores, observamos que os cursos de licenciaturas na UEFS ainda são procurados, como mostramos no Quadro 1.

3 O CAMINHO METODOLÓGICO

A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. (PAULO FREIRE)

Neste capítulo, apresentamos o caminho epistemológico e metodológico percorrido em nosso estudo, de acordo com os objetivos traçados relativos à escolha da profissão de professor pelos estudantes do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Feira de Santana. Para tanto, apresentaremos as nossas opções epistemológicas, o tipo de pesquisa, o lócus, os sujeitos, os instrumentos para a coleta de dados, a técnica para análise e construção de dados e as considerações éticas.