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Espécies de Tributos

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 38-43)

1.3 TRIBUTO

1.3.2 Espécies de Tributos

Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte. (Art. 16 do CTN).

Do conceito legal, depreende-se que o fato da cobrança do tributo independer de atividade estatal específica é o que o diferencia das demais espécies.

Diz-se, por esta razão, que é uma cobrança não vinculada. Não vinculada, nada tem a ver com atividade administrativa não vinculada. 38

Taxa é o tributo que tem como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte como expressa a lei:

35 SABBAG, Eduardo de Moraes. Direito Tributário. p. 71-72.

36 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito tributário. p. 84; SABBAG, Eduardo de Moraes. Direito Tributário. p. 71-72; STJ, RREE 138.284-8, Rel. Min. Carlos Velloso; 146.733;

ADC-1-DF.

Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. (CTN).

Assim da definição de taxa, em contraposição com as outras espécies de tributos, emana o núcleo que deverá ter sua hipótese de incidência: ser devida em virtude de um serviço ou atividade pública do Estado para o contribuinte.

A Contribuição de melhoria é tributo cuja obrigação tem como fato gerador a valorização de imóveis decorrente de obra pública:

Art.145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:

III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. (CRFB/88).

Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. (CTN).

37 Contribuições parafiscais, contribuições sociais, contribuições especiais, etc. A doutrina e a jurisprudência denominam as “contribuições sociais” de várias fomas, contudo, referem-se ao mesmo instituto.

38 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito tributário. p. 91.

Conforme SABBAG39, a Contribuição de Melhoria é tributo bilateral, sinalagmático ou contraprestacional:

O requisito essencial para a contribuição de melhoria é a valorização do imóvel que deve decorrer, inexoravelmente, de obra pública. A valoração decorrente da obra pública faz nascer o dever de pagar o tributo. Assim, o pagamento dela deve ser realizado somente após o termino da obra. Para tributação deve haver “valorização imobiliária”, e não mero “benefício”, (pois toda valorização gera um benefício, mas nem todo benefício gera uma valorização correspectiva, segundo o STF).

Enquanto a taxa está ligada ao exercício regular do poder de polícia, ou a serviço público, a contribuição de melhoria está ligada à realização de obra pública. 40

Contribuições sociais são aquelas que a União Federal institui com fundamento nos arts. 149 e 195 da CF/88:

Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos

39 SABBAG, Eduardo de Moraes. Direito Tributário. p. 82-85.

40 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito tributário. p. 85.

termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais.

As contribuições sociais (ou para-fiscais) dividem-se em três subespécies: (I) as contribuições de intervenção no domínio econômico, art. 149; (II) as contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas, art. 149; e (III) as contribuições de seguridade social, art. 195.

Os Empréstimos compulsórios estão previstos no art. 148 da CF/88:

Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios:

I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência;

II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, "b".

Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.

O empréstimo compulsório desfruta de total autonomia com relação às demais espécies tributárias, com as quais não se confunde, na medida que possui traço distintivo genuíno: a restituibilidade. 41

41 SABBAG, Eduardo de Moraes. Direito Tributário. p. 86.

A contribuição por iluminação pública está prevista no art. 149 – A da CF/88:

Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado o disposto no art.

150, I e III.

Estas são as espécies de tributos previstos hoje no Sistema Tributário Nacional.

Qualquer que seja o nome com o qual se instituiu, a designação do tributo é irrelevante para qualificá- lo. A identificação do tributo como espécie é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação:

Art. 4º A natureza jurídica específica42 do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la:

I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei;

II - a destinação legal do produto da sua arrecadação. (CTN).

Assim, se o legislador de um Estado criar um tributo com nome de taxa, mas determinar que ele tem uma base de cálculo própria de imposto, na verdade estará criando imposto.43 Portanto, para sabermos se um tributo é imposto, taxa ou contribuição de melhoria, não importa o nome ou a destinação de sua arrecadação, mas sim o fato

42 “Natureza jurídica específica” quer dizer identificação como espécie. SOUZA, Hamilton Dias de. Comentários ao Código Tributário Nacional. p. 29.

43 SOUZA, Hamilton Dias de. Comentários ao Código Tributário Nacional. p. 30.

gerador respectivo.

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 38-43)

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