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Evolução tectônica

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 31-34)

A porção equatorial da América do Sul está compreendida entre a Zona de Fratura de Marathon, próximo aos Platôs de Demerara, separando a porção central da equatorial; e entre a Zona de Fratura Chain, na Bacia Potiguar, separando a porção equatorial da lest e brasileira (MOULIN et al, 2010). Já a parte equatorial brasileira está compreendida entre as Bacias do Foz do Amazonas e Potiguar, compreendendo cerca de km, e cinco bacias sedimentares (Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar), três zonas de fratura (São Paulo, Romanche e Chain) e feições únicas (Elevação do Ceará, Cone do Amazonas, Cadeia Norte Brasileira, Arquipélago de Fernando de Noronha).

A margem equatorial brasileira (MEB) é uma margem transformante que se desenvolveu através de um processo complexo e multifásico, de ruptura e distensão da litosfera.

Este processo envolveu criação de bacias multicíclicas, desde riftes clássicos precedidos por magmatismo básico, a bacias em en echelón, amagmáticas, acompanhadas de ativação de falhas transformantes em regime transtensional (ZALÁN,2012). A extensão litosférica relacionada ao final da dispersão do Gondwana ocidental começou com a formação de grandes sistemas de falhas intercontinentais dentro e entre as Placas Africana e Sul Americana no Cretáceo Inferior.

A evolução tectônica da MEB é melhor entendida se considerarmos os estágios tectônicos que a precedem, estes são síncronos ou após a ativação de falhas transformantes. O Estágio de pré- rifte ocorre antes da ativação destas falhas, enquanto o estágio rifte ocorre de forma síncrona com os falhamentos ativos. Estas falhas, agora evoluídas para as zonas de fraturas oceânicas (São Paulo, Romanche, Chain) ainda promovem efeitos térmicos e tectônicos. (MATOS et al., 2021).

Estruturas pré-existentes do embasamento já são conhecidas por exercer uma forte influência na formação e geometria de margens continentais rifteadas e podem controlar a posição de algumas zonas de fratura. O controle do embasamento é particularmente evidente no caso das margens oeste africano e nordeste brasileira onde a abertura do Atlântico Central no início do Cretáceo foi acompanhada por cisalhamento e reativação de antigas estruturas da sutura Pan-Africana intra-continental. Estas estruturas herdadas pré-determinaram não somente a localização e geometria da quebra continental como também a orientação das falhas transformantes ligando estas margens. Estas falhas transformantes se orientam Leste-Oeste, paralelas ao traço da sutura antiga, e submergem em direção ao oceano como uma série de

Transbrasiliano ou Trans-Saara (Figura 10), que se estende por 3000 km ao longo da shear zone da Argentina até o NW do Ceará no Brasil e continua no Saara na África (MATOS et al., 2021) que influenciou na formação das zonas de fratura Romanche e Chain no Atlântico Equatorial.

Figura 10 - Lineamento Transbrasiliano

Legenda : Linea mento Tra nsbra silia no em vermelho, divisã o da s pla ca s em bra nco, em cor de rosa cla ro são a presenta dos os crá tons (AM – Ama zona s; WA – Oeste Africa no; SL – Sã o Luís; SF – Sã o Fra ncisco, C – Congo). #1 Cinturã o de dobra s Borborema , Rio Preto, Ria cho do Ponta l e Sergipa no; #2 Cinturão Ara çua í e Dom Felicia no; #3 Cinturã o da Ribeira . BBNP – Província Borborema e Benin-Nigéria ; PTSZ – Zona de cisa lha mento Pa tos; PESZ – Zona de cisa lha mento de Perna mbuco; CASZ – Cinturão ou zona de cisa lha mento África centra l.

Fonte: MATOS et a l,2021.

O rifteamento não é centrado em uma pluma, entretanto três grandes plumas estão relacionadas ao processo de abertura do Atlântico Sul e Equatorial, estas são Santa Helena, Tristão da Cunha e Sierra Leone (margem equatorial brasileira), e representaram um papel

Africana e Sul Americana. E ainda de acordo com Matos (2021), as plumas contribuíram através da influência na dinâmica do manto e na movimentação das placas do Gondwana.

Durante o Aptiano, ocorreu em um período chamado de Cretaceous Normal Superchron (CNS), ou seja, um período de quietude magnética. Isto implica, em determinações imprecisas das idades de rochas deste período. O espalhamento do fundo oceânico entre África e a América do Sul começou aproximadamente na Anomalia M13 (134 Ma) no Atlântico Sul e então se propagou em direção ao Atlântico Equatorial. Devido ao CNS há uma falta de registros magnéticos desta época (MATOS et al.,2021) O chron C34 (83 Ma) representa um ponto de partida para as reconstruções do Gondwana, por ser uma anomalia magnética muito marcante depois de um período de quietude (MOULIN et al, 2010). Acredita-se que a abertura do oceano Atlântico Equatorial se deu entre 110-104 Ma, aproximadamente, e esta idade é obtida através dos limites oceano-continente, sequências sedimentares, usados nas reconstruções. Duas anomalias magnéticas traçadas globalmente do CNS são usadas para definir as idades internas no Atlântico Sul durante este período, a anomalia Q2 (108 ±1 Ma) que é representada por um longo comprimento de onda e a Q1 (92 ± 1 Ma) que é representada por um curto comprimento de onda que é seguida pela dominância de anomalias mais antigas em direção a anomalias mais jovens e ao fim do período de quietude magnética (GRANOT & DYMENT, 2015)

A evolução deste oceano também contou com rotações em sentido horário da placa sul- americana em relação à placa africana, estas rotações influenciaram na posição atual das placas, como mostra a Tabela 1, promovendo regimes transtensivos e transpressivos em ambas as margens (Figura 11). (SZATIMARI et al, 1987, GRANOT & DYMENT, 2015 ; MATOS et al., 2021). Attoh et al. (2004) propõe que a dobra transtensional em Gana foi gerada a partir da influência da rotação da placa sul-americana na Zona de fratura Romanche.

Legenda : Modifica do de (MATOS,2021)

Tabela 1 - Posições do polo de rotação da América do Sul em relação à África

IDADE (MA) LAT LONG ÂNGULO (°) PERÍODO

145 45,368 -32,191 57,085 Pré-Rif te

135 45,368 -32,191 56,835 Pré-Rif te

128,78 47,525 -34,485 55,2313 Pré-Rif te

120,8 51,077 -32,505 52,6024 Pré-Rif te

102 54,131 -34,549 45,5 Rif te

83 62,29 -34,78 33,58 Pós-Rif te

Fonte: Modifica do de MATOS et al., 2021).

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 31-34)

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