• Nenhum resultado encontrado

Etapa da entrevista semiestruturada

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 52-55)

interlocução entre pesquisador/sujeito pesquisado (MINAYO, 2018). Previamente selecionado, o público ao qual se destinava esta primeira etapa representava uma

“fatia” – um grupo micro – que representasse o grupo macro ao qual se destinava a etapa posterior da pesquisa. A análise do conteúdo colhido por meio das entrevistas semiestruturadas gerou as indagações necessárias para a elaboração de um questionário enviado de modo online a uma parcela maior de respondentes.

A partir da escolha desses caminhos metodológicos – entrevistas semiestruturadas e questionário -, o texto a seguir detalha a evolução deste momento, a seleção da amostra e os obstáculos enfrentados ao longo dessa etapa dando origem a acréscimos, intervenções e reflexões.

assim, a melhor escolha se deu pela realização de entrevistas assíncronas por meio de mensagens de whatsapp e e-mail.

De acordo com o que se espera para tal método, uma entrevista semiestruturada parte da elaboração de um roteiro estruturado constituído por perguntas abertas para ser usado na interlocução com os participantes (MINAYO, 2018, p. 143). Diz Minayo (op cit , p.142) que esta técnica permite “ao entrevistador um controle maior sobre o que pretende saber sobre o campo e, ao mesmo tempo, dar espaço a uma reflexão livre e espontânea do entrevistado sobre os tópicos assinalados”. Há aberturas para flexibilizações, alterações e acréscimos. Há uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde (LÜDKE e ANDRÉ, 1986) que permite a captação imediata e corrente da informação desejada.

De acordo com Triviños (1987, p. 146):

Podemos entender por entrevista semiestruturada, em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam á pesquisa, e em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante.

Como no caso em particular desta investigação as entrevistas semiestruturadas foram feitas por meio de ferramentas de comunicação assíncrona, o que se pretendeu foi optar por um meio eficaz para reunir dados escritos, ricos e detalhados entre aqueles impossibilitados de comparecer a uma entrevista presencial (GIBSON, 2019). Para Nicolaci-da-Costa (p.43, 2009), é “importante que as entrevistas online sejam encaradas como uma alternativa séria e viável para a coleta de dados”. Acreditamos aqui que se estamos na busca por compreender os fenômenos atuais de uma realidade conectada fulltime, nada mais natural do que explorar esse cenário também na elaboração de pesquisas no mundo acadêmico.

A fase de formulação do roteiro semiestruturado de perguntas para a entrevista privilegiou a formação de três eixos centrais. O primeiro eixo focou essencialmente na relação desses docentes com as ferramentas digitais durante o curso de licenciatura a distância. O objetivo era compreender a quais ferramentas digitais tiveram acesso durante a sua formação. O segundo eixo questionava sobre a possível influência que o uso dessas ferramentas digitais teve sobre a formação e a prática, levando-os a compartilharem experiências negativas ou positivas. E o terceiro, e último, focava o uso de ferramentas digitais durante a prática profissional.

Com base nessa proposta, o roteiro se constituiu da seguinte forma:

Quadro 2: Organização do roteiro semiestruturado

Eixo 1 – Foco na relação com as ferramentas digitais durante o curso de licenciatura a distância:

a) A quais ferramentas digitais você teve acesso durante a sua formação a distância?

Eixo 2 – Foco na influência sobre o uso dessas ferramentas digitais durante a formação na prática profissional:

a) A formação a distância - sustentada pela tecnologia - inspirou você, de alguma forma, a desenvolver estratégias educacionais em suas aulas presenciais com o uso de alguma ferramenta digital? Por quê?

b) A Resolução CNE/CP Nº 2, DE 01 DE JULHO DE 2015 aponta a necessidade dos professores desenvolverem competências necessárias ao longo da formação para o uso competente das tecnologias digitais visando o aprimoramento profissional. Em sua opinião, até que ponto a formação que teve cumpriu esse papel destacado pela resolução? De formá-lo para o uso competente das tecnologias? Por quê? Caso sim, diga quais as competências que você desenvolveu?

Eixo 3 - Foco nas ferramentas digitais utilizadas na relação com os alunos:

a) Quais ferramentas digitais você utiliza com mais frequência na relação com o aluno?

b) Em que sentido a modalidade de curso que você escolheu (a distância) influencia, de alguma forma, o uso de ferramentas digitais durante a sua atividade docente?

Fonte: Elaborado pela autora.

A seleção da amostra macro para esse momento atendeu, conforme indica Minayo (2018), a alguns cuidados necessários. No processo de amostragem privilegiaram-se sujeitos detentores de experiências as quais interessa a pesquisa conhecer e se aprofundar. Considerou-se um número suficiente de entrevistados de modo a se perceber a reincidência e a relação entre as informações possibilitando, assim, melhor compreensão dos fenômenos de modo a sustentar a etapa seguinte do envio do questionário. E a relevância dessa amostragem se relaciona

diretamente com as contribuições que cada um possa dar para o alcance dos objetivos da pesquisa não sendo de caráter probabilístico, mas sim intencional de modo que se atendesse às indagações aqui colocadas.

Com o roteiro da entrevista semiestruturado finalizado, iniciou-se a etapa de seleção de pessoas dispostas a colaborar e que contemplassem o perfil de público- alvo estabelecido para essa pesquisa – docentes formados em licenciaturas a distância em universidades do estado do Rio de Janeiro e com atuação em sala de aula presencial. Na busca por possíveis entrevistados, fez-se um contato via e-mail mensagem por facebook e whatsapp com os coordenadores de cursos de licenciatura a distância no estado do Rio de Janeiro que atendessem à exigência da pesquisa de modo que pudessem compartilhar as intenções da pesquisa junto a alunos já formados e assim captar possíveis respondentes. Com as indicações dos nomes dos possíveis entrevistados em mãos, iniciou-se a etapa de apresentação pessoal da pesquisadora e dos objetivos da pesquisa. No período de um mês (de setembro a outubro de 2019), 37 pessoas foram convidadas a participar sendo que um total de 12, de fato, responderam às perguntas – os demais não atendiam aos critérios adotados para a pesquisa. Para esse momento, optou-se por realizar a entrevistas por meio de comunicação assíncrona (por mensagens de áudio de whatsapp, mensagens de texto de facebook e e-mail). Esse grupo foi previamente selecionado tendo como critério a variedade de cursos oriundos de universidades públicas do Consórcio Cederj aos quais se formaram (Biologia, Pedagogia, Matemática e Letras), a localização dos polos (em diversos municípios do estado do Rio de Janeiro) e a atuação presencial em sala de aula.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 52-55)